Em África. No deserto. No Canadá, na Islândia ou no Alentejo. Um dia na Califórnia, em Yosemite e Yellowstone. É preciso.
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segunda-feira, 14 de setembro de 2026
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Em cada Esquina
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sábado, 6 de julho de 2024
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segunda-feira, 4 de outubro de 2021
Sudoeste
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domingo, 4 de abril de 2021
Além Tejo
«O melhor do Alentejo é uma liberdade que escolheu a ordem, o equilíbrio.»
"Alentejo"
Eugénio de Andrade/Armando Alves
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2020
sábado, 25 de abril de 2020
25 de Abril Sempre !
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| Santiago do Escoural |
«É precisamente em tempos excecionais que se impõe evocar o que constitui mais do que um costume ou um ritual, o que é manifestamente essencial.» (...)
«O 25 de Abril é essencial e tinha de ser evocado” (...)
«Em tempos excecionais de dor, de sofrimento, de luto, separação, de confinamento, é que mais importa evocar a Pátria, a Independência, a República, a Liberdade e a Democracia.» (...)
«Evocar o 25 de Abril é falar deste tempo, não é ignorá-lo. Invocar o 25 de Abril é combater a crise na saúde e a crise social. Invocar o 25 de Abril é chorar os mortos.»Marcelo Rebelo de Sousa, 25 de Abril de 2020.
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quarta-feira, 31 de julho de 2019
Os Frade
Cantinhos de Alentejo num balcão em U da Calçada da Ajuda.
Alentejo com jeitinho. Petiscos com sabor a amigos, tratados com cuidado e com calminha. Gostinhos que mexem com a boca e o coração.
E uns primos com um sorriso que se vê cá de fora.
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quinta-feira, 12 de junho de 2014
O lado lindo do futebol
(foto: andré, Casa Branca, Alentejo)
A História do Campeonato do Mundo está cheia de momentos de glória, exultação e euforia.
As lágrimas-revolta de Eusébio porque a Inglaterra, que já jogava em casa, mudou o jogo de Liverpool para Londres para não ter que se mudar.
A bola que vai à trave, não entra, mas o árbitro diz que sim na final de Wembley de 66 e a Inglaterra a ganhar o título à Alemanha. A vingança da Alemanha tirada a papel químico mas ao contrário no mundial de 2010. Lampard chuta, a bola está dentro e era empate, mas o árbitro vê tudo mal e diz que é não.
A máquina nova e incrível do futebol total, mais bonito, mais espectáculo, da "Laranja Mecânica" e que em duas finais consecutivas, perdeu ambas. Ou como Cruyff nunca ganhou a copa.
O Brasil de sonho, de Sócrates, Zico, Falcão, Junior, Toninho Cerezo, a ser eliminado em 82 pelos 3 golos do Paolo Rossi, sempre com mais um tiro cínico na culatra, ele que vinha de um escândalo de apostas ilegais.
A incredulidade inglesa quando o árbitro apitou o golo com a mão do Deus Maradona em 86. As lágrimas amargas e tristes de toda a Argentina que escorriam na cara do mesmo Diego na final de 90, ele que até tinha "traído" Nápoles no seu San Paolo, vencendo a Itália de Baresi e Donadoni, lágrimas que agora não conseguia segurar apenas porque a Alemanha marcou um penalty que não existiu. Ou simplesmente porque perdeu.
O génio Roberto Baggio de 94 (nesse ano talvez o melhor do Mundo) que atira por cima da barra e falha o seu penalty na final, depois de ter transportado o país inteiro para essa final.
O fenómeno Ronaldo que se deixou tragar pela ansiedade e já não jogou na final de 98. Zidane a fechar a carreira, expulso na final de 2006, por enfiar uma cabeçada no peito de Materazzi depois de ele ter dito duas coisas ou três da mãe ou da irmã de Zizou.
O momento mágico e louco de Luis Suaréz no último minuto do Uruguay - Gana de 2010, o avançado que faz de desesperado guarda-redes e sacrifica a pele para safar o remate que era golo certo. Chorou porque viu o vermelho e é penalty e isso é golo certo. O jogador do Gana chuta mas logo falha o castigo máximo e tudo, afinal, a valer a pena porque no desempate a penalties tudo muda e está nas meias-finais a equipa que tinha quase tudo perdido. Isto não é futebol, não é milagre. É Deus a rir-se da gente. E muito mau para o coração.
Em suma, o lado inumano ou horrivelmente humano do futebol.
Mas nunca, como no último campeonato do mundo realizado em solo brasileiro, houve maior e tão terrível fatalismo. 1950. No Maracanã jogavam Brasil e Uruguay. 200.000 almas nas bancadas. O resto de ouvido colado à rádio. Um país inteiro a respirar para ser campeão.
Começou o Brasil na frente do marcador, mas na segunda parte o Uruguay troca as voltas, mete dois golos e enterra aquele betão armado num silêncio sepulcral.
Os relatos da época contam que logo ali houve quem se despedisse da vida, lançando-se do alto das arquibancadas do maior estádio do Mundo.Começou o Brasil na frente do marcador, mas na segunda parte o Uruguay troca as voltas, mete dois golos e enterra aquele betão armado num silêncio sepulcral.
Um trauma que só oito longos anos depois os brasileiros conseguiram ultrapassar, levados pelos pézinhos de génio de um menino chamado Pelé e pelos joelhos trocados de Mané Garrincha. Que poema !
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quarta-feira, 19 de março de 2014
Fado Maior
(foto: Nuno Fontinha)
Aquilo a que assistimos ontem no Coliseu de Lisboa não foi um concerto. É amor puro em formato de canção. São as entranhas todas, as tripas, o coração, os pulmões, a cabeça, as goelas a mexerem connosco. É fado-morna, fado-bossa, fado-alfama. É fado com calor d'Alentejo. É o vozeirão de um mulheraço embalada numa guitarra portuguesa, e uma vozinha que tremelica ao ritmo do contra-baixo, do filiscorne e do sax contrabaixo. Foi bateria, órgão e cavaquinho. Foi Fausto e 11 músicos em palco.
Separados eram uma coisa. Já tínhamos visto ambos. À Ana Moura até com os Stones e Tim Ries numa noite de jazz. Mas ontem ? ontem foi fusão pura.
O grande João Gilberto dizia que "quem não gosta de samba, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé." Ou - acrescento eu - doente da alma quando o tema é o nosso novo Fado.
Com Zambujo e Ana Moura estamos entregues aos deuses.
sexta-feira, 14 de março de 2014
A tournée
O Advogado levanta-se cedo. De madrugada. Hoje é Porto, cidade colo, alma gémea, do Carteiro e do Candelabro, rojões, o berço do avô querido que ele deixou para nunca mais.
Despacha o serviço. O resto é entregar-se de bandeja ao turismo gratuito de ver tudo e olhar para tudo como se fosse a primeira vez. Ao prazer hedonista que não evita. Que busca. Vivia assim. Vivendo. Entregue ao mundo. Sempre a chupar tudo. A querer tudo. E uma senhora velhota de lindos olhos azuis e sotaque apertado interrompe a conversa para vender uns fumeiros de Lamego que não há melhor !
- Sra. Juíza, não posso demorar que amanhã tenho que estar nas ilhas, em Ponta Delgada.
E lá, como ontem, acaba a apanhar o Sol que cura o inverno e sara as feridas, vai ao mercado, infiltra-se do ar cristal das ilhas desconhecidas do Raúl Brandão, virado pró mar que bate nos pontões, enquanto fecha os olhos e deixa uma Melo Abreu deslizar na boca.
É sempre assim. Ah, dolce vita !
Lá vem o queijo de S. Miguel e as queijadas de Vila Franca do Campo, e o chá preto da Gorreana (que estava a acabar) e na origem sabe melhor porque fala como a gente do sotaque insular.
Nunca se repete, porque é tudo sempre diferente e os olhos nunca vêem duas vezes. Na outra semana foi o Funchal, 30 anos depois !
- Sr. Juiz, não chegámos a acordo e tenho um avião para apanhar.
Mas antes há um café que espera na praça central. O Advogado sente-se mandatado para um verão húmido e colonial. Trópicos.
Na varanda do Café Central que dá para a praça, lê as gordas do jornal (e só ! porque o resto aborrece) e fuma um cigarro demorado, para a espetada do almoço (que pingava o sangue da vaca) não acordar mal disposta. E traz coisas para os miúdos que nunca vieram. E um Madeira para beber com o Pai quando puder.
Em Janeiro foi a Chaves, quando o Marão está nevado, e traz-me lá uns pastéis. Sim, mas primeiro esta costoleta barrosã (por Deus !).
Ou Braga, Mangualde e Arganil. Ou Guarda, Castelo Branco e Covilhã. Mirandela é no fim do mês. Mas tem que ser rápido se há jogo europeu na Luz.
Na volta a Portugal, o Advogado dá tudo de si, transpira palavras e argumentos que brotam às vezes nem ele sabe bem de onde e que são tudo o que ele tem e acredita. Tenta fazer a diferença, deixar a sua marca, mas oferece também o peito todo despido para voltar ferrado. Amor com amor se paga, é o que pensa.
O Advogado em tournée sofre porque vive sozinho. No Alentejo ou mais a Sul, fica molhado do suor ainda antes de chegar à barra.
E mói o corpo e as costas com tantos milhares de quilómetros de estrada ou de comboio ou quando perde o chão e vai a voar e isso é que é pior.
E, por isso, é que busca a companhia de todos com quem se cruza. E ama isso e chupa tudo o que consegue. Todo o tutano para ganhar o dia, que é aquilo que leva deste mundo quando partir de vez.
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