terça-feira, 14 de junho de 2011

Presente mais que perfeito

(Lindsay Lohan)
A propósito do post que antecede.

Pretérito perfeito

(Marylin Monroe)
A propósito da última sessão fotográfica em vida de MM.
De Bert Stern, e agora em exposição no Centro Cultural de Cascais, de 5 de Junho a 17 de Julho.

The Misfits, Miller, Marylin, Monty and... Clark Gable

"This book tells the story of the making of the legendary film The Misfits (1961), directed by John Huston and starring Marylin Monroe, Clark Gable and Montgomery Clift.
As part of the promotional strategy for the film, the world-famous magnum photographic agency was given exclusive access to the production. Nine of its best-known photographers covered events both on and off the set."

"The Misfits has nothing to do with the classic Western or with tradicional genre movies. It tells the story of people who are completely 'unbalanced' (...) three men and two women who form an isolated little community in the vastness of Nevada. What they have in common is a sickness, a psychological wound, a 'split' that prevents them living, and it is precisely this profound disablement that makes them so touching. They have difficulty in living in a world they cannot grasp, that no longer matches their dreams. In its own way, The Misfits is the story of an impossible dream, set in an America where the great myths have died."

quinta-feira, 9 de junho de 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

A música do Avô - I

Há coisas que se herdam ainda antes de sabermos quem somos, antes de olharmos para nós. Que vêm no sangue como um código de barras. Que dizem "tu és nosso." E nós somos.
Tu, Avô de Lisboa que eras do Porto e morreste há 14 anos. A quem nunca falei por tu.
Só agora, um ano depois de te seguir a mulher que te adorou, se começou a desmanchar o Lego da casa que já não é vossa, e reclama herança e partilhas.

Tinhas uma Biblioteca. E não era só de livros.
Uma fabulosa e impressionante colecção de discos de vinil enchia estantes e estantes da casa da Defensores de Chaves. Local sagrado. Quase puro, não fosse proibido. 
Como eu era miúdo, todas as tentações de ali entrar deviam morrer assim. Mandavam.
Todos os filhos e netos respeitavam essa ditosa lei, mas o meu atrevimento de nunca aceitar o não de uma vedação sem espreitar primeiro, punha-me a entrar às escondidas naquela sala.
Transido de medo. Da voz que mandava. De uma voz qualquer desde que fosse adulto. Do puxão de orelhas que as dobrava. E doía como nada. Pior. Da vergonha do ralhete. Do crime imputado em família.
Era inútil. Não conseguia resistir. Olhava maravilhado e absorto para o que escondiam aquelas proibidas prateleiras. Por miseráveis e desesperados segundos.
E como a tentação me corroía, não evitava tirar um ou outro disco para fora, e um ou outro livro. Só para os morder.
Com a consciência a grelhar-me o cérebro, punha-os logo no sítio (acho) e pisgava-me com o shot de adrenalina e o coração bombado para fora do peito.
Acho que nunca enganei ninguém.

Quando se começou a mexer nas tuas coisas, foi preciso saber o que fazer aos milhares de livros e discos que a vida das estantes carregava. Fez-se uma selecção, por áreas, estilos e autores.
E fomos descobrindo diamantes. Raridades, impecáveis, sem riscos ou nódoas. Sem pó.
Como este disco que me parou nas mãos: "The Jimi Hendrix Concerts".
Se alguém pode ser aquilo que faz, Avô Professor, Advogado, Juiz e Conservador, tu foste o Avô sábio e conversador do "10 a Comunitário ?? Deixa lá que quando trabalhares nunca ninguém te vai perguntar quanto tiraste nessa Cadeira." E é o que foste.


Ao vivo em Winterland, no Royal Albert Hall, em Nova Iorque, Berkeley e San Diego. Inclui versões de "Fire," "Voodoo Chile", "Hey Joe", e um estonteante solo que cobre o ar que respira quem escuta o "Little Wing".
A música. Esteve sempre lá. E cá.

domingo, 5 de junho de 2011

Melhor argumento para estas eleições

"Vou votar Jerónimo que é do Benfica."

(um amigo)

Lapidar.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Vão votar !

Há uma grande maioria de portugueses que parece que desistiu.
Não sabe em quem votar, porque não quer votar em qualquer dos candidatos. Não depois de Sócrates. Não porque Passos é Passos. Nunca Portas. E já nem a CDU ou  o Bloco que nem querem conversa. E como o resto é paisagem, então venha o mal menor e votar afinal Passos ou, pior, Sócrates. E assim vamos, de mal menor em mal menor, num deplorável e degradante exemplo da democracia em que nos tornámos. Do pior que ela pode ser. Em que não se escolhem os melhores da Polis, mas os menos maus. E isso é muito mau.
Então, o que já apetece mesmo é abstenção. Porquê ser cúmplice ? 
Só que isso é desistir. É uma enorme desilusão metida num saco de cobardia. É deixar que nos vençam pelo cansaço. É deixar que chamem a esse não-voto o voto de um morto, dos milhares de eleitores que votam depois de mortos.
Pior. É acusar-nos de não querermos saber e isso é só culpa nossa, porque não vamos, porque queremos é Sol e foi tudo para a praia, porque a data isto e aquilo.
E então o não-voto torna-se numa coisa que não é. Porque lhe chamam outros nomes. E nada deixam que se discuta ou questione. Porque é a praia e são os mortos que estão a falar. Imbatível.
O que não retira que Cavaco Silva tenha sido eleito por um (1) reduzido milhão de portugueses. Que só 40% quiseram escolher ? Quem é que ele representa ? Onde é que fica a Democracia depois disto ? 
Só o voto em branco pode resgatar o que sobra de Abril. Porque o voto em branco não desiste. Acredita que pode (ainda) mudar. Que pode fazer a diferença. E isto é protesto. Isto é o fight-club. Porque não se acredita na oferta.

Imaginem que 60% dos portugueses voltam a não aparecer no domingo.

Agora imaginem que tinham aparecido e eram votos em branco.

Tinham um destino. Falavam. Ninguém os podia esconder.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Beijo a um filho desconhecido

Que triste.
Tu sabias tudo de nós. E nós só adivinhávamos.
Viveste submerso no oceano escuro da tua mãe que era o melhor coito que podias ter. Mas depois desaguaste num rio enorme de sangue que quase a matava.
Mas que triste.
Nunca saberás como é lindo viver e como são lindos os dias, mesmo os que não são.
Como é louco o irmão que não tiveste e tão bela a flor da sua irmã. Quem eram os teus avós e o que te podiam ensinar, e as meninas que eram primas.
Nunca saberás o que é dormir com a mulher que se ama ou a surpresa de um beijo.
Como é bom mergulhar no mar e deixar escorrer o sal para dentro dos olhos. E espojar na areia do Verão.
O que é ter bons amigos e passar noites em claro a viver com eles, e acordar no dia seguinte com uma ressaca de rebenta-miolos e depois limpar isso tudo a apanhar uma onda ou ir para um campo de futebol.
O que é pegar num carro pela primeira vez, que tem um rádio velho onde se ouvem os Led Zeppelin. E como é bom sentir o cabelo solto numa mota porque se arrisca e hoje não ponho o capacete.
E nada compensa mais do que acreditar e depois defender, sobretudo quando censuram.
Que viajar é a melhor coisa do mundo. De comboio.
Como é o mar em Zanzibar. Como são vazios os desertos de Sprengisandur ou do Sahara mas que nos fazem sentir homens de verdade. Ou como se agradece a Deus beber um gin tónico enquanto se olha para as multidões na praça Jemaa el-Fna.
Como são frescas as manhãs em Buenos Aires, e porque Roma, Paris ou Nova Iorque tinham mesmo que haver. Para nos fazer felizes.
E também não verás a vertigem do abismo dos Cliffs of Moher ou terás o sabor de uma Guinness na boca. Num pub de Belfast cheio de fumo.
Tudo o que tanto nos dão os livros e o cinema. Tudo o que não tem conta. Como uma árvore, um cheiro, uma luz. O pôr-de-sol em Santa Cruz ou o calor que não respira do Alentejo em Agosto. O que é ajudar o pai nas vindimas ou na apanha.
Nunca ouvirás o Requiem de Mozart, nem irás sacar acordes nas guitarras do teu pai. Pensar em música e que se não houvesse sons era eu que os fazia a todos.
Nunca saberás como dói perderes alguém que amas.
Ou o milagre de ter um filho. Que não podias ser.

Beth's (Mysteries)

domingo, 29 de maio de 2011

A cauda da lagartixa

conheciam-se há anos...


Eu sou a pôrra da lagartixa a quem raparam o rabo. Amputado à bruta. Sem cauda, sem aviso, sem pena (com pena talvez), decepada numa rajada.
A quem disseram não te chegues que envenenas. Não te atrevas, nem sonhes. Vai-te que só trazes olhos com veneno. Quem és ? Quem é esse choque ? Leva-te.
E Zás ! Guilhotinado.
Nem deu para perceber.
Mas sabes o que me lixa mesmo ? É vê-la ali, para um canto. A espichar. A estrebuchar interrompida.
E senti-la como se ainda viesse agarrada a mim.


['Blow-Up']

sexta-feira, 27 de maio de 2011

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O jardim das Amoreiras

No pequeno lindo jardim das Amoreiras, do quiosque verde onde me sento a beber café e a ver as gordas dos jornais. A olhar para os miúdos como se não fosse já novo.
No pequeno lindo jardim das folhas grandes que coam o sol que quenta muito neste mês de quente. E então refresca.
Onde os pais se prometeram, na capela da Senhora de Monserrate, e onde agora está um grupo descalço a fazer 'Capoeira' e a tocar berimbau. Logo ali, em frente à Mãe d'Água, que começa daqui o grande rio que destila.
Do outro lado da Antiga Fábrica dos Tecidos de Seda.
No pequeno e lindo jardim das Amoreiras, enfim, da casa dos dois pintores amantes e por quem escrevo agora na estrada (enquanto conduzo, sim, porque não aguento e não tenho gravador), porque o Estado sobra de pasmo naquilo que é nosso e devia ser, e agora a casa fica vazia.

 Arpad Szenes
Helena Vieira da Silva

No expectations



Take me to the station
And put me on a train
I've got no expectations
To pass through here again

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Campo (demasiado) Minúsculo

A única razão que me obrigava a falhar o jogo do campo de Agronomia, rapazes.


Antes de pisarem o palco, ouçam lá o Mestre. Bob Dylan. Faz 70 anos, percebem? Ouçam bem o Mestre. E nós aplaudimos que é lição de humildade.
O ar a cheirar aos festivais. O Meco que não está longe. O rio também não. Os corpos terrivelmente melados, do calor, do sal, do suor, do fumo e da cerveja. Menos o pó.
Aqui a troika troika troika não entra. E todos se riem da crise. Pelo menos enquanto houver prata. Parece que a cospem. Para varrer a poeira desgraçada do futebol.
Duas horas. Já vamos em 5 encores que parecem a terceira parte do concerto. Matt Berninger desaparece, mergulha no meio dos corpos melados da plateia que é arena e é toda em pé. Continua a cantar "Terrible Love" agarrado ao microfone e à âncora enorme do cabo gigante que o liga ao amplificador. Pensamos que ninguém vai mesmo embora. Porque soltam mais uma canção. "Vanderlyle Crybaby Geeks", versão que não é só acústica. É totalmente unplugged. Sem fios. Sem cabos. Sem amplificadores. Sem som que não seja o de uma sala toda em voz.
Com quem vou amanhã para a estrada. Seis e meia da manhã, porque agora ainda varanda. 
A cobertura semi-aberta do Campo (demasiado) Minúsculo deixava entrever algumas estrelas. Uma é da mana que está neste momento a meter mais uma miúda cá fora. Estavam lá todas.

terça-feira, 24 de maio de 2011

domingo, 22 de maio de 2011

Live Forever

Os Oasis já não existem. Há algum tempo, aliás. Nunca existiram muito bem.
Uma banda de membros intermitentes conforme os nervos do momento. Sobretudo dos irmãos Gallagher. Até chegar a vez de Noel chutar tudo para o canto.
Liam pegou no que restava da banda e chamou-lhe os "Beady Eye". E anda para aí.
Os Oasis (que assisti ao vivo) tocaram bem, fizeram três ou quatro discos porreiros e ajudaram ao boom da brit-pop dos anos '90, quando a música parecia não saber bem para onde ir. Os tablóides deliraram com estes rapazes, com os excessos, as zangas, e com os bares partidos. Também por causa dos derbys com os Blur.

A questão com a música é que, se ouvir bem, continua.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Pola Women


Ir a Berlim e não conhecer Helmut Newton é viver de olhos completamente fechados. É ignorar tudo o que há de belo à nossa volta e que pode aparecer num instante, sem supor, sem sequer sonhar, enquanto se piscam os olhos.

Depois da fotografia, agora as polaroides.
Jebensstrasse 2

D - 10623 Berlin
Germany

Train and subway station

Zoologischer Garten
Exit Jebensstrasse
Opening Hours

Tuesday – Sunday 10 a.m. – 6 p.m.
Thursday 10 a.m. – 10 p.m.

Dogs of War


"Like all dogs, I need love."

Iggy Pop, 'Uncut', Junho '11

terça-feira, 17 de maio de 2011

O que realmente interessa em Dublin







Mediterranean Sundance

Em 1980 três dos maiores virtuosos da guitarra ainda vivos juntaram-se num concerto, mais tarde editado em disco e que é hoje um clássico. Ficou conhecido como Friday Night in San Francisco e é uma fusão explosiva de estilos  que nem são flamenco e jazz.
São outra coisa, nos dedos.
Com Al Di Meola, John McLaughlin e Paco de Lucía abençoamos os sentidos.
Com "Mediterranean Sundance" pedimos que nunca acabem os minutos mais curtos das nossas vidas.


Anos depois - o ano é 1996 - voltaram a reunir-se para as guitarras conversarem mais um pouco.

domingo, 15 de maio de 2011

World Press Photo '11

[rasputine]

Foi despejada.
Posta fora. Renegada pelo Museu da Electricidade, a casa dos tectos industriais da antiga central termoeléctrica que era perfeita. E não justifica terem lá posto quadros, esculturas e instalações modernas. Não interessa. Não punham.
Desviada. Atirada ali para o lado, ainda para mais para o lado para a humilhação ser maior, para uns barracões pré-fabricados, de calor e contraplacados. 
A WPP este ano chora, e não é de beleza ou dos chutos das fotografias que exibe.
É do escuro bafiento do agasalho. Porque é impossível ver fotografia no aglomerado de gente que transpira naqueles malditos barracões que são caixas de cartão.
A WPP este ano sofre. Este ano azeda.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Como a certeza das estações do ano

A primavera dos hábitos bons.
Descer as avenidas de livros e fazer os corredores inteiros.
Bibliotecas recheadas enquanto regressam os jacarandás que vieram do Brasil e cercam completamente o Parque.
Depois subir sentido contrário a maravilha da fila de pavilhões.
E acontecer como um dia passarem o "Walden, Ou a Vida nos Bosques" (H.D. Thoreau, ed. Antígona) por baixo do balcão, envolvido num papel pardo e clandestino, porque só ia para as livrarias depois. Obrigado disse-lhe eu.
Como pode quem não vai ?
Mesmo com este calor que não costuma.

[Kayser]

a nova polémica púbica

A mais recente (e interessante) polémica da vida política do burgo veio das palavras de Catroga, um homem que obviamente OS menospreza.



Porque neste país a memória é curta, convém recordar que no passado houve quem OS glorificasse.