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terça-feira, 27 de abril de 2010

No Porto

O dia começou cedo. Tinha de estar no Porto às 11h. Saí de Lisboa às oito, mas apanhei um engarrafamento tramado na entrada da A8 que me rebentou as expectativas da pontualidade.
Perdendo quase uma hora em pára-arranca, tive que acelerar. É possível fazer Lisboa-Porto em duas horas. E parar nas portagens...
Quando cheguei, estava tudo à minha espera. Levei logo uma rabecada da funcionária, mas respondi-lhe que para a próxima lhe pedia a ela para trazer o carro.
Pedi desculpas pelo atraso e fiz o que tinha a fazer. Almocei num restaurantezinho da Foz e fui para o Hotel. A cama tinha o meu nome, de modo que adormeci. Acordei com a televisão a berrar a inquirição de um administrador da TVI na Comissão de Inquérito do Parlamento sobre o negócio com a PT. Pesadelo do caraças.
Tomei um duche frio e pus-me na rua. Calor brutal.
Depois de ter passado grande parte da tarde a divagar pela cidade feito perdido, fui a Serralves onde me pus remansado a beber um café e a fumar um cigarro. Ah, vida boa !, pensei.
Um salto na livraria do Museu para ver as novidades artísticas: fotografia, cinema, pintura e pop design.
Saí já eram oito.
Agarrei no carro e fui novamente sem destino. Pela Marginal onde, àquela hora, se vêem os namorados e malta a fazer jogging. Atrás, o mar. Aos saltos.
Cheguei à Baixa. Como estava quase tudo fechado, subi a 31 de Janeiro e, pela Rua de Santa Catarina, fui dar ao único sítio possível: a Fnac. Óbvio. Entretive-me a ver uns discos alternativos e comprei  um livrito com mensagens curtas e apelativas: "Whatever you think, think the Opposite". Bom título.
A noite estava violenta de calor. Não sabia onde é que havia de acabar o dia.
Telefonei. Do outro lado disseram-me: "Vai ao Carteiro!"
Fui.
O melhor momento do dia !
Fica num larguinho muito simpático e sossegado. Só o conhece quem o conhece. Mas é um largo com nome de rua, uma rua com um nome bestial: Rua do Senhor da Boa Morte, nº 55.
Entrei numa casinha. "O Carteiro" é uma casinha.
Lá dentro, uma mesa num canto. Escolhi a que ficava à beira da janela. O Nuno, que é o dono do restaurante, veio logo trazer umas entradas. Queijo fresco apimentado e no azeite. Broa de Avintes, acho. Levantou o outro prato que estava na mesa, mas deixou a cadeira vazia em frente à minha.
Pedi o folhado de caça com queijo derretido e bacon. Especialidade. Veio com migas, uma mãozinha de grelos e castanhas. A minha boca completamente acordada ! Um copo de vinho da casa.
E fiquei ali, com o olhar perdido na noite, a apanhar o arzinho fresco da rua e a fazer uns esquiços no caderno que levava comigo.
O Nuno trouxe mais um copo. Viu que gostei. Pedi a sobremesa e fui para o alpendre fumar um cigarro.
Vendo-me ali descontraído e sozinho, o Nuno veio fazer-me companhia. Bate papo formidável. A vida dele (já tinha trabalhado em Lisboa), a vida no Porto, o Benfica quase campeão ("este ano o título fica bem entregue!"), a vida em Portugal, a vida.

Só não percebi bem o alinhamento musical. Em geral tocava um som calmo, bossa nova, cenas tipo Feist, mas, de repente, no meio daquilo, dois momentos sublimes: New Order e, quando estava para me ir embora, "Love will tear us apart" dos Joy Division.
Fiquei mais um bocado.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Show me, show me, show me how you do that trick...

Não conheço os Cure desde sempre. Surgiram nos anos 80 e, nessa altura, os sons ainda demoravam um tempinho a chegar cá.
Os Cure não eram nada alinhadinhos. Robert Smith era uma personagem meia estranha, amaneirada, quase andrógino. Música que só era ouvida em certos locais. Não eram os Smiths, os Cock Robin, os Tears for Fears ou Lloyd Cole. Não tinham nada com os Duran Duran, os Spandau Ballet ou os A-Ha, Housemartins ou INXS. Muito menos com os Dire Straits.
Quando, em Outubro de 1987, foi lançado "Just like Heaven", do álbum "Kiss me, Kiss me, Kiss me" eu tinha 9 anos, quase 10. Começava a descobrir a música. Ouvia o que passava na rádio e lambia os vinis dos meus pais. Não tinham Cure. Óbvio.
Até que em 1992 um primo que tenho no Porto, oito anos mais velho que eu, ofereceu-me o "Wish" dos Cure. Foi um dos meus primeiros CD's e uma novidade total. Lembro-me que fiquei a olhar para a capa do disco um bom par de horas. Feito parvo. Espantado por ter tido a honra de receber um disco de uma banda que os meus amigos não ouviam. Claro que, nessa altura, já os conhecia, mas a partir daí fui recuperar os sons para trás.
Hoje, no Porto, lembrei-me destes tipos. No "Café Candelabro", uma miúda (para aí de 18 anos), parecia saída da London 80's. Penteado e roupa. Provavelmente a estudar Belas-Artes.
Embora no Café tocasse um gigantesco blues, guitarras a apertar acordes e solos tremendos, este foi o som que pairou na minha cabeça. Um grande som.

sábado, 10 de abril de 2010

No Paralelo 23

O Atlântico da Saudade