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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Jazz Messengers *

 

* Nada como descobrir uma loja de discos nova. 
Na Lx Factory.

domingo, 31 de maio de 2020

Jimmy Cobb morreu esta semana

Não há jazz sem uma grande bateria.
Não há líder sem um grande sideman.
3 discos obrigatórios.
3 discos com Jimmy Cobb na bateria.



sábado, 15 de fevereiro de 2020

Limited Edition


Comecei a ouvir Coltrane quando aos 17 anos decidi ir à Valentim de Carvalho e comprar o Duke Ellington/John Coltrane. Quando decidi que era tempo de perceber o que era o jazz e deixar a infância crescer. Mudei obviamente, como mudamos sempre que experimentamos uma coisa nova. Quando abrimos uma janela, ou uma porta, ou quando espreitamos por debaixo dela (coisa que toda a vida adorei fazer). Quando decidimos abrir a vida. Quando queremos.
Mudei na música, porque se há coisa que o jazz ajuda é a perceber melhor a música. Toda a música.
Como nos obriga a ter uma atenção especial aos sons, aos instrumentos e ao complexo diálogo que eles produzem, começamos a entender a música que há dentro da música. E a distinguir melhor. O bom do mau, do assim-assim. O jazz educa. E o jazz aprende-se. E dá trabalho. Educar dá trabalho. Mas o que isso tem de maravilhoso é que a decisão é nossa. Como querer experimentar um sabor novo, um filme diferente ou um livro em que nunca pegaríamos. Obriga a ultrapassar o preconceito inicial, a preguiça e a vencer a dificuldade ao que achamos estranho. E o estranho, aquilo que não conhecemos, pode ser a coisa mais linda que ficamos a conhecer. A coisa mais bonita daquele dia. Acho que é isso que se chama cultivar. A nossa horta privada. A mina interior. No meu caso, quando me contrario. Normalmente, se a primeira reacção é sacudir e rejeitar, fico a pensar nisso e forço o gesto contrário. Obrigando-me ao passo oposto. A descobrir. A permitir uma nova relação.
25 anos depois continuo a explorar novos Coltrane, e na busca de universos que rejeito e depois encontro. Num percurso que não é pacífico e que demora, e que (sobretudo) não é automático. Que começou nos monstros clássicos, para se enfiar depois em jazz-fusão, no acid jazz, no funk e até no rap e no hip-hop, como salinhas e quartinhos ou galerias infinitas. E do orgulho que sinto nisso. Porque a música é como um novelo. Que vamos desenrolando. Mas que também nos puxa. Porque é oxigénio e porque vicia. E, como o oxigénio, que nunca chega e tem de ser sempre novo. Mesmo que tenha 60 anos. Que procuramos mesmo quando a portas estão todas fechadas. 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

quarta-feira, 2 de maio de 2012

2 em 1


"Words, sounds, speech, men, memory, thoughts, fears and emotions - time - all related... all made from one... all made in One."

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Trem Azul

A Trem Azul é a melhor loja de discos de jazz de Lisboa.
Aliás, nos tempos que correm, depois de terem acabado com a Valentim de Carvalho, a Discoteca Roma, e tantas outras pequenas lojas de discos que, para mim, eram como se fossem pastelarias, é quase a única loja de discos da cidade. 
Tudo o resto são grandes armazéns onde se vendem CDs, livros, gadgets, aparelhos informáticos, televisões, molduras, máquinas de lavar roupa ou louça, ferros de engomar, brinquedos e tantas outras traquitanas que consomem prateleiras.
A Trem Azul é a melhor loja de discos da cidade. Às vezes também dão lá concertos.
Fica na Rua do Alecrim, nº 21A, como quem vem do Cais do Sodré para o Chiado, numa cavezinha que quase não se vê da rua (que é a subir). Apenas o letreirozinho azul que é a tradução de um dos álbuns mais célebres do jazz. Um disco de John Coltrane. Como se só fosse possível dar esse nome a uma discoteca de jazz.
Descem-se umas escadinhas e entra-se em Blue Train.
Vim de lá agora.
Escolhi dois discos, fiz uma audição rápida e comprei-os.
"Groovy", um disco de 1957 do trio de Red Garland, com Paul Chambers no baixo e Art Taylor na bateria, cheio de ritmo e do swing que se pede ao jazz para ser jazz.

E o último do trio de Bernardo Sassetti, lançado em Abril.
"Motion", além de nos revelar as maravilhas do panorama do jazz português, com o piano inconfundível de Sassetti e os brilhantes Carlos Barreto (no baixo) e Alexandre Frazão (bateria), vem ainda acompanhado de uma série de fotografias tiradas pelo mesmo Sassetti que nos lembram que a arte existe e está em todo o lado. Basta olhar. Simplesmente arrebatador.

Oiço-os agora.

(De repente é verão em Lisboa e eu acho que a única forma de se andar na cidade é na Vespa. E depois sobe-se a rua do Alecrim, sempre no meio dos carris do eléctrico, para não cair, passa-se no Chiado, vêem-se raparigas bonitas a beber qualquer coisa no quiosque de refrescos do Largo Camões, dá vontade de parar, paramos, voltamos, vislumbra-se o cauteleiro, raspamo-nos pelo Príncipe Real e pela rua da Escola Politécnica até ao Rato. Nos carros, a malta torra.)