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sexta-feira, 10 de julho de 2026
segunda-feira, 18 de julho de 2016
The Endless River
Tive um amigo do 10º ao 12º ano com quem me pisgava das aulas para ir ouvir discos para a Baixa.
Apanhávamos o 28 ou o 32 e, em meia-hora, desembarcávamos no maravilhoso mundo da Valentim de Carvalho. Também percorríamos a BiMotor e, mais tarde, embora por pouco tempo, a Virgin, no edifício onde era o Éden. Mas a rainha do paraíso era a Valentim, do Rossio.Dois andares, escadas rolantes, filas e filas com vários lados de CD's, com tudo no sítio e devidamente catalogado. No andar de cima era o ponto de escuta, com um sofá de pele e aparelho de estereofonia, e a livraria.
Era para lá que nos raspávamos quando já não aguentávamos a Secundária. E, aos poucos, lá fui começando a minha colecção de música. Lambendo primeiro todos os Pink Floyd, depois tudo o que havia de relevante dos anos 60: os Jimi Hendrix, os Zeppelin, os Doors, The Who, os Claptons todos (antes e depois dos Cream), os Jefferson Airplane, os Velvet, os Creedence e os CSN&Y, porque Beatles e Stones já eram do domínio caseiro.
Com esse amigo passei horas intermináveis à procura de raridades, e a ensaiar na minha guitarra eléctrica os temas dos Floyd que aprendia de ouvido ou nos livros de pautas, também comprados na Valentim e que não se vendiam em mais lado nenhum. E ele, que só queria bateria, acompanhando, fazendo o ritmo com baquetas imaginárias ou com lápis e canetas. Às vezes uma pandeireta. Chegámos a prometer que iríamos alugar uma hora num estúdio, com outros dois marmanjos, para tocar umas coisas e ver o que dava.
Depois fui para a Faculdade e nunca mais o vi.
Encontrei-o anos e anos mais tarde, uma ou duas filas atrás de mim no concerto dos Portishead + Arcade Fire no Meco. Where else ?
Prometemos que nos voltaríamos a encontrar.
Combinámos que seria no lançamento do último disco dos Pink Floyd, para o comentar. Não aparecemos.
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quinta-feira, 23 de junho de 2016
mas brincávamos, ou quê ?
Led Zeppelin Win in 'Stairway to Heaven' Trial
Jury determines "Stairway" did not copy Spirit's "Taurus"
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domingo, 30 de novembro de 2014
quinta-feira, 17 de julho de 2014
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
crónica do joelho
Quando entro em campo no relvado da Agronomia, que no inverno da Tapada da Ajuda é o mais maldito dos relvados de Lisboa, cercado de mil árvores que o põem tão frio e tão húmido que até já estamos no centro da floresta negra, mas quando entro em campo penso sempre em três coisas:
1. meter mais um golo (com um bocadinho de jeito ou com sorte);
2. que o joelho já aguenta vai para dois anos e que afinal a dor dos 9 meses de fisioterapia foi para algum lado, que subir e descer degraus no ginásio, e fazer centenas de flecções com pesos de 5 kgs. atados ao tornozelo, e piscina duas vezes ao dia, e bicicleta e corrida e tudo ainda congelado, e duas terapeutas agarradas à perna para a dobrarem com o peso do corpo, depois de eu a ter puxado com uma corda e ter flectido aqueles meros dois graus, e as outras coisas todas, que isto tudo foi para algum lado;
3. que não se agradece só ao Dr. Granate que o concertou com dois parafusos de titânio atarrachados na tíbia e um bocado do tendão rotuliano, e cozinhou um joelho novo, enquanto lhe tocavam os Led Zeppelin nos ouvidos em plena cirurgia.
O médico da Selecção de joelhos de Rugby e do telemóvel que chamava com o 'Baba O'Riley'
1. meter mais um golo (com um bocadinho de jeito ou com sorte);
2. que o joelho já aguenta vai para dois anos e que afinal a dor dos 9 meses de fisioterapia foi para algum lado, que subir e descer degraus no ginásio, e fazer centenas de flecções com pesos de 5 kgs. atados ao tornozelo, e piscina duas vezes ao dia, e bicicleta e corrida e tudo ainda congelado, e duas terapeutas agarradas à perna para a dobrarem com o peso do corpo, depois de eu a ter puxado com uma corda e ter flectido aqueles meros dois graus, e as outras coisas todas, que isto tudo foi para algum lado;
3. que não se agradece só ao Dr. Granate que o concertou com dois parafusos de titânio atarrachados na tíbia e um bocado do tendão rotuliano, e cozinhou um joelho novo, enquanto lhe tocavam os Led Zeppelin nos ouvidos em plena cirurgia.
O médico da Selecção de joelhos de Rugby e do telemóvel que chamava com o 'Baba O'Riley'
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sexta-feira, 22 de julho de 2011
O sítio que faltava no Bairro
http://www.foradeservico.com/
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| [rasputine] |
Tropecei neste sítio numa cidade do interior, antes conhecida pela força da produção dos têxteis, hoje por ter sido onde nasceu o ex-PM, ou por qualquer outra coisa sem interesse. Para mim o sítio certo num dia seco e ice-cold de inverno com o sol por cima da Serra.
Tínhamos ido cumprir o ritual católico de enterrar a última Avó. A velha Avó. A Avó rija. A Avó dura de sorriso triste. A quem nunca esqueci um beijo, sempre que tinha tribunal na Covilhã. Dizia-lhe: "venho fazer uma visita de médico, embora seja advogado", piada que era do Avô do Porto que era de Lisboa. Ela sorria, triste, fazia-me uma festa na cara com a mão óssea. Que eu era "uma jóia". Oferecia-me um licor. "Não Avó, vou conduzir." "Então, um vinho do Porto.", insistia.
Tropecei numa loja que não é loja, é arte.
À saída da Capela mortuária, depois de me desenfiar do velório, entrei na
Andei lá por dentro a pegar em coisas, todas originais, todas objectos banais, salvos da rua, transformados noutras coisas, adaptados, trocados da sua função, pensados, criados.
Conversei bastante com o dono - tipo de 30 e poucos - que se queixava da falta de negócio. Disse-lhe que tinha que vir para Lisboa. Que conhecia um sítio perfeito.
Quis trazer um disco de vinil que eles tinham moldado com calor e feito pote. Como sou chato, pedi se não colocavam uma outra label no centro do disco diferente da que estava: Led Zeppelin II.
"Sem problemas." Então fica com a minha morada e manda-me por correio a cobrar no destinatário, ok ?
A Loja que não é loja, porque é arte, e como é arte e não é loja, não se preocupa com miudezas. Não me enviou nada e já lá vão meses.
E assim, a loja que não é loja, nunca vai ser loja e... explica bem o nome.
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Jeff B.
Qualquer vida que se vai antes do tempo é sempre uma tragédia.
No caso de Jeff Buckley sentimos que a tragédia é duplamente mortal, porque nos subtraiu, não só um músico, mas a música. Pior, a promessa que a música era.
Dos melhores da sua geração, J.B. editou em vida apenas um disco - "Grace". Com uma Fender ou uma Rickembacker de 12 cordas nas mãos, gostava sobretudo de tocar ao vivo, em bares, pequenos e onde as pessoas fossem para conversar.
Pouco tempo antes de morrer, e com um segundo álbum quase terminado, resolveu deitar tudo para o lixo e começar a compor novas canções. E, por isso, a sua discografia vive do Grace, de um álbum póstumo e de várias gravações ao vivo.
J. Buckley teve uma vida curta mas morreu com a música nos lábios. Afogado num afluente do Mississipi, enquanto, como relatou um amigo, cantava "Whole lotta love" dos Led Zeppelin.
No caso de Jeff Buckley sentimos que a tragédia é duplamente mortal, porque nos subtraiu, não só um músico, mas a música. Pior, a promessa que a música era.
Dos melhores da sua geração, J.B. editou em vida apenas um disco - "Grace". Com uma Fender ou uma Rickembacker de 12 cordas nas mãos, gostava sobretudo de tocar ao vivo, em bares, pequenos e onde as pessoas fossem para conversar.
Pouco tempo antes de morrer, e com um segundo álbum quase terminado, resolveu deitar tudo para o lixo e começar a compor novas canções. E, por isso, a sua discografia vive do Grace, de um álbum póstumo e de várias gravações ao vivo.
J. Buckley teve uma vida curta mas morreu com a música nos lábios. Afogado num afluente do Mississipi, enquanto, como relatou um amigo, cantava "Whole lotta love" dos Led Zeppelin.
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
"Sit here on the stairs"
Nunca tive nenhuma paixão pelo hard rock.
Duas bandas, porém, habitualmente catalogadas nesta secção, entravam nas minhas aparelhagens sempre que queriam:
Os Led Zeppelin (estes ainda hoje), nome maior da música, do Jimmy Page (um dos cinco melhores guitarristas de todos os tempos) e do Robert Plant (dono de uma voz poderosíssima, eleita há uns tempos a melhor voz de rock de sempre),
e os Guns N' Roses, também eles construídos pela voz infinitamente potente de Axl Rose e pela guitarra estridente de Slash.
Os Guns são uma história curiosa na música.
Acho que a primeira vez que os ouvi foi em casa de um amigo velho que tinha sempre os discos primeiro que todos. Depois pedia-lhe que mos gravasse numas cassetes audio de fita magnética, o que ele fazia com desvelo.
Um grupo que surge em '87 e atinge o auge em '91. Fundamentais quando apareceram, abrindo o caminho para o click Nirvana e para aquilo que a partir daí queríamos dizer aos professores, à polícia e a quem gostava de nos dizer mais qualquer coisa com o dedo em riste.
De cabelos compridos, vinham para fazer barulho e traziam camisas aos quadrados à cintura, muito couro, correntes e mau feitio. Lançaram quatro álbuns históricos - 'Appetite for Destruction', 'Lies', e o duplo 'Use Your Illusion' I e II -, e depois acabaram, mergulhados em álcool e muita droga num sombrio desfiar de ausente inspiração. Ultrapassados para sempre.
Mas uma coisa souberam fazer. Criaram os sons revoltados de Civil War, Get in the Ring, Paradise City, Welcome to the Jungle e, por exemplo, de um perturbante Coma, e grandes baladas que ficam para a história do rock: Yesterdays, Used to Lover Her, November Rain, Don't Cry ou Sweet Child of Mine e uma outra canção magnífica que agora não me sai da cabeça. Esta.
Os Guns são uma história curiosa na música.
Acho que a primeira vez que os ouvi foi em casa de um amigo velho que tinha sempre os discos primeiro que todos. Depois pedia-lhe que mos gravasse numas cassetes audio de fita magnética, o que ele fazia com desvelo.
Um grupo que surge em '87 e atinge o auge em '91. Fundamentais quando apareceram, abrindo o caminho para o click Nirvana e para aquilo que a partir daí queríamos dizer aos professores, à polícia e a quem gostava de nos dizer mais qualquer coisa com o dedo em riste.
De cabelos compridos, vinham para fazer barulho e traziam camisas aos quadrados à cintura, muito couro, correntes e mau feitio. Lançaram quatro álbuns históricos - 'Appetite for Destruction', 'Lies', e o duplo 'Use Your Illusion' I e II -, e depois acabaram, mergulhados em álcool e muita droga num sombrio desfiar de ausente inspiração. Ultrapassados para sempre.
Mas uma coisa souberam fazer. Criaram os sons revoltados de Civil War, Get in the Ring, Paradise City, Welcome to the Jungle e, por exemplo, de um perturbante Coma, e grandes baladas que ficam para a história do rock: Yesterdays, Used to Lover Her, November Rain, Don't Cry ou Sweet Child of Mine e uma outra canção magnífica que agora não me sai da cabeça. Esta.
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