Travessa das Merceeiras (à Sé)
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
AMOUR
"Filho,
Hesito em aconselhar um filme que queima por dentro, como Georges queima o apagar-se inevitável de Anne.
Mas a seriedade no tratamento enxuto do tema, bem como a realização de Michael Haneke e interpretação de Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva (aparição fugaz de Rita Blanco), obrigam-me a esta divulgação para quem gosta de cinema que não seja só distracção.
Emmanuelle Riva deixa a 50 anos (luz) o seu deambular por “Hiroshima Mon amour”, de Resnais, de há 50 anos.
Não conseguimos reconhecê-la.
E a nós?
Pai"
domingo, 27 de janeiro de 2013
(novo) duelo ao pôr do sol
Desta vez a fleuma das ilhas não quis nada com o tinhoso do sérvio.
Djokovic - 6 / 7 / 6 / 6
Murray - 7 / 6 / 3 / 2
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
domingo, 20 de janeiro de 2013
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Old Flame
Pode não ser o "Scarface", o "Ligações Perigosas", a "Idade da Inocência" ou os "Fabulosos Irmãos Baker". Pode nem ser a Catwoman.
Caramba !, pode até ser uma banhada, mas quando apanho esta Senhora num zapping, fico logo refém do filme para o resto da noite.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
tudo demasiado perfeito para ser verdade
A noite era perfeita. Era Benfica.
Os astros estavam todos alinhados.
Os aguaceiros da manhã tinham acalmado e o tempo dava só frio de época.
Não ligo nada aos astros, mas comecei a acreditar neles quando, a caminho do Estádio, ainda não tinha entrado na CRIL, me apercebo da escolta ao autocarro do clube da VCI mesmo atrás de mim.
Caramba, pá !, isto não acontece todos os dias. Comecei a acelerar na mota para os perseguir. Como é evidente, senti logo uns sacanas à paisana a empurrarem-me para a berma. O meu orgulhoso cachecol vermelho e branco deve tê-los atormentado e a coragem da Vespa também. Deixei apenas que achassem que me controlavam. Só na primeira curva. Depois, já na CRIL consegui alcançar a primeira carrinha da polícia que guardava as costas ao autocarro azul. Lá dentro um polícia sentado disse-me que não com o dedo.
Não tinha bolas de golfe, como é óbvio, mas achei que aquele triste autocarro devia chegar à Luz com um benfiquista na comitiva.
Só à chegada consegui ultrapassá-los. Fiz aquilo que qualquer um faria.
A noite realmente prometia.
Depois de apanhar o parceiro da bola e da bifana nas roulotes, o Estádio lindo como ele só.
A águia em voo de rapina, o hino e a cor mais bonita que há no mundo.
Começa o jogo e, apesar das duas abébias, ofertas da casa, o coração gigante com golos tremendos a colocar tudo na ordem. Quando o coração fala assim, só é preciso espetar bem a faca. Cheirava-se o medo.
Intervalo. Chega a confirmação que estava a pedir.
Sentado na nossa bancada avisto Schwarz, Stefan Schwarz, o último sueco campeão nacional.
Os meus olhos devem ter iluminado a noite. Fui cumprimentá-lo, é claro.
"- Foste um jogador do caralho ! Um dos maiores. Que golão meteste contra o CSKA aqui na Luz !", devo ter gritado.
"- No segundo tempo, vai ser melhor.", respondeu.
Achámos que os astros não podiam mentir. Afinal, ele deve saber. Ele jogou. Com a nossa camisola.
Regressámos para a segunda parte. O Benfica vem a dormir. Entrega a bola ao adversário, que não sabe que futebol é golos. Não quer saber. Para eles o empate é bom e chega.
Mas aos 76 minutos, o número 7, aquele Tacuara, isola- se. Nico coloca-lhe a bola com a magia do predestinado. E é aqui que os astros nos traem. É aqui que eles nos mentem e ficamos com a certeza que é a vida que faz tudo acontecer.
E a vida ensina-nos muito. Não se pode viver só do futebol.
De uma arena de touros podemos trazer muitas lições, por exemplo, quando a vida pode estar presa por cordéis. E por isso é que é precisa a estocada final, quando o matador entra em cena.
Hoje Tacuara não foi o matador. Não foi Ordoñez ou Dominguín. E isso é triste, porque devemos acabar o que começamos, porque não devemos ficar abaixo do que podemos.
No fim do jogo, o contentamento no rosto dos adversários mostrava bem quem é que hoje ganhou pontos.
Os astros estavam todos alinhados.
Os aguaceiros da manhã tinham acalmado e o tempo dava só frio de época.
Não ligo nada aos astros, mas comecei a acreditar neles quando, a caminho do Estádio, ainda não tinha entrado na CRIL, me apercebo da escolta ao autocarro do clube da VCI mesmo atrás de mim.
Caramba, pá !, isto não acontece todos os dias. Comecei a acelerar na mota para os perseguir. Como é evidente, senti logo uns sacanas à paisana a empurrarem-me para a berma. O meu orgulhoso cachecol vermelho e branco deve tê-los atormentado e a coragem da Vespa também. Deixei apenas que achassem que me controlavam. Só na primeira curva. Depois, já na CRIL consegui alcançar a primeira carrinha da polícia que guardava as costas ao autocarro azul. Lá dentro um polícia sentado disse-me que não com o dedo.
Não tinha bolas de golfe, como é óbvio, mas achei que aquele triste autocarro devia chegar à Luz com um benfiquista na comitiva.
Só à chegada consegui ultrapassá-los. Fiz aquilo que qualquer um faria.
A noite realmente prometia.
Depois de apanhar o parceiro da bola e da bifana nas roulotes, o Estádio lindo como ele só.
A águia em voo de rapina, o hino e a cor mais bonita que há no mundo.
(foto: andré)
Intervalo. Chega a confirmação que estava a pedir.
Sentado na nossa bancada avisto Schwarz, Stefan Schwarz, o último sueco campeão nacional.
Os meus olhos devem ter iluminado a noite. Fui cumprimentá-lo, é claro.
"- Foste um jogador do caralho ! Um dos maiores. Que golão meteste contra o CSKA aqui na Luz !", devo ter gritado.
"- No segundo tempo, vai ser melhor.", respondeu.
Achámos que os astros não podiam mentir. Afinal, ele deve saber. Ele jogou. Com a nossa camisola.
Regressámos para a segunda parte. O Benfica vem a dormir. Entrega a bola ao adversário, que não sabe que futebol é golos. Não quer saber. Para eles o empate é bom e chega.
Mas aos 76 minutos, o número 7, aquele Tacuara, isola- se. Nico coloca-lhe a bola com a magia do predestinado. E é aqui que os astros nos traem. É aqui que eles nos mentem e ficamos com a certeza que é a vida que faz tudo acontecer.
E a vida ensina-nos muito. Não se pode viver só do futebol.
De uma arena de touros podemos trazer muitas lições, por exemplo, quando a vida pode estar presa por cordéis. E por isso é que é precisa a estocada final, quando o matador entra em cena.
Hoje Tacuara não foi o matador. Não foi Ordoñez ou Dominguín. E isso é triste, porque devemos acabar o que começamos, porque não devemos ficar abaixo do que podemos.
No fim do jogo, o contentamento no rosto dos adversários mostrava bem quem é que hoje ganhou pontos.
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sábado, 12 de janeiro de 2013
Vhils em Lisboa - parte II
Voltei a descobrir Vhils - das caras que perguntam - na cidade que é linda.
E depois destes murais, dou vivas a este.
Nota: o esqueleto deste prédio horrível e por fazer, perto de Sete Rios, foi demolido. E com ele foi o Vhils. Esteve ali o esqueleto tanto tempo a enfeiar, e foi preciso alguém botar-lhe as picaretas em cima, a interrogar, para o mandarem abaixo. É quase sempre assim. Há pessoas que só se lembram de certas coisas quando outros o fizeram por elas.
E depois destes murais, dou vivas a este.
[Alcântara]
Nota: o esqueleto deste prédio horrível e por fazer, perto de Sete Rios, foi demolido. E com ele foi o Vhils. Esteve ali o esqueleto tanto tempo a enfeiar, e foi preciso alguém botar-lhe as picaretas em cima, a interrogar, para o mandarem abaixo. É quase sempre assim. Há pessoas que só se lembram de certas coisas quando outros o fizeram por elas.
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Berlim
In Berlin, by the wall
you were five foot ten inches tall
It was very nice
candlelight and Dubonnet on ice
We were in a small cafe
you could hear the guitars play
It was very nice
it was paradise
(…)
In a small, small cafe
we could hear the guitars play
It was very nice
candlelight and Dubonnet on ice
“Berlin”, ‘Berlin’, Lou Reed, 1973
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She
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Curva apertada
'Trouble wiht the curve" é um filme pouco mais que mau. Mauzinho, vá. E nem é preciso pegar no título dado ao filme em português, ridículo como quase sempre.
A história (relação pai e filha, e da filha Advogada que tem olho para o negócio) é medíocre e os desempenhos fraquinhos. Do cantor que lá cai e da Amy qualquer coisa, insuportável no seu estilo beicinho hollywoodesco de lábios pintados de rouge.
Sobra, evidentemente, Clint. Felizmente.
Clint Eastwood é Clint Eastwood, e é sempre insuperável na interpretação que faz - creio mesmo - dele próprio (vide discurso para a cadeira vazia na campanha para as Presidenciais norte-americanas de 2012). O duro que agora é duro, velho e trata mal a vida.
Como aconteceu ao longo da sua carreira (com o western, o Jazz, o boxe e os carros), acho que o velho Clint quis fazer um filme sobre outro amor da sua vida - o baseball - e nesse capítulo o filme é perfeito. Nesse capítulo e no dos carros.
Uma vez mais, Clint, o velho, foi escolher dois ilustres: um Ford Mustang e um Buick cabriolet, anos '60.
Quando for grande talvez consiga um destes para mim.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
sábado, 5 de janeiro de 2013
'Desde que o Samba é Samba', de Paulo Lins
"O malandro metia por demais com as europeias e deu para rejeitar Valdirene de novo, agora por causa de uma francesa de pernas grossas, olhos azuis e cara de anjo; faltava-lhe a bunda redonda, mas uma coisa compensa a outra. A diaba parecia uma neguinha dali mesmo do Estácio. E fazia de tudo com ele com um apetite de leoa. Tinha-lhe amor, tinha-lhe o tesão maior que já se viu nesta vida. Ele, no começo, retribuiu, passou a ir à casa dela à noitinha. Sentia a necessidade de fazer a amada gozar várias vezes para ela não querer gozar com mais ninguém. Estava pensando em alugar uma casa pra moça, assim como tinha feito com Valdirene. Era tão gostosa que às vezes se formava fila para meter com ela. Isso lhe doía. Aqueles capoeiras tarados por brancas iam para cima dela com vontade, e ela não resistiria e acabaria gozando. Nunca teve puta que gozasse com cliente, mas aquela francesa era tão tarada que puta que o pariu... Ficava intrigado, enciumado, por isso, no final do expediente, fosse a hora que fosse, fazia plantão na casa dela com «cara de marido».
Valdirene então voltou pra zona, já que Brancura estava se fazendo de rogado. Fazia força para ter prazer com este ou aquele, mas era tão puta que não tinha tesão com ninguém. Dominava a profissão. A ilusão de um dia viver só com Brancura, de ter filhos, a esperança de ele enveredar de verdade pela música ou de voltar ao trabalho na estiva tomava rumo do fim. Gostava mesmo era da putaria, do jogo de chapinha; às vezes pegava dinheiro daqueles que tinham pinta de otário."
(...)
"Tudo nesta vida era a arte de combinar os sons. Música e vida são a mesma coisa. A poesia é a arte de procurar o verso que todo o mundo busca um dia, verso que cai em qualquer ser humano como a verdade da vida."
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
domingo, 30 de dezembro de 2012
sábado, 29 de dezembro de 2012
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Cordas maravilhosas
Sempre adorei guitarras. Todas. E de todas as nações. Universais.
Banjos, slide-guitars, alaúdes, cítaras, a "kora" africana, baixos, cavaquinhos, o "bouzouki" que é grego, violoncelos tocados como contra-baixos, violinos tocados como violas. Até a chata da harpa. Porque tem cordas.
Sempre me fascinaram os instrumentos de cordas. Fazer vibrar muito intensamente uma ou várias cordas muito tensas, amplificadas numa caixa ou com um pick-up, e que, bem tocadas, produzem sons magníficos. Para isso é que temos os grandes mestres.
Às vezes pego nas minhas duas guitarras, a clássica e a eléctrica, uma para os putos a outra para mim, e fico ali a dedilhar, que é mais a entreter.
Tocar é extrair um som. Vários sons seguidos. Com calma e amor. Este ano gostava de uma guitarra-folk.
Agora, oiçam isto.
Adoro viajar.
Banjos, slide-guitars, alaúdes, cítaras, a "kora" africana, baixos, cavaquinhos, o "bouzouki" que é grego, violoncelos tocados como contra-baixos, violinos tocados como violas. Até a chata da harpa. Porque tem cordas.
Sempre me fascinaram os instrumentos de cordas. Fazer vibrar muito intensamente uma ou várias cordas muito tensas, amplificadas numa caixa ou com um pick-up, e que, bem tocadas, produzem sons magníficos. Para isso é que temos os grandes mestres.
Às vezes pego nas minhas duas guitarras, a clássica e a eléctrica, uma para os putos a outra para mim, e fico ali a dedilhar, que é mais a entreter.
Tocar é extrair um som. Vários sons seguidos. Com calma e amor. Este ano gostava de uma guitarra-folk.
Agora, oiçam isto.
Adoro viajar.
o Natal não é todos os dias
Era hoje.
Momento único. Cópia digital em reposição nos cinemas de Lisboa e Porto.
Não se pode ter tudo. E isso é uma merda.
sábado, 15 de dezembro de 2012
"Lisboa Song"
«(...) ela abriu os olhos, espantada, disse-me, afinal não sei nada de ti, é como no princípio, percorremos juntos o mesmo caminho e, no fim, sabemos tanto como antes, os caminhos não são os mesmos, disse-lhe, apenas durante algum tempo correm lado a lado, e isso é o melhor que o engenho humano consegue construir, duas linhas sinuosas em prodigioso equilíbrio, conservando entre si a mesma distância relativa pelo mais longo período de tempo possível, mas o que existia antes como que se apaga, dissolve-se na obsessiva procura do presente, agora amo-te, e é um único instante, e esse instante é também a mágoa de te perder no instante seguinte, e a angústia de poder não te ter encontrado no instante anterior.
Ela avançou para mim, com as mãos atrás das costas, repetiu o meu nome, uma, duas, muitas vezes, e parecia ouvir dentro de si o eco que o dizia. Depois, perguntou-me, apenas um instante ?, eu fiz que sim, e beijámo-nos, mas nessa altura já sabíamos que estávamos condenados ao terror do instante a seguir.»
António Mega Ferreira
Ela avançou para mim, com as mãos atrás das costas, repetiu o meu nome, uma, duas, muitas vezes, e parecia ouvir dentro de si o eco que o dizia. Depois, perguntou-me, apenas um instante ?, eu fiz que sim, e beijámo-nos, mas nessa altura já sabíamos que estávamos condenados ao terror do instante a seguir.»
António Mega Ferreira
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Querem mesmo acabar com todos os Monstros de uma só vez
Ravi Shankar
1920-2012
Yehudi Menuhin
Tinha 16 ou 17 anos quando tive o primeiro contacto com Ravi Shankar. Foi quando vi o filme sobre o Monterey Pop Festival, de Pennebaker, na RTP2, que já meti aqui. A surpresa foi total e imediata.
Que faria aquele homem de 50 anos no meio dos hippies de Monterey ?
Porquê uma sitar em cima dum palco entre as guitarras e vozes eléctricas das bandas psicadélicas dos anos 60 ?
Depois foi o encantamento, a hipnose. O pasmo perante a beleza daquela nova sonoridade. O desejo absoluto de ir à Índia (que ainda hoje me persegue), de me penetrar por aqueles ares de paz, revelação e despojamento.
Mais tarde, vi-o no Woodstock. O Pandit novamente no meio de cabelos compridos e dos símbolos de paz. De resto, Shankar dizia que as lamas de Woodstock daqueles dias lhe faziam lembrar a Índia e que só podia sentir-se em casa.
Tinha a impressão que Shankar ia viver para sempre. Que era "imorredouro", como ouvi hoje um músico dizer. E agora terminou.
Talvez não, se acreditarmos no cálice da vida eterna que são os discos e filmes que gravou.
o Natal já chegou
(ontem, na Aula Magna)
É incrível o que se pode fazer com uma guitarra ou com um piano. E aquilo que se pode fazer quando ambos se juntam.
E é lindo fazer tudo o que se quer com eles.
Mais quando se encontram Al Di Meola e Gonzalo Rubalcaba, mestres absolutos, músicos que têm aranhas em vez de mãos e patas de centopeia em vez de dedos. E o duo passa a trio ou a orquestra, ou ao que os deuses quiserem.
Quando isto acontece, não é terça-feira ou dia de semana, não se fazem orçamentos pré-natalícios, não temos filhos e a crise não entra aqui.
Não é magia, nem sexo.
É só beber.
E no final, "Mediterranean Sundance". Que puta de concerto !
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
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