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sábado, 18 de novembro de 2023

terça-feira, 30 de maio de 2023

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Porto - Lisboa


 Bullet hands
(by Jo)

Lisboa - Porto


«Um escravo era apenas um pedaço de carne malcheirosa e mais nada. Um negro era uma besta de carga, um bicho, um bruto, um ladrão, uma alimária, um saco de carvão... Apenas uma peça.

Um senhor e um negro jamais poderiam ser iguais. Cachorro Velho sabia disso. Os negros nunca dariam chicotadas em uma criança que tivesse apenas apanhado um pedaço de pão. Ele nunca tinha visto Cumbá matar outro homem de pancada, nem Beira cortar a orelha de alguém, nem Malongo estuprar uma mocinha.
Todas aquelas atrocidades tinham vindo sempre dos brancos do engenho ou do feitor.»

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

sexta-feira, 23 de abril de 2021

quarta-feira, 22 de abril de 2020

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

domingo, 20 de outubro de 2019

o Antunes


ou como lhe chama o Domingos, a cantina do JN. Onde já me habituei. Ao Vitor e aos pratinhos bem servidos. Às quintas cozido, mas desta tripas, porque era quarta. Na rua do Bonjardim, e subir se se vem da Trindade. E onde observo a Dona Maria Luísa sentada ao fundo a olhar sempre para todos os que entram. 

quarta-feira, 15 de maio de 2019

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

'A Livraria', de Isabel Coixet





Quem ama os livros ama as livrarias. As casas deles. Guaridas a que não escapo ou resisto. Cá ou lá fora. Todas se possível. Para mim igual a catedrais. Ou lojas de brinquedos quando a gente era pequena. Tenho mau nariz mas é um cheiro que injecto. Papel encadernado como droga, colocado sobre móveis encerados. Depois vem o prazer de olhar para lombadas e lombadas. Entreter-me no meio das estantes. Pegar em volumes grossos ou folhear os de capa mole. Sentir-lhes o peso. Ler frases ao acaso ou na contra-capa. Procurar as que são flechas. Envenenadas de preferência. Descobrir nomes novos. Imagens novas. Lugares que nunca vi. Biografias. Cabeças com ideias em formato de letras. Ou em desenhos. Templos de corredores e corredores que contam histórias e segredos. Vidas ali inteirinhas que venceram a morte e onde às vezes só chegamos de escadote. Com os ponteiros a passar e os livros empilhados debaixo do braço. E depois ficar. Numa espécie de ressaca. Até que acordamos e dizemos "Bem, vamos embora".

Em Portugal há uma que já não é. Passou a museu de livros. E aos museus vai muita gente, que faz filas à porta e compra tickets e fala muito e se chama alto. Estão excitados  e vêm jactantes, e trazem máquinas, vouchers e mochilas, e dão-nos toques e empurram que estão com pressa. E querem ver. E os livros são tudo o que está a mais, ou são brindes que agarram para a selfie que precisam no insta ou no facebook daquele dia. Falam muito e muito alto. E eu já não consigo ler as frases ou ver as capas. Porque só oiço "maman, ici" ou qualquer coisa em japonês. E um sorriso é postado, enquanto compram canetinhas e postalinhos de recordação e nem percebem que com tanto flash nos furtam o silêncio que o livro quer para calar dentro de nós. 
A 'Lello', no Porto. Nunca mais lá tinha ido. Até diziam que ia falir. Mas voltei para a ver agora. Depois dos lonely planets e dos prémios todos e da febre das cidades de hoje. Que ordenam que se conheça a escadaria do Harry Potter, ou lá o que é. 
Fugi. Ninguém merece sufocar na claustrofobia de um espaço aberto.

sábado, 27 de maio de 2017

Resgate


(Miró, pela Carmo)

Salvaram os Miró. Do naufrágio que Portugal era. Recuperados do desespero para um país que nem sempre entende a sorte que também ocorre na desgraça.
Em Abril, Serralves - que também é casa - ofereceu-nos o pecúlio do resgate.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Não vou ao Porto, mas...

... levo o "cinquentão" comigo.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Bellevue 86

1986. Era esse o ano.
1986 são 30 anos.


terça-feira, 2 de junho de 2015

Keep on printin' in a free World


Ah morcões !, 127 anos sem perder a pronúncia !

sexta-feira, 14 de março de 2014

A tournée


O Advogado levanta-se cedo. De madrugada. Hoje é Porto, cidade colo, alma gémea, do Carteiro e do Candelabro, rojões, o berço do avô querido que ele deixou para nunca mais.
Despacha o serviço. O resto é entregar-se de bandeja ao turismo gratuito de ver tudo e olhar para tudo como se fosse a primeira vez. Ao prazer hedonista que não evita. Que busca. Vivia assim. Vivendo. Entregue ao mundo. Sempre a chupar tudo. A querer tudo. E uma senhora velhota de lindos olhos azuis e sotaque apertado interrompe a conversa para vender uns fumeiros de Lamego que não há melhor !
- Sra. Juíza, não posso demorar que amanhã tenho que estar nas ilhas, em Ponta Delgada.
E lá, como ontem, acaba a apanhar o Sol que cura o inverno e sara as feridas, vai ao mercado, infiltra-se do ar cristal das ilhas desconhecidas do Raúl Brandão, virado pró mar que bate nos pontões, enquanto fecha os olhos e deixa uma Melo Abreu deslizar na boca.
É sempre assim. Ah, dolce vita
Lá vem o queijo de S. Miguel e as queijadas de Vila Franca do Campo, e o chá preto da Gorreana (que estava a acabar) e na origem sabe melhor porque fala como a gente do sotaque insular.
Nunca se repete, porque é tudo sempre diferente e os olhos nunca vêem duas vezes. Na outra semana foi o Funchal, 30 anos depois !
- Sr. Juiz, não chegámos a acordo e tenho um avião para apanhar.
Mas antes há um café que espera na praça central. O Advogado sente-se mandatado para um verão húmido e colonial. Trópicos.
Na varanda do Café Central que dá para a praça, lê as gordas do jornal (e só ! porque o resto aborrece) e fuma um cigarro demorado, para a espetada do almoço (que pingava o sangue da vaca) não acordar mal disposta. E traz coisas para os miúdos que nunca vieram. E um Madeira para beber com o Pai quando puder.
Em Janeiro foi a Chaves, quando o Marão está nevado, e traz-me lá uns pastéis. Sim, mas primeiro esta costoleta barrosã (por Deus !).
Ou Braga, Mangualde e Arganil. Ou Guarda, Castelo Branco e Covilhã. Mirandela é no fim do mês. Mas tem que ser rápido se há jogo europeu na Luz.
Na volta a Portugal, o Advogado dá tudo de si, transpira palavras e argumentos que brotam às vezes nem ele sabe bem de onde e que são tudo o que ele tem e acredita. Tenta fazer a diferença, deixar a sua marca, mas oferece também o peito todo despido para voltar ferrado. Amor com amor se paga, é o que pensa.
O Advogado em tournée sofre porque vive sozinho. No Alentejo ou mais a Sul, fica molhado do suor ainda antes de chegar à barra. 
E mói o corpo e as costas com tantos milhares de quilómetros de estrada ou de comboio ou quando perde o chão e vai a voar e isso é que é pior.
E, por isso, é que busca a companhia de todos com quem se cruza. E ama isso e chupa tudo o que consegue. Todo o tutano para ganhar o dia, que é aquilo que leva deste mundo quando partir de vez.



sexta-feira, 5 de julho de 2013

Alegações Finais

Together



"Não serão muitos, mas haverá certamente alguns bons motivos para acordarmos com alegria no Inverno de Janeiro às oito horas da manhã. Um julgamento, sobretudo se nele formos arguidos, não é um deles. Mas é esse o motivo que nos fará acordar amanhã. Daqui a umas horas estaremos a entrar num tribunal para perdermos a nossa virgindade jurídica. E, de alguma forma, a nossa ingenuidade. Somos acusados de difamação, processo crime. Se não conseguirmos provar a nossa inocência lá teremos que puxar os cordões à bolsa: 25 mil euros de indemnização. Podia ser pior? Temos dúvidas.

Um sujeito acorda um dia de manhã com os pés de fora, desconhece-se se às oito horas, se a hora mais lúcida, e decide criar um canal de televisão. Malta do Norte, ciosa do seu território, cidade Invicta, os sonhos todos postos no sotaque que, acreditam, um dia há-de fazer ver a Lisboa quem é que afinal trabalha e cria neste país. Dá-lhe nome, dá-lhe forma, compra material, aluga espaço, contrata equipas, técnicos, jornalistas, comentadores da praça. Tudo em grande. Mas esquece-se que um dia, cedo ou tarde, haveria de pagar o sonho. Óooooo....
Chegam os primeiros cheques sem cobertura, as reclamações dos fornecedores, a suspensão do material, a equipa toda a debandar dali para fora. Investigamos o assunto, narramos os factos e damos-lhe um nome: Burla. [Dicionário: ludíbrio, dolo, trapaça, intrujice, trampolinice, logro, tratantada, fraude, tratantice.] O sujeito do canal burlou as pessoas que contratou porque as enganou. Porque lhes passou cheques sem ter dinheiro, porque protelou ad nauseum o pagamento e as explicações, porque desapareceu do telemóvel, porque já ganhou dinheiro com o material que entretanto vendeu a terceiros sem nunca o ter chegado a pagar. Porque assegurou aos funcionários que seriam ressarcidos pelo seu trabalho e até hoje nunca o fez. Porque os fez acreditar que aquele projecto teria sustentabilidade financeira, o que não era verdade. Sequer em sonhos.

Parece tão fácil provar a nossa inocência, a nossa boa fé, a nossa isenção e rigor, que o assunto parece ser feio e feito de favas contadas. E, no entanto, não é. A lei diz que dever dinheiro - cem euros ou cem milhões - não é crime. Cheques sem cobertura também não. E, aparentemente, falhar à palavra dada, e em alguns casos dada por escrito, muito menos. Crime é dizer que alguém deve dinheiro. E à dívida colar um rótulo: Burla. Claro que nem toda a gente que deve dinheiro é criminosa, sequer desonesta ou pessoa má. Mas que raio se chama afinal a um sujeito que há mais de dez anos anda a criar e a afundar projectos sem ter um tostão furado, arrastando para o seu lamaçal quem quer e precisa trabalhar e ser pago por isso?"

terça-feira, 25 de junho de 2013

La vie était belle

"Les indiens attendaient en silence. Le fils du Chef Cornstalk, Ellinipsico, était avec eux... Il essayait de se souvenir si le soldat qui s'approchait ressemblait à quelqu'un... à quelqu'un qui mériterait d'ètre mort...
Ce soldat c'était Zapaniah Lee. Sa fiancée l'avait quitté, Il voulait mourir et depuis longtemps il attendait la balle qui mettrait fin à la vie qu'il n'avait plus le courage de supporter.

CRACK !

Cette balle, Zapaniah la reçut en plein front et en l'espace d'un éclair il pensa à la bière au rhum qu'il ne boirait plus... à sa fiancée... et il comprit que c'était stupide de mourir... mais oui... La vie était belle !
Quand il voulut crier... Zapaniah avait fini de penser..."



O tomo 2 esperava. Olhava para ele como a um órfão. Não se pode ler um volume 2, sem ler primeiro o primeiro tomo. Não se faz isso a Pratt. Seria imperdoável ! 
"Mas acha que lhe vendia esta edição, capa dura, por 3 euros !, se também tivesse o volume 1 ?!?", respondeu a senhora italiana da 'Ler Devagar'. "Esgotadíssimo !", continuou com um sotaque trocista e final.
Não acredito. Arrisco e compro na mesma o vol. 2. Hei-de encontrar-lhe o irmão. Afinal, sou duro de teimoso. E um livro nunca acaba. Não é como o dinheiro. Não sai da circulação.
Meses à espera. Quilómetros de procura obsessiva. Sempre a sentir o martelo na cabeça. Nas prateleiras das livrarias, na Feira, na net - horror ! -, e sempre "indisponível". Que palavra horrível para se referir a um livro. Devia ser proibido. Como se tivessem o livro com eles, mas não o quisessem dispor. 
Quase cheguei a acreditar que o futuro era mesmo trair o Pratt e perder o primeiro comboio.
Mas não. A vida é bela. Foi preciso ir ao Porto. E depois de passar naquele alfarrabista da rua do 'Candelabro', dobrar a esquina da José Falcão, onde, por acaso ou atracção, entrei e o descobri, logo à primeira rusga, por causa da lombada, exemplar único, por uns simbólicos 20 euros (ed. da 'Casterman').