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domingo, 9 de março de 2014

"La Solitude"



Je suis d'un autre pays que le vôtre, d'une autre quartier, d'une autre solitude.
Je m'invente aujourd'hui des chemins de traverse. Je ne suis plus de chez vous.
(...)
Je voudrais m'insérer dans le vide absolu et devenir le non-dit, le non-avenu, le non-vierge par manque de lucidité. La lucidité se tient dans mon froc.

[Léo Ferré, 1971]

terça-feira, 4 de março de 2014

segunda-feira, 7 de maio de 2012

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

domingo, 10 de julho de 2011

A música do Avô - XV


Mao c'était le nom de ce Viking flamand
Le tissu d'esquimau vieillit beaucoup plus vite
Des plaies sur des grabats du Chili à Lisbonne
S'exténuaient en équations de cicatrices

[Words... Words... Words...]

quarta-feira, 4 de maio de 2011

para Marine Le Pen

O único Maio que tenho no bolso.

Ferré a protestar "Ni Dieu, ni Maître".
Bertolucci a filmar "Os Sonhadores" e Philippe Garrel  "Les Amants Réguliers".

Com um elemento constante: o sacana do rebelde-e-sobranceiro de nariz quase torto, o puto Louis.
Talvez se apaixone por ele.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Il faut le chercher, parce qu'Il faut le trouver.


Se a FNAC (que é francesa) em Portugal não o tem, porque só tem o que pode ter, vamos à árvore.
Como não gostamos de encomendar discos virtuais, escalamos a montanha.
E se uma senhora pergunta porquê Ferré, digo "parce qu'il faut le trouver."
Como chove em Avignon, entramos numa loja de discos, procuramos, ouvimos, trazemos.
Descansamos agora.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

para a Catarina da Rússia



Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va

On oublie le visage et l'on oublie la voix
Le coeur quand ça bat plus, c'est pas la peine d'aller
Chercher plus loin, faut laisser faire et c'est très bien.
(...)

L'autre qu'on adorait, qu'on cherchait sous la pluie
L'autre qu'on devinait au détour d'un regard
Entre les mots, entre les lignes et sous le fard
D'un serment maquillé qui s'en va faire sa nuit
Avec le temps tout s'évanouit

Avec le temps, va, tout va bien

Léo Ferré


Quando era puto havia uma figura que me intrigava sempre que visitava a casa de um tio amigo em Carnaxide. Este meu tio tinha vivido algum tempo em Paris nos anos 60 ou 70 e tinha trazido um enorme poster que estava afixado na parede grande da sala.
Sempre que lá ia a casa enfrentava este poster, de que era impossível fugir. Era o poster de uma figura estranha. Um homem de cabelo branco comprido e encaracolado, com uma grande careca que mostrava a testa toda, e vestido de preto. Tinha um olhar perturbado. Parecia louco.
Eu pasmava em frente ao poster. Quem seria aquele homem ? Que faria ele, que teria feito ele, aquele louco sempre louco, para se pôr na sala de estar do meu tio tripeiro ? Que teria feito eu ? Acho que pensava que ele estava ali para me atormentar. Talvez para me lançar a mão se fizesse merda.
Quando se é puto estranhamos as pessoas que não são iguais às conhecidas e eu nunca tinha visto um homem de cabelo branco comprido e todo careca que não fosse louco ou vagabundo. E vestido de preto só podia ir para um enterro. O olhar amargo e que agora lhe digo sofrido compunham o ser louco daquela sala de estar.
Admirava-me ainda mais o meu tio ter um poster com a figura de um velho louco na sala de estar. E que estava ali para me atormentar. Isso era certo. 
Nunca tive coragem de lhe perguntar, ou sequer aos meus pais, quem era aquele senhor da sala de estar de Carnaxide. Acho que tinha medo que a resposta confirmasse aquilo que pensava.
Depois ele desapareceu.
Só muitos anos mais tarde, quando comecei a interessar-me por música, é que voltei a saber dele. Devo tê-lo visto na televisão. E então quis saber-lhe o nome.
Na altura ouvir uma voz que cantava perda, solidão, dor de quem ama e que o dizia em francês, era diferente de tudo o que tinha na prateleira. Era estranho, outra vez. 
Mas afinal o louco era um poeta. E compunha canções.