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sábado, 18 de julho de 2015

Best Of


Não é fácil constatarmos que já passaram 20 anos. Nunca é.
Parece muito tempo e, de certa maneira, é.
E não é fácil prepararmo-nos para rever uma banda ao vivo passado todo esse tempo. É arriscado. Perigoso. Em dia-não, podemos mesmo sofrer a desilusão de quando se cresce e se percebe que o mundo é afinal mais pequeno do que pensávamos. E tudo afinal não passou de um borrão (blur). Pode ser a ruína.

Há 20 anos os Blur vinham tocar ao Coliseu de Lisboa. Coisa nova para estes lados.
A sala transpirava de cheia. Vinham na tournée de 'Great Escape', já o quarto álbum.
Quatro rapazes que tinham inventado a brit pop. No auge dos pólos Fred Perry e da guerrilha com os Oasis.
Damon Albarn haveria de terminar o concerto em cima de uma coluna de 3 metros de altura. No final talvez se tenha projectado. Depois viriam as canções para o Trainspotting.
Na altura, a vida estava apenas no princípio. Não havia facebook, nem telemóveis.
A faculdade ainda era só começo. O liceu ficava finalmente para trás e o que nos prendia à infância e que já morria. The Great Escape éramos completamente.
Queríamos escalar todos os degraus e ir para o centro do universo. Instantaneamente. Onde a acção acontecia.
O mundo era novo e tínhamos uma vida inteira para ir e regressar. Sem rede e de pulmões escancarados, com a paixão de quem respira de verdade. 
A vida mudou e o mundo ficou estranho. Estamos mais velhos, temos famílias, profissões, somos responsáveis e temos pessoas que dependem de nós. Já não viajamos com os amigos nos comboios da Europa. Lemos imensas coisas, ouvimos muito mais. Estamos diferentes.
Cometemos erros, não cumprimos todas as promessas, mas ainda tentamos fazer a diferença. Dia-a-dia. So we say.


Os Blur têm todos 40 anos, e nós quase. E por isso recebíamo-los com o desdém de quem já anda nisto há algum tempo. Copo de cerveja na mão, sentado e bem reclinado para trás, exibindo indiferença. Não pensem que vai ser fácil. Que é só chegar. Vão ter de provar tudo outra vez. 
Primeira canção. Novo álbum. Nem me levantei. Quanto mais palmas.
Só que eles vinham em missão e, logo à segunda, "There's no other way", para mostrar que quem mandava ainda eram eles e não o céptico ali do canto. 
A partir daí, rendição total: Beetlebum, Song 2, Coffee and Tv, Parklife, No Distance Left to Run, Tender, Girls and Boys, To the End, This is a Low, For Tomorrow, Out of Time, e terminar com o absolutismo de Universal. Digo de cor e não pela ordem certa. E sempre recusando ceder à previsibilidade de um Country House que podia estragar tudo. 
Os Blur regressaram a Lisboa e afinal continuaram. Mas melhores. Quem se desmoronou fomos nós.
É a isto mesmo que se chama crescer. Mudarmos sem perder.

E é isto The Magic Whip.


quarta-feira, 15 de julho de 2015

Our beautiful island




"Já não vínhamos à beautiful island of Lisbon há 9 anos."
Assistir a um concerto dos Lambchop é um momento raro. 9 anos tem a minha filha mais velha. E, por isso, perder essa hipótese não é bem uma opção.
Em semi-círculo, no recato sagrado da Sala 1 do São Jorge, fora do pó e dos festivais, e apoiados na guitarra e voz Nashville de Kurt Wagner (nasal, grave e bem modulada), o "carpinteiro" soletra versos ensopados em melancolia, construídos como quem trabalha a madeira. Até ao polimento final. 

A noite estava boa e eu penso no amigo longe, que agora vive nos antípodas e vê o sol nascer sempre quente, mesmo quando noita. E como ele não teria perdido serão assim, se ao menos estivesse mais perto da nossa beautiful island.

domingo, 7 de junho de 2015

Sorry, Granny. Não deu.



Ou o Porto a dar-nos música. E baile.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

"como hojas muertas que el viento arrastra allá o aquí"

Serrat no Coliseu foi coisa d'Ela. Todos temos as nossas coisas.
Mas há sempre tempo para descobrir pequenas coisas como esta:



como hojas muertas
que el viento arrastra allá o aquí,

que te sonríen tristes y
nos hacen que
lloremos cuando
nadie nos ve.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Brigadão, meu Velho !

 'Banda do Mar'



Um par de bilhetes conseguidos na véspera para um concerto esgotadíssimo há meses, não tem preço ! Valeu cara !

Só o sound-check é que podia ter sido melhor. Nas primeiras duas canções o power da guitarra de Seu Marcelo Camelo engoliu o mic da Mallu.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

o Clã


É sempre precioso ouvi-la cantar. E nem sequer foi preciso ir ao Terreiro do Paço, onde ontem à noite Manuela Azevedo se mostrou completamente imune ao frio.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Billy the Kid


Não estávamos em Nashville, não há calor na rua.
Não palmilhámos o Kentucky nem nos demorámos a tragar um bourbon, o que é pena, porque durante duas horas foi isso mesmo que aconteceu. Exilar-me de Lisboa (no espírito ninguém manda) e acordar na Virginia.
A beleza das coisas eternas. O território ZDB.
A goela morna deste trovador dos subterrâneos no teatro mais bonito da cidade !
As guitarras únicas com os acordes em slide, o som, o contrabaixo, grave, ritmado, como passos a calcarem o soalho e a mandar bem no resto.
O folk, o country, a mistura poética das letras, as raízes e o sotaque genuíno do mais puro sul dos E.U.A. ensopados numas barbas que cantam e dizem I see a Darkness.
Se estivesse na primeira fila, Johnny Cash teria ficado orgulhoso. 
Que p #%$# de concerto !



segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Em Carne Viva





Que sangue dos demónios ! 
Espanhola, de Maiorca, já que todos temos que ter um sítio para nascer, porque esta mulher vem de uma África bem funda. De espanta-espíritos. De uma raça muito antiga. Mesmo que depois traga sensualidade nas saias e o charme todo do Caribe no corpo.
É assim como uma mistura de rum despejado num caldeirão onde se preparam já galinhas pretas para o candomblé. Tudo abençoado com a água que vai entornando em palco e projectado na voz, com as tripas bem de fora. De pé descalço com ligação ao centro da terra.
Concha Buika merecia era outra sala. O CCB não é homem para ela. Cabrón !

segunda-feira, 21 de julho de 2014

"Tonight You Belong to Me"


para a Susana
(das guaridas)

I. É realmente interessante ter o privilégio de assistir ao harmonioso processo de amadurecimento de um homem, na sua longa caminhada moral. A solo, sem se poder esconder. É a segunda vez para tanta gente, diz ele. Mas para o sujeito que vive de partilha em partilha não há salvação.
Eddie Vedder vem progredindo honesta e solidamente como músico e poeta no trilho do Great American song-book, numa curiosa peregrinação de busca eterna do Eu, com os outros.
Quatro anos depois de o termos visto acompanhado da sua tribo pessoal que transformou os Pearl Jam em mais do que uma simples banda, talvez uma família de primos da América, este wrestler da sociedade apresenta-se em palco sem rede, bem ciente de que há certas coisas que os outros não podem fazer por nós. Tão longínquo já da primeira vez em Cascais onde o público gritava "Portugal ! Portugal ! Portugal !"
Aqueles que acham que já o viram uma vez e portanto... chega, ou que presumiram que vinha tocar cavaquinho e ganhar uns trocos extra, perderam perto de três horas do compromisso e entrega desmesurada do indivíduo em construção.
Cercado por uns milhares de almas e pela fogueira que foi alimentando, sempre entre a fronteira de se poder limpar ou imolar, fez-nos compreender que os saltos ao longo de todo o concerto das suas Gibson acústicas para a Fender Stratocaster - branca imaculada como a de Hendrix (a quem lembrou como Cobain, outro grande canhoto das guitarras) -, e para o inevitável ukulele, e deste para as primeiras, são o oxigénio fundamental de quem conhece bem os perigos da paixão e a vertigem de mergulhar nas profundezas de um só instrumento até ao fim, até à loucura. E, por isso, nessa comunhão total de cordas, letras e acordes, salva-se constantemente quando se transfere de uma guitarra para outra.
Eram duas da manhã quando começou, depois da chuva do princípio da noite assim como para anestesiar a ansiedade, e foi-se prolongando até ao momento - já a meio deste exorcismo pessoal - em que alguém da organização lhe veio dizer que podia tocar "as long as I will". Às 4 e meia achámos mesmo que queria ver o Sol acender-se entre nós. O sofrimento de tanta violência interior arrancada à bruta não permitiu.
Para trás ficava "Into the Wild", em prece pelo tio John, dez anos mais velho e falecido há poucos dias. "Não estava ainda preparado para me despedir. Daí esta camisola que trago vestida, a mesma que usava quando o vi pela última vez no hospital."
Ficavam também algumas canções salteadas para ukulele, além dos temas maiores do cancioneiro PJ. Mas foi com os tributos ao parceiro Neil Young, a Dylan, aos Beatles e até aos Pink Floyd, que a mensagem do peregrino se encarniçou e começou a espalhar.
Com "Masters of War" incitou aquele pequeno mundo à reflexão: "Being anti-war doesn't mean you're pro-one side. It means you're pro many things. Pro-peace, pro-understanding, pro-diplomacy, pro-Love, pro-soldiers because you don't want them to die for no reason.", altura em que pediu licença para desapertar as notas de 'Imagine', "the most powerful song I've ever heard.", colocando aquela comunidade a ranger os dentes com ele. Por Gaza e Israel, num certo tipo de oração. Peace.
Recordou depois o lado terrivelmente efémero e dramático da vida num avião de civis que é abatido noutro conflito, acabando com a vida de mais 300 inocentes, pessoas que se calhar o tinham visto dias antes em Amesterdão. Foi quando escutámos "The needle and the damage done".
Enfim, o sacrifício feito no altar deste hooligan que arranca o escalpe às vísceras justificava cada verso entoado pela multidão, de quem se despediu ao som de "Rockin' in the free World". Sagrado.
Eram quase quase 5 da manhã e só faltava uma hora para o Sol dar à luz.



II. Uma chuva, apenas inesperada para uma Organização demasiado ingénua ou optimista em relação ao tempo que se avisava para o Meco, fez atrasar o concerto que a apaixonada Cat Power tinha preparado. Também o fez abreviar.
Deixou 5, talvez 6 canções ao todo, roucas, belas e poderosas, que a voz da Cat apressadamente mandou para nos penetrarem. E a declaração de amor eterno no dueto com Vedder. "Tonight you belong to me".
E será sempre assim.

domingo, 1 de junho de 2014

Um homem feliz


Veio fechar a tournée solo em Lisboa. Queria que o frio orquestral do CCB fosse mais como casa e então mandou pôr as luzes Blue Note, mas não havia bebidas.
Começou a pensar no pai, e saiu-lhe o rumba Armando. Falou dos discos lindos de vinil que lambia e da primeira vez que ouviu Miles com 19 anos a tocar com o Charlie Parker. Depois, com os dedos foi percorrendo o seu caminho de Bill Evans, Jobim, Miles, Monk, Duke, Stevie Wonder e Chopin. 
Intervalo e abre o coração latino, quando já se aborrece de estar sozinho no palco. Pergunta se ninguém da plateia quer improvisar com ele. Dois miúdos, o primeiro com uns 12, o segundo talvez de 16, saltam lá para cima, à vez, e de jam em jam vão cozinhando um jazz novo, irrepetível, a quatro mãos. Dois miúdos que nos fazem acreditar no futuro.
Termina capturando o Lisboa choir que ele próprio maestrou ali e acaba a transbordar do público em ritmo certo. Estas coisas não acontecem por acaso.

«É espantoso. Há como que um acordo: a espécie humana precisa de ser estimulada. Não consegue prosseguir sem isso. Perdíamo-nos, tornávamo-nos robôs. E é assim que vejo a nossa profissão; de certa forma, temos de relembrar as pessoas da natureza criativa que todos nós temos. Não só os artistas, mas todos os seres humanos. Então, quando tocamos, acordamos, e isso é inspirador. Afastam-se os problemas e os conflitos da nossa mente e surge um estado de espírito que permite uma forma melhor de desfrutar a vida, de fazer algo criativo, de tomar decisões correctas e de fazer as coisas certas.»

Chick Corea. Genial ! Foi hoje à noite.

sábado, 10 de maio de 2014

Ready to bleed


Arrumar a semana em beleza. É o que se pode dizer deste trovador aos 53. Na velha tradição do one man stand com duas guitarras e a voz de nuances que o tornaram célebre, a música escrita entre os 27 e os 30 que tocava com os Commotions e as de alguns discos mais recentes. E nem faltou um magistral "Chelsea Hotel #2" de outro tecelão das canções. 
Ontem em Tróia. Lloyd Cole.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Fado Maior


(foto: Nuno Fontinha)

Aquilo a que assistimos ontem no Coliseu de Lisboa não foi um concerto. É amor puro em formato de canção. São as entranhas todas, as tripas, o coração, os pulmões, a cabeça, as goelas a mexerem connosco. É fado-morna, fado-bossa, fado-alfama. É fado com calor d'Alentejo. É o vozeirão de um mulheraço embalada numa guitarra portuguesa, e uma vozinha que tremelica ao ritmo do contra-baixo, do filiscorne e do sax contrabaixo. Foi bateria, órgão e cavaquinho. Foi Fausto e 11 músicos em palco.
Separados eram uma coisa. Já tínhamos visto ambos. À Ana Moura até com os Stones e Tim Ries numa noite de jazz. Mas ontem ? ontem foi fusão pura.
O grande João Gilberto dizia que "quem não gosta de samba, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé." Ou - acrescento eu - doente da alma quando o tema é o nosso novo Fado. 
Com Zambujo e Ana Moura estamos entregues aos deuses. 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Parabéns, campeões !


Reparei agora num cartaz da rua que anuncia os dois concertos que os Xutos dão hoje e amanhã para celebrarem 35 anos de carreira.
35 é obra !

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Cass McCombs




Este músico andarilho, ainda relativamente desconhecido em Portugal, tocou hoje à noite no Maria Matos. Como é um Teatro, como não estamos num estádio, numa arena ou num festival, as quase 500 almas que o escutaram, da plateia ou do primeiro balcão, puderam concentrar-se só na música e não nos telemóveis que só filmam, para logo irem para os youtubes, ou nos facebooks e nos likes e amigamentos e nas insuportáveis algaraviadas para passar o tempo enquanto alguém toca num palco.
Chegou com uma Fender Stratocaster, uma guitarra acústica, uma banda e mandou-nos de volta à livraria da Bleecker Street onde ouvimos 'Harmonia' pela primeira vez. Depois, já na "Other Music", paraíso em NYC da música independente e experimental, encontramos o 'Catacombs' e trazemos também 'Wit's End'. 
Quando a vida é simples, é bom.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Rock, Sweat & Suede


Coliseu de Lx.
7.11.2013

segunda-feira, 22 de julho de 2013

sábado, 1 de junho de 2013

Dia Y


Não sei o que o concerto dos Blur no Primavera Sound vai trazer. Não estou lá para ver e não há crónica nenhuma que bata os nossos ouvidos.
Não sei se vai pingar para o nostálgico ou se vão ser grandes e rebentar com o público.
O que sei é que os apanhei vai para 20 anos, num Coliseu de Lisboa, a transpirar de cheio, para se ouvir o quarto álbum destes quatro rapazes a quem chamavam brit, quando ainda não havia festivais ou telemóveis. 
Na altura a vida começava ainda. Damon Albarn terminava o concerto em cima duma coluna de 3 metros de altura e de onde no final se terá projectado. A faculdade estava no princípio. Deixávamos o liceu para trás e o que nos prendia à infância e que já cansava. Queríamos subir todos os degraus e ir para o centro do mundo, que era mesmo novo e tínhamos todo o tempo para ele. Sem rede e de pulmões escancarados, com a paixão de quem respira de verdade. 
Estamos mais velhos e o mundo está estranho. Não cumprimos todas as promessas mas fazemos por isto. Os Blur têm todos 40 anos, regressaram a Portugal e não sabem se vão continuar. Espero que a noite lhes corra bem.


segunda-feira, 6 de maio de 2013

They found Shelter


Lisboa - Berlim - Londres

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

o Natal já chegou


(ontem, na Aula Magna)

É incrível o que se pode fazer com uma guitarra ou com um piano. E aquilo que se pode fazer quando ambos se juntam.
E é lindo fazer tudo o que se quer com eles.
Mais quando se encontram Al Di Meola e Gonzalo Rubalcaba, mestres absolutos, músicos que têm aranhas em vez de mãos e patas de centopeia em vez de dedos. E o duo passa a trio ou a orquestra, ou ao que os deuses quiserem.
Quando isto acontece, não é terça-feira ou dia de semana, não se fazem orçamentos pré-natalícios, não temos filhos e a crise não entra aqui.
Não é magia, nem sexo.
É só beber.
E no final, "Mediterranean Sundance". Que puta de concerto !

domingo, 11 de novembro de 2012

Aula Magna - 10.11.12

Andrew Bird


What if we hadn't been born at the same time
What if you were 75 and I were 9
Would I come visit you
Bring you cookies in an old folks home
Would you be there alone

What if we hadn't been each other at the same time
Would you tell me all the stories from when you're young and in your prime
Would I rock you to sleep
Would you tell me all the secrets you don't need to keep
Would I still miss you
Or would you then have been mine

'Sifters'