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terça-feira, 26 de agosto de 2025

Do something !

Há 11 anos, reproduzimos a fúria de Vedder com um grito muito semelhante ao de Ruffalo sobre Gaza.
Não passou tempo nenhum.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Christmas babies


E eu 47. Estamos bem. 

domingo, 2 de janeiro de 2022

sábado, 27 de agosto de 2016

no jubileu de prata do 'Nevermind'


"(...) Enquanto Courtney carregava o fardo, o resto da cena de Seattle pagava um preço menos público pelo suicídio de Cobain. Os movimentos rock raramente permanecem com o glamour intacto por mais de uns três anos, e os comentadores da imprensa britânica proclamavam já a morte da grunge antes de Kurt ter cumprindo a sua profecia.
Algo despeitadas por verem a sua agenda ditada dos Estados Unidos, as revistas semanais de rock no Reino Unido desejavam ardentemente o aparecimento de um novo fenómeno que substituísse a grunge nas suas capas, e assim nasceu a Britpop. Com um apelo cru às necessidades mais básicas dos rapazes adolescentes - copos, gajas e porrada à porta dos bares - a Britpop foi a antítese perfeita da ambiguidade sexual e angústia dos Nirvana de Kurt Cobain.
Como as bandas Merseybeat em 1965, ou as punks em 1981, a esquadrilha do grunge de Seattle era composta por homens fora do seu tempo, muitos dos quais ficaram sem trabalho depois da morte de Cobain. Dois anos antes, os californianos tinham subido a costa até ao estado de Washington para conseguirem  alguma credibilidade. Agora, a simples menção de Seattle era suficiente para arrasar as perspectivas de qualquer banda, a menos que se pudessem gabar de ter um cantor que tivesse fornicado com Courtney, ou um guitarrista que tivesse comprado a Kurt droga ou uma espingarda.
A cena musical da cidade continuava vibrante e ecléctica, como sempre tinha sido desde o início dos anos 80, mas para o mundo exterior o fascínio dessa Washington de bilhete postal tinha-se dissolvido num ar viciado. Se alguma vez tinha existido um som de Seattle, já ninguém estava interessado em ouvi-lo depois do Verão de 94.
Os únicos sobreviventes foram aqueles que transcenderam as suas origens geográficas e subiram a uma escala mais ampla. Eddie Vedder recusou as tentativas da imprensa de o transformar num Cobain Mark II, tendo os Pearl Jam tomado um rumo que combinava metal, rock alternativo e o apelo comercial com facilidade e algum bom gosto. Quando Neil Young os escolheu para o álbum e digressão Mirrorball, o seu estatuto como deuses do rock tornou-se inabalável. Pondo de parte a predilecção de Vedder por gestos à la Bono e por exibições estudadas de ansiedade e angústia, os Pearl Jam pareciam oferecer a solução perfeita para o dilema  underground/overground. Mas não são os Nirvana, nem nunca o serão."

segunda-feira, 21 de julho de 2014

"Tonight You Belong to Me"


para a Susana
(das guaridas)

I. É realmente interessante ter o privilégio de assistir ao harmonioso processo de amadurecimento de um homem, na sua longa caminhada moral. A solo, sem se poder esconder. É a segunda vez para tanta gente, diz ele. Mas para o sujeito que vive de partilha em partilha não há salvação.
Eddie Vedder vem progredindo honesta e solidamente como músico e poeta no trilho do Great American song-book, numa curiosa peregrinação de busca eterna do Eu, com os outros.
Quatro anos depois de o termos visto acompanhado da sua tribo pessoal que transformou os Pearl Jam em mais do que uma simples banda, talvez uma família de primos da América, este wrestler da sociedade apresenta-se em palco sem rede, bem ciente de que há certas coisas que os outros não podem fazer por nós. Tão longínquo já da primeira vez em Cascais onde o público gritava "Portugal ! Portugal ! Portugal !"
Aqueles que acham que já o viram uma vez e portanto... chega, ou que presumiram que vinha tocar cavaquinho e ganhar uns trocos extra, perderam perto de três horas do compromisso e entrega desmesurada do indivíduo em construção.
Cercado por uns milhares de almas e pela fogueira que foi alimentando, sempre entre a fronteira de se poder limpar ou imolar, fez-nos compreender que os saltos ao longo de todo o concerto das suas Gibson acústicas para a Fender Stratocaster - branca imaculada como a de Hendrix (a quem lembrou como Cobain, outro grande canhoto das guitarras) -, e para o inevitável ukulele, e deste para as primeiras, são o oxigénio fundamental de quem conhece bem os perigos da paixão e a vertigem de mergulhar nas profundezas de um só instrumento até ao fim, até à loucura. E, por isso, nessa comunhão total de cordas, letras e acordes, salva-se constantemente quando se transfere de uma guitarra para outra.
Eram duas da manhã quando começou, depois da chuva do princípio da noite assim como para anestesiar a ansiedade, e foi-se prolongando até ao momento - já a meio deste exorcismo pessoal - em que alguém da organização lhe veio dizer que podia tocar "as long as I will". Às 4 e meia achámos mesmo que queria ver o Sol acender-se entre nós. O sofrimento de tanta violência interior arrancada à bruta não permitiu.
Para trás ficava "Into the Wild", em prece pelo tio John, dez anos mais velho e falecido há poucos dias. "Não estava ainda preparado para me despedir. Daí esta camisola que trago vestida, a mesma que usava quando o vi pela última vez no hospital."
Ficavam também algumas canções salteadas para ukulele, além dos temas maiores do cancioneiro PJ. Mas foi com os tributos ao parceiro Neil Young, a Dylan, aos Beatles e até aos Pink Floyd, que a mensagem do peregrino se encarniçou e começou a espalhar.
Com "Masters of War" incitou aquele pequeno mundo à reflexão: "Being anti-war doesn't mean you're pro-one side. It means you're pro many things. Pro-peace, pro-understanding, pro-diplomacy, pro-Love, pro-soldiers because you don't want them to die for no reason.", altura em que pediu licença para desapertar as notas de 'Imagine', "the most powerful song I've ever heard.", colocando aquela comunidade a ranger os dentes com ele. Por Gaza e Israel, num certo tipo de oração. Peace.
Recordou depois o lado terrivelmente efémero e dramático da vida num avião de civis que é abatido noutro conflito, acabando com a vida de mais 300 inocentes, pessoas que se calhar o tinham visto dias antes em Amesterdão. Foi quando escutámos "The needle and the damage done".
Enfim, o sacrifício feito no altar deste hooligan que arranca o escalpe às vísceras justificava cada verso entoado pela multidão, de quem se despediu ao som de "Rockin' in the free World". Sagrado.
Eram quase quase 5 da manhã e só faltava uma hora para o Sol dar à luz.



II. Uma chuva, apenas inesperada para uma Organização demasiado ingénua ou optimista em relação ao tempo que se avisava para o Meco, fez atrasar o concerto que a apaixonada Cat Power tinha preparado. Também o fez abreviar.
Deixou 5, talvez 6 canções ao todo, roucas, belas e poderosas, que a voz da Cat apressadamente mandou para nos penetrarem. E a declaração de amor eterno no dueto com Vedder. "Tonight you belong to me".
E será sempre assim.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Pearl Plágio

A discussão é antiga, mas o mal das cópias é que só raramente superam os originais.
Há uma canção dos Pearl Jam que não consigo ouvir: "Down", um lado B do single 'I am Mine' de 2002, mais tarde compilada para o álbum de hits "Lost Dogs". Parece que sempre que começa vêm aí os Xutos & Pontapés.
Não dá, porque a entrada e o refrão são a cópia cuspida do "Maria", do álbum '88' de 1988 e não falem em inspiração.
Gosto muito dos PJ e ninguém é perfeito, mas isto é rip-off.





terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

sábado, 3 de março de 2012

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Release


I am myself
Like you somehow
I'll ride the wave
Where it takes me
(...)
Can you see me now

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

PJ 20: Hell YEAH !!!

My kind of town.



Adenda: a sala de cinema fazia lembrar o melhor dos velhos cine-clubes, um Turim ou um 222, talvez um Fonte Nova (sem o centro-comercial). Sentados ao nosso lado uns gajos a fumar charros. À saída do filme entramos no metro, não sem antes passar por um corredor de putas e chulos com bófias a tirar identificações.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

DocRock

Sempre que em música me falam de compilações torço o nariz.
E quando estamos a falar dos Pearl Jam, um "best of", um livro e um filme, cheira a traição. Cheira a merchandising. Cheira a business.
Acontece que, na realidade, todos temos direito à nossa história.
No próximo dia 20 (terça-feira) estreia mundial de um Documentário com imagens inéditas que celebram os 20 anos da banda.
Em sessão única, o que tem nível. Em Lisboa só no Alvaláxia e no Vasco da Gama, locais que me recuso frequentar.
Hélas.
Ou muito me engano, ou teremos digressão para o ano a passar em Portugal.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

terça-feira, 13 de julho de 2010

Alive !


Dizer que a noite de sábado no passeio marítimo de Algés vai ser a melhor noite de Verão do ano porque foi o melhor concerto da temporada - e estamos apenas no princípio - não é o exagero das palavras ou a hipérbole habitual de quem sofre o último impacto, de quem gosta muito de uma banda e cresceu a ouvir os seus discos. Não é sequer correr um grande risco.
Numa noite de pó, os Pearl Jam recusaram o espectáculo artificial da luz excessiva que corta o olhar e parte o ouvido. No palco aparece Eddie Vedder. Blusão de pele, guitarra ao ombro e botifarras de estivador. Tranquilo e reconciliado com as revoltas do passado, Vedder parece, como li algures, o Dude de "The Big Lebowvski" que, entre canções, diz ao público que vai ter tempo para apanhar umas ondas e «aqueles que também forem para o mar pensem em nós e digam "Esta é para ti, Ed !"».
Sem pedir licença, o concerto começa com um brutal "Release", logo seguido do enorme "Elderly Woman Behind The Counter In A Small Town". "Animal" e "Given To Fly" completam uma intro perfeita para o alinhamento.
Já tem o público com ele. Mas não lhe chega, e porque nos conhece bem demais, agradece-nos por os termos convidado «para a vossa festa, por nos deixarem pôr música por cima de vocês, à vossa volta».
Quando o cabelo escorre e o blusão já foi para algum lado tocam "Nothingman", "Daughter" e "Even Flow". Temas que construiram a banda. 
Na acústica surgem depois os magníficos "Just Breathe" e "The End" (do Backspacer) a querer colocar tudo no sítio próprio. Na noite amena.
Por esta altura a fusão com o público completou-se e parecemos membros privilegiados de uma seita que olha para os anos '90 com a saudade do que não apetece que volte.
No lado esquerdo do palco começa a brilhar Mike McCready que pega na sua Fender Stratocaster e começa a sacar acordes e solos apertadíssimos. Toca por trás da cabeça, deita-se, senta-se no chão, com a guitarra entre as pernas ou de lado e vai-se perdendo como se rezasse a Jimi Hendrix.
No final, já Vedder se entregou, e a garrafa de vinho tinto, que pega como se fosse um poeta numa récita, percebe-se que o ajudou a aguentar a garganta. Para terminar o concerto com "Betterman" e, claro, com o mais que mítico "Alive".
Eddie Vedder deixa o palco carregando a bandeira nacional aos ombros. Embrulhado nela.
Sentimos que foi uma noite boa. Até porque nos tinha avisado que este último concerto da digressão não seria o último de sempre, mas o último em muito tempo. O que era uma coisa boa, porque como não sabem quando irão voltar, «mais vale divertirmo-nos». Percebo isto.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Did I


b y r u s k a