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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Aimor

Resultado de imagem para Aimar  Benfica gif


-- A melhor versão de Pablo Aimar: River ou Valencia?

-- Eu creio que a minha melhor versão talvez tenha sido em Lisboa. Era uma equipa muito grande, jogando bem a número 10, atrás de Javier [Saviola] e Cardozo. Com Di Maria de um lado e Ramires, a número 8. Jogava Maxi Pereira, Luisão, David Luiz, que no passe interior era espetacular; e Coentrão, que foi para o Real Madrid e voltou para o Sporting; Javi Garcia de "cinco" (trinco), que esteve no City. Creio que quando joguei melhor, que estava bem fisicamente, e já via muitas mais coisas foi aí...

calidad ESPN

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Museu de Arte contemporânea e da História natural


Domingo, dia santo, visitar o velho Cosme Damião. Com os mais crescidos para se aprofundarem no negócio de família.
Manhã de sol, gloriosa. O rapaz, ainda inconformado com a saída do Cardozo ("Porquê, pai ?"), está impressionado com a quantidade de taças. A rapariga com o tamanho de algumas. Ambos com o fim de Miklos Fehér no relvado de Guimarães e com a camisola exposta na vitrine, rasgada ao meio da reanimação. 
O pai, sobretudo com o holograma do Rei, com as botas e com a bola de ouro. Com os calções imaculados e a camisola branca do Nené, a número 6 do Shéu e a 10 do Chalana, vermelhas-sangue. Com a 'Fnac' do Mozer. A do Stromberg, pela Suécia. Até vislumbrar a da Argentina oferecida pelo mago Pablito Aimar, e é aí que perde a cabeça e desata em cântico, como se agora o museu fosse Estádio. "Pai, cala-te ! Estamos num museu."
Pelo meio, toda a lição do séc. XX. Os grandes acontecimentos e personalidades mundiais, e o Benfica transversal, quando atingimos o terceiro piso. Para chegar à marca de penalty que o puto se encarrega de marcar à exaustão até fazer golo. "Isso, não faças como o Veloso. Remata para a direita.", digo-lhe eu. 
À saída, com as mãos em prece, implora uns calções do Benfica, brancos com a faixa negra na costura. O pai dá estes que era os que gostava para ele.
Para a garota, um porta-chaves de classe para andar sempre com ela.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

terça-feira, 9 de julho de 2013

O nº 9 do FutSábado


O Advogado levanta-se cedo. Culpa do calor africano que arrasa a cidade. 
O Advogado responde ao calor nas noitadas que faz à varanda e que o obrigam a dormir ainda menos. Mas é justo. A vida é chupar os melhores bocados. 
Levanta-se cedo e despe a toga. Entrega os filhos mais velhos à mãe para a natação e a mais novinha à Avó, que hoje é dia de bola.
Agora é de novo puto. Bebe um copo de água e vai com a fome toda para o jogo. Hoje é dia para ganhar. Sai cedinho e pega na Vespa para ir mais fresco e leve. Leva uma garrafa de meio litro de água da torneira para o "brasileirão" que é como fica o campo do Rainha Dª. Amélia no pico do Verão. 
O jogo começa. Raspa, como é tratado pelos amigos (em homenagem às histórias do Pratt), olha para a equipa e só vê avançados. E do outro lado é só vedetas. Isto hoje vai ser complicado. Olha para o céu: "Onde estás João Tiago ? Onde estás Captain Mir. ?" 
Humilde como nunca, decide que hoje irá jogar a defesa direito, com sorte subirá no terreno para médio direito, mas avançado, hoje não. Deixo para os outros. 
Raspa cruza-se com o miúdo de 20 anos que é a nova coqueluche da equipa, e que entra vagarosamente em campo e com as meias em baixo. Lembra-se então das palavras sábias de JT. "Tens de os acarinhar. Não grites com eles." Nunca é tarde para mudarmos e seguir os bons conselhos que nos dão. 
“Aqui está o melhor jogador do torneio !”, digo. E os lábios do puto rasgam-se de lado a lado. 1-0. Raspa promete também que hoje não se vai chatear com o outro avançado que nunca dá a bola. 
E vai logo para o seu lugar. Jogar atrás é coisa nova, vamos ver é no que dá. O importante é o joelho aguentar. 
A bola começa a rodar. Do outro lado, o atraso de 15 minutos do Calhas (encarregue de levar a mais velha ao ballet !), permite que a equipa de Raspa comece o jogo a vencer por 4-1. Culpa do Hortelão, da coqueluche e do avançado que só vê baliza. Calhas entra e começa a acontecer futebol. O jogo entra num ritmo louco de parada-resposta. Raspa faz o que pode e até faz razoavelmente bem, numa de não comprometer. Com o Manuel velho a comandar, centralão e homem experiente, a pôr-lhe sempre a bola nos pés, Raspa já manda no corredor direito. Raspa agradece e coloca a bola em profundidade para um golo fácil de Hortelão. Mas a equipa das vedetas começa a bailar. Calhas atrás, Gil "Iniesta" no meio, combinações perfeitas com o Tiago Tom Cruise. Todos que é só classe. Na baliza vamos rodando. É a vez de Raspa. Ui. De repente, só ouve à sua frente Calhas a berrar: “TIAGO, PASSA A BOLA !” Completamente isolado, Calhas fuzila Raspa, e mete a bola lá onde a coruja faz o ninho. Raspa cumprimenta Calhas. Logo a seguir é Gil a fazer o golo do jogo. Parece o Gaitán no jogo com o Estoril. Entra ao primeiro poste e de calcanhar todo no ar, mete o esférico nas redes, bem rentinho. 
O jogo está empatado. 6-6. O calor é dos demónios. Raspa já refrescou a cabeça duas vezes (com a bendita garrafa). 
A boa moral diz que não devemos alegrar-nos com o mal dos outros, mas é depois de uma arrancada descompensada do avançado que não dá a bola, e que acaba lesionado, que a equipa de Raspa começa finalmente a brilhar. Raspa compadece-se do parceiro e diz-lhe para ir para a baliza, que obedece agradecido. Raspa vai para médio ala direito, onde se vai sentir dramaticamente confortável, e sacode para Calhas: “Podes começar a tirar notas !” Raspa surpreendentemente fresco, começa a trocar a bola com um Miguel que se ajeita com Raspa. Raspa faz uma assistência digna de Pablo Aimar e Miguel marca. A seguir, a bola já está em Raspa, que cavalga toda a linha direita, e remata cruzado para a baliza, mas vai ao poste. Logo depois, Raspa produz mais uma assistência, depois de tirar a bola da defesa, que vai para a coqueluche e que termina a jogada com um golo do outro mundo, de fora da área. Vem agradecer a Raspa duplamente os votos de confiança. Já vai em 8-6. 
Do lado direito, continua o show Raspa. Desta vez remate brutal após passe do puto mais novo, e defesa impossível do Redes dos outros. Para a próxima entra, pensa Raspa. Calhas também percebe. Começa a dar pau sem bola em Raspa quando se vai chutar de canto. Não lhe consegue arrancar o sorriso. A bola sobra para o médio centro. Raspa percebe onde ele vai colocar a bola, levanta a mão, e o cruzamento sai belo e largo ao segundo poste, onde aparece Raspa, bem atrás das costas do Bruno Gigante, a cabecear para o fundo da baliza !!!!!! Estava feito o primeiro da conta de Raspa, o nº 9 do FutSábado. Tarde mas a tempo. E 9-6 no marcador. 
Do outro lado, o sol faz mossa. Raspa molha mais a cabeça e continua a jogar em ritmo samba. Manuel velho mete-lhe a bola, sempre para a direita. Raspa tira um da frente, faz tabelinha com o Miguel, sempre ele, recebe e devolve. E golo. 10-6. Raspa atira para a geral: “Aqui há já dois tipos que estão a jogar de olhos fechados.” 
Ainda tempo para mais um. O avançado centro toca de calcanhar para Raspa, que lhe devolve à entrada da área. Tem três defesa mais o Redes à sua frente, recebe a bola com jeitinho e pára. Sente o mundo. Todos param também para ver como Raspa vai resolver. Raspa olha para a baliza e coloca a bola, pelo meio das pernas do primeiro, para se encaixar bem no cantinho. 11-6. 
Com o resultado feito, Calhas ainda reduz para o 11-7 final, num remate bem colocado. Acaba o jogo quando o calor é quase sobre-humano. De joelho remendado, Raspa volta a ser pretendido pelos colossos do bairro.



sexta-feira, 7 de junho de 2013

Pablo Aimar, la alegría del pueblo


Partes num dia de sol e de chuva. E é assim que fica o coração.


Mi Buenos Aires querido,
cuando yo te vuelva a ver
no habrá más pena ni olvido.


Música: Carlos Gardel
Letra: Alfredo Le Pera
 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

que orgulho ENORME em ser do Benfica ! - III



Às 3h46m da madrugada recebo uma mensagem no telemóvel que me interrompe o sono que teimava em não acontecer. Completamente estremunhado, leio: "A CAMINHO DA GLÓRIA! CARREGA!"
Era o Renato. Já vai para o aeroporto.
Verifico se os dois despertadores que marquei para as seis da manhã estão Ok. Estão. 
Viro-me para o lado, mas às cinco não dá mais. É como quando nasce um filho. É impossível dormir quando sabemos que dentro de poucas horas há história para fazer. Estamos quase a embarcar para acompanhar o Benfica na final. Esperámos 23 anos por isto, caralho !
Às 6 e meia, tenho o João Tiago, compadre velho, parceiro querido e irmão de sangue, a telefonar-me. "Era só para ver se não adormeceste." Digo que lhe ia fazer o mesmo e que já vou dentro do táxi.
Com a camisola do Glorioso (anos 60, também final Amesterdão) vestida, aviso logo o chefe do táxi que obviamente não lhe vou dizer para onde vou. Ele ri-se. 
No aeroporto começamos a encontrar a Família. Primeiro as glórias: Simões, Toni, Veloso, Abel Xavier, Schwartz, o RAP e os amigos fedorentos... Encontramos o Pedro Rodrigues da faculdade, que já não víamos há uns bons 15 anos. Vem no nosso avião. O Benfica é assim. Reúne. Reencontra.
O voo é feito com uma ansiedade que não conheço. Detesto cada vez mais andar de avião, mas ir ver o Benfica no estrangeiro (experiência virgem, guardada religiosamente para a altura certa) pelos vistos ainda me põe mais nervoso. Tranquilizo-me quando reparo que o Valdo, o nosso antigo camisola 10, vem connosco. Está mesmo na fila da frente. Um amigo pede-lhe um autógrafo e eu também, que é para o puto. Vou falar com ele e pergunto-lhe como é que vamos jogar. "Com calma.", responde o sacana com o sorriso apaziguador que têm os negros.
Quando aterramos, oiço o Rafael: "André, dá lá o tom." E começa o Piçarra que tenho no telemóvel, «Sou do Benficaaa, e isso me envaidece...» . O avião põe-se num coro que me comove. O Rafael trouxe a Margarida. É a mulher e faz anos. É preciso que isto se diga.
Chegamos a Amesterdão. Que puta de cidade para ver o Benfica jogar !
Vamos logo para a Praça Damm. Já está cheia. Metade, metade. Anoto um pormenor delicioso: no lado da sombra estão os adeptos do Chelsea; ao Sol, a cantar como nunca, estão os nossos !

Hoje é dia de reunião magna da Luz: o Benfica vai jogar uma final europeia e, por isso, começamos a encontrar a nossa malta. Sem ter combinado, aparece-nos o Rojão, o Bairrada, o "Benfica", o Vasco e os amigos do escritório do gajo, o Pedro Mendes. Falamos com todos, damos um abraço e gritamos Viva o Benfica !. Esta merda é linda !
Depois, enfiamo-nos numa rua que sai da Damm em direcção ao "Red Light Dtct." para ir comer um bife e engolir umas canecas que a fome é muita e a sede é mais. 
O Renato ainda não tem bilhete para o jogo, mas está sentado com uma calma impressionante à mesa de um argentino, com o "Bebes" (da Católica), o João Leite e outros tipos com as camisolas mais bonitas que há no mundo. O "Bebes" tropeça numa cadeira, cai desamparado de costas, mas não entorna a cerveja que segura como se fosse a Taça.
Regressamos à rua onde a malta continua a pagar bejecas. Escutam-se os hinos. Cantamos. O Barbas e o Máximo fazem o seu número, mas falta cá o Torgal, amigo de sempre.
Malta, está na hora de ir para o Estádio. Agarramos os cachecóis, e há bandeiras que nos abraçam. Brindamos para dar força. Fazemos juras de amor eterno, que é disso que afinal se trata, e é aí que eu arranco: «Sou do Benficaaa...» Na rua, todos param e juntam-se a nós. Família !
Elegemos a frase do dia. Do João Leite: "Vamos resgatar a puta da taça que nos roubaram há 30 anos !" É isto mesmo.
Já em frente ao Arena, continua a reunião magna. Metemo-nos com todos, que a alma é enorme. Com o grande Pedro Ribeiro da 'Comercial', e a vez que jogou na Luz com o Aimar, com o Pedro Pinto da TVi (a quem falamos do Luisinho), com o Martim Avillez. Falamos com holandeses, com ingleses, e toca p'rá fila que 'tá na hora.
Ao meu lado, de repente, dizem-me que está o pai do "Bebes". Tem 70 e poucos anos e está ali no meio dos empurrões. Desejamo-nos sorte.
O Estádio está maravilhoso. Os ingleses são mais, mas ouvem-se menos. Começo a receber mensagens de Portugal: "André, tu és o ponta de lança !", escreve o Miguel; a Cristina manda-me fotos dos miúdos. Peço-lhe mais uma. Digo que preciso de várias.

O jogo começa. Jogamos bem. Anularam um golo ao Tacuara. Parece que o ombro estava fora de jogo.
Ao intervalo 0-0. Damos de caras com o Pacheco, que foi extremo no Benfica. O que é que fazemos, Pacheco ?: "Fica tudo igual para ver a reacção deles. Estou nervosíssimo.", comenta connosco.
Recomeça a partida. Eles marcam. Sempre o filho da puta do Torres. Como odeio, o cabrão ! Mas há penalty. O nosso 7 empata. O sonho renasce. A seguir estoira para a baliza, mas o redes deles é bom, está atento e desvia. Lampard devolve a graça e abana o poste do Artur. 
Já não aguento mais. O relógio marca 90+3. É canto. Cabeçada, e bola nas redes. Gelo. Silêncio monumental. Tenho o cachecol na cabeça.
Acaba. Jogadores caídos. Uns choram. Ao meu lado, também vejo lágrimas e pessoas incrédulas. É um resultado que dói de cruel. A vida não é tão trágica assim. Engulo em seco.... mas estou em paz. Somos uma raça do camandro ! 
A saída do Estádio pesa. Quero vir rapidamente para casa, meter-me na cama. No autocarro, o João Tiago ouve o Seara, o de Sintra, com histórias intermináveis, e pergunta e ouve, e pergunta e ouve, "Não percebe ?", "O Senhor Professor é que sabe.", enquanto eu já durmo de boca aberta. É irreal ! 
Apanhamos o avião num silêncio que diz tudo. Portela: 3 da manhã.


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Mais que um Clube


Disclaimer:
Lamentamos, mas não nos calham Paris St. Germains e Dinamos.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Adios Nonino


Estádio da Luz / 20.12.2009
Benfica - FCP (1-0, Saviola)

Se acabó.
Porque há sempre um dia marcado para o fim. Há sempre um dia prometido para nunca mais.
E agora, Conejo ?, que já não te voltamos a ver desenrolar a bola como se fosse um novelo de lã, meigo e com jeitinho para construíres um tapete de golos. Que depois enviavas para o Céu com os dois indicadores bem apontados e um beijo para o pai, Cacho.
E já não podemos ter-te a trocar a bola com o teu irmão Pablito, de costas, no chão ou de olhos cerrados, ainda sem terem 20 anos, e Lisboa fosse sempre Buenos Aires.

Claro que os ecos do Piazzolla (que rima contigo) vão continuar a fazer-nos chorar domingo após domingo, quando o teu irmão de sangue pisar a cancha.
Só espero é que isto não lhe cale bem fundo, que não lhe cause um mal de morte, porque agora lá se vão os teus pezinhos que são mesmo é colheres.
Tu, Campeão no Benfica mal chegaste, que atravessaste todo o meio-campo do Restelo de bola colada ao pé, só para a enfiares na baliza do Belenenses. Que goleada !
E mesmo quando já quase não jogavas, não quiseste partir sem desencantares um golo final para ofereceres a Taça do último Abril.
Não ficamos órfãos, hincha, porque foste irmão, que vestiu como nós a camisola do Benfica.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

domingo, 15 de janeiro de 2012

Sou um homem de lágrima fácil

Nunca pediu um autógrafo na vida. Nunca se agarrou ao nome de alguém só por ser assinado.
Mas tem amigos que ama. Que se revelam nas pequenas coisas. Nos pequenos nadas.
E se, por exemplo, uma amiga e um amigo se cruzarem com a equipa do Glorioso no aeroporto das ilhas, e se dirigirem ao Mago Pablito Aimar, de esferográfica e papel quadriculado nos dedos de um cadernito onde se assentam as compras, que era o que tinham mais à mão, e onde registam: 01/12/11, 17:22, e lhe pedirem um autógrafo para o amigo que nunca pediu autógrafos, isto é de craque. Isto é já de sangue.
Faço aqui a moldura para um presente de anos do cacete.

Um beijo.

"El Payaso", Ponta Delgada

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

E ainda há quem não acredite na Santíssima Trindade

da esquerda para a direita: El Mago, El Pibe, El Balón de Oro

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Privilégio



El Mago. O único jogador que Diego 'El Pibe' Maradona disse que pagaria para ver jogar.
É por meninos como ele que vamos à Luz. Para assistir aos encantamentos com que trata a bola feitos de pezinhos que não pisam a relva. Para não estragar. Deslizam como se o chão fosse de gelo e o jogo fosse outro.
E o Estádio é rubro. Está cheio e a ilusão faz-nos brilhar os olhos. Vemos entrar a equipa, a única no mundo que nos faz uma vénia. Ouvimos o Luis Piçarra e batem-se palmas.
Aimar povoa a "cancha", como as lendas de Antonio Ordoñez ou Luis Miguel Domínguin numa arena, quando se enfrentavam num mano-a-mano, em Madrid, Sevilha ou Córdoba. O jogo parece realmente outro.
Pablito Aimar trata a bola com o carinho com que se fala à Mãe. Porque se lembra de El Pibe, de quando lhe dizia que "la pelota no se mancha".
Pega no capote, na muleta, e então começa a faena.
Pablo Aimar procura o touro. Cita o bicho. Fá-lo correr. Primeiro uma chicuelina. Cansa-o um bocado. Depois umas veronicas. O bicho não compreende. Pase de pecho e, para terminar, um passe de letra. O touro de língua de fora.

Dois amigos vindos da Argentina, de cachecol vermelho ao pescoço vieram ver o jogo. Estão à minha frente, na fila a seguir. Têm talvez 50 anos. Não me intrometo na conversa. Quero só ouvi-los. Ver o que dizem. Reconheço imediatamente aquele sotaque do espanhol açucarado. Italianado, abrasileirado, até. Que adoro.
Pablo Aimar vai marcar um canto. A bola debaixo do braço. É dele. Todo o Estádio se levanta. Gratidão como esta.
À minha frente, os dois amigos comentam: "Mira, la alegria del pueblo !"
Pablito chuta de canto, Luisão entra ao primeiro poste e... Golo !
Tudo rebenta. Os dois amigos também se abraçam. Um diz para o outro: "Assí, si."

La alegria del pueblo. Que vem dos campinhos de Buenos Aires.
Aimar sabe fazer sonhar, que foi esquecer o drama dos dias tristes, sombrios e sem dinheiro. E o povo sonha e agradece o milagre daquelas horinhas em que este menino pega na bola com pezinhos que são colheres e diz "Deixem a crise", e se entretém a regalar-nos magia. E a gente canta ao nosso 10 ...
Aimar (ontem) não marcou. Podia. Duas ou três vezes. Mas quis sempre tratar a bola com um bocadinho mais de amor. Ninguém empacienta. El Mago pode sempre fazer-lhe o que quiser. É o lado belo. Poético. Romântico do futebol. Em Portugal só aqui se joga assim.

E é sempre por isto que, depois, há uma menina de 4 aninhos, às cavalitas do seu pai que responde "É o Pablito !", quando queriam saber-lhe o jogador preferido. E quase fez três homens chorar, que um homem não é de ferro. Linda. E o Benfica enche Lisboa e tudo avermelha.
Há qualquer coisa de muito badocha no Porto.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Pablito Aimar

É por momentos assim que vamos à Luz. Que saímos num fim de tarde frio a ameaçar chover. Que nos encontramos na roulotte do costume. Os mesmos do costume. Cachecol ao pescoço. Toma o bilhete. Porta 28.
É por encantamentos feitos de bola e pezinhos que não pisam a relva, para não estragar. Deslizam como se fosse gelo e o jogo fosse outro. Toma o bilhete. Vê lá a fila.
E o Estádio fica cheio e a ilusão faz-nos brilhar os olhos. Vemos entrar a equipa. Dois meninos. Saviola e Pablito que tratam a bola com o carinho com que se fala à Mãe. Porque Dieguito lhes disse que "la pelota no se mancha".
E parece que estão nos campinhos de Buenos Aires onde fizeram sonhar. Que foi esquecer o drama dos dias tristes, sombrios e sem dinheiro. E o povo sonha e agradece o milagre daquelas horinhas em que dois meninos pegam na bola com pezinhos que são colheres e dizem deixem a crise. E se entretêm a regalar-nos magia. E a gente canta ao nosso 10 ... Otro Pibe imortal.
E é por isto que, depois, há uma menina às cavalitas do pai que responde "É o Pablito !", quando lhe perguntam qual é o seu jogador preferido. E comove quem está ao lado, que um homem não é de ferro. Porque chegámos a casa, viemos do frio e dissemos a essa menina: "Que lindo, garota ! O Pablito. Que golo !"
E o Benfica enche Lisboa e tudo avermelha.


segunda-feira, 10 de maio de 2010

O Benfica

É campeão.
E há coisa mais bonita ?
Tinha que ser. Porque os deuses são justos.
A melhor equipa. Todo o ano, os melhores. O melhor futebol, mais lindo. De encher olho e alma. Que o Benfica é alma.
Mais de 100 golos marcados, mais 30 que o segundo classificado. A melhor defesa. Tudo. Perfeito. O Benfica foi campeão. Foi o Benfica ! Do princípio ao fim. O Benfica que é uma gigante alma nacional. Um grito inteiro. Um grito de liberdade.
Campeões porque recusámos entrar nos túneis onde nos queriam enfiar.
Campeões porque fomos equipa. A melhor. Especial esta equipa.
Com a alegria do samba e as milongas argentinas.
Luisão e David Luiz, dois pilares. Enormes, muralhas, patrões. Nas laterais, Maxi Pereira e Coentrão. Ou Ruben Amorim. Velozes. Setas.
A trinco, Javi Garcia. Um gigante, um armário de betão da cantera madridista. Chegou e assentou tijolo.
No meio, Ramires, dono do campo todo. Corre, corre, corre, o nosso queniano que deixou de ser azul. Saiu da "Libertadores" para ser campeão, da Liberdade. Sacrifício total.
E depois... depois a paixão. 
O perfume argentino, o milagre do tango. Sobe o pano. Começa a dança. Teatro. Buenos Aires.
Os irmãos Pablito e Saviola. Jogo de olhos fechados. Onde um é magia, o outro é arte pura. Tango. Piazolla. La Boca. San Telmo. Palermo Viejo. Todos os bairros porteños. Meninos.
Menino também... Angelito. Di Maria a driblar. Di Maria a desfazer paredes, a romper defesas, a trocar olhos, a bailar, com rabonas, calcanhares ou um chapéu improvisado. A levar no osso. E se para o ano não tivermos as tuas fintas na relva da Luz, menino, vem já Gaitán, do Boca Juniors, o clube buenairense do bairro mais lindo.
Angelito. Bola no pé, bola na malha. Bola em Cardozo. Golo !, Golo !, Golo !.
Sonatas ao fim da tarde. Casta Diva. Sonho, Arrepio. É golo ! É liberdade.
E, talvez por causa disso, porque o Benfica é liberdade, vamos para o único lugar possível, subir aquela Avenida com o nome mais bonito que há no mundo. A menina Liberdade. Caminhamos sempre para ela. Porque o Benfica sempre foi liberdade. O Clube da liberdade.