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quarta-feira, 8 de abril de 2026
quinta-feira, 30 de outubro de 2025
letter to a friend
É quase meia noite. Neste dia, em 1993, à porta do "Viper Room", um clube nocturno em L.A. que pertencia a Johnny Depp, um jovem de 23 anos caía para nunca mais. Era actor, um dos melhores da sua geração. Gostávamos dos filmes dele. Ia actuar com a sua banda onde também tocavam dois elementos dos Red Hot Chili Peppers. Mas estava a ter uma overdose. E a namorada, Samantha Mathis, e o seu irmão, Joaquin, assistiram a tudo sem poder nada.
Ficou ali para sempre. O seu nome era River Phoenix.
Mais tarde, em 1996, Michael Stipe, havia de escrever-lhe uma carta que nunca lhe enviou.
Entregou-a no álbum "New Adventures in Hi-Fi". É quase meia noite e hoje lembrei-me disto.
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Quando é que vamos apanhar uma onda ?
O 5º ano da Faculdade foi o melhor ano. É o que digo quando me perguntam.
Tinhamos acabado de regressar com a rapaziada de mais um inter-rail que cercou o continente. E se há um com que se deve terminar uma aventura era este, mesmo que houvesse promessas de um dia voltar ou, depois, ainda tivesse ido de comboio com uma namorada por uma europa mais Europa.
Um mês inteirinho e chupadinho. Como um albergue espanhol do princípio ao fim de entra e sai tudo. De Croácia e dos dias que começavam cedo nos bares de Dubrovnik.
De Sarajevo e da "sarajevsko pivo" e uma viagem tenebrosa de autocarro até Zagreb que não foi traição, apenas a única maneira, que os comboios estavam desactivados. O Leste, os muros de Auschwitz e o rolo a preto e branco que quase chorava, os países do Norte, Tallin do outro lado do mar, e Amesterdão claro que Amesterdão, até Paris, sem dormir, que não havia tempo para isso, pendurados nos suportes que são para as malas a ouvir sabe-se lá que música em sabe-se lá que mundo.
Tínhamos acabado de regressar do melhor inter-rail daquelas vidas e era preciso acabar o que se tinha começado: o curso, já na posição de seniores que não tinham tempo para mais aulas, nem se assustavam com a ameaça dos exames finais. Preciso aproveitar o fim. O fim. Que nos fugia como areia por entre os dedos. E, portanto, ir para o Bairro. E, portanto, uma viagem ao Rio de Janeiro, outra a Marrocos (contada aqui há tempos), a seguir ao exame de Processo Penal com os códigos no banco de trás, e piões da velha 505 a chiar no parque da Católica. E muito mais do que isso.
Sacudirmos do corpo as aulas teóricas para ir para os pontões da Caparica apanhar umas ondas, umas vezes no meu Nissan que era o vosso "mata-esquilos", outras no Fiat Uno cinzento que acabou espatifado e de patas para o ar.
E chorar as nossas mágoas só porque uma miúda já não quer nada connosco, enquanto o bico das pranchas tocava leve na cama do mar. Gostar para sempre desse som.
Nessa altura, brothers, mesmo com o mar gelado, era quase sempre esta a banda-sonora que nos levava para lá.
Foda-se, estou certo ou errado ?
Tinhamos acabado de regressar com a rapaziada de mais um inter-rail que cercou o continente. E se há um com que se deve terminar uma aventura era este, mesmo que houvesse promessas de um dia voltar ou, depois, ainda tivesse ido de comboio com uma namorada por uma europa mais Europa.
Um mês inteirinho e chupadinho. Como um albergue espanhol do princípio ao fim de entra e sai tudo. De Croácia e dos dias que começavam cedo nos bares de Dubrovnik.
De Sarajevo e da "sarajevsko pivo" e uma viagem tenebrosa de autocarro até Zagreb que não foi traição, apenas a única maneira, que os comboios estavam desactivados. O Leste, os muros de Auschwitz e o rolo a preto e branco que quase chorava, os países do Norte, Tallin do outro lado do mar, e Amesterdão claro que Amesterdão, até Paris, sem dormir, que não havia tempo para isso, pendurados nos suportes que são para as malas a ouvir sabe-se lá que música em sabe-se lá que mundo.
Tínhamos acabado de regressar do melhor inter-rail daquelas vidas e era preciso acabar o que se tinha começado: o curso, já na posição de seniores que não tinham tempo para mais aulas, nem se assustavam com a ameaça dos exames finais. Preciso aproveitar o fim. O fim. Que nos fugia como areia por entre os dedos. E, portanto, ir para o Bairro. E, portanto, uma viagem ao Rio de Janeiro, outra a Marrocos (contada aqui há tempos), a seguir ao exame de Processo Penal com os códigos no banco de trás, e piões da velha 505 a chiar no parque da Católica. E muito mais do que isso.
Sacudirmos do corpo as aulas teóricas para ir para os pontões da Caparica apanhar umas ondas, umas vezes no meu Nissan que era o vosso "mata-esquilos", outras no Fiat Uno cinzento que acabou espatifado e de patas para o ar.
E chorar as nossas mágoas só porque uma miúda já não quer nada connosco, enquanto o bico das pranchas tocava leve na cama do mar. Gostar para sempre desse som.
Nessa altura, brothers, mesmo com o mar gelado, era quase sempre esta a banda-sonora que nos levava para lá.
Foda-se, estou certo ou errado ?
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sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Os Melhores Amigos - Parte II
... Até que entramos na Faculdade. E a pressa dá lugar à dúvida, crítica e desconfiada do quem são estes gajos ?, que olha de esguelha. Seguida quase sempre de uma boa discussão. Arrogante do caraças ! Ou não. Dêem-lhe tempo. Deixem-no falar. Afinal, o tipo é dos bons. Meio maluco, mas entra. Encontramo-nos logo à noite para um copo. Na Trindade. Vens passar o fim-de-ano connosco. Vamos para Porto Covo. Ok.
E, como gostamos de fazer amigos, conhecemos malta nova.
Tive sempre a sorte de ter bons amigos. Mas tive ainda mais sorte por ter feito os Melhores Amigos depois dos melhores amigos.
E, como gostamos de fazer amigos, conhecemos malta nova.
Tive sempre a sorte de ter bons amigos. Mas tive ainda mais sorte por ter feito os Melhores Amigos depois dos melhores amigos.
Dois artistas bem apanhados. Dois tipos que são como irmãos. Donos connosco de tantas histórias que já não sabemos de quem são ou quem as começou, e que seria impossível contá-las aqui. Porque é impossível meter 15 anos que parecem 30 numa folha de papel.
O que é que se conta de bocados sem conta ?
As noitadas de copofonia que nos atiraram para o dia seguinte com o remorso abstémio e juras de nunca mais ressaca ? A acordar debaixo do sol que frita no Alentejo ao meio-dia ?
Ou a Purple Haze de Amesterdão que entorpece, mas menos que os magic mushrooms... que nos quiseram pendurados no suporte onde se põem as malas num comboio que acabava na Gare du Nord com cortinas que mudavam de cor ?
As garotas de quem falámos ? Todas ? Os discos trocados ? Dos Pink Floyd, dos Stones ou do Vinicius ? Da Astrud a cantar "Água de Beber" ? As discussões sobre o top 5 dos melhores guitarristas ?
Não há tempo, porra. É muita coisa.
As noitadas de copofonia que nos atiraram para o dia seguinte com o remorso abstémio e juras de nunca mais ressaca ? A acordar debaixo do sol que frita no Alentejo ao meio-dia ?
Ou a Purple Haze de Amesterdão que entorpece, mas menos que os magic mushrooms... que nos quiseram pendurados no suporte onde se põem as malas num comboio que acabava na Gare du Nord com cortinas que mudavam de cor ?
As garotas de quem falámos ? Todas ? Os discos trocados ? Dos Pink Floyd, dos Stones ou do Vinicius ? Da Astrud a cantar "Água de Beber" ? As discussões sobre o top 5 dos melhores guitarristas ?
Não há tempo, porra. É muita coisa.
São os três inter-rails na Europa e as viagens depois disso. Total vagabundagem. No Rio. Istambul. Deserto.
São mil jogatanas e os murros que quase nos demos por uma entrada mais serrada no futebol das dez da noite. Suor e saliva que escorriam no meio de dentes trancados e os peitos arqueados. Foi levarem-me ao Hospital quando estoirei o joelho direito, com a camisola 9 da Argentina vestida, e comentarem com a enfermeira de serviço que o da cadeira de rodas estava a fazer um bom jogo.
E é preciso mandar uma parede da casa abaixo ? Deixa estar que eu trato disso. Quando é que queres que leve a marreta ? Cuidado com as costas, pá.
É muita merda.
Está um dia do caraças e os Red Hot Chili Peppers no "mata-esquilos". Cagamos na Filosofia do Direito e vamos surfar para os pontões da Caparica ? Yep. Sentados na tábua depois da rebentação à espera da nova onda. Então a gaja é que acabou contigo ???... Deixa lá isso e molha a cabeça.
As gotas salgadas que não saltaram mas encheram os olhos. E não se fala mais sobre isso.
E o amor que há na filosofia de milhares de horas passadas a argumentar. E os putos que agora temos, os que não temos, e a quem vamos encher com tanta história que vamos ser impossíveis de aturar - God damn it ! - e que também irão à Luz.
São mil jogatanas e os murros que quase nos demos por uma entrada mais serrada no futebol das dez da noite. Suor e saliva que escorriam no meio de dentes trancados e os peitos arqueados. Foi levarem-me ao Hospital quando estoirei o joelho direito, com a camisola 9 da Argentina vestida, e comentarem com a enfermeira de serviço que o da cadeira de rodas estava a fazer um bom jogo.
E é preciso mandar uma parede da casa abaixo ? Deixa estar que eu trato disso. Quando é que queres que leve a marreta ? Cuidado com as costas, pá.
É muita merda.
Está um dia do caraças e os Red Hot Chili Peppers no "mata-esquilos". Cagamos na Filosofia do Direito e vamos surfar para os pontões da Caparica ? Yep. Sentados na tábua depois da rebentação à espera da nova onda. Então a gaja é que acabou contigo ???... Deixa lá isso e molha a cabeça.
As gotas salgadas que não saltaram mas encheram os olhos. E não se fala mais sobre isso.
E o amor que há na filosofia de milhares de horas passadas a argumentar. E os putos que agora temos, os que não temos, e a quem vamos encher com tanta história que vamos ser impossíveis de aturar - God damn it ! - e que também irão à Luz.
Mas estes meus dois amigos são dois irmãos. Que me lembram sempre os Jefferson Airplane.
Azeitão. Cinzeiros carregados. Copos já vazios. Planos e mapas em cima da mesa. Este ano vamos para aqui.
Só que a noite é quente e mal dormida. As filhas da puta das melgas não deixam. Madrugada e salta o "Songs of Love and Hate" do Cohen para a aparelhagem. Porra, pá, deixa-me dormir. Queres melhor a esta hora ? Ok, não há, mas cala-me o "Joan of Arc".
Sete da manhã, não vale mais a pena, e liga-se a televisão. Mira-técnica do canal da Igreja. Dois babacas a olharem para ela. Olhos semicerrados.
'Bora p'rá praia. No Fiat Uno cinzento, aquele que capotou e terminou de patas para o ar. Vou no banco traseiro. À larga.
Oiçam isto. Dou para a frente uma cassete com o "Surrealistic Pillow" (lado A) e o "Volunteers" (lado B). Já conhecia os Airplane por causa do concerto que tinham dado no Monterey Pop Festival de '67 e que tinha gravado numa VHS.
Só que a noite é quente e mal dormida. As filhas da puta das melgas não deixam. Madrugada e salta o "Songs of Love and Hate" do Cohen para a aparelhagem. Porra, pá, deixa-me dormir. Queres melhor a esta hora ? Ok, não há, mas cala-me o "Joan of Arc".
Sete da manhã, não vale mais a pena, e liga-se a televisão. Mira-técnica do canal da Igreja. Dois babacas a olharem para ela. Olhos semicerrados.
'Bora p'rá praia. No Fiat Uno cinzento, aquele que capotou e terminou de patas para o ar. Vou no banco traseiro. À larga.
Oiçam isto. Dou para a frente uma cassete com o "Surrealistic Pillow" (lado A) e o "Volunteers" (lado B). Já conhecia os Airplane por causa do concerto que tinham dado no Monterey Pop Festival de '67 e que tinha gravado numa VHS.
Oiçam isto. A caminho da praia da Ferreirinha.
e uma hippie bem ganzada que introduz: "... we kinda gotta wait for a new wave to come, and then a whole new set of rock 'n' roll bands come along with it, which creates all the other... bullshit."
High Flyin' Bird, Today e Somebody to Love. Oiçam todas.
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