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sábado, 28 de dezembro de 2024

domingo, 21 de abril de 2024

Boa Educação


«Sempre sonhei escrever um romance mau. Inicialmente, ainda rapazinho, a minha aspiração era ser escritor, escrever um grande romance. Com o tempo, a realidade foi-me demonstrando que o que escrevia acabava transformado em pequenos filmes, primeiro em super 8, mais tarde em longas-metragens que se estreavam nos cinemas e tinham sucesso. Percebi que aqueles textos não eram histórias literárias, mas guiões cinematográficos.

À primeira vista, parece que o autor de um bom guião é capaz de (e está destinado a) escrever um bom romance. Pensei que era uma questão de tempo, de amadurecimento, de aquisição de experiências, de possuir algum talento, de um olhar próprio e de mundo, mas, apesar de me julgar possuidor de tudo isso, intuí que estava a enganar-me. Escrever um bom guião não é fácil, exige tempo, horas de solidão (e astúcia narrativa) e ser-se um pouco cruel consigo próprio; mas nada disso faz com que um bom guião possa tornar-se um bom romance. Ninguém é tonto a ponto de pensar que, por escrever um bom guião, está destinado a escrever um bom romance, muito menos o grande romance. No entanto, é uma aspiração legítima e humana da qual temos de nos defender, e para isso é necessário não nos apaixonarmos pela nossa própria obra.»

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

sábado, 11 de dezembro de 2021

terça-feira, 21 de abril de 2020

sábado, 5 de outubro de 2019

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Julieta


Amodóvar é carne. Crua. É sangue. É drama. É veneno. São as ruas. É dor. São os corpos. É sexo.
São as mulheres.
Julieta é Amodóvar.

domingo, 8 de agosto de 2010

Não é justo esquecer quem nos deu de comer

Écija e Almagro.
Duas terras espanholas. Uma andaluza. A segunda de Castilla e La Mancha. Ambas a deitarem calor. Ambas que salvam a pele.
Écija fica a caminho de Córdoba e depois de Sevilha. É uma cidade posta ao sol. Um sol que rebenta demónios. Mata. Que ferve, queima e fulmina quem se atreve a espreitar para fora. 45º. Duas da tarde. Na Pz. Mayor aguento talvez dois minutos. Apenas o tempo necessário para ir de um lado ao outro e entrar no 'Emílio'. Apenas o tempo necessário para reparar num grupo de rapazes que acalmam a pele nuns jactos de água que brotam do chão. Brincam com um cão que se molha também. Peço ao Emílio um tomate aliñado e umas ameijoas. Antes uma cerveja gelada. Écija é nesta altura uma cidade posta ao sol.
A Almagro chegámos mais tarde. Noutro dia. Para Toledo. Quase às quatro. Calor insuportável que nada apazigua. Tudo fechado. Tudo siesta. As pressianas corridas. Não se vê ninguém.
Almagro é quase um vilarejo. As casas são brancas, tão brancas que se percebe que protejem. Reflectem as doses maciças do sol que recebem. Inclemente. Febril. Fugimos. O único sítio aberto é do 'El Gordo', um homem de 50 anos. Marcado. Que anda como respira. Tão devagar e bronquítico que apetece sermos nós a levar-lhe uma água ou a cerveja que me traz.
Almagro é uma praça. Bonita. E já recebeu Almodóvar.
Que sobre ela escreveu:

"It is one in the afternoon and all the shots we have to do today take place in the street and it’s impossible to shoot until at least four because the sun multiplies on the white walls, the light is blinding and far to flat. We have to wait. The team has disbanded, at this point I like to stay at one of the lifeless interior sets and enjoy the solitude, the clutter of objects and the silence.
(...)
Women from this land know well what it is like to clean a tombstone, to pray at a wake, greet the neighbours, etc. And the faces of the men, slowly weathered by the sun and the wind, have a weight and an expressiveness that would be impossible to improvise."

O filme rodou em Almagro. Onde encontrou Penélope.