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domingo, 6 de janeiro de 2019

Dia de Rei(s)


Benfica 4 
Rio Ave 2

sexta-feira, 15 de junho de 2018

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Museu de Arte contemporânea e da História natural


Domingo, dia santo, visitar o velho Cosme Damião. Com os mais crescidos para se aprofundarem no negócio de família.
Manhã de sol, gloriosa. O rapaz, ainda inconformado com a saída do Cardozo ("Porquê, pai ?"), está impressionado com a quantidade de taças. A rapariga com o tamanho de algumas. Ambos com o fim de Miklos Fehér no relvado de Guimarães e com a camisola exposta na vitrine, rasgada ao meio da reanimação. 
O pai, sobretudo com o holograma do Rei, com as botas e com a bola de ouro. Com os calções imaculados e a camisola branca do Nené, a número 6 do Shéu e a 10 do Chalana, vermelhas-sangue. Com a 'Fnac' do Mozer. A do Stromberg, pela Suécia. Até vislumbrar a da Argentina oferecida pelo mago Pablito Aimar, e é aí que perde a cabeça e desata em cântico, como se agora o museu fosse Estádio. "Pai, cala-te ! Estamos num museu."
Pelo meio, toda a lição do séc. XX. Os grandes acontecimentos e personalidades mundiais, e o Benfica transversal, quando atingimos o terceiro piso. Para chegar à marca de penalty que o puto se encarrega de marcar à exaustão até fazer golo. "Isso, não faças como o Veloso. Remata para a direita.", digo-lhe eu. 
À saída, com as mãos em prece, implora uns calções do Benfica, brancos com a faixa negra na costura. O pai dá estes que era os que gostava para ele.
Para a garota, um porta-chaves de classe para andar sempre com ela.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Juntos outra vez


Quando Fellini morreu, Giullieta Masina, a sua musa e mulher que o adorou, só lhe sobreviveu mais cinco meses. Percebo que há amor que é assim. Um não conseguir respirar sem o outro. Para quê, não é ? 
Coluna viu partir o "filho", antes dele, que é como dói mais. E o coração que já estava fraco, não aguentou.
Custou-me vê-lo falar para as televisões, muito magro, com falta de ar mas ainda com o seu doce e amável sorriso. Contava como foi quando Eusébio chegou a Lisboa, mas segurou as lágrimas. Essas não se partilham. 
Nunca o vi jogar. Minto, a televisão passou agora dois jogos do Mundial de 66, com o Brasil e o mítico da Coreia, e, portanto, vi. Com uma distância de 50 anos e a preto e branco, mas já posso dizer que vi. Porque senão era só fazer fé nas crónicas e relatos da época e de quem o conheceu e que rezam que era um génio. Dono da classe que faz os imortais e um suserano no meio campo do Benfica.
Tratavam-no por Senhor, porque era. Pelo respeito com que sempre tratava todos. Daquele respeito que só se recebe no berço, e esses é que são de ouro.
Para nós será sempre o grande Capitão. Do pontapé fulminante que levou à glória de Berna e Amesterdão no tempo em que as bolas eram pesadas e de couro.
Não há forma. Que longo e penoso inverno.... 
Este será sempre um ano de fumos negros. Só suportável se os nossos jogadores honrarem a velha herança e, domingo após domingo, perceberem que este luto só pode ser vermelho.

O Captain! My Captain! our fearful trip is done;
The ship has weather'd every rack, the prize we sought is won;
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,

While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring:

But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.
O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up—for you the flag is flung—for you the bugle trills;
For you bouquets and ribbon'd wreaths—for you the shores a-crowding;
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;

Here captain! dear father!
This arm beneath your head;
It is some dream that on the deck,
You've fallen cold and dead.
My Captain does not answer, his lips are pale and still;
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will;
The ship is anchor'd safe and sound, its voyage closed and done;
From fearful trip, the victor ship, comes in with object won;
Exult, O shores, and ring, O bells!
But I, with mournful tread,
Walk the deck my captain lies,
Fallen cold and dead.
[1865, Walt Whitman]

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Eusébio da Silva Ferreira


- Epa morreu o Eusébio que merda.
8h29 da manhã e acordo com uma mensagem no telemóvel. Uma notícia assim só podia chegar do mano.
Acordo e quase morro em puro estado de choque. Não percebo o que se passa à minha volta. Por momentos, esqueço onde estou. Deixo de ouvir. Não, oiço uns zumbidos. Os olhos cegam. O coração acelera e pára ao mesmo tempo. Esqueço-me de respirar e é tudo automático. A cabeça estala. Apoio-me numa mesa que está perto. Parece que estou num acidente. Parece que me espetei de carro. Tenho de ir para a rua apanhar ar fresco. Não acredito, o Rei. O Rei não morre.
Quando finalmente percebo que é verdade, que aos amigos não se engana, não assim, balbucio em voz alta: o Eusébio morreu. 
Ligo a televisão e vejo o que todo o país está a ver. Rodapés sucessivos, imagens a preto e branco, os livres, as cavalgadas, os golos. Os canais estrangeiros falam que morreu uma lenda. Depois as entrevistas. Di Stefano diz que morreu o maior de todos os tempos. Mário Coluna, em Moçambique, muito velho e cansado, conta como a mãe de Eusébio lho encomendou. Simões, o irmão branco, Toni, Maradona, Beckenbauer, Gordon Banks, Mourinho, Butragueño, o Old Trafford e Bobby Charlton todo em pé e olhar triste em aplauso. Mário Wilson, o velho Capitão, a falar directamente para a fotografia autografada que beija. 
Quando já não consigo fugir ao inevitável, conto aos filhos. Explico quem foi o camisola 10. Mostro no caderno do miúdo o que lhe escrevi em tempos neste blogue sobre o 'Pantera Negra' e leio-lhe. Falo das histórias do meu Avô que, sportinguista, ia à Luz, dizia, para ver se via o Benfica perder, só para não confessar que queria era ver o Eusébio jogar. 
Pergunta-me quantos golos é que marcou e abre a boca de espanto quando lhe digo.
Somos interrompidos pelo João Alves, o "luvas pretas", na televisão a dizer que o Eusébio não morreu. E o puto pergunta porquê. Respondo que os homens grandes não morrem. E ele diz "como tu, Pai ?" Não se aguenta.
O dia custa a passar.
A miúda já colocou os cachecóis por cima da televisão e a bandeira ao lado, com jeitinho e em sinal de respeito. Escreve uns bilhetinhos que dedica ao 'Pantera Negra' e que, à noite, já na Luz, vou depositar junto à estátua onde estendo também o meu primeiro cachecol do Benfica.
E agora ?

domingo, 5 de janeiro de 2014

"Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu" *





Eusébio da Silva Ferreira
(1942 - 2014)

(e dentro de um carro, parados num sinal vermelho, os dois maiores amigos:
- Olha lá, pá, o Rei está ali no carro da frente !
- Pois está. 'Bora lá.
como putos, os trintões saem porta fora. Batem no vidro e esbracejam.
- Ó Rei, ó Rei, és o Maior !
De lá de dentro, Sua Majestade acena, e os trintões regressam a casa felizes da vida.)


* 'A Morte Saiu à Rua', José Afonso

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Ócio (cap. 4)

(Livraria Beta, Sevilha, Agosto 2012)

«...       
         Eusebio

         Nació destinado a lustrar zapatos, vender maníes o robar a los distraídos. De niño, lo llamaban Ninguém: nadie, ninguno. Hijo de madre viuda, jugaba al fútbol con sus muchos hermanos en los arenales de los suburbios, desde el amanecer hasta la noche.
         Llegó a las canchas corriendo como sólo puede correr alguien que huye de la policía o de la miseria que le muerde los talones. Y así, disparando en zig-zag, fue campéon de Europa a los veinte años. Entonces lo llamaron la Pantera.
         En el Mundial del 66, sus zancadas dejaron un tendal de adversarios por el suelo y sus goles, desde ángulos imposibles, desataron ovaciones de nunca acabar.
         Fue un africano de Mozambique el mejor jugador de toda la historia de Portugal. Eusebio: altas piernas, brazos caídos, mirada triste.»

in 'El Fútbol - a sol y sombra'
Eduardo Galeano


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A única Monarquia que merece o título

Para estufar esse filó

Como eu sonhei

Se eu fosse o Rei
Para tirar efeito igual
Ao jogador
Qual
Compositor
Para aplicar uma firula exata
Que pintor
Para emplacar em que pinacoteca, nega
Pintura mais fundamental
Que um chute a gol
Com precisão
De flecha e folha seca


("O Futebol", Chico Buarque)
25/01/1942 - ...
Parabéns a Sua Majestade !

(e dentro de um carro, parados num sinal vermelho, os dois maiores amigos:
- Olha lá, pá, o Rei está ali no carro da frente !
- Pois está. 'Bora lá.
como putos, os trintões saem porta fora. Batem no vidro e esbracejam.
- Ó Rei, ó Rei, és o Maior !
De lá de dentro, Sua Majestade acena, e os trintões regressam a casa felizes da vida.)

sábado, 29 de janeiro de 2011

O Pantera Negra

Filho,

Acho que está na hora de saberes quem é o Pantera Negra. Isto de ser sócio ou gritar "Golo! " de cada vez que vês o Benfica na televisão, sem saberes um bocadinho mais não chega.
Está a fazer 50 anos que um menino chamado Eusébio da Silva Ferreira desembarcava em Lisboa vindo de uma cidade lá longe, no Sul dos suis, em África, de uma cidade que tinha um nome bonito e que já não existe, Lourenço Marques.
Este menino falava quase como tu, mal sabia português, embora Portugal também fosse Moçambique. Mas sabia duas coisas: que tinha frio (era Dezembro) e que queria jogar à bola. Furar as redes. No melhor clube do mundo. O nosso Benfica !
Logo começou a explodir o festival do futebol que trazia consigo nas pernas. Era um avançado (como o pai gostava de ser), e fazia golos de todas as maneiras. Como era uma pantera, não tinha medo dos adversários e com a força do seu pontapé e a garra que trazia na alma, logo no primeiro ano, empurrou o Benfica para a vitória na segunda Taça dos Campeões Europeus, coisa que o pai não viu, mas ouviu o teu Bisavô e os Tios contar, eles que eram só Sporting. Tão Sporting que iam à Luz esperar que o Benfica perdesse. Que não era fácil confessar que era do luxo e espectáculo que, nessas tardes de domingo, enchiam o relvado. Sem sorte, porque naqueles anos, contavam, as equipas que jogavam contra o Benfica só não queriam ser goleadas. 
Mas como era um menino, nunca quis o sonho todo para ele. E partilhava, humilde como a mãe lhe ensinou, com toda a equipa aquilo que muitas vezes só ele fazia. E o Benfica ganhava. Ganhava, mesmo quando perdia. Porque ele dava sempre tudo, que é aquilo que nós devemos dar sempre na vida. Menos que tudo é nada.
Até quando já não era jogador. Até ajoelhar-se na campa de Bella Guttman, o "malvado" treinador bicampeão europeu, e pedir-lhe que acabasse a maldição que o seu despeito nos tinha lançado quando foi despedido. O Benfica ia jogar mais uma final da Taça dos Campeões Europeus.
Enfim, o pai nunca viu o Eusébio jogar e tem pena. Mas sei quem foi o Pantera Negra e as garras que ele afiou a jogar à bola. Por paixão ao nosso clube. Que agora te conto.