sábado, 25 de maio de 2019

terça-feira, 21 de maio de 2019

Niki Lauda (1949 - 2019)



Um dos heróis responsáveis pelo meu interesse por F1 quando era puto nos anos 80.

domingo, 19 de maio de 2019

WPP


Museu Nacional de História Natural e da Ciência
(rua da Escola Politécnica)

sábado, 18 de maio de 2019

sexta-feira, 17 de maio de 2019

"O futebol não é para ser tratado com os pés"



«God, mais conhecido por my God! nos seus templos modernos (chamados estádios), existe, é anglo-saxão, humorista e inventou o futebol. Este, aliás, é inglês até dizer chega - ou o leitor chama-lhe pedibol? Vem de foot, não do português pé. E é justamente chamado football, ou futebol, porque é desporto que nunca pode ser jogado com os pés.
Tanto é assim que o maior messias dessa convicção religiosa se chama Messi e só tem pé esquerdo. O outro é cego e, por fanatismo, nunca toca na bola. Football, de pé mais bola; não feetball, de pés mais bola. Ainda bem que assim é, senão chamar-se-ia "fitebol" nas terras de Garrincha e de Cristiano Ronaldo e "fítbol" na terra do já citado Messi. Fitebol seria ciciado, pouco varonil e nunca chegaria ao êxito planetário a que estava destinado.
Isto está tudo ligado desde que o Universo - então chamado Football Association - foi criado em Londres na Freemason's Tavern, a 26 de outubro de 1863, uma segunda-feira. Desde aí, o futebol joga-se todos os dias da semana (terças, quartas e quintas nas taças europeias, e fins de semana nos campeonatos nacionais) e quase nunca à segunda que é o dia do my God! descansar nos estádios.
A Freemason's Tavern era um lugar público que por ser maçónico tinha os seus símbolos expostos: da letra "G", que é o sinal do Divino Geómetra, ao olho dentro de um triângulo, que é a imagem do Olho da Providência. Eis como uma fundação contemporânea do DN inicial, tão antiga, já previa nos tempos vitorianos os dias de hoje: o "G" de então representa hoje o símbolo do ritual mais louvado daquele culto: "Goooolo!!!" E o olho que vê tudo anunciava o moderno VAR... Como é que em 1863 se adivinhou tudo isso?
Como já eu disse, isto anda tudo ligado: a histórica taberna londrina onde se criou o futebol foi, décadas antes, a sala onde a Sociedade Antiescravatura britânica se reunia. A organização teve um papel fundamental na abolição da escravatura mundial, isto é, foi dali que se criou um dos pilares do mundo moderno.
Vejam esta sucessão de passes mágicos: a Anti-Slavery Society indignava-se em 1823; no mesmo local, 40 anos depois, a Football Association fundava-se; na década de 1960, o mulato Mário Coluna mostrava no relvado que o patrão de uma grande equipa europeia, o Benfica, era ele; e, nesta semana, um branquelas apanha-bolas pôs uma bola na bandeirola de canto, um mulato teve um rasgo de génio, fingiu que não fazia e fez, e um negro marcou golo. Havia ainda um alemão paternal com cara de Alex Ferguson e um egípcio em Ramadão que mostrava, no peito, a tática aos seus: "Nunca desistas." Se isto não é o mundo que nós queremos, qual é ele?
Oh, o golo 4, na Liverpool do outro quarteto fabuloso! Os fiéis puseram-se a rezar em uníssono como os apóstolos locais John, Paul, George e Ringo, descreviam em Penny Lane a sua cidade natal. My God! Tão lindo. Voltem a enumerar: um trabalhador braçal célere, um intelectual que pensa, um artesão que executa, um patrão que comanda e uma vedeta que não podendo atuar empurra os seus...
Quando as empresas (os países?) têm uma equipa que os galvaniza assim, respondem. Eu sei que não tenho o saber do treinador Jürgen Klopp, nem o dote de prestidigitação de Alexander-Arnold, nem a presteza do apanha-bolas Oakley Cannonier - football são eles - mas sei que me sentiria em association, se tivesse estado lá, nas bancadas do estádio Anfield. Com um sentimento de pertença.
Não com o desconforto de assistir a pobres diabos que, tendo sequestrado o futebol, por cá discutiam, nas televisões portuguesas, à hora daquele milagre em Liverpool, as alegadas traficâncias de clubes para chantagear árbitros e jogadores. Falavam de amantes de árbitros e de futebolistas insultados por analfabetos que tiravam a camisola para mostrar bíceps, os órgãos por onde raciocinam.
Comparem as duas imagens: o coro derreado de prazer em Anfield, o tão bom de estar numa glória coletiva e limpa, agradecendo a quem a construiu, os artistas; e, noutro estádio (com portistas, mas podia ser, e já foi, de forma similar, com benfiquistas e sportinguistas), os guinchos de um autodenominado Macaco, rodeado de seus iguais, a ousar pedir explicações a artistas. Com a técnica do telecomando é possível assistir às duas cenas em simultâneo.
De Liverpool, a meus ouvidos e meus olhos, chegavam-me razões para admiração. E, ao lado, à distância de um toque de telecomando, a vergonha de estúdios televisivos nacionais (não, não só o reles) entretidos com ascos que nos empequenam a alma. Em ambos os casos, aparentemente, o mesmo assunto: futebol. Mas que identificação absurda!
Recorro a um tema simples, belo, amado por tantos, para alertar sobre como podemos ser corrompidos por gente estúpida e má. Desta vez, não se trata de calcular o impacto orçamental de uma medida política, nem de saber que tipo de floresta devemos ter, desta vez não temos desculpa por nos enganarem. Falo de uma coisa que foi inventada para nos dar prazer e nós amamos. E trata-se que estamos a ser desapossados do futebol.»
in DN, por Ferreira Fernandes

quarta-feira, 15 de maio de 2019

sexta-feira, 10 de maio de 2019

the Better Land



New punk on the run.
Boa sexta!

quinta-feira, 9 de maio de 2019

terça-feira, 7 de maio de 2019

domingo, 5 de maio de 2019

o suficiente para ao meu lado levarem uma senhora de maca

terça-feira, 30 de abril de 2019

Sei porque Canta o Pássaro


"Oh, poetas negros conhecidos e desconhecidos, quantas vezes as vossas dores leiloadas nos sustentaram ? Quem calculará as noites solitárias que as vossas canções tornaram menos solitárias, ou as panelas vazias que os vossos contos tornaram menos trágicas ?
Se fôssemos um povo dado a revelar segredos, talvez erguêssemos monumentos e oferecêssemos sacrifícios à memória dos nossos poetas, mas a escravatura curou-nos dessa fraqueza. Talvez seja suficiente, porém, dizer que sobrevivemos em relação directa com a dedicação dos nossos poetas (incluindo pregadores, músicos e cantores de blues)."

sábado, 27 de abril de 2019

Lyra McKee


in 'Expresso'

quinta-feira, 25 de abril de 2019

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Nouvelle Vague




No meu tempo de Secundária levávamos com uns VHS manhosos numa sala do pavilhão 4, e já tínhamos sorte. Agora metem os putos na Cinemateca a ver Godard. Caraças ! Começa cedo, a miúda. 

segunda-feira, 22 de abril de 2019

terça-feira, 16 de abril de 2019

segunda-feira, 15 de abril de 2019

the Winter is Gone

Resultado de imagem para countdown game of thrones gif

É como diz o MEC, "dobrem os joelhos, pá". 

domingo, 14 de abril de 2019

O meu cérebro

Gulbenkian - 17h59m




Com a cor inevitável.

sábado, 13 de abril de 2019

semana do cinema italiano



(Atlântida Cine / Carcavelos)

Há poucas coisas melhores na vida do que levar a nossa filha ao cinema.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

quarta-feira, 10 de abril de 2019

'A Arte de Voar', de Altarriba e Kim *


* juntar 'A Asa Quebrada'

domingo, 7 de abril de 2019

sábado Fausto


(Capitólio, Lisboa)

Está a ser um prazer acompanhar o crescimento destes rapazes. Os miúdos lá de casa acham o mesmo. 

sexta-feira, 5 de abril de 2019

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Boys Entering Anarchistic States Towards Inner Excellence


Cabum ! 
História do trio (true friends) e verdadeira open letter to NYC. Também do novo som que breakava das ruas nos anos 80 e depois. 
Agradecer mas é ao Fallon a entrevista com os dois Beasties que deu a conhecer a obra. Daqueles em que aproveitamos todas as brechas para acrescentar mais um capítulo e que, à medida que vamos chegando ao fim, só queremos segurar para não terminar. E soberbamente bem montado. Beastie way.
A Intro pertence a 'AdRock' Horovitz, com dedicatória ao MCA (aka Adam Yauch), desaparecido para o cancro. Wild card.
É ouvir.

sexta-feira, 29 de março de 2019

Viral


(de vez em quando recebemos alguma coisa de jeito pelo WhatsApp)

quarta-feira, 27 de março de 2019

Look at the Pictures



As tais fotos (em doc.). Que uma Serralves considerou ainda de reservar
Século XXI.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Moçambique 2019


[Yasuyoshi  Chiba / AFP]

domingo, 24 de março de 2019

sábado, 16 de março de 2019

sexta-feira, 15 de março de 2019

Augusto Cid


(1941 - 2019)

domingo, 10 de março de 2019

sexta-feira, 8 de março de 2019

morreu a Professora

Contou-me a Matilde.
"Morreu uma professora da Escola, pai."

Flash. Foi quando pensei como nos vimos na Bertrand do CCB já fez um ano. Que não tinha deixado de lhe falar e lembrar quem era eu com esta barba e quarenta anos. E de lhe contar como foram na minha cabeça as aulas que nos deu. 
Que bom ter-lhe interrompido o momento na caixa (a vida pode ser esquiva), e ainda ter ido a tempo. Ter tido tempo.
E não ter hesitado para mais tarde (tantas vezes tarde demais) a oportunidade de lhe explicar como foi importante. E de me despedir.
"Já tive o meu presente de Natal, André. Obrigada."

Filomena Gamelas

Full Fury



«Fury shows just how vulnerable you were fighting in a Sherman tank. There is a lot of blood and gore in the film but nothing can really come close to the true horrors of tank warfare. I saw people being blown up and burnt alive. Going to see Fury you don’t get that dreadful, nauseating smell of burnt flesh. That will stay with me forever.»

Bill Bets, tank veteran, the Guardian 

terça-feira, 5 de março de 2019

Coney island



Privilégio enorme ter visto este homem ao vivo. 
1998. 
Com a mana.

domingo, 3 de março de 2019

Orgulho de pai



Tarde de mini-derby. 
4-1 é coisa séria ! 

sábado, 2 de março de 2019

O menino estraga


Benfica 2
Porto  1

sexta-feira, 1 de março de 2019

Dolce Vita

[Osteria Lisboa]

Uma tasca que é Osteria. Na Madragoa mas diz que é de Turim. Sol na janela, sopa de tomate e lasagna carasau muito fina com café e bolo a terminar. Comidinha assim e até as pausinis e os zuccheros que tocam no rádio caem bem.

Plus: João Paulo II pop abençoa a casa. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

esfolar a bicha

"Época da lampreia chegou: onde comê-la em Lisboa"


2015 - Marquês de Palma 
2016 - Tasca do João 
2017 - Vitrais 
2018 - Tia Matilde 
2019 - Solar dos Presuntos 

No décimo ano, o gangue vai ao Minho.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Hard being a kid

Resultado de imagem para Big hanks gif

Mais um papado com a tribo lá de casa.
Além de mostrar como era crescer nos anos 80, é formativo.
Quem é que vai hoje levar o lixo lá abaixo ? 

domingo, 17 de fevereiro de 2019

The Mule



Faltam quatro dias para fecharem o Monumental.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Sun Kill Moon is here



Is it possible that the United States President
Needs to be admitted into a mental hospital?
Yes, this is possible

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Um 10


Para a História.
Mas antes um 10 para o 10.
No dia 10.

Parabéns Chalana.


e o décimo ainda veio da 10 do Jonas...

- Pai, e eu faço 10 anos este ano !

Pois é, puto, tempos virão em que se vai dizer "Eu estive lá."

"courage to change people's hearts"

Resultado de imagem para the Green Book film gif

'Green Book', com Viggo Mortensen e Mahershala Ali


Faltam 10 dias para fecharem o Monumental.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Big Fish




Albert Finney
(1936 -2019)


Acho que devíamos ser levados assim. Ao colo do nosso filho enquanto nos despedíamos de toda a gente que conhecemos ao longo da vida, desaguando na perfeição de um rio. Com música e umas palmas a acompanhar. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Stephen Hawking Big Answers


“Is there any point in hosting a party for time travelers? Would you hope anyone would turn up?

In 2009 I held a party for time travelers in my college, Gonville and Caius in Cambridge, for a film about time travel. To ensure that only genuine time travelers came, I didn’t send out the invitation until after the party. On the day of the party, I sat in college, hoping but no one came. I was disappointed, but not surprised, because I had shown that if general relativity is correct and energy density is positive, time travel is not possible. I would have been delighted if one of my assumptions had turned out to be wrong.”


«I think we are acting with reckless indifference to our future on planet Earth. At the moment, we have nowhere else to go, but in the long run the human race shouldn’t have all its eggs in one basket, or on one planet. I just hope we can avoid dropping the basket before we learn how to escape from Earth. But we are, by nature, explorers. Motivated by curiosity. This is a uniquely human quality. It is this driven curiosity that sent explorers to prove the Earth is not flat and it is the same instinct that sends us to the stars at the speed of thought, urging us to go there in reality. And whenever we make a great new leap, such as the Moon landings, we elevate humanity, bring people and nations together, usher in new discoveries «and new technologies. To leave Earth demands a concerted global approach—everyone should join in. We need to rekindle the excitement of the early days of space travel in the 1960s. The technology is almost within our grasp. It is time to explore other solar systems. Spreading out may be the only thing that saves us from ourselves. I am convinced that humans need to leave Earth. If we stay, we risk being annihilated.»

NB: no passamento do homem que me fez interessar por estes temas. Foi Avô do meu amigo Diogo Azul e deu-me explicações de Físico-Química no oitavo ano (depois de um 2 na pauta do primeiro período).

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Tesouro



120 das guitarras de David Guilmour vão a leilão. "Está na altura de seguir em frente e pode ser que ajudem outras pessoas a criar algo novo.", diz o artesão.
O pecúlio é para instituições humanitárias. Pay-back é isto. 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Transa na Feira


É o que dá quando se vai à Lx Factory. Bate-papo com o antigo dono da 'Magic Bus', e zás ! Caetano (antigo) novo em casa.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

falar já não estraga

O puto Félix é o estrago ! 


(Sporting - 2
Benfica - 4)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Fax de Sarajevo


Às vezes é preciso lembrar que à beira do século XXI houve uma guerra em plena Europa que quase acabou com um povo e uma nação. Uma guerra onde morreram centenas de milhar de pessoas. Civis. Pessoas como nós. Crianças, muitas, alvos predilectos dos snipers genocidas que ganhavam por cabeça.
"Faz de Sarajevo" descreve a história de Ervin Rustemagić e da sua família durante o cerco que, entre 92 e 96, as tropas militares e para-militares sérvias de Milosevic, o carniceiro dos Balcãs, fizeram à cidade. Limpeza étnica.
Isolado e sem quase poder sair à rua, Ervin (amigo do autor Joe Kubert) dispunha apenas de um fax para contactar com o exterior e relatar as atrocidades que todos os dias eram cometidas naquele pedaço de Bósnia, por entre o rebentamento de obuses, tiros e granadas, e enquanto o resto do mundo assistia pela televisão a mais uma tentativa de extermínio. 

Três anos depois da guerra estive em Sarajevo. Já aqui contei. De como encontrámos a cidade. Semi-destruída. De olharmos para o edifício do Parlamento estilhaçado e rebentado pelos morteiros. E do "Holiday Inn", onde Ervin, a mulher e os filhos acabaram por conseguir se refugiar, quando perderam a casa. De como tropeçávamos em parques convertidos em cemitérios. E da estação de comboios, deserta e a abandonada. 
Às vezes é preciso lembrar que à beirinha do século XXI houve uma guerra em plena Europa. 
"Is there a time for human rights ?"


domingo, 27 de janeiro de 2019

Vhils no Panorâmico


E nós também.
Há muito que O Panorâmico não é o restaurante sumptuoso frequentado pelas celebridades e figuras do Estado Novo no Portugalzito do final dos anos 60. Desprezado e quase destruído, ficou esqueleto e refúgio de toxicómanos. Agora de artistas e graffiters, ou dos sem-abrigo, como se percebe pelos restos de carvão de uma fogueira recentemente apagada numa das salas de jantar. Mas Monsanto continua cá. E a vista incrível do alto para toda a cidade, em 360 graus, depois de andarmos um bocado na estrada da Bela Vista. 
E Marielle.  

sábado, 26 de janeiro de 2019

"just talking about living"




Faltam 24 dias para fecharem o Monumental.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Roma, Cidade do México



Faltam 30 dias para fecharem o Monumental.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Guru de luxo



beijo à minha Sis

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

as leituras do Junior


"Pai, o velho devia gostar mesmo do Mar."

domingo, 13 de janeiro de 2019

"o que está nas lojas ainda não pertence a ninguém"


(faltam 38 dias para fecharem o Monumental)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Mamma, Mamma Mia....


Ser Pai também é isto.
Desde que a abelhinha lá de casa descobriu que a mana mais velha tinha o disco, já o deve ter posto a tocar umas 100 vezes !!!

domingo, 6 de janeiro de 2019

Dia de Rei(s)


Benfica 4 
Rio Ave 2

"Os peixes nas redes", by MEC


[Livraria da Travessa, Rio de Janeiro, 2015]

«Estou numa esplanada onde não há rede. Vejo um rapaz com onze ou doze anos de braço esticado a olhar para o telemóvel. Diz sempre "no service". Faz isto durante uma hora inteira. Não fala com os pais. Não abre um livro. Não olha para a paisagem. Não brinca. Tem sempre a mesma expressão chateada e desiludida. Sente-se que não é a primeira vez que isto acontece.
Eu estou a ler no meu Kindle. Mas parece que estou na Internet. O rapaz deve pensar que eu consegui rede. Na volta, é por causa disso que o desgraçado não desiste.
Passa uma pessoa atrás de mim e percebe que estou a ler. Comentário dela: "Grande seca!" Não compreendi. Respondi: "Não! Estou a ler o..." mas já não deu para acabar. Há décadas que ninguém me pergunta o que estou a ler. Estou habituado.
Depois percebi. A grande maioria das pessoas já não associa a leitura ao prazer. Só pode ser isso. Lêem para estudar, para aprender, porque pensam que lhes faz bem ou dá jeito. Mas não lêem pelo prazer de ler, de ser transportado para outros mundos, onde não sabemos o que vai acontecer - ou sabemos mas gostamos de lá voltar, à procura duma coisa diferente em que não tenhamos reparado.
O que não há nos livros — e é por isso que é um tão grande alívio — é o eu. Não estou lá de maneira nenhuma. Só há outras pessoas. O mal das redes sociais é o eu-eu-eu e o meu-meu-meu e o vício de usar os likes como um espelho de tique-tiques.
O prazer de ler — ficar absorto, desaparecer, ficar pendurado — é uma solidão acompanhada, uma viagem sem fim e sem esforço.»

in Público, 4.01.2019

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Does God exist ?


«I don’t have any evidence either way, but I am not sure that is the right question. For me, the question is what it means to believe. The thing is, against all my better judgement, I find it impossible not to believe, or at the very least not to be engaged in the inquiry of such a thing, which in a way is the same thing. My life is dominated by the notion of God, whether it is His presence or His absence. I am a believer – in both God’s presence and His absence. I am a believer in the inquiry itself, more so than the result of that inquiry. (...)
In the end, with all respect, I haven’t the stomach for atheism and its insistence on what we know. (...) I share many of the problems that atheists have toward religion – the dogma, the extremism, the hypocrisy, the concept of revelation with its many attendant horrors – I am just at variance with the often self-satisfied certainty that accompanies the idea that God does not exist.»