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segunda-feira, 26 de novembro de 2018
terça-feira, 5 de abril de 2016
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Fusão
O cinema está cheio de cenas que ficaram para a história do moviemaking. Cenas que definem um filme e que lhe dão o nome que ele é. Que galgam para fora da tela ganhando vida própria, como se sempre tivessem feito parte do mundo e estivessem só à espera de ser tocadas pelas mãos de um realizador de génio.
Com argumento de Bertolucci e realizado por Sergio Leone, o filme conta o regresso de "Harmonica Man" (Charles Bronson) à cidade onde vive o homem que matou o seu irmão mais velho, Frank (Henry Fonda), espécie de Capo que todos temem. O "Harmonica Man" veio vingar-se.
Alheia a (quase) tudo isto, surge a lindíssima Claudia Cardinale, verdadeiro anjo desta história, que na sua infeliz amargura de jovem mulher-viúva nos explica porque a banda sonora do filme é tão triste. E que só podia pertencer a Ennio Morricone.
O requinte do duelo final (que aguardamos todo o filme) entre o feio e enigmático Charles Bronson e o elegantíssimo "blue eyed" Fonda está nas razões daquele regresso. Que não se fazem de palavras.
Só neste encontro é que ficamos a saber quem era o "Harmonica Man" e porque aparecia agora.
Frank tinha sacrificado o miúdo que era "Harmonica".
Numa mais que dramática e cruel tortura, tinha instalado sobre os seus fracos ombros de rapaz o peso do próprio irmão. Este, com o pescoço no fim da corda, espera apenas que os joelhos do jovem Harmonica não aguentem mais aquela dor infinita e desabem levando-lhe a vida. Tudo debaixo do sol escaldante do deserto do Arizona.
Harmonica nunca abre a boca. Depois do tiro fatal, Frank pergunta-lhe quem é. Harmonica responde colocando a harmónica, que traz sempre ao peito, nos dentes do moribundo, como antes Frank lhe fizera. Com o simples desfalecer dos olhos, Frank diz-nos que percebe.
Quando a tudo isto alguém combina a música dos Arcade Fire, o estranho e improvável resultado de um tema novo é este:
*
Tinha uns 12 anos quando o meu pai me levou ao Ávila para ver a reposição de "Once Upon a Time in the West".Com argumento de Bertolucci e realizado por Sergio Leone, o filme conta o regresso de "Harmonica Man" (Charles Bronson) à cidade onde vive o homem que matou o seu irmão mais velho, Frank (Henry Fonda), espécie de Capo que todos temem. O "Harmonica Man" veio vingar-se.
Alheia a (quase) tudo isto, surge a lindíssima Claudia Cardinale, verdadeiro anjo desta história, que na sua infeliz amargura de jovem mulher-viúva nos explica porque a banda sonora do filme é tão triste. E que só podia pertencer a Ennio Morricone.
O requinte do duelo final (que aguardamos todo o filme) entre o feio e enigmático Charles Bronson e o elegantíssimo "blue eyed" Fonda está nas razões daquele regresso. Que não se fazem de palavras.
Só neste encontro é que ficamos a saber quem era o "Harmonica Man" e porque aparecia agora.
Frank tinha sacrificado o miúdo que era "Harmonica".
Numa mais que dramática e cruel tortura, tinha instalado sobre os seus fracos ombros de rapaz o peso do próprio irmão. Este, com o pescoço no fim da corda, espera apenas que os joelhos do jovem Harmonica não aguentem mais aquela dor infinita e desabem levando-lhe a vida. Tudo debaixo do sol escaldante do deserto do Arizona.
Harmonica nunca abre a boca. Depois do tiro fatal, Frank pergunta-lhe quem é. Harmonica responde colocando a harmónica, que traz sempre ao peito, nos dentes do moribundo, como antes Frank lhe fizera. Com o simples desfalecer dos olhos, Frank diz-nos que percebe.
Quando a tudo isto alguém combina a música dos Arcade Fire, o estranho e improvável resultado de um tema novo é este:
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quarta-feira, 4 de maio de 2011
para Marine Le Pen
O único Maio que tenho no bolso.
Ferré a protestar "Ni Dieu, ni Maître".
Bertolucci a filmar "Os Sonhadores" e Philippe Garrel "Les Amants Réguliers".
Com um elemento constante: o sacana do rebelde-e-sobranceiro de nariz quase torto, o puto Louis.
Talvez se apaixone por ele.
Ferré a protestar "Ni Dieu, ni Maître".
Bertolucci a filmar "Os Sonhadores" e Philippe Garrel "Les Amants Réguliers".
Com um elemento constante: o sacana do rebelde-e-sobranceiro de nariz quase torto, o puto Louis.
Talvez se apaixone por ele.
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terça-feira, 4 de maio de 2010
o último tango em paris
Andava há anos para ver este filme.
Mas anos, são mesmo anos. Depois de ouvir o meu pai falar dele durante parte da minha adolescência e vida adulta, quando finalmente o encontrei em DVD, ainda o tive na prateleira durante mais dois anos até que decidi pôr a "película" a correr. Parecia ter pudor ou, talvez, medo de estragar a ideia que construíra. Como se preferisse guardá-lo num canto da imaginação etérea. Mas a vida é concreta e, portanto... pu-lo a rodar.
Parte da magia deste filme está na aura que o rodeia. Como aconteceu em Portugal, o simples facto de a censura o ter proibido dava-lhe uma dimensão quase mítica. Pessoas da idade dos meus pais iam a França só para ver o filme. E a verdade é que ele vive dessa dimensão e daquilo que outros nos transmitem.
Tive em casa um pai que, sempre que me falava deste filme, o rotulava de a experiência erótica por definição, o erotismo no seu estado final. E com estas ideias, fui criando uma certa imagem do filme. Que seria isto, afinal ? Um Emanuele ?, pornografia ? o quê ?
A verdade é que "O Último Tango em Paris" é um romance. Uma história de amor. Louca, absurda, bonita. Não é, hoje, passados quase 40 anos sobre a sua estreia, um filme erótico. Acho que nunca o foi. E, no entanto, grande parte das duas horas do filme são passadas dentro do velho apartamento onde ele (Marlon Brando) se encontra com ela (Maria Schneider) para matarem a sua sede de sexo. Mas não é um filme erótico.
É um romance. Ele, atormentado pela morte da mulher, quer suicidar-se no corpo dela. Ela quer saber o nome dele, de onde vem, o que faz, com quem fode. Ele não lhe diz nada. Mas acabam sempre no apartamento.
Depois, o filme muda. Ele apaixona-se por ela.
Percebemos isso quando Bertolucci nos mostra Paris fora do apartamento. Uma ponte. Um salão onde se dança o tango, ele a correr atrás dela na rua (julgo que vêm dos Jardins do Luxemburgo). Embriagado, mas apaixonado, a querer contar-lhe tudo sobre si. O nome, a idade, que gere um hotel, o que lhe aconteceu na vida. Embriagado, de whiskey, porque só assim lhe podia dizer tudo. Que a amava.
Mas para ela é tarde. Ela já não quer. Quando quis, ele não queria. E agora arranjou um namorado, com quem vai casar, penteadinho, que é certinho e lhe vai dar uma vida certinha, aborrecida e normal.
Ele persegue-a, quer-lhe dizer que a ama, que já não se quer suicidar nela. Dança com ela, mas ela não sabe o que é o amor dele. Confusa, masturba-o uma última vez. Mata-o.
Fica-se assim. Com aquela sensação meia amarga de Vinicius de Moraes de que "a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro nessa vida..."
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