sábado, 23 de dezembro de 2017

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

domingo, 17 de dezembro de 2017

os putos no videoclube


também conta para abater na lista.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Paddington 2



Um dos milagres da paternidade: ficarmos fãs de um ursinho de peluche que vemos no cinema e que faz tudo por doce de laranja.

sábado, 9 de dezembro de 2017

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Depois venham-me falar de pressão


«Aquele é o Jim Brown, sussurra o meu pai. O maior jogador de futebol americano de todos os tempos.
É um bloco de músculos enorme, com roupa de tenista e meias brancas caneladas. Já o tinha visto em Cambridge. Quando não está a jogar ténis a dinheiro, está a jogar gamão ou dados - também a dinheiro. Tal como o meu pai, o Sr. Brown fala muito de dinheiro. Naquele momento, estava a queixar-se ao sr. Fong de uma partida a dinheiro que fora cancelada. Era suposto jogar com um tipo e o tipo não apareceu. O Sr. Brown está a descarregar as suas frustrações no sr. Fong.
Vim para jogar, diz o Sr. Brown, e quero jogar.
O meu pai aproxima-se.
Quer jogar uma partida?
Sim.
O meu filho Andre joga consigo.
O Sr. Brown olha para mim e depois para o meu pai.
Não vou jogar com um miúdo de oito anos!
Nove.
Nove? Ah, bom, não tinha reparado.
O Sr. Brown ri. Alguns homens que ouviram também se riem. É óbvio que o sr. Brown não leva o meu pai a sério. Grande erro. Basta perguntar ao motorista de camião que ficou estendido na estrada. Fecho os olhos e vejo-o, a chuva a bater-lhe no rosto.
Olhe, diz o sr. Brown, eu não jogo para me divertir, está bem? Jogo por dinheiro!
O meu filho pode jogar consigo por dinheiro.
Senti uma gota de suor a começar a descer pela axila.
Ah, é? Quanto?
O meu pai ri e diz: Aposto a merda da minha casa.
Não preciso da sua casa, responde o sr. Brown. Já tenho uma. Digamos dez mil dólares.
Feito, diz o meu pai.
Avanço para o court.
Calma, diz o sr. Brown. Primeiro quero ver o dinheiro.
Vou a casa buscá-lo, responde o meu pai. Volto já.
O meu pai corre porta fora. Sento-me numa cadeira e imagino-o a abrir o cofre e a pegar num monte de dinheiro. Todas aquelas gorjetas que o vi contar ao longo dos anos de trabalho, em todas aquelas noites de trabalho árduo. Agora vai apostar tudo em mim. Sinto um peso no meio do peito. Estou orgulhoso, claro, por pensar que o meu pai tem tanta confiança em mim. Mas, acima de tudo, estou apavorado. O que é que vai acontecer comigo, com meu pai, com a minha mãe e com os meus irmãos, já para não falar na avó e no tio Isar, se eu perder?
Já joguei sob este tipo de pressão antes, quando o meu pai, sem me avisar, escolhe um adversário e me ordena que o derrote. Mas é sempre outro rapaz e nunca há dinheiro envolvido.
(...) Esta coisa com o sr. Brown, todavia, é diferente, e não é só porque as economias da família estão em jogo. O sr. Brown desrespeitou o meu pai e o meu pai não pode pô-lo a dormir. Precisa que seja eu a fazê-lo. Por isso, esta partida é mais do que uma questão de dinheiro. É uma questão de respeito, virilidade e honra – contra o maior jogador de futebol americano de todos os tempos. Preferia estar a  disputar a final em Wimbledon.
(...)
O meu pai regressa. Traz uma mão cheia de notas de cem dólares. Sacode-as no ar. De repente, o sr. Brown muda de ideias.
Eis o que vamos fazer, propõe o Sr. Brown ao meu pai. Vamos jogar dois sets e depois decidimos quanto vamos apostar no terceiro.
Como queira.
Jogamos no court 7, logo à entrada. Juntou-se uma multidão, que aplaude quando ganho o primeiro set por 6-3. O sr. Brown abana a cabeça. Fala sozinho. Bate com a raquete no chão. Não está feliz, já somos dois. Não só estou a pensar, o que é uma violação da regra mais básica do meu pai, como a minha cabeça começa a andar à roda. Tenho a sensação de que vou ter de parar de jogar a qualquer instante porque preciso de vomitar.
Ainda assim, venço o segundo set por 6-3.
Agora o Sr. Brown está furioso. Baixa-se sobre um joelho, ata os ténis.
O meu pai aproxima-se dele.
E então? Dez mil?
Nem pensar, responde o Sr. Brown. Por que não apostamos só quinhentos dólares.»

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

"a vida é sempre a perder"


Zé Pedro
(1956 - 2017)

Tenho a sensação que hoje houve uma parte da minha infância e juventude que também morreu.
X

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Cold Facts


«Rodriguez has lived in the same modest Detroit house for over 40 years. He has no car, computer or even a television. 
(...)
"He once told me there's three basic needs – food, clothing and shelter."»

Rolling Stone, Março de 2013

sábado, 25 de novembro de 2017

os putos a devorarem Tim Burton


'Charlie e a Fábrica de Chocolate'

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Ballad of the Living Man

[foto: andré]

Somos um bicho engraçado.
Acho que evoluímos.
Camadas e camadas de novos eus. Como a casca de uma árvore ou uma cama sempre por fazer. Com memória e lençóis velhos a lembrar que ainda aquecem.
Evoluímos. Com erros e contradições. Aos solavancos. Ou quando ganhamos qualquer coisa. Mas aí bastante menos. Embora bom.
E mudamos, na construção incoerente e sobreposta do que fazemos e do que fazem connosco. Escolhendo direcções. E assumindo tudo isso. E como gosto que seja assim. Contaminando-nos com a beleza do que é dos outros e aperfeiçoando todos os dias o nosso bocado de madeira.
Também Josh Tillman.
Foi no que pensei enquanto ouvia Father John Misty a tocar no Coliseu.

Ballad of the Dying Man

domingo, 19 de novembro de 2017

The Party



Quando o cinema é teatro apetece bater palmas no final.
E se o Carlos Paredes toca no gira-discos do inglês é caso para o fazer de pé.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

"desenhar é uma actividade erótica"



Paula Rego é uma contadora de histórias, e segredos.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Rage, rage against the dying of the light.*




Come on, boys !

* 'Do not go gentle into that good night', Dylan Thomas por Brendan Gleeson.

Mamma Mia !


Itália 0 - Suécia 0

(Gianluigi, talvez o único que não merecesse)

sábado, 11 de novembro de 2017

terça-feira, 7 de novembro de 2017

"It ain't fair"

Brutalidade. Anos após anos. Iam-se as vidas. Segregação. Ainda hoje.
'Detroit' até já nem está em cartaz, mas com uma faixa destas na banda sonora quase não precisa.



quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Soul meets Soul



Blade Runner



Blade Runner 2049

terça-feira, 31 de outubro de 2017

"Así, no, Carles"


«Uma declaração de independência que não foi, porque seguiu-se a respetiva suspensão, tem agora uma independência que não o é, porque os independentistas vão a eleições que, afinal, lhe são permitidas pelos colonizadores, que não o são. Nem burlesco de Cervantes nem surrealismo de Dalí, mas, como prova de que o nacionalismo, hoje, está ultrapassado, uma chanchada brasileira. Catalunha merecia melhor. O líder que a atrapalha, Carles Puigdemont, fugiu para o exílio, numa fuga desnecessária para um exílio inexistente. Foi para o exílio em fins de outubro, para um provável regresso a meados de dezembro para votar e ser votado. Exílio é outra coisa, não tem prazo de validade nem a certeza de votos. Exílio viveu-o o socialista madrileno Largo Caballero, presidente do governo da República espanhola, que com a vitória de Franco foi levado para o campo de concentração nazi de Sachsenhausen. E viveu-o o republicano catalão Lluís Companys, presidente da Generalitat da Catalunha, entregue pelos nazis a Franco e fuzilado. O exílio de Carles Puigdemont é coisa para rir, é um insulto aos verdadeiros exilados espanhóis da trágica história recente. É como comparar a livre, democrática, autónoma e progressista Catalunha a países colonizados e ocupados. Nenhuma das hipóteses com que Puigdemont contava aconteceu: nem a independência surtiu nem os tanques vieram... Restava-lhe a fuga para a frente. Partiu, com uma decisão categórica tão rara nele, para um exílio de comédia.»

"É trágico tanta comédia", por Ferreira Fernandes, in DN

Foreign Affairs

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

terça-feira, 24 de outubro de 2017