Sem saber. Sem aviso. Na minha sala em Lx. a incendiar-se de luz. E pasmar à janela para aquela cauda de chamas. Ou porque é tão bom olhar para o céu.
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domingo, 19 de maio de 2024
sexta-feira, 29 de outubro de 2021
sábado, 9 de outubro de 2021
o MAAT
Estas fotos têm 5 anos. São de quando nasceu.
Com uma varanda destas, fomos logo. Ou não fossemos também vizinhos.
A que juntaram a ponte em esse e que é o braço grande que nos leva.
Para o rio. Para olhar para o céu contra o rio. Para voltar lá sempre e muitas vezes.
Que sorte.
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terça-feira, 31 de agosto de 2021
ilhas (ponta)
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quarta-feira, 25 de agosto de 2021
Ilhas
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sexta-feira, 20 de agosto de 2021
domingo, 1 de agosto de 2021
domingo, 18 de julho de 2021
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Olhar para o céu
O céu como refúgio dos últimos mistérios e dormitório dos deuses.
Se os vir digo-lhes como gosto dos nevoeiros, de tudo o que são névoas. De uma simples neblina. De vapores redondos espalhados pelo ar. E do sol a espetar-se, a revirar-se, a contorcer-se para os derreter.
Gosto de ver pairar a incerteza do que o dia pode achar. Da calma. De ter que furar com os olhos para me poder orientar.
E hoje, cedo ainda, ao descer a Calçada do Galvão, vindo de Monsanto, quase a chegar ao cemitério da Ajuda, observo um enorme e grosso manto de nevoeiro que dormia ainda em cima do rio. Como uma almofada muito branca que não acordou, tão espesso e baixo que escondia totalmente o tabuleiro e só deixava espreitar o finalzinho das duas torres da 25 de Abril. E, na outra margem, as construções eram castelos suspensos. Como a Camelot imaginária. Parecia que eu tinha que ir para lá.
Sei lá se a calma da manhã em Lisboa não foi para compensar a noite eléctrica da Noruega.
[AP Photo/Scanpix Norway, Rune Stoltz Bertinussen]
According to the University of Alaska at Fairbanks’ Geophysical Institute, the Northern Lights are caused by energized protons in the Earth’s magnetosphere, a magnetic field that surrounds the Earth, which interact with the outer atmosphere of the sun. The sun’s own heat causes an outward projecting of protons and electrons known as plasma. When this solar wind encounters the Earth’s magnetosphere, that magnetosphere bends until it has to absorb those protons and electrons from the sun into the planet’s upper atmosphere. This is the Aurora Borealis.
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quarta-feira, 6 de abril de 2011
A noite da varanda
A noite quer a varanda.
É uma noite como Julho. Já breu. As melhores de Lisboa.
A noite só chama varanda. Arrasto o corpo que dói. Do jogo de há bocado no campo relvado da Agronomia.
Perdemos a Taça. A final que foi final. E 1-0. E Zás ! Perdemos. Todos a mexerem, todos a correrem. Todos no jogo. Tudo por tudo. Até ao fim. Equipa assim... Sem mais suor que deite por fora. E não marquei, puto, mas trancar os dentes e lutar por todas as bolas que deslizam à nossa frente e dizemos esta é minha, Ai é minha ! Que lá chego e estico-me todo. E quase perdemos o ar, e esquecemos os ligamentos do joelho que já foram, o menisco que não há, e a bola de ténis que tivemos há uns meses na perna. Que um cão mordia.
Mas estico tudo, ou salto e vai de cabeça. Que é final. Mas antes um encosto ao central para o tirar do lance. E o árbitro não vê. E trago o calcanhar no gelo. Do pau que ainda levei. Que o árbitro é cego. Apita o apito prolongado e é o fim. Mas demos tudo e assim está bem.
A noite só quer a varanda e eu faço-lhe a vontade que cá mereço. E bebo qualquer coisa que atiro para o copo. E afinal é mas é uma fome do caraças.
A rua cala. Cala que morre. Só um vento suão. Quase de incêndio. Quase Zé Régio.
Fome do caraças.
É uma noite como Julho. Já breu. As melhores de Lisboa.
A noite só chama varanda. Arrasto o corpo que dói. Do jogo de há bocado no campo relvado da Agronomia.
Perdemos a Taça. A final que foi final. E 1-0. E Zás ! Perdemos. Todos a mexerem, todos a correrem. Todos no jogo. Tudo por tudo. Até ao fim. Equipa assim... Sem mais suor que deite por fora. E não marquei, puto, mas trancar os dentes e lutar por todas as bolas que deslizam à nossa frente e dizemos esta é minha, Ai é minha ! Que lá chego e estico-me todo. E quase perdemos o ar, e esquecemos os ligamentos do joelho que já foram, o menisco que não há, e a bola de ténis que tivemos há uns meses na perna. Que um cão mordia.
Mas estico tudo, ou salto e vai de cabeça. Que é final. Mas antes um encosto ao central para o tirar do lance. E o árbitro não vê. E trago o calcanhar no gelo. Do pau que ainda levei. Que o árbitro é cego. Apita o apito prolongado e é o fim. Mas demos tudo e assim está bem.
A noite só quer a varanda e eu faço-lhe a vontade que cá mereço. E bebo qualquer coisa que atiro para o copo. E afinal é mas é uma fome do caraças.
A rua cala. Cala que morre. Só um vento suão. Quase de incêndio. Quase Zé Régio.
Fome do caraças.
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Conversa de mudos
- Estás off.
- O quê ?
- Off. Estás off.
- O que é que isso quer dizer ?
- Que ora estás, ora não estás. Agora, estás out.
- Não sei o que é isso.
- Estás out, ou off.
- E de que outra forma podia estar ?
- Não sei.
- Pois. Eu também não. É engraçado.
- O quê ?
- Dizeres que estou off quando finalmente descobri o meu cheiro...
- Como ?
- ... que só descobri quando tu mo revelaste.
- Agora sou eu que não percebo.
- Há outra coisa engraçada. Descobri que tenho pele, e gosto. E tu também estás off. Estás muitas vezes off.
- E de que outra forma podia eu estar ?
- Não sei. Acho-te uma contradição.
- Eh lá ! De onde é que veio isso.
- Do teu off. Achas que dá para continuar assim ?
- Achas ?
- Há quem enterre tudo debaixo de uma árvore e vá-se embora.
- Pois. Olha, o céu hoje está bonito.
- O quê ?
- Off. Estás off.
- O que é que isso quer dizer ?
- Que ora estás, ora não estás. Agora, estás out.
- Não sei o que é isso.
- Estás out, ou off.
- E de que outra forma podia estar ?
- Não sei.
- Pois. Eu também não. É engraçado.
- O quê ?
- Dizeres que estou off quando finalmente descobri o meu cheiro...
- Como ?
- ... que só descobri quando tu mo revelaste.
- Agora sou eu que não percebo.
- Há outra coisa engraçada. Descobri que tenho pele, e gosto. E tu também estás off. Estás muitas vezes off.
- E de que outra forma podia eu estar ?
- Não sei. Acho-te uma contradição.
- Eh lá ! De onde é que veio isso.
- Do teu off. Achas que dá para continuar assim ?
- Achas ?
- Há quem enterre tudo debaixo de uma árvore e vá-se embora.
- Pois. Olha, o céu hoje está bonito.
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quarta-feira, 12 de maio de 2010
Cadernos Marroquinos - 5º Dia
O Sahara, finalmente. Ocidental. A 2 kms da fronteira com a Argélia.
Chegámos num Land Rover branco. Como não cabíamos todos lá dentro, dois foram em cima do tejadilho e um em cima do capot, eu.
O sol parecia não querer deixar-nos. Pendurado no céu, teimava em não baixar. A luz, tranquila, suave. Depois, as sombras. Areia quente. Areia mole. Boa. Primeiro subi ao cimo de uma duna e deixei-me divagar, entregue àquele mundo. Depois espojei-me na areia. Há poucas coisas que me dêem mais prazer na vida que sentir a areia morna no corpo. E espreguiçar-me. Intensamente. Quase adormecer.Tínhamos deixado tudo em M’Hamid. As mochilas, a carrinha, o pouco que tínhamos levado connosco.
O conforto no deserto é estar despojado. Deixar as coisas para trás. Tudo o que se puder. Tudo. O passado, a ordem, a cidade, o que temos. Tudo. As paixões, o dever, a segurança, o medo. Os papéis, quem somos. Ser livre. Totalmente. Ali éramos só nós. Mas esteve cada um para seu lado, cada um a querer saber onde estava. A viver o seu deserto. Ninguém falava. Olhava tudo. Nada. Tudo. Paz.
São 7h05 da manhã. Acabo de me levantar.
Passámos a noite, a melhor da minha vida!, numa bivouac, uma enorme tenda, feita com estacas e uma pesada e longa coberta feita com tecidos fiados de pelo de camelo. No chão, tapetes nómadas e uns colchõezecos.
Acordei com o frio vento da manhã a soprar no meu cabelo e a gelar-me o nariz.
Ainda bem ! Pude, então, perceber a palavra deserto. Somos vida, inteira e importante, achamos que podemos fazer um verso, mas como dói toda a completa insignificância ! De estar ali e o universo dizer-nos que não. Olhamos, e somos menos que um grão de areia.
Para aquecer, à noite, fizemos uma fogueira e eles aproveitaram-na para forno para o pão. Pegaram em massa, enterraram-na na areia e cobriram-na com as brasas. Passado uma hora, tínhamos pão. Soube a deserto.
No acampamento, enquanto os outros tratavam da tajine para o jantar, e atiçavam o lume, o mais novo do grupo deles, Sahid, cantava para afastar o profundo silêncio daquela noite. É magnífico! Ouve-se tudo. Sente-se tudo. Escuto uns risos em árabe (que os risos também têm língua!) e umas orações de alguém no cimo de outra duna. Agradece a Alá e o que teve nesse dia. Dedica-se a ele.Sahid continuava. Com uma força que eu julgava não ser possível. Havia uma diferença naquele canto que eu não conhecia e, por isso, escutei-o bem. Ele não cantava alto. Não berrava, nem gritava. A força não vinha da garganta. Vinha do fundo. Do fundo do rapaz. De tudo o que ele era. Agradeci a Deus ter nascido e o milagre que é a vida.
São 7h05 da manhã e o Sahid veio-me trazer um copito pouco apurado de café, “Bonjour, ami!”. Era o pequeno-almoço e eles já selavam os dromedários que nos levariam de volta.
Olhei para o céu uma última vez. Profundo como o silêncio. Já tenho barba de 4 dias e o sol às 8 começa a apertar. Tínhamos que ir.
À noite contávamos entrar em Marrakesh e ia ser demorado. Estávamos no sul.
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