Em concerto, devo tê-lo visto umas quatro ou cinco vezes. A solo, em Évora. Com a banda e o filho Vicente, no CCB. Em festivais. Lembro-me de um palco com o Sérgio Godinho, eterno companheiro da estrada. De outros também.
Mas depois guardo é uma noite pessoal. No O'Gilins, o irish pub do Cais do Sodré. Estava sozinho, com um Jameson numa mão e os pensamentos na outra. Nós na mesa ao lado.
Não tinha lume, mas fui ter com ele. Meti conversa. Se nos podíamos sentar. Claro que sim. Falámos um bocado. Disse-lhe que tinha gostado de o ver tocar em Évora (era recente), e ele a perguntar se tinha sido uma noite boa. Eh pá, então não !?! A guitarra e o piano vinham com as notas todas no sítio e um toque de bagaço. Riu-se.
Reparou que eu tinha um caderno comigo (que era dela) e quis deixar lá uma coisa (que ficou dele): "A vida é..... beijinhos. J. Palma".
Palma é muito. A noite, os copos, a cidade, o encontro, o desejo, e toda a fraqueza da dor e aventura humanas.
Era Lisboa mas foi de todos.
Cunhou aquilo que procurava. E pelo caminho eternizou coisas bonitas. Daquelas que dizem que dá para continuar e que é bom estarmos vivos.
O Palma vai continuar.
Não devemos desabar. Foi uma pessoa escrita com a letra dos sons. E foi liberdade.
Será cantado sempre. Porque a arte nunca morre. Só transita.

























