terça-feira, 31 de março de 2026

As faces de Allen

"«No pouco tempo em que o conheço, Asher, comecei a gostar muito de si», esperava não a ouvir, embora desejasse ouvir precisamente essas palavras. Um caminho conduzia à felicidade e outro ao Inferno. O problema era que o caminho para a felicidade era, na verdade, o caminho mais longo para o Inferno.

Na realidade, ele não sabia verdadeiramente o que queria. Só sabia que, outrora, fora ao Inferno e que não queria voltar a visitá-lo. Ainda assim, já estava a cheirar o enxofre a arder. Pensou que deveria esperar até ela acabar de falar e depois observar o seu próprio corpo para ver o que este faria. Observar-se-ia a si mesmo à distância e, enquanto mero espectador, não poderia ser responsável por qualquer acto que a sua personagem tentasse realizar. Perguntou-se se cairia na armadilha do Asher Mau ou se o Asher Bom derrotaria essa versão carrancuda de si próprio, fazendo-o regressar ao mundo do bom senso. O que é que Kant faria se ela lhe pegasse na mão ? Argumentaria: o que é que aconteceria se as pessoas agissem assim, como o Asher Mau ? Ou será que Kant, se ela lhe pegasse na mão, a levaria para um quarto de hotel onde pudessem estar sozinhos, e depois escreveria duas mil páginas pouco claras e impossíveis de compreender a justificar esse facto ? "

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