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quinta-feira, 27 de abril de 2017

Devils and Dust


«Voltei muitas, muitas vezes para visitar aquelas ruas, percorrendo-as em tardes de sol, noites de inverno e às horas desertas do anoitecer. Descia a Main Street depois da meia-noite a observar, à espera de que alguma coisa tivesse mudado. Olhava para as janelas iluminadas das casas por onde passava, pensando qual delas seria a minha. (...)
Voltava vezes sem conta, em sonhos e sem ser em sonhos, à espera de encontrar um novo final para um livro que tinha sido escrito há muito tempo. Guiava como se aqueles quilómetros pudessem reparar os estragos feitos, escrever uma história diferente, obrigar aquelas ruas a revelar os seus segredos tão bem guardados. Mas não podiam fazê-lo. Só eu é que podia, e eu estava longe de estar preparado para isso. Iria passar a minha vida na estrada, percorrendo centenas de milhares de quilómetros, e a minha história seria sempre a mesma... o homem chega à cidade, dispara; o homem vai-se embora da cidade e afasta-se por entre a escuridão; depois, fade to black. Tal como eu gosto.
Do meu poleiro no alto do colchão, vi as rodas da carrinha atravessarem a cidade, virarem à esquerda para a Highway 33 e ganharem velocidade a caminho da brisa do oceano e da nova liberdade da costa. Com a noite quente a sussurrar-me ao ouvido, senti-me maravilhosa e perigosamente à deriva, com vertigens, tamanho era o meu entusiasmo. Aquela cidade, a minha cidade, jamais me deixaria, e eu jamais conseguiria deixá-la completamente - mas não voltaria a viver em Freehold.»

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Rock in River



I come from down in the valley
where mister when you're young
They bring you up to do like your daddy done
Me and Mary we met in high school
when she was just seventeen
We'd ride out of this valley down to where the fields were green

We'd go down to the river
And into the river we'd dive
Oh down to the river we'd ride

Then I got Mary pregnant
and man that was all she wrote
And for my nineteenth birthday I got a union card and a wedding coat
We went down to the courthouse
and the judge put it all to rest
No wedding day smiles no walk down the aisle
No flowers no wedding dress

That night we went down to the river
And into the river we'd dive
Oh down to the river we did ride

I got a job working construction for the Johnstown Company
But lately there ain't been much work on account of the economy
Now all them things that seemed so important
Well mister they vanished right into the air
Now I just act like I don't remember
Mary acts like she don't care

But I remember us riding in my brother's car
Her body tan and wet down at the reservoir
At night on them banks I'd lie awake
And pull her close just to feel each breath she'd take
Now those memories come back to haunt me
they haunt me like a curse
Is a dream a lie if it don't come true
Or is it something worse
that sends me down to the river
though I know the river is dry
That sends me down to the river tonight
Down to the river
my baby and I
Oh down to the river we ride

quarta-feira, 6 de maio de 2015

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

The Bruce


- Rio grande, rio bravo:  um épico de Bruce Springsteen -

"(...) Inevitavelmente Springsteen faz lembrar James Dean em Fúria de Viver. Os automóveis, o êxtase de desentupir um carburador ou de rectificar um cilindro; as mulheres com saias em forma de sino no lugar do passageiro com um cotovelo fora da janela; as formas primitivas de estabelecer a virilidade e demonstrar a coragem; a súbita solidão de percorrer centenas de quilómetros de deserto com o rádio ligado (…). Lembro-me, há alguns anos, de ter contado as vezes que surgiam certas palavras-chave nas canções de Springsteen. Claro que já me esqueci, mas era uma coisa exagerada: «noite» «carro» «estrada» «motor» «coração» «corrida» «guiar» «fábrica» e «desastre». (…) The River é um monumento que estará de pé muito depois do desaparecimento de Bruce Springsteen. É graças a ele que o Rock’n’Roll sobrevive. E apetece dizer: Sem ele, de que valeria sobreviver?"

'O Jornal', 24.10.1980

Miguel Esteves Cardoso, Escrítica Pop, ed. Querco, 1982


sexta-feira, 16 de março de 2012