sábado, 31 de outubro de 2026

primeira fornada


Monstro era a Biblioteca de família. Ou Monstra. 
Herdada como testemunho do que havia de ser. Com a força da afirmação das palavras que nascem para ficar. E, nalguns casos, renascer. E com a responsabilidade que um legado assim traz e obriga.
Monstra, ou Monstro, podia ser a tarefa ou o trabalho que se vai ter, e quer, pela frente. De noites sem dormir e problemas para resolver. E o coração a bater. E uma ideia mais, para acordar a sonhar já com o próximo. Mas importante é começar a obra. Colocando a planta em terra húmida e boa e deixando-a germinar em ares suaves, até crescer um pouco. Ou muito. Ou, então, metendo mesmo a travessa toda dentro do forno e ver se está pronto. Para ver se está bom.
Está.
Ontem foi o lançamento. Gosto tanto desta palavra. Tem tanto movimento um lançamento. Como se fosse um mergulho no espaço. Como se o atirassem para a mão da rua e agora faz-te à vida. E é de quem o apanhar. 
E então foi o lançamento. O mergulho atirado para a vida. Do "Acrobata", livro de poemas da
Alice Sant'Anna
, que nos leu (e deu, porque é disso que se trata) um "Sabiá", tão lindo. Tão simples. Como devem sempre ser as coisas. E também da "Monstro", a editora da Teresa e do Ricardo, com tanto cuidado e jeitinho que até comove. E que delícia, assistir ainda ao nascimento do seu segundo filho, erhh ... livro.  
Na Sala dos Fornos do Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado. 
Que bonito que tudo isto é. E que sorte a minha. Nossa. 


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