domingo, 30 de junho de 2013
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Esplendor na Relva
The Russian won the title nine years ago but this time around exited at the second-round juncture after a 6-3, 6-4 defeat by her unfancied Portuguese opponent."
'The Guardian'
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quarta-feira, 26 de junho de 2013
"Commedia dell’arte"
É que não arranjo melhor título para adjectivar os fellinianos manifestantes que se reuniram ontem na Piazza Farnese, em Roma, para protestar contra a condenação de Silvio Berlusconi a sete anos de cadeia e à inabilitação perpétua para o exercício de cargos públicos por incitamento à prostituição de menores e abuso de poder no chamado caso Ruby.
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terça-feira, 25 de junho de 2013
La vie était belle
"Les indiens attendaient en silence. Le fils du Chef Cornstalk, Ellinipsico, était avec eux... Il essayait de se souvenir si le soldat qui s'approchait ressemblait à quelqu'un... à quelqu'un qui mériterait d'ètre mort...
Ce soldat c'était Zapaniah Lee. Sa fiancée l'avait quitté, Il voulait mourir et depuis longtemps il attendait la balle qui mettrait fin à la vie qu'il n'avait plus le courage de supporter.
CRACK !
Cette balle, Zapaniah la reçut en plein front et en l'espace d'un éclair il pensa à la bière au rhum qu'il ne boirait plus... à sa fiancée... et il comprit que c'était stupide de mourir... mais oui... La vie était belle !
Quand il voulut crier... Zapaniah avait fini de penser..."
O tomo 2 esperava. Olhava para ele como a um órfão. Não se pode ler um volume 2, sem ler primeiro o primeiro tomo. Não se faz isso a Pratt. Seria imperdoável !
"Mas acha que lhe vendia esta edição, capa dura, por 3 euros !, se também tivesse o volume 1 ?!?", respondeu a senhora italiana da 'Ler Devagar'. "Esgotadíssimo !", continuou com um sotaque trocista e final.
Não acredito. Arrisco e compro na mesma o vol. 2. Hei-de encontrar-lhe o irmão. Afinal, sou duro de teimoso. E um livro nunca acaba. Não é como o dinheiro. Não sai da circulação.
Meses à espera. Quilómetros de procura obsessiva. Sempre a sentir o martelo na cabeça. Nas prateleiras das livrarias, na Feira, na net - horror ! -, e sempre "indisponível". Que palavra horrível para se referir a um livro. Devia ser proibido. Como se tivessem o livro com eles, mas não o quisessem dispor.
Quase cheguei a acreditar que o futuro era mesmo trair o Pratt e perder o primeiro comboio.
Mas não. A vida é bela. Foi preciso ir ao Porto. E depois de passar naquele alfarrabista da rua do 'Candelabro', dobrar a esquina da José Falcão, onde, por acaso ou atracção, entrei e o descobri, logo à primeira rusga, por causa da lombada, exemplar único, por uns simbólicos 20 euros (ed. da 'Casterman').
Ce soldat c'était Zapaniah Lee. Sa fiancée l'avait quitté, Il voulait mourir et depuis longtemps il attendait la balle qui mettrait fin à la vie qu'il n'avait plus le courage de supporter.
CRACK !
Cette balle, Zapaniah la reçut en plein front et en l'espace d'un éclair il pensa à la bière au rhum qu'il ne boirait plus... à sa fiancée... et il comprit que c'était stupide de mourir... mais oui... La vie était belle !
Quand il voulut crier... Zapaniah avait fini de penser..."
O tomo 2 esperava. Olhava para ele como a um órfão. Não se pode ler um volume 2, sem ler primeiro o primeiro tomo. Não se faz isso a Pratt. Seria imperdoável !
"Mas acha que lhe vendia esta edição, capa dura, por 3 euros !, se também tivesse o volume 1 ?!?", respondeu a senhora italiana da 'Ler Devagar'. "Esgotadíssimo !", continuou com um sotaque trocista e final.
Não acredito. Arrisco e compro na mesma o vol. 2. Hei-de encontrar-lhe o irmão. Afinal, sou duro de teimoso. E um livro nunca acaba. Não é como o dinheiro. Não sai da circulação.
Meses à espera. Quilómetros de procura obsessiva. Sempre a sentir o martelo na cabeça. Nas prateleiras das livrarias, na Feira, na net - horror ! -, e sempre "indisponível". Que palavra horrível para se referir a um livro. Devia ser proibido. Como se tivessem o livro com eles, mas não o quisessem dispor.
Quase cheguei a acreditar que o futuro era mesmo trair o Pratt e perder o primeiro comboio.
Mas não. A vida é bela. Foi preciso ir ao Porto. E depois de passar naquele alfarrabista da rua do 'Candelabro', dobrar a esquina da José Falcão, onde, por acaso ou atracção, entrei e o descobri, logo à primeira rusga, por causa da lombada, exemplar único, por uns simbólicos 20 euros (ed. da 'Casterman').
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segunda-feira, 24 de junho de 2013
quinta-feira, 20 de junho de 2013
O Baixinho é gigante
"Peço aos brasileiros para que não confundam as coisas. Estamos a preparar o Mundial", "Vamos apoiar a selecção nacional. Vamos esquecer a confusão que reina no Brasil, esquecer os protestos".
Réplica de bicicleta:
Edson Arantes do Nascimento, aka "Pelé"
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terça-feira, 18 de junho de 2013
O Século dos Cidadãos
As pessoas estão a ficar fartas e perceberam o seu poder.
O movimento Occupy Wall Street, os motins em Londres em 2011, a Primavera árabe, as largas manifestações contra a austeridade em Portugal, Grécia, Itália, Espanha e até Berlim, em Chipre, o movimento Femen na Rússia de Putin, as manifestações da Praça Taksim, em Istambul, e agora o Brasil em Junho de 2013.
"Citizens, not subjects", líamos na guitarra de Robert Smith, no concerto dos Cure do ano passado em Lisboa.
Não é que no passado não tenha havido grandes mobilizações de massas capazes de alterações, mas essas geralmente culminavam em revoluções ou rupturas de regimes.
Agora as coisas estão diferentes. As pessoas já desconfiam por princípio dos políticos e não acreditam no que lhes dizem, cansadas de anos e anos de traições. Mas compreendendo que têm uma dificuldade de se organizarem para além das convocatórias que fazem através das redes sociais, também perceberam que as mudanças começam nas ruas e é daí que querem falar aos seus governantes e onde apresentam as suas reivindicações, com cartazes, palavras de ordem, flores, dançando ou fazendo silêncio. Assistimos, portanto, a uma deslocalização da política, do Parlamento para as ruas. E os políticos, que perdem a antiga legitimidade governativa, têm de a ir buscar onde está o cidadão. E ou os ouvem, ou são atropelados pelos acontecimentos.
As pessoas compreenderam o seu poder e estão a ficar fartas.
A 'Folha de São Paulo' documenta.
O movimento Occupy Wall Street, os motins em Londres em 2011, a Primavera árabe, as largas manifestações contra a austeridade em Portugal, Grécia, Itália, Espanha e até Berlim, em Chipre, o movimento Femen na Rússia de Putin, as manifestações da Praça Taksim, em Istambul, e agora o Brasil em Junho de 2013.
"Citizens, not subjects", líamos na guitarra de Robert Smith, no concerto dos Cure do ano passado em Lisboa.
Não é que no passado não tenha havido grandes mobilizações de massas capazes de alterações, mas essas geralmente culminavam em revoluções ou rupturas de regimes.
Agora as coisas estão diferentes. As pessoas já desconfiam por princípio dos políticos e não acreditam no que lhes dizem, cansadas de anos e anos de traições. Mas compreendendo que têm uma dificuldade de se organizarem para além das convocatórias que fazem através das redes sociais, também perceberam que as mudanças começam nas ruas e é daí que querem falar aos seus governantes e onde apresentam as suas reivindicações, com cartazes, palavras de ordem, flores, dançando ou fazendo silêncio. Assistimos, portanto, a uma deslocalização da política, do Parlamento para as ruas. E os políticos, que perdem a antiga legitimidade governativa, têm de a ir buscar onde está o cidadão. E ou os ouvem, ou são atropelados pelos acontecimentos.
As pessoas compreenderam o seu poder e estão a ficar fartas.
A 'Folha de São Paulo' documenta.
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sexta-feira, 14 de junho de 2013
dia santo
(foto: andré)
É quando a cidade vai mesmo toda para as ruas. É quando a cidade tem direito a festa e as ruas se alindam. Os bairros antigos vêm para a luz da vida e saem da penumbra dos dias maus. E está muito bem que isto tem sido mais do que tremendo e a gente não é de ferro.
Não vamos à noite, encher-nos das multidões que crescem em todos os buracos e nas esquinas e recantos, e que anseiam esquecer a crise e nos fazem andar em procissão. Mas de dia para ver bem as varandas que invejam, e a parte moura da cidade que é mais bonita. Quando já está livre para ser nossa e lhe jurarmos amor total.
O dia quenta e há balões e cores e cheiro a fumo. Fumo do bom. Acenderam os carvões e as sardinhas já voam, e as febras saltam e as mulheres competem. Falamos com elas à janela e com a graça que elas têm. E num estendal de Alfama estão cinco vestidos a secar das marchas que bailaram de véspera na Liberdade.
Enovelados pelos tentáculos desta gente que faz da rua casa, deslizamos pelas calçadas até desaguar lá mais em baixo. Olhamos para as mil e uma escadinhas e para as placas com as caras dos fadistas. E para os telhados que trepam sempre uns sobre os outros.
Lisboa nesta altura é de um povo alegre por um dia e ninguém lhe toca.
Compramos o manjerico, cheira bem e oferecemos-te.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
"Dancing to Freedom" *
[Praça Taksim, Istambul, Junho 2013]
"They danced through the night in Taksim Square in what has become a defiant carnival of protest.
The prime minister has described the protesters as looters and vandals - so now they are dancing as a form of peaceful resistance."
Sky News
* Inscrição numa das secções do Muro de Berlim
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quarta-feira, 12 de junho de 2013
terça-feira, 11 de junho de 2013
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Pablo Aimar, la alegría del pueblo
Partes num dia de sol e de chuva. E é assim que fica o coração.
Mi Buenos Aires querido,
cuando yo te vuelva a ver
no habrá más pena ni olvido.
Música: Carlos Gardel
Letra: Alfredo Le Pera
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sábado, 1 de junho de 2013
Dia Y
Não sei o que o concerto dos Blur no Primavera Sound vai trazer. Não estou lá para ver e não há crónica nenhuma que bata os nossos ouvidos.
Não sei se vai pingar para o nostálgico ou se vão ser grandes e rebentar com o público.
O que sei é que os apanhei vai para 20 anos, num Coliseu de Lisboa, a transpirar de cheio, para se ouvir o quarto álbum destes quatro rapazes a quem chamavam brit, quando ainda não havia festivais ou telemóveis.
Na altura a vida começava ainda. Damon Albarn terminava o concerto em cima duma coluna de 3 metros de altura e de onde no final se terá projectado. A faculdade estava no princípio. Deixávamos o liceu para trás e o que nos prendia à infância e que já cansava. Queríamos subir todos os degraus e ir para o centro do mundo, que era mesmo novo e tínhamos todo o tempo para ele. Sem rede e de pulmões escancarados, com a paixão de quem respira de verdade.
Estamos mais velhos e o mundo está estranho. Não cumprimos todas as promessas mas fazemos por isto. Os Blur têm todos 40 anos, regressaram a Portugal e não sabem se vão continuar. Espero que a noite lhes corra bem.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Acto de Primavera
(Margareth Madè)
MENSAGEM ENVIADA AO ENCONTRO DA AULA MAGNA
por José Pacheco Pereira
"Caro Presidente Mário Soares,
Não podendo estar presente nesta iniciativa, apoio o seu objectivo de contribuir para combater a “inevitabilidade” do empobrecimento em que nos querem colocar, matando a política e as suas escolhas, sem as quais não há democracia. Gostaria no entanto de, por seu intermédio, expressar com mais detalhe a minha posição.
A ideia de que para alguém do PSD, para um social-democrata, lhe caem os parentes na lama por estar aqui, só tem sentido para quem esqueceu, contrariando o que sempre explicitamente, insisto, explicitamente, Sá Carneiro disse: que os sociais democratas em Portugal não são a “direita”. E esqueceu também o que ele sempre repetiu: de que acima do partido e das suas circunstancias, está Portugal.
Não. Os parentes caem na lama é por outras coisas, é por outras companhias, é por outras cumplicidades, é por se renegar o sentido programático, constitutivo de um partido que tem a dignidade humana, o valor do trabalho e a justiça social inscritos na sua génese, a partir de fontes como a doutrina social da Igreja, a tradição reformista da social-democracia europeia e o liberalismo político de homens como Herculano e Garrett. Os que o esquecem, esses é que são as más companhias que arrastam os parentes para a lama da vergonha e da injustiça.
Não me preocupam muito as classificações de direita ou de esquerda, nem sequer os problemas internos de “unidade” que a esquerda possa ter. Não é por isso que apoio esta iniciativa. O acantonamento de grupos, facções ou partidos, debaixo desta ou daquela velha bandeira, não contribui por si só para nos ajudar a sair desta situação. Há gente num e noutro espectro político, preocupada com as mesmas coisas, indignada pelas mesmas injustiças, incomodada pelas desigualdades de sacrifícios, com a mesma cidadania activa e o mesmo sentido de decência que é o que mais falta nos dias de hoje.
A política, a política em nome da cidadania, do bom governo, e da melhoria social, é que é decisiva. O que está a acontecer em Portugal é a conjugação da herança de uma governação desleixada e aventureira, arrogante e despesista, que nos conduziu às portas da bancarrota, com a exploração dos efeitos dessa política para implementar um programa de engenharia cultural, social e política, que faz dos portugueses ratos de laboratório de meia dúzia de ideias feitas que passam por ser ideologia. Tudo isto associado a um desprezo por Portugal e pelos portugueses de carne e osso, que existem e que não encaixam nos paradigmas de “modernidade” lampeira, feita de muita ignorância e incompetência a que acresce um sentimento de impunidade feito de carreiras políticas intra-partidárias, conhecendo todos os favores, trocas, submissões, conspirações e intrigas de que se faz uma carreira profissionalizada num partido político em que tudo se combina e em que tudo assenta no poder interno e no controlo do aparelho partidário.
Durante dois anos, o actual governo usou a oportunidade do memorando para ajustar contas com o passado, como se, desde que acabou o ouro do Brasil, a pátria estivesse à espera dos seus novos salvadores que, em nome do "ajustamento" do défice e da dívida, iriam punir os portugueses pelos seus maus hábitos de terem direitos, salários, empregos, pensões e, acima de tudo, de terem melhorado a sua condição de vida nos últimos anos, à custa do seu trabalho e do seu esforço. O "ajustamento" é apenas o empobrecimento, feito na desigualdade, atingindo somente "os de baixo", poupando a elite político-financeira, atirando milhares para o desemprego entendido como um dano colateral não só inevitável como bem vindo para corrigir o mercado de trabalho, "flexibilizar” a mão de obra, baixar os salários. Para um social-democrata poucas coisas mais ofensivas existem do que esta desvalorização da dignidade do trabalho, tratado como uma culpa e um custo não como uma condição, um direito e um valor.
Vieram para punir os portugueses por aquilo que consideram ser o mau hábito de viver "acima das suas posses", numa arrogância política que agravou consideravelmente a crise que tinham herdado e que deu cabo da vida de centenas de milhares de pessoas, que estão, em 2013, muitas a meio da sua vida, outras no fim, outras no princípio, sem presente e sem futuro.
Para o conseguir desenvolveram um discurso de divisão dos portugueses que é um verdadeiro discurso de guerra civil, inaceitável em democracia, cujos efeitos de envenenamento das relações entre os portugueses permanecerão muito para além desta fátua experiência governativa. Numa altura em que o empobrecimento favorece a inveja e o isolamento social, em que muitos portugueses tem vergonha da vida que estão a ter, em que a perda de sentido colectivo e patriótico leva ao salve-se quem puder, em que se colocam novos contra velhos, empregados contra desempregados, trabalhadores do sector privado contra os funcionários públicos, contribuintes da segurança social contra os reformados e pensionistas, pobres contra remediados, .permitir esta divisão é um crime contra Portugal como comunidade, para a nossa Pátria. Este discurso deixará marcas profundas e estragos que demorarão muito tempo a recompor.
O sentido que dou à minha participação neste encontro é o de apelar à recusa completa de qualquer complacência com este discurso de guerra civil, agindo sem sectarismos, sem tibiezas e sem meias tintas, para que não se rompa a solidariedade com os portugueses que sofrem, que estão a perder quase tudo, para que a democracia, tão fragilizada pela nossa perda de soberania e pela ruptura entre governantes e governados, não corra riscos maiores.
Precisamos de ajudar a restaurar na vida pública, um sentido de decência que nos una e mobilize. Na verdade, não é preciso ir muito longe na escolha de termos, nem complicar os programas, nem intenções. Os portugueses sabem muito bem o que isso significa. A decência basta."
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quarta-feira, 29 de maio de 2013
Um Planeta Solitário
"Acho que nunca nos conhecemos completamente, nem a nós próprios nem aos outros, mas também não acredito que alguém possa revelar o seu verdadeiro eu de um momento para o outro. Acho que o nosso verdadeiro eu é muito contraditório, tem bom e mau e está sempre a ser redefinido pelas nossas acções."
Julia Loktev, no ípsilon, 24.05.13
"A cena de ódio a Mourinho", por Clara Ferreira Alves
«Não sei o que fez Mourinho ao Real Madrid. Nada justifica o ácido que os jornalistas espanhóis lançaram sobre a pessoa do treinador. Envelhecido, gasto, fracassado, banido, detestável, arruinado, arrumado, odioso, etc. Tanto rancor justificou uma peça na BBC, e o correspondente da estação confessava a surpresa da violência. Este género de ataque ad hominem tornou-se habitual não apenas no futebol, um terreno favorável aos humanos rancores. Também na política. É um ataque que se distancia do comportamento, decisão ou processo a noticiar, para analisar, para cair com força e apenas sobre a pessoa que vemos, os atributos físicos. O olhar, o jeito, o rosto, o penteado, o traje, a voz, a idade, tudo é motivo de ódio. Em Portugal, aconteceu no caso de José Sócrates, cujas decisões políticas eram logo transformadas em pecados dilatados por questões de "carácter" ou de física aparência. E aí, cresce a pilha de adjetivos. E acontece muito com mulheres em posições de poder, de que foi exemplo o ódio a Mrs. Thatcher na morte, um ódio altamente personalizado e maldoso. A bruxa, claro, foi um dos insultos mais usados, como no tempo de Salem. O antissemitismo e a caça às bruxas nunca desfalecem. Na era da internet, o solo primordial de ressentimentos e vinganças por justiceiros e psicólogos de trazer por casa, que visam repor a "verdadeira cara" de personagens que desconhecem através do exercício do comentário sulfúrico, a linguagem do ódio tornou-se moeda corrente. Ao contrário da ironia, que solicita a inteligência e o humor, o ódio é fácil de digerir, repetir, e apela ao baixo denominador comum, que satisfaz o ressentimento no anonimato. Satisfaz o racista incipiente, o ditador inconsequente, o burocrata infeliz, o cabotino invisível. O inferno são sempre os outros.
Enquanto estamos consumidos pelo ódio simplificado a pessoas, as corporações vão destruindo vidas, vão perpetrando crimes e fugas, vão passando ilesas no crivo da censura social. Odiar Mourinho é fácil, odiar a Apple é impossível. A Apple trata-nos como clientes, consumidores, amigos. A Apple acaba de ser apanhada em fuga aos impostos. E não é um pequeno delito. Através de um esquema complexo mas legal de empresas que vão desaguar noutras empresas, de sociedades que vão desaguar noutras sociedades, de labirintos de subsidiárias virtuais com sedes fiscais espalhadas pelo mundo, a Apple vai responder ao Congresso e à lei americana por quase 80 mil milhões de dólares de impostos em falta. Quase o montante do resgate de Portugal. A Apple vale mais, economicamente, do que um país. A Apple tinha um sistema tão inteligentemente concebido que até o fisco americano, o mais bem oleado do mundo, o mais difícil de iludir, foi iludido. A Apple não tem de ter, ao contrário de Mark Zuckerberg e de Bill Gates, consciência social. E Steve Jobs nunca deu um tostão ao próximo, nem praticou a filantropia. Deixou no porto de Amesterdão um superiate, desenhado por Philippe Starck, que foi apreendido no processo de herança por causa de uma dívida ao designer de vários milhões de dólares. O barco, começado a construir quando Jobs já estava muito doente, foi o derradeiro egoísmo. Na morte, Jobs foi celebrado como um deus, construindo-se uma nova teologia. E um culto da personalidade como não se via desde o falecido Mao. Como clientes desta corporação, nem sequer como acionistas visto as ações da Apple estarem tão valorizadas que só os ricos as podem comprar, comportamo-nos sem pensamento crítico. Em Portugal, um país empobrecido, a venda de smartphones aumentou 46%. Muitos serão da Apple.
A Apple, como a Starbucks, como a Amazon, praticam esquemas internacionais de fuga fiscal que faz com que escapem a todas as leis de todos os países e celebrem com as autoridades políticas e fiscais pactos específicos que os impedem de ser devidamente taxados. Na Europa, a Irlanda é o paraíso fiscal da Apple. A Irlanda, perpetuamente apontada como um exemplo da eficaz austeridade, autoriza acordos fiscais com multinacionais que transformam o país num verdadeiro offshore dentro da União Europeia. Estes pactos fiscais não produzem riqueza nem criam muito emprego, servem de quadro referencial de sucesso do investimento estrangeiro. Bruxelas poderia e deveria acabar com este estado de coisas, legislando e aplicando regras unitárias. Preferiu dedicar-se ao tamanho dos pepinos, à fermentação de queijos não pasteurizados e às garrafas de azeite das mesas dos restaurantes. Os regulamentos europeus são isto. E nós, legiões de consumidores, legiões de cidadãos informados e informatizados, preferimos dedicar-nos aos Mourinhos como atentados à nossa consciência, deixando escapar os feitores e malfeitores do capitalismo transnacional. O ódio é a felicidade dos brutos.
'Expresso', 25 de Maio de 2013
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terça-feira, 28 de maio de 2013
terça-feira, 21 de maio de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
que orgulho ENORME em ser do Benfica ! - III
Às 3h46m da madrugada recebo uma mensagem no telemóvel que me interrompe o sono que teimava em não acontecer. Completamente estremunhado, leio: "A CAMINHO DA GLÓRIA! CARREGA!"
Era o Renato. Já vai para o aeroporto.
Verifico se os dois despertadores que marquei para as seis da manhã estão Ok. Estão.
Viro-me para o lado, mas às cinco não dá mais. É como quando nasce um filho. É impossível dormir quando sabemos que dentro de poucas horas há história para fazer. Estamos quase a embarcar para acompanhar o Benfica na final. Esperámos 23 anos por isto, caralho !
Às 6 e meia, tenho o João Tiago, compadre velho, parceiro querido e irmão de sangue, a telefonar-me. "Era só para ver se não adormeceste." Digo que lhe ia fazer o mesmo e que já vou dentro do táxi.
Com a camisola do Glorioso (anos 60, também final Amesterdão) vestida, aviso logo o chefe do táxi que obviamente não lhe vou dizer para onde vou. Ele ri-se.
No aeroporto começamos a encontrar a Família. Primeiro as glórias: Simões, Toni, Veloso, Abel Xavier, Schwarz, o RAP e os amigos fedorentos... Encontramos o Pedro Rodrigues da faculdade, que já não víamos há uns bons 15 anos. Vem no nosso avião. O Benfica é assim. Reúne. Reencontra.
O voo é feito com uma ansiedade que não conheço. Detesto cada vez mais andar de avião, mas ir ver o Benfica no estrangeiro (experiência virgem, guardada religiosamente para a altura certa) pelos vistos ainda me põe mais nervoso. Tranquilizo-me quando reparo que o Valdo, o nosso antigo camisola 10, vem connosco. Está mesmo na fila da frente. Um amigo pede-lhe um autógrafo e eu também, que é para o puto. Vou falar com ele e pergunto-lhe como é que vamos jogar. "Com calma.", responde o sacana com o sorriso apaziguador que têm os negros.
Quando aterramos, oiço o Rafael: "André, dá lá o tom." E começa o Piçarra que tenho no telemóvel, «Sou do Benficaaa, e isso me envaidece...» . O avião põe-se num coro que me comove. O Rafael trouxe a Margarida. É a mulher e faz anos. É preciso que isto se diga.
Chegamos a Amesterdão. Que puta de cidade para ver o Benfica jogar !
Vamos logo para a Praça Damm. Já está cheia. Metade, metade. Anoto um pormenor delicioso: no lado da sombra estão os adeptos do Chelsea; ao Sol, a cantar como nunca, estão os nossos !
Hoje é dia de reunião magna da Luz: o Benfica vai jogar uma final europeia e, por isso, começamos a encontrar a nossa malta. Sem ter combinado, aparece-nos o Rojão, o Bairrada, o "Benfica", o Vasco e os amigos do escritório do gajo, o Pedro Mendes. Falamos com todos, damos um abraço e gritamos Viva o Benfica !. Esta merda é linda !
Depois, enfiamo-nos numa rua que sai da Damm em direcção ao "Red Light Dtct." para ir comer um bife e engolir umas canecas que a fome é muita e a sede é mais.
O Renato ainda não tem bilhete para o jogo, mas está sentado com uma calma impressionante à mesa de um argentino, com o "Bebes" (da Católica), o João Leite e outros tipos com as camisolas mais bonitas que há no mundo. O "Bebes" tropeça numa cadeira, cai desamparado de costas, mas não entorna a cerveja que segura como se fosse a Taça.
Regressamos à rua onde a malta continua a pagar bejecas. Escutam-se os hinos. Cantamos. O Barbas e o Máximo fazem o seu número, mas falta cá o Torgal, amigo de sempre.
Malta, está na hora de ir para o Estádio. Agarramos os cachecóis, e há bandeiras que nos abraçam. Brindamos para dar força. Fazemos juras de amor eterno, que é disso que afinal se trata, e é aí que eu arranco: «Sou do Benficaaa...» Na rua, todos param e juntam-se a nós. Família !
Elegemos a frase do dia. Do João Leite: "Vamos resgatar a puta da taça que nos roubaram há 30 anos !" É isto mesmo.
Já em frente ao Arena, continua a reunião magna. Metemo-nos com todos, que a alma é enorme. Com o grande Pedro Ribeiro da 'Comercial', e a vez que jogou na Luz com o Aimar, com o Pedro Pinto da TVi (a quem falamos do Luisinho), com o Martim Avillez. Falamos com holandeses, com ingleses, e toca p'rá fila que 'tá na hora.
Ao meu lado, de repente, dizem-me que está o pai do "Bebes". Tem 70 e poucos anos e está ali no meio dos empurrões. Desejamo-nos sorte.
O Estádio está maravilhoso. Os ingleses são mais, mas ouvem-se menos. Começo a receber mensagens de Portugal: "André, tu és o ponta de lança !", escreve o Miguel; a Cristina manda-me fotos dos miúdos. Peço-lhe mais uma. Digo que preciso de várias.
O jogo começa. Jogamos bem. Anularam um golo ao Tacuara. Parece que o ombro estava fora de jogo.
Ao intervalo 0-0. Damos de caras com o Pacheco, que foi extremo no Benfica. O que é que fazemos, Pacheco ?: "Fica tudo igual para ver a reacção deles. Estou nervosíssimo.", comenta connosco.
Recomeça a partida. Eles marcam. Sempre o filho da puta do Torres. Como odeio, o cabrão ! Mas há penalty. O nosso 7 empata. O sonho renasce. A seguir estoira para a baliza, mas o redes deles é bom, está atento e desvia. Lampard devolve a graça e abana o poste do Artur.
Já não aguento mais. O relógio marca 90+3. É canto. Cabeçada, e bola nas redes. Gelo. Silêncio monumental. Tenho o cachecol na cabeça.
Acaba. Jogadores caídos. Uns choram. Ao meu lado, também vejo lágrimas e pessoas incrédulas. É um resultado que dói de cruel. A vida não é tão trágica assim. Engulo em seco.... mas estou em paz. Somos uma raça do camandro !
A saída do Estádio pesa. Quero vir rapidamente para casa, meter-me na cama. No autocarro, o João Tiago ouve o Seara, o de Sintra, com histórias intermináveis, e pergunta e ouve, e pergunta e ouve, "Não percebe ?", "O Senhor Professor é que sabe.", enquanto eu já durmo de boca aberta. É irreal !
Apanhamos o avião num silêncio que diz tudo. Portela: 3 da manhã.
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quinta-feira, 16 de maio de 2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
domingo, 12 de maio de 2013
Waging Heavy Peace - 2
«Cros had also taken me to the Airplane House, where Jefferson Airplane lived. There I met Grace Slick, who was beatiful, sang great, was topless, and blew my mind. That was the first time I met her. The whole San Francisco scene was something I had never seen. It was overwhelming. (...)
So anyway, we're in Butano Canyon at Steve and Leo's place, and the tragedy at Kent State had just happened. Time magazine had a picture of the girl, Allison Krause, after the National Guard had killed her and three other victims. We were looking at it together. She was lying there on some pavement with another student kneeling down looking at her, as I remember.
(foto: John Filo)
The weight of that picture cut us to the quick. We had heard and seen the news on TV, but this picture was the first time we had to stop and reflect. It was different before the Internet, before social networking to say the least. So full of this feelings of disbelief and sadness. I picked up my guitar and started to play some chords and immediately wrote "Ohio"; four dead in Ohio. The next day, we went into the studio in LA and cut the song. Before a week had passed it was all over the radio. It was really fast for those times; really fast. All the stations played "Ohio." There was no censoring by programmers. Programing services were not even around; DJs played whatever they wanted on the FM stations. We were underground on FM. There was no push-back for criticizing the government. This was America. Freedom of speech was taken very seriously in our era. We were speaking for our generation. We were speaking for ourselves. It rang true. The U.S government has still not apologized to the families of the fallen four of Ohio.»
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The Real World,
the truth is ?
Waging Heavy Peace - 1
"That was CSNY to me. The connection with our generation was profound, and we could feel it. I loved all those guys. A lot has changed since those innocent times. We are different today. We were not bound by chemistry the same way as the Springfield was. We were all friends, experiencing a phenomenon together.
Crosby was forever the catalyst, always intense, driving us further and further. Just looking in those eyes made me want to deliver from the heart. He so believed in what we were doing. Graham was the consummate professional, always there with his parts, cheering us on as we jammed, writing the songs we became best known for. Stephen, my brother, always the soulful, conflicted one, was battling unseen demons and many-colored beasts through the days and nights, contributing an edge that was unmistakable.
The combination of that energy all at once - with our audience ! - that was CSNY was to me at its best.
But then came the fame, the drugs, the money, houses, cars, and admirers; then the solo albums. I had to break away. I had so much to give, so many songs in me, so many ideas and sounds in my head. I had to do it. The band didn't break up; it just stopped. It did not regenerate itself. It stopped functioning, like it had a lapse or a heart attack or something. No new songs came forward from anyone. We were all doing our own things. We needed a reason to get together and a purpose behind our music. In the end, we became a celebration of ourselves, and there was no way to keep that going. It doesn't regenerate. We had a golden time, and then we lost our way. Be great or be gone."
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sexta-feira, 10 de maio de 2013
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