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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Errata: agora sim, estou pronto para o Mundial !

 

Pronto para o Mundial.

«Football is never just football, and that's especially true of World Cups. In fact, many people love the World Cup despite the football. What gives the tournament its impact ? What do we all get of it ? And what does the World Cup tell us about our changing world ?

Each new World Cup becomes the biggest media event in history, judged by numbers of TV hours consumed and clicks generated. The tournament is a global carnival that dramatises the role of luck in human affairs, teaches us the psychology of biting, and offers us a peek into the collective Uruguayan soul, all while giving glimpses of undying genius and inspiring  a worldwide conversation. For the host country, the World Cup is usually a voyage of self-discovery. Autocrats from Mussolini to Putin have tried to get in on the action.»

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

nascer outra vez

Que maravilha. 
Encontrar no fundo de uma gaveta 3 discos que tinha como perdidos.
Já ganhei o dia.




sábado, 26 de novembro de 2022

domingo, 20 de janeiro de 2019

Roma, Cidade do México


Faltam 30 dias para fecharem o Monumental.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Revista de Imprensa: "Anos de Imaturidade", de Pedro Adão e Silva *



Já eu, perfilhando idêntica cronologia, acabo de fazer 8 anos. 
E foi no México que despertei para a vida, no parto de Diego Armando Maradona.
 
* recortado pelo Rui Hortelão

domingo, 12 de agosto de 2012

sexta-feira, 22 de junho de 2012

- Trouxeste cromos ?

- Pai, trouxeste cromos ?, inquire o puto, ainda mal pisei a entrada.
- Pai, cromos ?
- Calma, rapaz, deixa-me ao menos largar o casaco.
Regressar ao que já foi, mas só porque a caderneta veio de borla com "A Bola" de domingo e mais seis cromos. Mesmo se é a primeira vez que a colecção é do Europeu.
Nisto há que ser muito rigoroso. Cadernetas, só dos Mundiais, com os astros da Argentina e do Brasil. O resto, não.
Mas agora tenho um puto e o rigor vai inteirinho para as urtigas. O que é que um tipo vai fazer ?
- Pai, tens cromos ?, grita o miúdo ao telefone quando lhe pergunto onde é que anda.
Lá me dirijo à papelaria, não sempre à mesma, porque já saem muitos repetidos. É preciso dar folga às caixas.
Agora já não tenho só 20 paus que era a nota verde do Sacadura que o meu pai me punha nas mãos depois de muito chatear. A nota desgraçada que só dava para uma carteirinha. A mãe dava mais. As mães dão sempre mais.
Agora trago 10 de uma vez, que dão para 3 dias ou quase. E isto é educar.
- Cromos ?, oiço no intercomunicador quando toco à campainha. 
Quase treme o miúdo só de pensar que vai abrir o sagrado. Por isso acontece uns mal colados e um bocado tortos, mas eu deixo porque é a primeira caderneta dele e todos temos direito à asneira.
- Este é repetido !, diz o puto com satisfação. E eu de boca aberta por ele reconhecer um ucraniano que se chama Milevskiy.
- Este já temos. É o Nani !
- Dá cá para o molho que o pai vai tentar trocar com os amigos.
Começamos o tráfico.

Direitos dos cromos acima reproduzidos reservados à Editora Abril Morumbi, "Colecção do México '86": primeira caderneta pessoal.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Há mulheres que não morrem nunca


Há mulheres que nunca cansam. Que nunca são demais.
Como há música que nunca chega. Que não farta e acaba.
Como Lhasa de Sela.
Lhasa morreu no primeiro dia do ano 10, como quem diz que é cedo que se começam as coisas, mesmo aquelas que se não conhecem. De um cancro encravado que lhe minou o peito e que lhe arrancou o sangue que vivia dentro. Com 37 anos, como quem diz que é cedo que se parte para as coisas novas. Para o mistério das coisas novas.
Lhasa não teve muito tempo. No mundo que conhecemos e a que demos o nome chão.
Deixou para trás a voz dorida, llorona, chorada, gravada em três discos, brotada das veias em alguns concertos que fez pelo mundo.
E a vida continua para além da morte. Con toda palabra.



Com palavras sangradas que verteu num álbum de capa linda que, diz a lenda, é a mulher que caminha ao luar.


Que el desierto es más tierno y la espina besa mejor
He venido a este centro de la nada pa gritar
Que tú nunca mereciste lo que tanto quise dar
Que tú nunca mereciste lo que tanto quise dar
He venido al desierto pa irme de tu amor
Que el desierto es más tierno y la espina besa mejor
He venido a este centro de la nada pa gritar
Que tú nunca mereciste

('El Desierto')
Lhasa de Sela
(1972 - 2010)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

1986

Cada um terá o seu, suponho.
O meu é 1986. O ano acordado. De aparecer consciência para além de mim.
Um puto de 8 anos no '85 a terminar que deixa a miudagem lá em casa. Ui, isto agora já é a sério. 8 anos. Agora é sério.
E começa 1986.
A partir daí havia mundo e a vida não era só as skatadas nas Arcadas e arreliar a mulher da "Chamade".
Não era pegar nas biclas e fugir do bairro com os melhores amigos do mundo.
Não era o Spectrum ou a Playboy comprada na Espanhola. Dividida por todos. 
Não eram as bombas de mau cheiro atiradas para dentro da perfumaria ou os balões de água rebentados por onde desse. Ou bolas a estoirar nas marquises dos vizinhos.
Muito menos ter que fazer os TPC's que as professoras punham no quadro e depois reclamavam.
Por culpa de coisas novas que o mundo aparecia.

Em casa ouvia política. As Presidenciais. As primeiras sem militares, sem a cara esfíngica de Eanes. Colossos. Soares, Freitas, Zenha, Pintasilgo. Quase Freitas. 2ª volta. Engolem-se os sapos.
"Soares é fixe e o Freitas que se lixe !". Caravanas e bandeiras. Pendurado nas costas do meu pai no comício do Rossio e Rui Veloso a cantar. Vitória.
Ah,.... e "Portugal, na C.E.E. !"

Depois, o desastre do Challenger. O vaivém da Nasa que seguia para a Lua com 7 astronautas. Uma professora. Acho que o vi em directo. Talvez não, mas foi igual, como se todos ali navegássemos também. Sobe e explode. Todos desintegrados na atmosfera.

Em Abril rebentava Chernobyl. Radiação. Pânico geral. Relatos do desastre, fotografias impressionantes no "Paris Match" que estava na sala. A nuvem que aproximava. E o vento dos Açores que a varre embora.

O último Mundial de futebol. México 86. Cromos na escola. Portugal depois de 20 anos fora. Carlos Manuel a meter um golo aos ingleses. Passe do Diamantino. Bento parte a perna. Vem o Damas. Saltillo e os jogadores de chinelos em greve de esforço. Derrotas e fora. À portuguesa. Futre é pena e não joga.
Maradona. Magia. Fintar todos. A mão de Deus. Gambettas. O segundo golo à Inglaterra e passa por todos.
E terminar como não podia mais poeticamente. Com o golo de Burruchaga aos alemães a estender Schumacher no relvado. No final do jogo. 3-2. Argentina campeã do Mundo.

Há 25 anos.