sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
4 Aspirinas para a História
Nunca vi o Benfica campeão europeu. E como ele merece !!
Duas finais, em '88 e '90, e pronto. Perdidas para desgraça do benfiquista sonhador que acredita (mesmo) na maldição de Guttman.
Uma a penalties - esse truque anti-cardíaco para decidir jogos -, contra o PSV Eindhoven (cheio das estrelas que seriam campeãs da Europa por selecções poucos meses depois), a outra pelo seco 1-0 do Super Milão de Van Basten, Gullit e Rijkaard.
Sempre os holandeses pelo meio.
Neste jogo não se disputava sequer uma chegada à final, mas foi um como nenhum outro. Se há jogos que podem marcar uma vida, este é desses.
O Benfica que dava a volta ao marcador por duas vezes. E por duas vezes a perder, numa até por dois, foi buscar a alma ao fundo da alma daqueles jogadores. Ali os homens chegaram a deuses, quando se esgotam os adjectivos e já não sabemos o que dizer.
Nessa noite, exaustos, ainda mal acreditando no que tinha acontecido, completamente exauridos de emoções, beijámos aquelas botas maravilhosas. E pudemos dormir em paz.
Duas finais, em '88 e '90, e pronto. Perdidas para desgraça do benfiquista sonhador que acredita (mesmo) na maldição de Guttman.
Uma a penalties - esse truque anti-cardíaco para decidir jogos -, contra o PSV Eindhoven (cheio das estrelas que seriam campeãs da Europa por selecções poucos meses depois), a outra pelo seco 1-0 do Super Milão de Van Basten, Gullit e Rijkaard.
Sempre os holandeses pelo meio.
Neste jogo não se disputava sequer uma chegada à final, mas foi um como nenhum outro. Se há jogos que podem marcar uma vida, este é desses.
O Benfica que dava a volta ao marcador por duas vezes. E por duas vezes a perder, numa até por dois, foi buscar a alma ao fundo da alma daqueles jogadores. Ali os homens chegaram a deuses, quando se esgotam os adjectivos e já não sabemos o que dizer.
Nessa noite, exaustos, ainda mal acreditando no que tinha acontecido, completamente exauridos de emoções, beijámos aquelas botas maravilhosas. E pudemos dormir em paz.
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
A origem das espécies
« (...)
- É essa a raiz da realidade europeia, hoje, onde certas elites falam nos "preguiçosos do Sul" face aos "competentes do Norte" ?
- A raiz histórica está mais atrás, no luteranismo. O ódio do Norte ao Sul vem da inveja. Eles não suportam o nosso sol, a boa comida, certa moderação nos costumes, na maneira de viver e de trabalhar. Os povos do Norte foram sempre organizados, como queria Lutero - um bandido do pior. No Sul também havia grandes bandidos, alguns papas, como Alexandre VI. Essa divisão entre luteranismo e catolicismo atravessa, hoje, a Europa. Antes de os países do Norte falarem de Portugal, que desprezam, e da Grécia, que ignoram, passaram séculos a falar da Itália. Mas é uma das maiores economias da Europa e funciona tão bem como o Norte - e este não perdoa isso. "Tanta criatividade, come-se tão bem, levámos séculos a fazer coisas e não construímos nada [tão único] como Roma..."»
entrevista a António Mega Ferreira, 'Visão', 31 de Janeiro de 2013
- É essa a raiz da realidade europeia, hoje, onde certas elites falam nos "preguiçosos do Sul" face aos "competentes do Norte" ?
- A raiz histórica está mais atrás, no luteranismo. O ódio do Norte ao Sul vem da inveja. Eles não suportam o nosso sol, a boa comida, certa moderação nos costumes, na maneira de viver e de trabalhar. Os povos do Norte foram sempre organizados, como queria Lutero - um bandido do pior. No Sul também havia grandes bandidos, alguns papas, como Alexandre VI. Essa divisão entre luteranismo e catolicismo atravessa, hoje, a Europa. Antes de os países do Norte falarem de Portugal, que desprezam, e da Grécia, que ignoram, passaram séculos a falar da Itália. Mas é uma das maiores economias da Europa e funciona tão bem como o Norte - e este não perdoa isso. "Tanta criatividade, come-se tão bem, levámos séculos a fazer coisas e não construímos nada [tão único] como Roma..."»
entrevista a António Mega Ferreira, 'Visão', 31 de Janeiro de 2013
Roma, in vespa, Outubro de 2010
(foto: andré)
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Vhils em Aveiro
A viagem tinha escrito Porto no bilhete.
Dentro da carruagem o passageiro pára.
Pára porque pára o comboio. Pára porque param os olhos.
Lá fora, a placa escreve "Aveiro".
Do outro lado da janela, uma assinatura que ele reconhece.
Dentro da carruagem o passageiro pára.
Pára porque pára o comboio. Pára porque param os olhos.
Lá fora, a placa escreve "Aveiro".
Do outro lado da janela, uma assinatura que ele reconhece.
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domingo, 3 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
AMOUR
"Filho,
Hesito em aconselhar um filme que queima por dentro, como Georges queima o apagar-se inevitável de Anne.
Mas a seriedade no tratamento enxuto do tema, bem como a realização de Michael Haneke e interpretação de Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva (aparição fugaz de Rita Blanco), obrigam-me a esta divulgação para quem gosta de cinema que não seja só distracção.
Emmanuelle Riva deixa a 50 anos (luz) o seu deambular por “Hiroshima Mon amour”, de Resnais, de há 50 anos.
Não conseguimos reconhecê-la.
E a nós?
Pai"
domingo, 27 de janeiro de 2013
(novo) duelo ao pôr do sol
Desta vez a fleuma das ilhas não quis nada com o tinhoso do sérvio.
Djokovic - 6 / 7 / 6 / 6
Murray - 7 / 6 / 3 / 2
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
domingo, 20 de janeiro de 2013
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Old Flame
Pode não ser o "Scarface", o "Ligações Perigosas", a "Idade da Inocência" ou os "Fabulosos Irmãos Baker". Pode nem ser a Catwoman.
Caramba !, pode até ser uma banhada, mas quando apanho esta Senhora num zapping, fico logo refém do filme para o resto da noite.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
tudo demasiado perfeito para ser verdade
A noite era perfeita. Era Benfica.
Os astros estavam todos alinhados.
Os aguaceiros da manhã tinham acalmado e o tempo dava só frio de época.
Não ligo nada aos astros, mas comecei a acreditar neles quando, a caminho do Estádio, ainda não tinha entrado na CRIL, me apercebo da escolta ao autocarro do clube da VCI mesmo atrás de mim.
Caramba, pá !, isto não acontece todos os dias. Comecei a acelerar na mota para os perseguir. Como é evidente, senti logo uns sacanas à paisana a empurrarem-me para a berma. O meu orgulhoso cachecol vermelho e branco deve tê-los atormentado e a coragem da Vespa também. Deixei apenas que achassem que me controlavam. Só na primeira curva. Depois, já na CRIL consegui alcançar a primeira carrinha da polícia que guardava as costas ao autocarro azul. Lá dentro um polícia sentado disse-me que não com o dedo.
Não tinha bolas de golfe, como é óbvio, mas achei que aquele triste autocarro devia chegar à Luz com um benfiquista na comitiva.
Só à chegada consegui ultrapassá-los. Fiz aquilo que qualquer um faria.
A noite realmente prometia.
Depois de apanhar o parceiro da bola e da bifana nas roulotes, o Estádio lindo como ele só.
A águia em voo de rapina, o hino e a cor mais bonita que há no mundo.
Começa o jogo e, apesar das duas abébias, ofertas da casa, o coração gigante com golos tremendos a colocar tudo na ordem. Quando o coração fala assim, só é preciso espetar bem a faca. Cheirava-se o medo.
Intervalo. Chega a confirmação que estava a pedir.
Sentado na nossa bancada avisto Schwarz, Stefan Schwarz, o último sueco campeão nacional.
Os meus olhos devem ter iluminado a noite. Fui cumprimentá-lo, é claro.
"- Foste um jogador do caralho ! Um dos maiores. Que golão meteste contra o CSKA aqui na Luz !", devo ter gritado.
"- No segundo tempo, vai ser melhor.", respondeu.
Achámos que os astros não podiam mentir. Afinal, ele deve saber. Ele jogou. Com a nossa camisola.
Regressámos para a segunda parte. O Benfica vem a dormir. Entrega a bola ao adversário, que não sabe que futebol é golos. Não quer saber. Para eles o empate é bom e chega.
Mas aos 76 minutos, o número 7, aquele Tacuara, isola- se. Nico coloca-lhe a bola com a magia do predestinado. E é aqui que os astros nos traem. É aqui que eles nos mentem e ficamos com a certeza que é a vida que faz tudo acontecer.
E a vida ensina-nos muito. Não se pode viver só do futebol.
De uma arena de touros podemos trazer muitas lições, por exemplo, quando a vida pode estar presa por cordéis. E por isso é que é precisa a estocada final, quando o matador entra em cena.
Hoje Tacuara não foi o matador. Não foi Ordoñez ou Dominguín. E isso é triste, porque devemos acabar o que começamos, porque não devemos ficar abaixo do que podemos.
No fim do jogo, o contentamento no rosto dos adversários mostrava bem quem é que hoje ganhou pontos.
Os astros estavam todos alinhados.
Os aguaceiros da manhã tinham acalmado e o tempo dava só frio de época.
Não ligo nada aos astros, mas comecei a acreditar neles quando, a caminho do Estádio, ainda não tinha entrado na CRIL, me apercebo da escolta ao autocarro do clube da VCI mesmo atrás de mim.
Caramba, pá !, isto não acontece todos os dias. Comecei a acelerar na mota para os perseguir. Como é evidente, senti logo uns sacanas à paisana a empurrarem-me para a berma. O meu orgulhoso cachecol vermelho e branco deve tê-los atormentado e a coragem da Vespa também. Deixei apenas que achassem que me controlavam. Só na primeira curva. Depois, já na CRIL consegui alcançar a primeira carrinha da polícia que guardava as costas ao autocarro azul. Lá dentro um polícia sentado disse-me que não com o dedo.
Não tinha bolas de golfe, como é óbvio, mas achei que aquele triste autocarro devia chegar à Luz com um benfiquista na comitiva.
Só à chegada consegui ultrapassá-los. Fiz aquilo que qualquer um faria.
A noite realmente prometia.
Depois de apanhar o parceiro da bola e da bifana nas roulotes, o Estádio lindo como ele só.
A águia em voo de rapina, o hino e a cor mais bonita que há no mundo.
(foto: andré)
Intervalo. Chega a confirmação que estava a pedir.
Sentado na nossa bancada avisto Schwarz, Stefan Schwarz, o último sueco campeão nacional.
Os meus olhos devem ter iluminado a noite. Fui cumprimentá-lo, é claro.
"- Foste um jogador do caralho ! Um dos maiores. Que golão meteste contra o CSKA aqui na Luz !", devo ter gritado.
"- No segundo tempo, vai ser melhor.", respondeu.
Achámos que os astros não podiam mentir. Afinal, ele deve saber. Ele jogou. Com a nossa camisola.
Regressámos para a segunda parte. O Benfica vem a dormir. Entrega a bola ao adversário, que não sabe que futebol é golos. Não quer saber. Para eles o empate é bom e chega.
Mas aos 76 minutos, o número 7, aquele Tacuara, isola- se. Nico coloca-lhe a bola com a magia do predestinado. E é aqui que os astros nos traem. É aqui que eles nos mentem e ficamos com a certeza que é a vida que faz tudo acontecer.
E a vida ensina-nos muito. Não se pode viver só do futebol.
De uma arena de touros podemos trazer muitas lições, por exemplo, quando a vida pode estar presa por cordéis. E por isso é que é precisa a estocada final, quando o matador entra em cena.
Hoje Tacuara não foi o matador. Não foi Ordoñez ou Dominguín. E isso é triste, porque devemos acabar o que começamos, porque não devemos ficar abaixo do que podemos.
No fim do jogo, o contentamento no rosto dos adversários mostrava bem quem é que hoje ganhou pontos.
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sábado, 12 de janeiro de 2013
Vhils em Lisboa - parte II
Voltei a descobrir Vhils - das caras que perguntam - na cidade que é linda.
E depois destes murais, dou vivas a este.
Nota: o esqueleto deste prédio horrível e por fazer, perto de Sete Rios, foi demolido. E com ele foi o Vhils. Esteve ali o esqueleto tanto tempo a enfeiar, e foi preciso alguém botar-lhe as picaretas em cima, a interrogar, para o mandarem abaixo. É quase sempre assim. Há pessoas que só se lembram de certas coisas quando outros o fizeram por elas.
E depois destes murais, dou vivas a este.
[Alcântara]
Nota: o esqueleto deste prédio horrível e por fazer, perto de Sete Rios, foi demolido. E com ele foi o Vhils. Esteve ali o esqueleto tanto tempo a enfeiar, e foi preciso alguém botar-lhe as picaretas em cima, a interrogar, para o mandarem abaixo. É quase sempre assim. Há pessoas que só se lembram de certas coisas quando outros o fizeram por elas.
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Berlim
In Berlin, by the wall
you were five foot ten inches tall
It was very nice
candlelight and Dubonnet on ice
We were in a small cafe
you could hear the guitars play
It was very nice
it was paradise
(…)
In a small, small cafe
we could hear the guitars play
It was very nice
candlelight and Dubonnet on ice
“Berlin”, ‘Berlin’, Lou Reed, 1973
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She
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Curva apertada
'Trouble wiht the curve" é um filme pouco mais que mau. Mauzinho, vá. E nem é preciso pegar no título dado ao filme em português, ridículo como quase sempre.
A história (relação pai e filha, e da filha Advogada que tem olho para o negócio) é medíocre e os desempenhos fraquinhos. Do cantor que lá cai e da Amy qualquer coisa, insuportável no seu estilo beicinho hollywoodesco de lábios pintados de rouge.
Sobra, evidentemente, Clint. Felizmente.
Clint Eastwood é Clint Eastwood, e é sempre insuperável na interpretação que faz - creio mesmo - dele próprio (vide discurso para a cadeira vazia na campanha para as Presidenciais norte-americanas de 2012). O duro que agora é duro, velho e trata mal a vida.
Como aconteceu ao longo da sua carreira (com o western, o Jazz, o boxe e os carros), acho que o velho Clint quis fazer um filme sobre outro amor da sua vida - o baseball - e nesse capítulo o filme é perfeito. Nesse capítulo e no dos carros.
Uma vez mais, Clint, o velho, foi escolher dois ilustres: um Ford Mustang e um Buick cabriolet, anos '60.
Quando for grande talvez consiga um destes para mim.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
sábado, 5 de janeiro de 2013
'Desde que o Samba é Samba', de Paulo Lins
"O malandro metia por demais com as europeias e deu para rejeitar Valdirene de novo, agora por causa de uma francesa de pernas grossas, olhos azuis e cara de anjo; faltava-lhe a bunda redonda, mas uma coisa compensa a outra. A diaba parecia uma neguinha dali mesmo do Estácio. E fazia de tudo com ele com um apetite de leoa. Tinha-lhe amor, tinha-lhe o tesão maior que já se viu nesta vida. Ele, no começo, retribuiu, passou a ir à casa dela à noitinha. Sentia a necessidade de fazer a amada gozar várias vezes para ela não querer gozar com mais ninguém. Estava pensando em alugar uma casa pra moça, assim como tinha feito com Valdirene. Era tão gostosa que às vezes se formava fila para meter com ela. Isso lhe doía. Aqueles capoeiras tarados por brancas iam para cima dela com vontade, e ela não resistiria e acabaria gozando. Nunca teve puta que gozasse com cliente, mas aquela francesa era tão tarada que puta que o pariu... Ficava intrigado, enciumado, por isso, no final do expediente, fosse a hora que fosse, fazia plantão na casa dela com «cara de marido».
Valdirene então voltou pra zona, já que Brancura estava se fazendo de rogado. Fazia força para ter prazer com este ou aquele, mas era tão puta que não tinha tesão com ninguém. Dominava a profissão. A ilusão de um dia viver só com Brancura, de ter filhos, a esperança de ele enveredar de verdade pela música ou de voltar ao trabalho na estiva tomava rumo do fim. Gostava mesmo era da putaria, do jogo de chapinha; às vezes pegava dinheiro daqueles que tinham pinta de otário."
(...)
"Tudo nesta vida era a arte de combinar os sons. Música e vida são a mesma coisa. A poesia é a arte de procurar o verso que todo o mundo busca um dia, verso que cai em qualquer ser humano como a verdade da vida."
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
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