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quinta-feira, 12 de junho de 2025

Brian Wilson (1942 - 2025)

 


O último irmão Wilson. O génio. A música na cabeça. A voz. As vozes na cabeça. A alma dos Beach Boys. Tanta tanta tanta.
God Only Knows, Good Vibrations, Wouldn't It Be Nice, Don't Worry Baby, I Get Around, Surf's Up.... Caroline, No...

sábado, 15 de julho de 2023

tom cruise was here

(foto: Matilde)

Aruba, Jamaica, ooh, I wanna take yaBermuda, Bahama, come on pretty mama

Playa alta, Canela...

domingo, 4 de novembro de 2018

Wilson Sounds


«When I hear those voices, I try to shut them out. I’m just trying to get a feel for the room and how the songs will come alive inside of it. I’m also trying to get a feel for where I fit into all of this. Back in the old days with the Boys, I never liked going onstage. People used to write about how I seemed stiff. Then they started writing about how I had stage fright. It’s a weird phrase, “stage fright.” I wasn’t afraid of the stage. I was afraid of all the eyes watching me, and of the lights, and of the chance that I might disappoint everyone. There were so many expectations that I could figure out in the studio, but they were different onstage. A good audience is like a wave that you ride on top of. It’s a great feeling. But a crowd can also feel the other way around, like a wave that’s on top of you.

There are other voices, too, along with Chuck Berry and Phil Spector and my dad. The other voices are worse. They’re saying horrible things about my music. Your music is no damned good, Brian. Get to work, Brian. You’re falling behind, Brian. Sometimes they just skip the music and go right for me. We’re coming for you, Brian. This is the end, Brian. We are going to kill you, Brian. They’re bits and pieces of the rest of the people I think about, the rest of the people I hear. They don’t sound like anyone I know, not exactly, except that I know them all too well. I have heard them since I was in my early twenties. I have heard them many days, and when I haven’t heard them, I have worried about hearing them.

My whole life I’ve tried to figure out how to deal with them. I’ve tried to ignore them. That didn’t work. I’ve tried to chase them away with drinking and drugs. That didn’t work. I’ve been fed all kinds of medication, and when it was the wrong kind, which was often, that didn’t work. I have had all kinds of therapy. Some of it was terrible and almost did me in. Some of it was beautiful and made me stronger. In the end, I have had to learn to live with them. Do you know what that’s like, to struggle with that every single day of your life? I hope not. But many people do, or know someone who does. Everyone who knows me knows someone who does. So many people on the planet deal with some type of mental illness. I’ve learned that over the years, and it makes me feel less lonely. It’s part of my life. There’s no way around it. My story is a music story and a family story and a love story, but it’s a story of mental illness, too. »

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Não vou ao Porto, mas...

... levo o "cinquentão" comigo.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Good Vibrations

Os meus cheiros são os sons.
Desde cedo habituado a meter música na altura própria. A música como enxada. Tinha de ser. Para o que fosse preciso. Para abrir, para rasgar, para explorar. Para aguentar. Para conhecer alguém.
Para um dia reconhecer e ter memória do vivido. Para ter até memória do que o não vivido deixa.
Primeiro procurar, olhar as lombadas, pegar nos discos, olhar. Depois ouvir. A música na cabeça. Lembrar o som. Ouvir qualquer coisa. Ouvi-los chamar. Se não chamas, não vais.
Uma espécie de patrão. Um Senhor Feudal. Não justo. Só dono. Rei Sol. E há uns que se vetam e outros que vivem. Às vezes dar outra oportunidade. Repetir. Ouvir duas vezes que no outro dia estava mal disposto, é isso. Afinal justo.
A vida toda nisto. E se vou para algum lado, para onde vai a viagem, vai a banda sonora. Que é a melhor bagagem. Ao lado dos livros.
E por isso as minhas memórias estão muito construídas com os sons que fui metendo dentro. Como se fossem droga.  
Os meus cheiros são os sons. E as casas onde entro têm de cantar. E as paredes. Mesmo baixinho. As canalizações de minha casa são feitas de cabos ligados ao hi-fi.
E se oiço música esquecida, vejo-me logo onde fui com ela.
Como no verão da Figueira da Foz, com uma miúda que não vejo há 20 anos, tocavam os Beach Boys. É evidente.
A praia da Figueira conhecida por ter ondas de dois e três metros e nós a começar a experimentar o body-board. Parece-me que dei cabo da primeira prancha nessa praia. O coração também não ficou bem.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O velho gira-discos

Fidelity. Made in England. Quando as coisas não eram made in China.
Fidelity.
Estava vai para 30 anos enfiado num caixote que estava enfiado num monte de caixotes enfiados numa garagem.
Nunca mais tinha tocado. Nunca mais tinha aberto o coração.
Quando era pequeno não me deixavam mexer-lhe, mas agora (nem sei porquê) chamou-me para o salvar.
Pai, vamos lá ver o Fidelity.
Ui, que já houve para aqui água e humidades. Tira-o para fora.
As colunas estão um bocado soltas. Chave de fendas. Desaperta isso tudo. Já percebi o problema. Ok. Vai com cola ?
O gira-discos é que está pior. Não roda, está mudo e não mexe. Faço ideia de como estará a agulha.
Espera aí Tiago que o meu Pai vai ali buscar um produto porreiro para acordar o morto.
Três homens de volta do aparelho. Três tipos a quererem reanimar o velho gira-discos, em coma profundo desde há 30 anos. Quando o japonês entrou lá em casa e o escondeu num alçapão.
Fchhhh, Fchhh, Fchhhh. Borrifos precisos. Desperta os parafusos enferrujados. Mexe aqui, mexe para ali. Três cirurgiões sem curso e às apalpadelas no calor do Alentejo que já estrebucha. Mas Ah! que vontade de o trazer de volta à vida, de o pôr outra vez a cantar. Uma vez apenas para lembrar-lhe a voz.
Se não vai lá depois de aberto com o bisturi, tentam-se uns choques eléctricos. Espera, parece que já roda. Vai buscar um disco. Primeiro a banda sonora do "Cocktail" que é da mana e se estragar não se perde grande coisa. E ao menos tem uma dos Beach Boys.
Liga os speakers. Mau contacto ? Acho que sim. Merda, acho que os fios é que já não sopram.
Espera outra vez. É o botão do Balance que está todo quinado para um lado. Põe-no lá em equilíbrio. Magia ! A agulha já cose.
O bicho está vivo. Não arranha e ouve bem.
Meto já este.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

MUDE



Sempre gostei de conhecer sítios curiosos. Sítios diferentes e inesperados, que nos põem pontos de interrogação na testa. O MUDE é um sítio assim. Ainda pequeno.
Não é um MoMA. Nunca. Longe disso. Nem pensar. A anos luz. Nem atreve. Mas é um sítio porreirinho. Fica na rua Augusta e não parece ser dali. Num antigo Banco. O capital a ceder lugar à arte e ao lazer. Curioso.
Os tectos continuam picados, com o que sobra dos materiais isolantes a pingar. Sem revestimento e com o betão à pele. Os pilares idem. Cimento. Adivinha que o edifício esteve para ser demolido e desistiu.
Resta o comprido balcão de mármore negro do velho BNU que dá uma volta inteira à sala. E a escadaria.
O espaço é fixe logo por isso e porque não se espera ver cadeiras pop, torradeiras, gira-discos, aspiradores e telefones dos anos 50 e 60 por entre aquele balcão cisudo onde antes se trocou dinheiro, letras e cheques.
Uma Vespa à esquerda. Toco-lhe. Não posso, oiço. Vestidos de noite de estilistas com nome de perfume francês. 
Numa cortina projecta-se o histórico debate televisivo Nixon-Kennedy para as eleições de 1960.
 
Painéis de luz fluorescente branca. Chutam uma frase de um famoso qualquer do design.
Objectos futuristas de formas estranhas e cores concretas desenhados por Frank Gehry ou Corbusier.
De repente, ao canto, ouvem-se os Beach Boys a tocar "God Only Knows" e "Wouldn't it be Nice". Vou logo para lá. Vinis dos Beatles, dos Rolling Stones e do Bob Dylan no chão. Slides a bombarem um Lennon de cabelos e barba comprida em protesto. Enfiado na Bed Peace com Yoko Ono. Mick Jagger e uma mulher. Manifestações estudantis contra a guerra no Vietname. Martin Luther King. Pancada.
Uma espécie de cadeirão do Niemeyer.
Sete ou oito Vespas no meio. A mais antiga é de 1951. Uma com side-car. Todas de matrícula portuguesa. Vejo os conta-kilómetros.
Olho para uma estante controvertida. Dá para os dois lados. Naquele canto já toca o "Satisfaction" e o "Start Me Up". Acho graça às cadeiras longas em formato de onda ou de folha de papel amachucada e apetece-me deitar. Não se toca, oiço à entrada.
No andar de cima, uma espantosa colecção de scooters antigas lançadas para umas rampas. Lambrettas, Bernardettes, Zundaps, e até um modelo da Harley Davidson. Deve ter levantado cabelo. Anúncios e revistas da época. 
À saída um momento sublime. A cena final do "Zabriskie Point". No Buick. Ela sempre linda. Dedos e olhos. Explosões, tudo pelo ar e os Pink Floyd.
"Turn your head feel the breeze."