sexta-feira, 25 de julho de 2025
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025
domingo, 27 de outubro de 2024
quinta-feira, 10 de outubro de 2024
segunda-feira, 1 de abril de 2024
um Homem não é de ferro
segunda-feira, 14 de agosto de 2023
Ellis Island
quinta-feira, 8 de junho de 2023
isto não é um livro de memórias
(...)
«Pela minha experiência, andar na estrada exige uma certa dose de bluff e de bravata. Esta bravata não é pose: é um mecanismo de sobrevivência. Não te queixas. Não te lamentas. Vais aguentando como podes. Isto porque andar em digressão é, de facto, uma coisa difícil de fazer. Tenho a consciência que não é como trabalhar nas minas de carvão, claro, mas também tem as suas dificuldades. Sobes meio atordoado para o autocarro que te irá levar à próxima cidade numa viagem de oito horas, e são 7:30 da manhã, só dormiste três horas e ainda estás todo fodido por causa dos comprimidos para dormir que tiveste de tomar, isto porque, quando estás em digressão, nunca vais simplesmente para a cama e adormeces - tens de te pôr inconsciente. E então ficas com um aspecto de merda e sem voz, e os teus joelhos estão todos esfolados e com feridas abertas por caíres de joelhos, e fodeste as costas, e estás com uma infeção urinária, e a comida mexicana da noite anterior ainda te anda às voltas no estômago, achas que estás a ficar engripado, e entretanto o hotel perdeu roupa que deixaste na lavandaria, e odeias a merda do mundo inteiro, e olhas para o Warren e ele diz "Como estás ?", e então esmurras o ar e dizes "Espetacular, meu!", porque sabes que ele está precisamente no mesmo estado que tu. E então sentas-te e o autocarro arranca, e o Warren diz, porque é dez anos mais novo e incuravelmente fascinado pelo mundo, e porque já bebeu dezasseis cafés: "Foda-se, ontem à noite vi um documentário sobre a Nova Vaga do cinema iraniano. Simplesmente fantástico. Já o viste ?" E tu respondes que não, e então lá se vai o Warren. O que estou a tentar dizer é que, no meio disto tudo, não vais querer lançar-te numa actividade em paralelo que te fará sentir cada vez mais pequeno, vazio, insignficante ou um fracasso, ou que te afunda num lugar escuro do qual vais ter de trepar a custo para sair, ou que te faz chorar, ou que te leva ao desespero. A escrita de canções faz isso. A escrita de canções seria essencialmente a última gota. É simplesmente demasiado difícil. Por isso, em vez disso escreves um livro, ou um guião, ou um poema épico, ou desenhas uma t-shirt, algo do género.»
sábado, 3 de setembro de 2022
quarta-feira, 28 de abril de 2021
a RTP 2 a compensar os bilhetes que fiquei a arder *
sábado, 12 de outubro de 2019
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
Does God exist ?
segunda-feira, 14 de maio de 2018
sexta-feira, 22 de setembro de 2017
sábado, 31 de dezembro de 2016
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
de Oslo a Bergen (2º dia)
As temperaturas rondam os 10 e os 18º C. Há algumas nuvens, mas não chove.
De manhã saímos do nosso hotel, o Folketeateret, bem no centro, e fomos para a zona de Grüner Lokka, um bairro certinho, arrumadinho, familiar, onde vemos os direitos parentais em acção, com mães e muitos pais a passearem sozinhos os filhos pendurados em marsúpios, e onde há lojas que vendem tralha, antiguidades, coisas para casa, outras que vendem roupa em segunda mão pendurada em cabides originais, cafés gourmets, enfim um bairro estilo SoHo ou Portobello, trendy e acolhedor, como todas as cidades gostam de ter agora.
E é no Grüner Lokka que encontro uma velha loja de discos e livros de BD, locais sempre de visitação, de onde trazemos o 'Abattoir Blues' do Nick Cave e um CD sem título dos Sigur Ros (banda islandesa), ambos em segunda mão, o que só por si vale uma estrela para o bairro.
À tarde apanhamos o comboio para Bergen, uma cidade que fica a 460 kms de Oslo, na outra ponta sul do país para Oeste.
Os bilhetes foram comprados de véspera, o que compensa porque são 'mini-pris', ou seja, metade do preço, mas mesmo assim brutalmente caros. 798 coroas que é como quem diz 96 euros, mas trata-se da linha mais alta da Europa, que nalguns períodos chega a atingir os 1.220 metros de altitude. Parte às 16h01m e chega às 22h59m. Tudo funciona e tudo funciona a horas.
Como adoro viajar em comboios ! Os anos de inter-rail consecutivos foram uma tatuagem. E com a Cristina mais ainda. Entendermo-nos com alguém numa viagem é difícil e um bem raro que devemos guardar em cofre de ouro.
Pela janela vêem-se algumas casas de madeira, todas arrumadas e organizadas, pinheiros, cedros e freixos. E neve quando chegamos lá acima. Nas estações onde pára vejo pessoas a dizerem adeus.
A viagem é longa e entretemo-nos a jogar dados, a ler e a ver o que as outras pessoas fazem. Ao nosso lado há um tipo que vê filmes atrás filmes no portátil. Ninguém conversa na nossa carruagem, na tal lógica da reserva, encharcada de silêncio. Aqui vive-se longe da explosão dos sentidos. A anos-luz da emoção sonora e movimentos escandalosos do Sul latino, que aqui tomam por zanga. Não se fala alto, dizem-nos, porque isso só quando estamos zangados. Agora sou eu que tenho vontade de instalar um motim.
E por isso fugimos para a carruagem-bar, onde se escutam algumas vozes e gargalhadas e onde se servem vinho e umas cervejas. Perguntam-nos duas vezes porquê a Noruega. "Porque não conhecemos." E como já fomos à Islândia, acho que faz sentido.
Viemos à Noruega atrás das grandes belezas naturais, das enormes montanhas que se despenham no mar do Norte, dos lagos de quilómetros, dos Fjords eternos que recortam e rendilham a costa.
Sim, confesso !, viemos procurar o olhar em êxtase de Nicola no 'La Meglio Gioventú' quando cá chegou.
A fiscal dos bilhetes só aparece ao fim de uma hora. A Cristina tira os pés de cima do banco da frente, por via das dúvidas.
Chegamos noite feita a Bergen e subimos a ruazinha esconsa que vai dar a Bryggen, o velho porto da cidade, onde ainda se descarregam os bacalhaus e o salmão, mas mais importante, onde nos esperam agora as nossas camas. O homem do front-desk fala para dentro e tem os olhos esbugalhados do assassino no filme "Matou", do Fritz Lang.










