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terça-feira, 17 de dezembro de 2024

a oeste nada de novo

 


"We have so much to say, and we shall never say it."
Erich Maria Remarque

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Burmese Moons


«Wherever they go, the people of Burma get trampled over. Their exile is just another form of dictatorship for these fugitives without papers. We need to break our silence and step out from the shadows. We can't keep letting ourselves be used by the people that exploit our misery and keep us from our roots.
Now that we're out of Burma, we must find the energy to stand and create a resistance movement so that someday we can return to our lands… Free !»

sábado, 14 de outubro de 2017

"Sócrates não merece cair sozinho"

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«Não se enganem: aquilo que ficámos a conhecer não foi a acusação de José Sócrates, mas a acusação de um regime inteiro. Um regime composto por um povo alheado e dependente, um poder corrupto, uma justiça amedrontada e um jornalismo manso. Sem esta triste conjugação de pobres qualidades, José Sócrates poderia sempre ter sido eleito em 2005, mas jamais seria reeleito em 2009. É evidente que existe gente indecorosa em qualquer parte do mundo, mas nos países bem frequentados as instituições não falecem todas ao mesmo tempo. Infelizmente, durante a era Sócrates, tudo faliu, até finalmente falir o país. Tirando duas ou três dúzias de teimosos que insistiram obsessivamente que o rei ia nu, demasiadas pessoas em lugares de responsabilidade ou não viram o que se estava a passar, por serem pouco espertas, ou não quiseram ver, por serem pouco honestas.
Neste momento marcante da História de Portugal, em que um ex-primeiro-ministro é acusado de 31 crimes de corrupção, fraude fiscal, branqueamento de capitais e falsificação de documento, convém recordar que José Sócrates não caiu da tripeça por causa dos portugueses, que finalmente perceberam quem ele era. Caiu por causa da crise internacional, da falência do país e da vinda da troika. Sócrates obteve 36,6% dos votos em 2009 (mais de dois milhões de pessoas), já depois da revelação da licenciatura fraudulenta e das manobras para impedir a publicação de notícias; já depois da exibição do DVD do caso Freeport onde Charles Smith declarava que ele era corrupto; já depois de correr com Manuela Moura Guedes do programa de informação mais visto da TVI por não apreciar o estilo e as reportagens. E mesmo após a crise internacional, a falência do país e a vinda da troika, José Sócrates ainda conseguiu obter 28,6% de votos para o PS – 1,57 milhões de portugueses. Em 2015, depois de quatro anos de brutal austeridade, António Costa obteve somente mais 180 mil votos do que José Sócrates em 2011.

Sócrates foi um extraordinário caso de popularidade, não só entre o povo, mas sobretudo entre as elites. E são estas elites que hoje em dia me preocupam, porque os ex-apoiantes de Sócrates continuam por aí como se nada fosse, nos blogues, nos jornais, nas empresas, no PS, no governo. Muitos dos que acham que os portugueses têm o dever moral de pedir desculpa por acontecimentos do século XVII, não vêem qualquer necessidade de pedir desculpa por acontecimentos de 2017. Não há qualquer acto de contrição por terem apoiado incansavelmente um homem que a cada três meses era suspeito de fraude, corrupção e atentado ao Estado de Direito, e que nunca, jamais, apresentou qualquer justificação decente para aquilo de que era acusado.
Dir-me-ão: Sócrates ainda não está condenado. Pois não. Mas reparem como o entusiasmo dos seus defensores esmoreceu desde a noite da detenção (21 de Novembro de 2014) até ao dia da acusação (11 de Outubro de 2017). A verdade é esta: as acusações são demasiado fortes e as explicações demasiado fracas. Daí Sócrates estar cada vez mais isolado. Contudo, o julgamento que se aproxima não pode esgotar-se nele. É sobre Sócrates, sobre Salgado, sobre Vara, sobre Bava, sobre Bataglia, e sobre um regime construído por inúmeros ex-socratistas, que agora saem de cena na esperança de que esqueçamos o papel que desempenharem ao longo dos anos. Eu não esqueço. Aqui estarei para lembrar que Sócrates não ascendeu sozinho, não governou sozinho e, acima de tudo, não merece cair sozinho.»

por João Miguel Tavares, in 'Público'

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

sexta-feira, 14 de julho de 2017

O cúmulo da metamorfose



Eu bem disse.... que no Brasil o cúmulo da metamorfose era Lula virar polvo.

(foi há 12 anos)

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

First Amendment



Alec Baldwin no 'Saturday Night Live' representa aquilo que os E.U.A. têm de melhor.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Small Britain



Há muito que a Deseuropa cheirava a madrugada. Como se costuma dizer, os sinais estavam a pipocar.
Costuma-se também dizer "be careful with what you want...", mas tenho pena pelos irmãos irlandeses e escoceses, e pelos galeses e também pelos ingleses, porque algures no meio do caminho alguém se esqueceu de lhes lembrar porque é que o seu (Divided) Kingdom entrou na CEE. E tinha, essencialmente, a ver com guerra. Claro, também havia o mercado. Oh, sim.

A História acontece, certo, mas é penoso assistir a um retrocesso. Principalmente se se tratar de um retrocesso dos povos. A nível político, económico e, sobretudo, europeu.
Preocupa-me porque acredito na unidade, mais do que no egoísmo. Na diversidade, mais do que no unilateralismo, na partilha, mais do que na competição. 
De outro modo, caminhamos cada vez mais para o eixo franco-alemão (que é mais Merkel do que Hollande) e para o Directório Juncker.
Enfim, foi o mais puro conservadorismo a vencer. O mais abjecto populismo que clamava por um Independence Day (que, by the way, sempre negaram à Escócia).
Não tem nada de futuro. Tem tudo de passado. Perigoso.
Mas, que se lixe !, a vida continua.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Pulitzer 2016


foto: REUTERS/Yannis Behrakis

(para os refugiados)

segunda-feira, 21 de março de 2016

Revolución o Muerte



«I have come here to bury the last remnant of the Cold War in the Américas. I have come here to extend the hand of friendship to the Cuban people. (...)

Because in many ways, the United States and Cuba are like two brothers who’ve been estranged for many years, even as we share the same blood. (...) Over the years, our cultures have blended together. Dr. Carlos Finlay’s work in Cuba paved the way for generations of doctors, including Walter Reed, who drew on Dr. Finlay’s work to help combat Yellow Fever. Just as Marti wrote some of his most famous words in New York, Ernest Hemingway made a home in Cuba, and found inspiration in the waters of these shores. We share a national past-time -- La Pelota -- and later today our players will compete on the same Havana field that Jackie Robinson played on before he made his Major League debut. And it's said that our greatest boxer, Muhammad Ali, once paid tribute to a Cuban that he could never fight -- saying that he would only be able to reach a draw with the great Cuban, Teofilo Stevenson. (...)

Look at Papito Valladeres, a barber, whose success allowed him to improve conditions in his neighborhood. “I realize I’m not going to solve all of the world’s problems,” he said. “But if I can solve problems in the little piece of the world where I live, it can ripple across Havana" (...)

As President of the United States, I’ve called on our Congress to lift the embargo.»

La Habana, 22 de Março de 2016

sexta-feira, 17 de julho de 2015

"O Syrisa já está destruído. Podemos agora salvar a Grécia ?"



«Chegará o momento em que tiraremos as mãos das carteiras e as poremos na consciência. Chegará o momento em que já não veremos os ricos que roubaram mas os pobres que ficaram. Em que não quereremos ressarcimento mas reparação. Em que perceberemos que não se pede sequer solidariedade, mas piedade. Em que nem os sádicos se divertirão com a espetáculo degradante dos políticos gregos. A União Europeia foi longe de mais na violência estéril e vingativa. Para destruir o Syriza está a ceifar-se um povo. Já não é indignação, é súplica: SOS Grécia. E se tudo o resto falhar, apele-se à inteligência, que não é de esquerda nem de direita, pois é preciso mudar aquele plano que, além de horrível, é burro, é mau, é pior para todos.
(...)
O bloco liderado pela Alemanha ficou tão furioso com o desplante do senhor Alexis Tsipras na marcação do referendo que quis devolver-lhe em dobro a lição de superioridade. Até se percebe a fúria, que segundo os relatos da reunião de domingo do Eurogrupo fez com que o senhor Wolfgang Schäuble berrasse. Alexis Tsipras foi arrogante, marcou um referendo pérfido e achou-se nimbado de invencibilidade com os resultados, como se fosse dar uma tareia moral aos demais estados membros. Mas a Alemanha quis tanto destruir o Syriza, por vingança e por dissuasão a que outros países elejam partidos radicais, que perdeu a noção da força. Mais um pacote recessivo vai destruir mais economia e mais emprego numa economia já exangue.
A vitória sobre Tsipras foi retumbante. Até o perdão da dívida, que o Syriza sempre reivindicou, é agora formalmente admitida pelo FMI, mas de forma a culpar o partido, que não tem nada para mostrar. É ridículo ouvir Alexis Tsipras dizer que assinou um acordo em que descrê. É degradante vê-lo tripudiar o próprio Syriza e ancorar-se nos deputados dos partidos que detesta e que o detestam a ele. É assustador ouvir a presidente do Parlamento (que pertence ao Syriza e se junta aos 40 deputados que se afastaram de Tsipras) falar em genocídio social. Mas a humilhação suprema talvez seja ver Tsipras dizer que não há alternativa. Tsipras, o temível mastim indomável, está amestrado como um caniche. Dá dó. A direita rejubila. Também dá dó. Porque ninguém para, escuta e olha para perceber na loucura que estamos a patrocinar.
(...)
Os gregos estão desesperados porque a situação é desesperante. Coloquemo-nos no lugar deles por um minuto: um governo de extrema esquerda ajoelhado depois de cinco anos de tareia, de desemprego e de austeridade, depois de décadas de corrupção e roubo institucionalizado com os governos de centro. E o que lhes dizem que se segue? Pobreza. Talvez a esta hora também estivéssemos na rua.»

in 'Expresso', por Pedro Santos Guerreiro

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Zooropa II


Miguel Sousa Tavares e Pedro Santos Guerreiro esclarecem.