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segunda-feira, 21 de março de 2016
sábado, 27 de fevereiro de 2016
É a Liberdade de Expressão, stupids !
Neste Portugalito dos respeitinhos, há quem esteja sempre à espera de ser ofendido.
Podemos não gostar do poster do Bloco, não concordar com a ideia subjacente, podemos achar que não se justificava o timing, até que era desnecessário para quem saiu "vencedor" no tema, agora, dizer que ofende os católicos !?? Como se fôssemos uma casta ? De Intocáveis ? Ou um rebanho?! Onde é que já vão os discursos pró-Charlie Hebdo....
Ora, meus caros, o poster não ofende. É legítimo numa sociedade democrática e até está bem apanhado.
O que ofende é ver Roma ser visitada pelo presidente do Irão e cobrirem de vergonha as estátuas nuas do museu Capitolini.
Isso é que é mesmo ofensivo ! e censura !
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
As Misses
Em casa ouvia falar. As Presidenciais. As primeiras sem militares, sem o esfíngico Eanes.
Colossos para pôr a cruzinha. Soares, Freitas, Zenha, Pintasilgo. Freitas mas pouco. 2ª volta. Segunda volta. Com sapos e tudo.
"Soares é fixe e o Freitas que se lixe !". Caravanas e bandeiras. Às cavalitas do meu pai no comício de encerramento no Rossio e o Rui Veloso no palco. Vitória. Porque a minha vitória é verdadeiramente grande se os adversários também o forem.
É por isso que dói ver ao que isto chegou. 10 candidatos, é certo. E isso até podia ser bom. Participação activa. Vontade (alguma, talvez). Mas.
O que custa é não mexerem connosco. Parece que só olhamos para eles e dizemos: "Gosto daquele. Dou-lhe um 9 e meio!", ou, como dizia o outro, "pior do que com aquele que lá estava, não ficamos..."
Não despertam o debate. E depois observamos a distância a que esta relação chegou, que já nem é divórcio. É pura falta de comparência. 50% de abstenção, mesmo com os cadernos eleitorais cheios de pó e músicas de enterro. God damn it !
Não despertam o debate. E depois observamos a distância a que esta relação chegou, que já nem é divórcio. É pura falta de comparência. 50% de abstenção, mesmo com os cadernos eleitorais cheios de pó e músicas de enterro. God damn it !
Porque se
participava. Discutia-se muito. E eram Ideias. Política
com nome próprio. E à noite, os
amigos dos meus pais reuniam-se em nossa casa para assistirem às Eleições.
Discutir mais. E viver esses dias com entusiasmo.
Porque não eram, não eram definitivamente, concursos de Misses.
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domingo, 22 de novembro de 2015
o Sopro épico que nunca acontece
"Nos filmes de Salaviza os rapazes partem à conquista da luz e da cidade. Mas em Montanha David transporta a sua escuridão. É esse o habitat de um jovem em busca do sopro épico que nunca lhe acontece."
Vasco Câmara, 'Público'
terça-feira, 28 de abril de 2015
Ciclo Rossellini no Nimas
«17 de Novembro de 1973 foi a noite da mais memorável sessão de cinema do meu filme da vida. Nunca tive outra igual e duvido que venha a ter. Passou-se, ou fixou-se, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian e o filme projectado na tela chama-se Roma Città Aperta. [...]
Quando Rossellini chegou à Gulbenkian, não cabia na sala um alfinete. (...) Não se ouviu uma mosca durante os 100 minutos de projecção do filme (...) Quando apareceu na tela a palavra "fim", a sala levantou-se em peso para a maior ovação de que me recordo em sessões de cinema. No palco, Rossellini "com uma emoção que não disfarçava, mas também não exibia" como escreveu Helena Vaz da Silva no dia seguinte, esperou 10 minutos (não exagero) antes de conseguir agradecer. 10 minutos em que os "bravos" deram lugar a distintíssimos brados do género: "Abaixo o fascismo" ou "Liberdade, liberdade". [...] à saída as pessoas abraçavam-se e muitas choravam. Quem não esteve lá nunca imaginará. [...] Rossellini estava espantadissimo. O filme tinha tido acolhimentos desses, mas em 45 ou 46, no fim da guerra e do fascismo em Itália. Vinte e oito anos depois que "aquilo" ainda funcionasse assim, parecia-lhe da ordem do inexplicável. "Que país era este?" Lá lhe expliquei como pude. Foi então que Langlois, mais frio, me disse que o país podia ser assim ou assado, mas dentro de bem pouco tempo muitas coisas se iriam passar aqui.
Habituado, há vinte anos, a frases dessas, respondi-lhe com enorme cepticismo. Alguns meses depois, a seguir ao 25 de Abril, lembrei-me desse comentário e perguntei-lhe porque é que ele tinha dito aquilo, como é que tinha adivinhado, "Sabe"- ripostou-me - "o cinema mudo ensinou-me a ver muito". Não foi a algazarra que me impressionou, mas as caras das pessoas. As caras dos maus e as caras dos bons." E repetiu, a rir-se: "Le cinéma muet, le cinéma muet".»
João Bénard da Costa, Os Filmes da Minha Vida, Os Meus Filmes da Vida,
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NB: Não estive na Gulbenkian em 1973. Não era vivo sequer. Todas as memórias que tenho do 25 de Abril derivam do que os Pais sempre me contaram, do antes e depois, do que li nos livros de História e das imagens que vi em documentários ao longo de 37 anos, tudo se sobrepondo num enorme cabaz heróico que é o meu próprio imaginário. Não vivi, por isso, este momento mágico que Bénard da Costa relatou.
Mas fui hoje ao Nimas, recuperar a versão restaurada de uma história contada por um Mestre contador que é bem de ir às lágrimas. A grande Anna Magnani, no papel dessa mulher latina e honrada que tudo sacrifica pela família, pelo amor e pela pátria. O padre Don Pietro, homem da Resistência à ocupação nazi, pedindo a Deus que amaldiçoe os verdugos que torturam até à morte Giorgio Manfredi. As crianças e o futuro da cidade eterna.
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sábado, 25 de abril de 2015
A Madrugada das madrugadas
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terça-feira, 2 de dezembro de 2014
"O leitor tem opinião sobre o caso José Sócrates ?", por José Diogo Quintela
O leitor
tem opinião sobre o caso José Sócrates? Não tenha. Isso configura um delito de
julgamento na praça pública. A não ser que ache que José Sócrates está a ser
vítima de justicialismo. Nesse caso, tem licença de porte de opinião. Para não
haver dúvidas, aqui vai uma cartilha com o que é admissível pensar:
a) Avaliar a hipótese de José Sócrates
ser culpado? Não se pode.
b) Levantar dúvidas sobre a idoneidade
do juiz Carlos Alexandre? Pode-se.
c) Questionar as reais motivações do
procurador Rosário Teixeira? Pode-se.
d) Sugerir que Joana Marques Vidal
orquestrou este charivari?
Pode-se.
e) Desconfiar de um propósito tenebroso
do sistema judicial? Pode-se.
f) Suspeitar de manipulação obscura pela
comunicação social? Pode-se.
g) Insinuar que o Passos Coelho lucra
com isto? Pode-se.
h) Alvitrar que Portas é que devia ir
preso por causa dos submarinos? Pode-se.
i) Considerar que Cavaco Silva tem
negócios ilícitos com os seus amigos do BPN? Pode-se.
j) Conjecturar que isto é tudo uma
cabala montada pelo PSD para distrair dos vistos gold? Pode-se.
Em termos de limitação à liberdade de
opinião, só é proibido achar que José Sócrates pode ser culpado. Quem violar
esta disposição tem de se haver com a brigada de trânsito em julgado. De resto,
é tudo debatível.
Mas mesmo a defender José Sócrates há
que ter cautela. Por exemplo, João Soares disse que “excepto por crime de
sangue, em flagrante delito, não aceito a prisão (…) de um ex-primeiro-ministro
como José Sócrates”. Precipitou-se. Mesmo segurando arma pingona de sangue
cravada em cadáver, nunca se aceitaria a detenção de Sócrates. A presunção de
inocência manter-se-ia. Possivelmente seria legítima defesa. Ou um acidente.
Ou, o mais provável, uma armadilha da suposta vítima que se lançara contra
Sócrates enquanto este cortava o pão, para se empalar 17 vezes na faca e
incriminar quem só desejava fazer uma sandes mista.
Entretanto, debrucemo-nos à enorme
parcialidade demonstrada pela Justiça. De todos os ex-primeiros-ministros
vivos, por acaso detiveram Pinto Balsemão no aeroporto por suspeitas de
corrupção no caso Cova da Beira? E à chegada de que voo é que incomodaram Mário
Soares a propósito da falsificação de documentos da Licenciatura em Engenharia?
Ou Cavaco Silva, por alegada troca de favores no caso do TagusPark? E Guterres
por beneficiar de um RERT por ele aprovado? Já para não falar de Durão Barroso,
pelo Face Oculta, e
Santana Lopes, pelo Freeport. Porque é que tinham de embirrar logo com este?
Num ranking de sanha persecutória, José Sócrates
entra directo para o top 5 dos mais injustiçados da História. Neste momento, a
tabela organiza-se assim: 5) Bruxas de Salém; 4) Capitão Dreyfus; 3) Galileu;
2) José Sócrates [nova entrada]; 1) Jesus Cristo. Apesar de uma detenção no
Jardim de Getsémani ser menos maçadora do que na manga de desembarque de um voo
TAP, e mesmo tendo em conta que, na verdade, Jesus estava mesmo a pedi-las, o
Nazareno continua à frente porque a sua condenação injusta originou a maior
religião do mundo. Mas José Sócrates ainda tem tempo.
'Público', 30.11.2014
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sexta-feira, 25 de abril de 2014
Os Pais a abrilarem-me o dia !
(...)
Mesmo na noite mais triste
em tempo de sevidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
'Trova do vento que passa'
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"As Portas que Abril abriu"
(...)
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.
Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.
Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!
José Carlos Ary dos Santos, 1975
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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Obsceno !
E chocante.
A única coisa boa que a nacionalização do BPN podia ter trazido a Portugal acabou em (mais um) naufrágio.
Os Factos:
1. Joan Miró, pintor catalão, cria (entre muitas outras) 85 obras. Há quem atreva que é arte. E boa.
2. Algures no tempo, o BPN (ou as suas sociedades) adquirem-nas. Não sabemos se como investimento, se para decorar corredores ou salas da Administração.
3. O BPN entra em falência.
4. O Estado nacionaliza o Banco, onde injecta milhões e milhões de euros dos contribuintes.
5. O Banco é alienado (mas só com os activos).
6. Alguém descobre a colecção Miró. Sim, alguém a viu.
7. O secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, diz que a sua aquisição não é considerada "uma prioridade no atual contexto de organização das coleções do Estado".
8. Os quadros, avaliados em 36 milhões de euros, seguem para Londres, onde serão leiloados pela "Christie's".
9. A venda das obras é contestada por um movimento cívico (da Casa da Liberdade Mário Cesariny e Coletivo Multimédia Perve), que lançam uma petição aprovada por unanimidade na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura.
10. No parlamento, os partidos da oposição apresentam propostas de resolução para travar a venda, que foram chumbadas pela maioria que apoia o Governo.
11. O PS requer à Procuradoria-Geral da República que o Ministério Público desencadeie medidas cautelares que não permitam a venda dos quadros.
12. O Tribunal Administrativo indefere a providência cautelar com os seguintes fundamentos essenciais:
a) "(...) aquilo que se apurou foi que quem adquiriu as 85 obras foram duas sociedades anónimas de capitais exclusivamente públicos, concretamente, a Parvalorem, S.A. e a Parups e não o Estado".
"(...) a decisão de alienação das 85 obras de Miró ora em apreço, não foi tomada pelo Estado, mas sim pelo conselho de administração da Parvalorem".
b) A Parvalorem é uma "empresa pública, cujo único acionista é o Estado, através da Direcção Geral do Tesouro e Finanças, ou seja, não estamos perante uma decisão administrativa, mas sim um ato de gestão de uma sociedade anónima alheio ao uso de qualquer poder de autoridade, pelo que não pode tal ato ser imputado à 1.ª entidade requerida, o Ministério das Finanças, enquanto entidade pública administrativa".
c) "Não pode este tribunal emitir qualquer ordem dirigida a qualquer membro do Governo, relativa à forma de exercício dos seus poderes da sua função acionista".
13. O leilão é suspenso porque aparentemente a Lei de Bases do Património Cultural foi violada pelo que, segundo a decisão, a "expedição das obras é manifestamente ilegal".
What now ?
A verdade é que, por muito que se queira à cultura, dificilmente a decisão do Tribunal poderia ser outra. As regras processuais de competência impunham realmente que a providência cautelar tivesse sido intentada em outro tribunal.
Mas o ponto central desta triste polémica é que caiu-nos no colo uma colecção de pintura de um dos maiores artistas do séc. XX e o que é que acontece ?
Primeiro, omite-se da opinião pública a informação, durante uns bons 7 anos. Depois, vai-se tratando de pôr tudo ao fresco antes que se levante o bedelho. Quando é impossível esconder a informação, diz-se que custa caro e os sacrifícios dos portugueses exigem maior ponderação.
Não ocorreu a quem tem responsabilidades no assunto que (i) têm um dever de transparência e de zelar pelo interesse público, (ii) não estamos a falar de sacos de batatas (com o devido respeito pelas batatas) e (iii) podia ter sido exibida a colecção ao público durante estes sete anos, em vez de a terem encerrada numa caixa-forte qualquer.
O Sr. PM refere hoje que os custos em manterem a colecção na posse do Estado seriam de igual montante ao valor em que estão avaliadas. Não se percebe - porque ele não diz - de onde lhe vieram os dados para fazer tão singular afirmação. Também não lhe lembra que, durante esse tempo, teria um retorno, senão cultural, pelo menos económico, até turístico, caramba !, um governo que tanto se pela por dedicar o país ao turismo.
Mas nada nos deve espantar num governo que vive obcecado por contas (quais ?), cujo horizonte é de os cidadãos serem apenas números, em que se fazem leis sistematicamente contra a Constituição, em que se fecham maternidades, centros de saúde e hospitais, tribunais, agências dos correios, em que o cumprimento das metas do défice se sobrepõe a tudo o que respira, e, portanto, que a cultura, a arte, o oxigénio da liberdade não sejam, obviamente, a prioridade.
A Christie's adiou o leilão. Tínhamos aqui, outra vez caída do céu, uma oportunidade para fazer bem as coisas.
Mas, como burro velho não aprende línguas, este governo de acéfalos vai, certamente, esbanjar uma herança a troco de nada.
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domingo, 24 de novembro de 2013
Requiem por ti
Fechou o Londres. Não agora, há pr'á aí um ano.
Fechou o Quarteto,
o Mundial,
fechou o Ávila. O Turim e o Cine 222. E o São Jorge é só para festivais. E o Cinema Roma acho que nem isso.
Para não falar do Condes, do Europa, do Império, entregue à seita brasileira (crime à cidade !) ou dos Alfas.
No Caleidoscópio, ali para os lados do Campo Grande, também houve uma salinha. E até o Restelo teve um cinema no bairro, onde vi o 'Regresso ao Futuro', quando era puto.
Fecham os cinemas todos de rua.
Mas há centros comerciais e cheiro a gordura e a milho cozinhado.
Que porra !, não poder ir ao cinema, só cinema. De ter que atravessar corredores de lojas e de gente desalmada que vai para outro lado, ou vai se calhar às multi-hipóteses de outras 20 salas, e tanto lhes faz porque só quer encher barriga.
Futuro de merda. Ir ao cinema não é só aos filmes. É deixar o carro na rua e não me soterrar no inferno de um parque debaixo do chão. É ver pessoas e os bairros da cidade e as ruas, e isto assim, isto faz mal.
Sobrevive o Nimas, o Monumental vá, o Alvalade e o Fonte Nova, que é Centro, mas a gente perdoa-lhe. E agora foi-se o King.
Fechou o Quarteto,
o Mundial,
fechou o Ávila. O Turim e o Cine 222. E o São Jorge é só para festivais. E o Cinema Roma acho que nem isso.
Para não falar do Condes, do Europa, do Império, entregue à seita brasileira (crime à cidade !) ou dos Alfas.
No Caleidoscópio, ali para os lados do Campo Grande, também houve uma salinha. E até o Restelo teve um cinema no bairro, onde vi o 'Regresso ao Futuro', quando era puto.
Fecham os cinemas todos de rua.
Mas há centros comerciais e cheiro a gordura e a milho cozinhado.
Que porra !, não poder ir ao cinema, só cinema. De ter que atravessar corredores de lojas e de gente desalmada que vai para outro lado, ou vai se calhar às multi-hipóteses de outras 20 salas, e tanto lhes faz porque só quer encher barriga.
Futuro de merda. Ir ao cinema não é só aos filmes. É deixar o carro na rua e não me soterrar no inferno de um parque debaixo do chão. É ver pessoas e os bairros da cidade e as ruas, e isto assim, isto faz mal.
Sobrevive o Nimas, o Monumental vá, o Alvalade e o Fonte Nova, que é Centro, mas a gente perdoa-lhe. E agora foi-se o King.
(foto: andré raposo)
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sexta-feira, 22 de novembro de 2013
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
"Quem quererá, agora, falar com ele ?", por Vasco Pulido Valente
Trainspotting
«Para José Sócrates a classificação de quem o contraria é simples. O PSD é um conjunto de “pulhas” e de “filhos da mãe” (calculo que a expressão foi, por assim dizer, mais vernácula) e em geral “a Direita é hipócrita”. Santana é um “bandalho”. Teixeira dos Santos teve “uma atitude horrível connosco”, ou seja, com ele. Schäuble, o ministro das Finanças da Alemanha, é um “estupor”. E por aí fora. De resto, ele, Sócrates, quando falhou (e, na opinião dele, quase não falhou) não teve nunca a mais vaga responsabilidade ou culpa: a verdade está em que grupos de “pistoleiros”, incluindo a Casa Civil do Presidente da República, tentaram sempre impedir que ele governasse e espalharam infames calúnias para “atacar” o seu impoluto “carácter”. Apesar de primeiro-ministro, não passou de uma vítima.Vale a pena repetir o que toda a gente já sabe? Vale, porque este “chefe” (como ele mesmo se descreve) e este acrisolado democrata (como ele se declara) saiu do assento etéreo onde subira, com um saco de ressentimento e ódio, que excede, e excede por muito, o de qualquer político desde que existe um regime representativo em Portugal. Ninguém, por exemplo, disse como ele que não queria voltar a “depender do favor do povo”, a quem atribui uma larga parte das suas desventuras. Dar uma réstia de poder a semelhante criatura (visto que Deus não parece preparado para o ungir) seria inaugurar uma campanha de represálias contra Portugal em peso: contra a “aristocracia” do PS (que ele se gaba de ter “vencido”), contra a Direita, contra o velho Cavaco, hoje apático e diminuído, e principalmente contra o povo, que não votou por ele em 2009.Ora Sócrates, protestando o seu desinteresse pela vida pública e as suas novas tendências para a filosofia, com a convicção de um adolescente analfabeto, só pensa em abrir o caminho para um memorável ajuste de contas. Uma entrevista justificatória na RTP, um programa de “opinião” também na RTP e, agora, o lançamento de um “livro”, para inaugurar um estatuto de “intelectual”, a que nem sequer faltou Mário Soares, Lula da Silva e uma assistência de “notáveis”, seleccionados por convite. O supracitado “livro”, absolutamente desnecessário, é de facto uma prova escolar (uma “tese” de mestrado), sem uma ideia original ou sombra de perspicácia, que assenta na larga citação e paráfrase de – vá lá, sejamos generosos – 30 livros, que se usam pelo Ocidente inteiro, e em algumas fantasias francesas (Sciences Po oblige). O extraordinário não é que Sócrates se leve a sério, o extraordinário é que o levem a sério. Mas claro que o “lançamento” não foi de um “livro”.»
'Público', hoje
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VPV
terça-feira, 3 de setembro de 2013
A silly season, silly o ano inteiro
“Já alguém perguntou aos 900 mil desempregados de que lhe valeu a Constituição até hoje?”
Pedro Passos Coelho, Primeiro-Ministro de Portugal, 1 de Setembro de 2013
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segunda-feira, 2 de setembro de 2013
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Os Silly Guys
Nada de novo.
Geração Morangos no poder só podia dar nisto.
O espectáculo é quase cómico, não fosse demasiado triste, e, hoje, tremendamente comentado. No Parlamento, nos jornais, nas televisões, nos cafés, nas estações de comboio, nos tribunais. Em casa. Tudo de boca aberta. Mas quem é esta gente ?
Previsível.
Previsível porque todos conhecíamos quem era Passos (um Jotinha nunca deixa de o ser apenas porque lhe põem um fato e anda de Mercedes), quem era Portas (a natureza do escorpião é muito mais forte do que ele) e, finalmente, o inenarrável Presidente da República que temos (alguém que veio atrás da reforma tranquila das suas pantufas e de recato pelos seus anos de BPN, e que a única atitude que teve em 7 anos de mandato foi a de, sem jeito sequer, tentar sabotar um governo legítimo em pleno exercício de funções).
O que é grave é que, de pirraça em pirraça, chegámos ao ponto em que um diz que se demite e o outro não aceita. Realmente, a dignidade é uma coisa muito bonita e não se compra na loja.
O país ficou de boca aberta. Ninguém, ninguém mesmo, queria acreditar. Mas o resultado está à mostra. E é deplorável.
Mas o pior no meio disto tudo é que se olha para o lado e vemos mais do mesmo. Não nos iludamos. E assim iremos viver em ciclos de dois anos, que é o máximo que estas crianças aguentam.
A Geração Morangos é assim. Vive como se não houvesse amanhã. Sem consequências. Entretiveram-se durante dois anos a brincar aos políticos e a brincar com o país.
O problema é que há sempre amanhã e, na vida, os actos têm consequências. E como são da Geração Morangos, vão agora a correr para os papás para pagarmos a factura, quando já se estamparam com o carro.
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terça-feira, 2 de julho de 2013
Surrealistic Pill
[Magritte]
«O surrealismo assentou hoje arraiais em Belém e São Bento.
Em Belém, o Presidente da República fez de conta que deu posse a uma ministra das Finanças e aos seus secretários de Estado de um Governo que, na prática, já não existe.
Em São Bento, o primeiro-ministro, que tinha escolhido a tal ministra das Finanças sem nada dizer ao líder do seu parceiro de coligação, recebeu uma carta desse mesmo líder antes da ministra tomar posse a apresentar-lhe também a sua demissão.
Portanto, eles fazem que tomam posse dos cargos, eles fazem que governam, eles fazem que estão a trabalhar para o bem do país, eles fazem que estão coligados e nós fazemos que acreditamos. Mas entretanto vamos já preparar-nos para eleições.
E assim de faz de conta em faz de conta, estamos a caminho de ser uma nova Grécia. Uma coisa que jurámos e trejurámos que nunca seríamos.»
"Surrealismo em Belém e São Bento", por Nicolau Santos no 'Expresso'
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A Escolinha de Lomba
«Quem se interessa pelos problemas sérios desta sociedade terá ignorado a novidade: os briefing (a tradução literal deste termo inglês é "instruções") que todos os dias úteis, às 12 horas, serão dados aos jornalistas pelo Governo. Ontem foi o primeiro.
Às 10 da manhã os jornalistas credenciados foram avisados: o tema a tratar duas horas depois seria o dos swaps (tradução literal: "trocas") e estaria lá a secretária de Estado Maria Luís Albuquerque.
Pedro Lomba, o mestre de cerimónias destes eventos, graduado em secretário de Estado, recebeu os antigos colegas de profissão e explicou as regras: uma delas era que poderia acontecer haver momentos em que as declarações feitas aos 30 ou 40 jornalistas presentes seriam em on (que mania têm pelo inglês!) e poderiam ser publicadas identificando a fonte da informação ou, em alternativa, em off (irra!), situação em que as ditas declarações passariam a ser citáveis sem atribuição de fonte.
Acontece que à hora em que Maria Luís Albuquerque comunicou aos jornalistas as suas "instruções" sobre o problema das "trocas" financeiras tóxicas em empresas públicas juntou, em on, a declaração de que não recebera de Vítor Gaspar informação sobre a matéria, passada antes pelo ministro das Finanças de José Sócrates, Teixeira dos Santos.
Três horas depois a TSF noticiava que Vítor Gaspar se demitira. Quatro horas depois o Governo comunicava que esta senhora era a nova ministra das Finanças.
Talvez hoje o mestre de cerimónias, na nova sessão de colocação de notícias, diga, em off, qualquer coisa que esclareça esta questão: sabendo, certamente, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, à hora do briefing, que a doutora Maria Luís Albuquerque já era ministra das Finanças, porque a deixou fazer exercício tão hipócrita, ainda por cima para "enterrar" o seu antecessor? Que feio!
Talvez hoje ou, quiçá, amanhã o mestre de cerimónias nos apresente a ministra que ontem era secretária de Estado para esta, então, explicar porque aceitou fazer tal figurinha. Porque não se adiou a cena?
Sempre que oiço um governo prometer melhorar a comunicação penso que estão a enganar-me. Este Governo, no entanto, não engana. Porquê? Porque o problema deste Governo não é, a sério, um problema de comunicação.
O problema deste Governo é de conteúdo, carácter, competência, ideologia e política. Esta nova ministra, vê-se, comunga de todo este projeto global e, portanto, nada de essencial mudará no Governo com a saída de Vítor Gaspar. O briefing de ontem foi, portanto, muito útil porque comunicou esta mensagem muito bem. Venham mais.»
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quinta-feira, 25 de abril de 2013
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