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domingo, 15 de março de 2020

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Pavarotti


Um dos maiores de sempre, com Domingo (que assisti em concerto como "lanterninha" no Estádio do Belenenses) e Carreras. Mas aquele de quem me lembro primeiro e há mais tempo. Um grande que a geração pop dos anos 80 viu glorioso em todo o seu tamanho. Com a riqueza, não só da voz, não só da música, mas daquilo que quis fazer fora de palcos e teatros. Tocante.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Fax de Sarajevo


Às vezes é preciso lembrar que à beira do século XXI houve uma guerra em plena Europa que quase acabou com um povo e uma nação. Uma guerra onde morreram centenas de milhar de pessoas. Civis. Pessoas como nós. Crianças, muitas, alvos predilectos dos snipers genocidas que ganhavam por cabeça.
"Faz de Sarajevo" descreve a história de Ervin Rustemagić e da sua família durante o cerco que, entre 92 e 96, as tropas militares e para-militares sérvias de Milosevic, o carniceiro dos Balcãs, fizeram à cidade. Limpeza étnica.
Isolado e sem quase poder sair à rua, Ervin (amigo do autor Joe Kubert) dispunha apenas de um fax para contactar com o exterior e relatar as atrocidades que todos os dias eram cometidas naquele pedaço de Bósnia, por entre o rebentamento de obuses, tiros e granadas, e enquanto o resto do mundo assistia pela televisão a mais uma tentativa de extermínio. 

Três anos depois da guerra estive em Sarajevo. Já aqui contei. De como encontrámos a cidade. Semi-destruída. De olharmos para o edifício do Parlamento estilhaçado e rebentado pelos morteiros. E do "Holiday Inn", onde Ervin, a mulher e os filhos acabaram por conseguir se refugiar, quando perderam a casa. De como tropeçávamos em parques convertidos em cemitérios. E da estação de comboios, deserta e a abandonada. 
Às vezes é preciso lembrar que à beirinha do século XXI houve uma guerra em plena Europa. 
"Is there a time for human rights ?"


sábado, 19 de fevereiro de 2011

E lucevan le stelle

Já ninguém ouve rádio. Já ninguém ouve rádio ?!?
Claro que ouve. Eu ouço. Entro no carro e há sempre música. Rodo de estação como rodo o volante. A realidade impossível de conduzir um carro enfiado no trânsito no meio da chuva infernal só assim é tolerável. E então vivo.
Fracções de segundo. Micro-segundos. Milésimos. Fragmentos. Instantes, instantâneos. Bocados. Segmentos de realidade. Que é ficção. Mas é realidade porque toca e vive.
Rodo de estação como rodo o volante. E a chuva toda lá fora. E do nada do espaço surge a coisa mais bela. Num instante milagre real. Tosca.