Mostrar mensagens com a etiqueta Cuba. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cuba. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Lisboa - Porto


«Um escravo era apenas um pedaço de carne malcheirosa e mais nada. Um negro era uma besta de carga, um bicho, um bruto, um ladrão, uma alimária, um saco de carvão... Apenas uma peça.

Um senhor e um negro jamais poderiam ser iguais. Cachorro Velho sabia disso. Os negros nunca dariam chicotadas em uma criança que tivesse apenas apanhado um pedaço de pão. Ele nunca tinha visto Cumbá matar outro homem de pancada, nem Beira cortar a orelha de alguém, nem Malongo estuprar uma mocinha.
Todas aquelas atrocidades tinham vindo sempre dos brancos do engenho ou do feitor.»

segunda-feira, 2 de julho de 2018

sábado, 26 de novembro de 2016

Revolución y Muerte



Fidel Castro Ruz (1926 - 2016)

segunda-feira, 21 de março de 2016

Revolución o Muerte



«I have come here to bury the last remnant of the Cold War in the Américas. I have come here to extend the hand of friendship to the Cuban people. (...)

Because in many ways, the United States and Cuba are like two brothers who’ve been estranged for many years, even as we share the same blood. (...) Over the years, our cultures have blended together. Dr. Carlos Finlay’s work in Cuba paved the way for generations of doctors, including Walter Reed, who drew on Dr. Finlay’s work to help combat Yellow Fever. Just as Marti wrote some of his most famous words in New York, Ernest Hemingway made a home in Cuba, and found inspiration in the waters of these shores. We share a national past-time -- La Pelota -- and later today our players will compete on the same Havana field that Jackie Robinson played on before he made his Major League debut. And it's said that our greatest boxer, Muhammad Ali, once paid tribute to a Cuban that he could never fight -- saying that he would only be able to reach a draw with the great Cuban, Teofilo Stevenson. (...)

Look at Papito Valladeres, a barber, whose success allowed him to improve conditions in his neighborhood. “I realize I’m not going to solve all of the world’s problems,” he said. “But if I can solve problems in the little piece of the world where I live, it can ripple across Havana" (...)

As President of the United States, I’ve called on our Congress to lift the embargo.»

La Habana, 22 de Março de 2016

sábado, 8 de agosto de 2015

'Che', de Spain Rodriguez


(em Cádiz, Livraria "Manuel de Falla")


«Dispara, Cobarde, sólo vas a matar a un Hombre !»

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

quarta-feira, 12 de junho de 2013

segunda-feira, 25 de março de 2013

domingo, 14 de outubro de 2012

é preciso ir a Havana, para lhe poder regressar um dia



A Cuba. Onde há vida, um povo e cultura. Onde se é pobre e até os ovos são colectivizados. Onde há carácter e há muitos que emigram.
E onde eu penso em Portugal.

domingo, 12 de agosto de 2012

Ócio (cap. 1)



"Ne sommes-nous pas, nous, les révolutionnaires, ceux qui croient en l'éternité de l'oeuvre et des principes humains ?"

'Castro', por Reinhard Kleist, ed. Casterman

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A Selecção: Round Two, parte II


(foto: Nuno Fontinha, para Cotonete)

A Sra. D.ª Omara diz que os fantasmas de Compay, Ibrahim Ferrer e de Rúben González caminham com ela. É uma coisa bonita de se dizer. E verdadeira.
Havana não é aqui. Não há calor, e esta humidade que só traz o frio do Atlântico lembra-o bem. 

(o primo ainda aos pés de gente ilustre.)

quinta-feira, 24 de março de 2011

94 minutos de Cuba na Monstra

Hoje
       Cinema Alvalade, 17h00
e
       S. Jorge, 22h30


de Fernando Trueba.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Cuba II

Trânsito caótico. Como mandam as regras.
Entra-se em Havana através da escancarada Praça da Revolução onde no alto de um prédio a efígie recortada do el Fuser Che Guevera vigia a revolução. "Hasta la victoria, siempre !". 50 anos de sangue e poesia. Liberdade e ditadura. Feroz e comunista. Tão fácil trair um ideal. O testamento de Fidel, Che e Camilo Cienfuegos, os barbudos da Sierra Maestra. 
La villa de San Cristobal de Habana, o grande edifício do Capitólio e o brilho dos cadillacs, dos buicks e dos pontiacs (de alguns), os últimos automóveis que entraram na ilha de Fulgencio Baptista e dos seus american friends que vinham atrás de mojitos, casinos e do sexo das mulheres cubanas. O Hotel Plaza tem 100 anos. Vêem-se todos. A arte nova que o decora quase cai. O quarto tem uma cama, um toucador, uma cadeira, duas mesinhas e uns candeeiros. Os tectos são altos e a porta range. Gosto.
Pedimos ao guarda do "Gran Teatro" para entrar. Não é hora de espectáculo, mas convenço-o. Subo ao palco e digo "O Mar Salgado".
Cafés. Por todo o lado. Atraem-me sempre. Numa esquina, há um de que o Eça gostava, cônsul de Portugal em Havana. Tem na parede azulejos do Almada. Mesmo em frente aproveito para comprar uma caixa de Partagás Club. Estes guardo-os para o meu Pai, para fumar numa noite quente no Alentejo.
Havana la vieja tem praças lindas. Dos edifícios brotam as buganvílias. Na Plaza de Armas há uma feira do livro. É lá que está o Sr. Francisco, um homem que vende livros e discos. Tem 70 anos, a pele clara e os olhos azuis denunciam sangue europeu. Vende-me um livro de fotografias do Korda captadas no dia da Revolução e, com uma bonita encadernação, "La Historia me absolvera", a defesa de Fidel quando foi julgado pelo assalto ao Quartel Moncada.
De uma "sociedad", espécie de restaurante, ouve-se a música do Compay e do Buena Vista Social Club. Há gente que dança. Há mel naqueles corpos. E não é só do calor.
Havana está quase parada há 50 anos. E a beleza vem dessa antiga decadência. E só quem fuma um puro no café do Hotel "Ambos Mundos", quem escuta as bandas na Bodeguita del Medio, quem se enterra nas ruas paralelas da cidade, quem se deixa levar pela maresia das ondas que rebentam no Malecón, quem traz o cheiro intenso das especiarias e quem se perde em conversas de horas com os filhos da ilha - com Ramón Gutierrez, chefe de segurança da Escola Nacional de Ballet que se queixa de como o Estado os asfixia -, gentes pobres, mas carregadas de cultura, educação e compromisso com a vida, só quem olha para tudo com os olhos abertos é que se apaixona. E onde se cansa a máquina fotográfica.
Havana não é Paris, Madrid ou Roma. Nem Nova Iorque ou, sequer, Buenos Aires. É uma terra romântica impregnada de vida e amor. Cheia de História e histórias de dor. E que merece ser livre.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Cuba I

De Cuba guardava o cheiro aos charutos comprados numa loja de tabacos em Havana, os primeiros Cohiba que tinha experimentado. Guardava o sabor dos Daikiris ao balcão do "Floridita" com o Hemingway na ponta.
Lembrava-se de fins de tarde na varanda enquanto acabava o Graham Greene que tinha levado pelo meio de um gin tónico.


Daquela luz sagrada que os deuses lhe deram. E um calor húmido.
De ter chegado a uma vila, de casas decadentes, mas com terraços e balaustradas onde apetecia sempre ficar. Uma vila que tinha praia, que tinha mar, azul, que mar azul ! e areia branca e muito fina.
De ver passar na estrada um Chevy vermelho vivo de 1950. De o ver parar. E enquanto Fidel, não o Castro, mas outro, limpava o pára-brisas e tratava "de uma menina que dá muito trabalho", perguntar-lhe onde ia, se não podíamos ir também. Só para ouvir-lhe o motor e recostar-me nos estofos de pele, quando já falávamos sobre a vida política, económica e social da ilha e se com Raúl (Castro) já era diferente. Conhecer depois a casa dele, a sala, que não era bem sala, porque era a casa, e onde a mulher nos recebeu com um almoço criolo.

Alugar então um carro e partir pela ilha toda, com uma mulher linda de morrer. Fazer o caminho verde de Cárdenas, Colisseu e La Isabel cercados pelos palmeirais, pelas árvores de borracha e por cartazes anunciando "Patria o Muerte, venceremos !", enquanto os guajiros galopavam ao longe.
E oferecer boleia, que o aventóm também é transporte público. Ao velhote de 72 anos que esperava ali sentado há quatro horas. A Olga e Lai, mãe e filho (e ao galo vivo que transportavam na caixa). A Eri que ia visitar a mulher ao Hospital que recuperava de um parto.
Até chegar a Cienfuegos e depois Trinidad, das praças, das lindas casas coloniais, verdes, azuis e rosas que se abandonam ao som dos boleros que as bandas tocam na rua e se espreitam de um pátio interior. Onde Ema enrolava puros como se os tecesse, debaixo de um candeeiro que mal se via.
E conhecer Dª. Teresa, uma senhora sentada na sua cadeira de balouço, posta à porta que dava para a rua, com o cabelo muito branco e a pele curtida pelo sol. Uma senhora que esperava as pessoas, balouçando. Que me parou e me quis falar da vida. Lá onde vivem mulheres bonitas.


No rádio do carro passava Debussy, Hendel e o Bolero de Ravel. Na estrada a placa dizia Matanzas. Até chegar a São Francisco de Paula, onde Hemingway durante 20 anos viveu a "Finca La Vigía".
Hemingway rodeava-se das coisas que amava: os livros, espalhados por todo o lado, os troféus que trazia das caçadas em África, os cartazes das touradas que assistiu em Espanha, num canto uma colecção enorme de discos de jazz e as garrafas Campari e Martini com que servia os cocktails. Lá fora, a piscina onde Ava Gardner tomava banho nua. E o barco com que partia para a pesca, para o mar: o "El Pilar".

sábado, 10 de abril de 2010

O Brilhante Navegador*

Há uma invenção muito querida. Muito útil, simpática e necessária.



Talvez por já não sabermos às quantas andamos venderam-nos o GPS (Geo...(porra?)... System). Venderam-nos não, porra ! A mim não. Nunca o comprei. Nem quero.



O GPS é porreiro. É porreirinho. É ridículo.



É um quadradinho giro, com um ecrã de muitas cores, linhas e bolinhas. É móvel e é moderno.



Instala-se no carro, num aplique bonitinho, pede uma senha e... zás: estamos na morada certa. Tudo se localiza, tudo é localizável, tudo é traçável, tudo se sabe, tudo se encontra. É um satélite. É bestial !



Fala, diz onde estão os radares da polícia, dá notícias e, desconfio, até deve dar música. Bestial !

O GPS é uma invenção impecável, porque dantes não se encontrava nada. Um gajo queria ir daqui para o Porto e népias. Um gajo queria saber onde era a casa nova de um amigo ou um bar recém aberto e nunca lá chegava. Era tudo anónimo. Tudo um gigantesco segredo. Não havia mapas, setas, direcções e muito menos o boca-a-boca. Não havia raparigas bonitas, nem conversas que começavam por aí. Não havia perguntas a um grego que responde em grego o caminho para a praia de Manganari. E percebemos !
E, portanto, não havia Roma. Quanto mais a surda da Islândia. Se um gajo se metesse numa aventura dessas, o mais certo era acabar dentro de um vulcão e ser cuspido quando ele quisesse.



O que tem piada é que eu nunca me perdi.



O que tem piada é que quando eu e um amigo atravessámos o deserto de Spregisandur, que fica entre dois glaciares, percebemos o sentido da rota. Se estávamos no Norte, tinhamos que ir para Sul. Onde é que o Sul ? Para baixo, claro !
O que tem piada é que já dei muitas voltas e dei sempre com a casa. Não deixo de me espantar com isto, mas é verdade.
Quando fui a Sarajevo não havia comboios, (quase) não havia estradas, o chefe que conduzia o autocarro parava de meia em meia hora para meter mais um whisky no bucho, e mesmo assim aparecemos em Zagreb.
Em Amesterdão, e entregues ao violento space cake do “Jolly Joker” (era ?), encontrámos a saída.
Também estivemos no Sahara e, que me lembre, os camelos só tinham bossas.
E em Havana, Cienfuegos ou Trinidad os GPS’s são como charutos. Todos têm um.

O que tem piada é que eu nunca me perdi.
Minto. Perdi-me uma vez. Tinha 3 anos. Estava na Baixa com os meus pais e era Natal. Ainda hoje me lembro disso. Do cagaço.



* Advirto os desatentos que este GPS não é de ar nem de mar. Não sou louco. Com oceano por todos os lados ou no meio de um céu estrelado não há bravura ou velha guarda que resista.

Um dia escrevi isto. Continuo igual.