Mostrar mensagens com a etiqueta Trintignant. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Trintignant. Mostrar todas as mensagens

domingo, 23 de junho de 2024

domingo, 19 de junho de 2022

un Homme

 


Jean Louis Trintignant
(1930 - 2022)

sábado, 10 de abril de 2021

"Não queria partir" *


 "Não quereria morrer 
antes de ver os cães negros do México
que dormem sem sonhar,
os macacos de rabo ao léu e devoradores dos trópicos,
as aranhas prateadas de ninhos recheados de bolhas.

Não quero morrer
sem saber se a lua, sob o seu falso ar de duna,
tem um lado bicudo,
se as quatro estações são realmente só quatro,
se o sol é frio,
sem ter percorrido com um vestido os Grands Boulevards,
sem ter espreitado um buraco de esgoto,
sem ter enfiado a pila em sítios esquisitos.

Não queria acabar 
sem conhecer a lepra e as sete doenças que lá se apanham.
Nem o bem e o mal me causariam desgosto
se soubesse que com eles poderia lucrar.

Há também tudo o que conheço
tudo o que aprecio,
que sei me agradar.
O fundo verde do mar
onde valsejam talos de alga sobre areia ondulada,
a erva seca de Junho, 
a terra estalada,
o odor das coníferas 
e os beijos salgados a isto ou aquilo,
a beldade que ali está,
o meu ursinho, a Ursula.

Não quereria morrer 
sem ter consumido a sua boca com a minha,
o seu corpo com as minhas mãos, 
o resto com os meus olhos.
E mais não digo,
há que ser reverente.

Não queria acabar
antes de rosas eternas serem inventadas,
o dia com duas horas,
o mar nas montanhas
e as montanhas no mar,
jornais a cores,
o fim das dores,
todas as crianças contentes.

Não quereria morrer,
não senhor, não senhora,
antes de ter experimentado o gosto que me atormenta,
o gosto mais forte.

Não quereria morrer 
sem ter experimentado
o fervor do amor."

* poema de Boris Vian, 
na versão de Jean-Louis Duroc (Jean-Louis Trintignant)
«Os melhores Anos da nossa Vida» 

quinta-feira, 8 de abril de 2021

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

AMOUR


"Filho,
Hesito em aconselhar um filme que  queima por dentro, como Georges queima o apagar-se inevitável de Anne.
Mas a seriedade no  tratamento enxuto  do tema, bem como a realização de Michael Haneke e interpretação de Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva (aparição fugaz de Rita Blanco), obrigam-me a esta divulgação para quem gosta de cinema que não seja só distracção.
Emmanuelle Riva deixa a 50 anos (luz) o seu deambular por “Hiroshima Mon amour”,  de Resnais, de há 50 anos.  
Não conseguimos reconhecê-la.
E a nós?
Pai"