segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

sábado, 11 de janeiro de 2014

Amar








Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?


Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?


Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.


Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.


Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.


(Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

45 anos de luxo


"No one listened to it. But there it is, forever - The Quintessence of Articulated Punk. 
And no one goes near it."

Lou Reed, Agosto de 2013

'White Light / White Heat', o segundo álbum dos Velvet Underground, primeiro sem Nico (a femme fatale Warholiana do grupo) e último com John Cale, um dos seus fundadores.
Nas prateleiras, em edição que celebra o 45º aniversário, com sete inéditos e um concerto ao vivo em 1967 no 'Gymnasium' de Nova Iorque, no disco 2. 
É favor adquirir.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Eusébio da Silva Ferreira


- Epa morreu o Eusébio que merda.
8h29 da manhã e acordo com uma mensagem no telemóvel. Uma notícia assim só podia chegar do mano.
Acordo e quase morro em puro estado de choque. Não percebo o que se passa à minha volta. Por momentos, esqueço onde estou. Deixo de ouvir. Não, oiço uns zumbidos. Os olhos cegam. O coração acelera e pára ao mesmo tempo. Esqueço-me de respirar e é tudo automático. A cabeça estala. Apoio-me numa mesa que está perto. Parece que estou num acidente. Parece que me espetei de carro. Tenho de ir para a rua apanhar ar fresco. Não acredito, o Rei. O Rei não morre.
Quando finalmente percebo que é verdade, que aos amigos não se engana, não assim, balbucio em voz alta: o Eusébio morreu. 
Ligo a televisão e vejo o que todo o país está a ver. Rodapés sucessivos, imagens a preto e branco, os livres, as cavalgadas, os golos. Os canais estrangeiros falam que morreu uma lenda. Depois as entrevistas. Di Stefano diz que morreu o maior de todos os tempos. Mário Coluna, em Moçambique, muito velho e cansado, conta como a mãe de Eusébio lho encomendou. Simões, o irmão branco, Toni, Maradona, Beckenbauer, Gordon Banks, Mourinho, Butragueño, o Old Trafford e Bobby Charlton todo em pé e olhar triste em aplauso. Mário Wilson, o velho Capitão, a falar directamente para a fotografia autografada que beija. 
Quando já não consigo fugir ao inevitável, conto aos filhos. Explico quem foi o camisola 10. Mostro no caderno do miúdo o que lhe escrevi em tempos neste blogue sobre o 'Pantera Negra' e leio-lhe. Falo das histórias do meu Avô que, sportinguista, ia à Luz, dizia, para ver se via o Benfica perder, só para não confessar que queria era ver o Eusébio jogar. 
Pergunta-me quantos golos é que marcou e abre a boca de espanto quando lhe digo.
Somos interrompidos pelo João Alves, o "luvas pretas", na televisão a dizer que o Eusébio não morreu. E o puto pergunta porquê. Respondo que os homens grandes não morrem. E ele diz "como tu, Pai ?" Não se aguenta.
O dia custa a passar.
A miúda já colocou os cachecóis por cima da televisão e a bandeira ao lado, com jeitinho e em sinal de respeito. Escreve uns bilhetinhos que dedica ao 'Pantera Negra' e que, à noite, já na Luz, vou depositar junto à estátua onde estendo também o meu primeiro cachecol do Benfica.
E agora ?

domingo, 5 de janeiro de 2014

"Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu" *





Eusébio da Silva Ferreira
(1942 - 2014)

(e dentro de um carro, parados num sinal vermelho, os dois maiores amigos:
- Olha lá, pá, o Rei está ali no carro da frente !
- Pois está. 'Bora lá.
como putos, os trintões saem porta fora. Batem no vidro e esbracejam.
- Ó Rei, ó Rei, és o Maior !
De lá de dentro, Sua Majestade acena, e os trintões regressam a casa felizes da vida.)


* 'A Morte Saiu à Rua', José Afonso

12 Years a Slave


sábado, 4 de janeiro de 2014

Um dia vou falar-te de tudo o que me escreveste

Existíamos sem que existíssemos. Quilómetros de pensamentos ligados sem fios. A tecnologia de todos os versos roubados, e de milhares de imagens e palavras sacadas às canções, filmes ou às páginas de alguém que as escreveu antes, mas só por sorte. Achava mesmo que eram para mim. Do que inventaste e me contaste e do que não vimos em diálogo secreto e mudo. Num quarto escuro, sim, mas não era ? Parecia mesmo. Estava cheio de avisos e recados em silêncio que não é para ti. Literatura e um beijo. Mas o espelho era grande e via bem. Mas o espelho inverte a imagem e agora já nem sei. Desse bendito momento maldito que apareceu tardio e longe de tudo, nascido fora de horas e que era possível, como lapa no meu coração. Eu, sem colete anti-balas. Às vezes queria acreditar que era perfeito e para sempre, que era para mim e eu para ti. E que só a coragem é que não tinhas para dizê-lo mais do que baixinho. É incrível a nossa capacidade de acreditar no que sonhamos. Podemos enlouquecer. Ou acordar a meio da noite. Disseste que me amavas, e não foi só em sonhos. Eu era tua e tu eras meu. Era comigo, seríamos tudo e seria belo. Só que tu eras demasiado honesto para dizeres a verdade.


[andrey dubinin]

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

domingo, 29 de dezembro de 2013

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Ligar à ficha sff


Lisboa - Teatro Maria de Matos

domingo, 22 de dezembro de 2013

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Pearl Plágio

A discussão é antiga, mas o mal das cópias é que só raramente superam os originais.
Há uma canção dos Pearl Jam que não consigo ouvir: "Down", um lado B do single 'I am Mine' de 2002, mais tarde compilada para o álbum de hits "Lost Dogs". Parece que sempre que começa vêm aí os Xutos & Pontapés.
Não dá, porque a entrada e o refrão são a cópia cuspida do "Maria", do álbum '88' de 1988 e não falem em inspiração.
Gosto muito dos PJ e ninguém é perfeito, mas isto é rip-off.





segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Peter O' Toole (1932 - 2013)



“I did quite enjoy the days when one went for a beer at one’s local in Paris and woke up in Corsica.”

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

El Calafate - 4º e 5º dias


(o Perito Moreno, por Eduardo Salavisa, tirado daqui)


A Patagónia argentina. Estou finalmente na Cordilheira dos Andes que desde pequeno queria conhecer por causa das histórias do Marco Pólo.
Aterrámos numa terra pequena, quase deserta mas servida por um moderno aeroporto, limpo e arrumado. Vínhamos à procura do Perito Moreno, o gigantesco e impressionante glaciar do Sul da Argentina que faz fronteira com o Chile. O céu estava limpo e o ar gelado.
El Calafate é o nome de um arbusto muito comum que dá umas pequenas bagas, tipo groselhas, que utilizam para fazer o doce de Calafate.
Instalámo-nos no Hotel Michelangelo, uma pequena casa em madeira que dava para a rua principal e fomos conhecer a terra. Tudo aqui são casas em madeira e há três, quatro ruas. Há alguns pinheiros mas tudo parece bastante seco. Procurámos alguém que nos levasse ao Perito Moreno e marcámos lugares numa camioneta para o dia seguinte. Entrámos numa pequena loja que vendia acessórios para as expedições onde folheei alguns livros para saber mais sobre amanhã.
À noite, de botas calçadas e cercados por montes gelados, parámos num restaurantezinho. Pedi a rara "merluza negra" grelhada e um vinho branco da Adega Lopez.
Conhecemos Ehud, um israelita simpático que também vai ao Perito Moreno. Acaba a jantar na nossa mesa. Provoco a questão israelo-árabe e ele altera-se. Diz que não percebemos. Não enquanto não assistirmos a um autocarro com crianças a ir pelo ares.
Fomos dormir.

Acordámos cedo.
Uma camioneta gasta e com o vidro da frente todo estalado veio-nos buscar.
Andámos cerca de 80 kms numa estrada sinuosa e ainda em construção. Não há nuvens e o sol aquece um pouco.
Dizem que temos sorte, que é a melhor forma de alcançar o glaciar.
À medida que nos vamos aproximando, apercebemo-nos de pequenos icebergues e pedaços de gelo do tamanho de casas a boiar na água límpida e azul turquesa do Lago Argentino, o maior lago de água natural da Argentina. São já o resultado dos desprendimentos do Perito Moreno.
Chegamos e é assombroso ! Nunca nada de semelhante. O motorista trafica-nos um conselho: não peguem na máquina fotográfica e tirem a fotografia com os vossos olhos, prolonguem o momento até que ele entre no fundo, que um dia quando estiverem nos vossos escritórios vão fechar os olhos e lembrar-se disto. 
É enorme ! Parece que um dia foi um oceano desprevenido que veio desaguar nestas montanhas e que aquí se quedó para sempre congelado. Branco, azul, cheio de fracturas que a tempo darão lugar a novos desprendimentos e a mais icebergues.
Oiço trovões tremendos, que afinal são o som dos blocos enormes do glaciar a desfazerem-se contra aquele chão de água: esmagador. Depois vão-se escutando pequenos "cracks" do gelo que estala com a pressão.
A Cristina deu-me a máquina para as mãos. Não queria que eu perdesse a altura dos desprendimentos. Para depois mostrar em Lisboa.
Só que, tolhido por aquela demonstração de força da natureza, não me mexia, incapaz de reagir no timing certo, parado a olhar de respiração cortada. "Então, não tiraste ?" E eu... sem forças. Nem ao menos para impedir que me arrancasse a máquina do colo.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O Passageiro do Tempo


"105 anos ??? Pai, este homem é o homem mais velho que existe. Deve ter muita saúde."
Rodrigo 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Nadir Afonso: 1920 - 2013

 
Estação dos Restauradores, Lisboa

Jim Hall (1930 - 2013)


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Mandela (1918 - 2013)


“When a man is denied the right to live the life he believes in, he has no choice but to become an outlaw.”
Nelson Mandela



Old pirates, yes, they rob I;
Sold I to the merchant ships,
Minutes after they took I
From the bottomless pit.
But my hand was made strong
By the 'and of the Almighty.
We forward in this generation
Triumphantly.


(...)

Emancipate yourselves from mental slavery;
None but ourselves can free our minds.
Have no fear for atomic energy,
'Cause none of them can stop the time.
How long shall they kill our prophets,
While we stand aside and look? 
Ooh!
Some say it's just a part of it:
We've got to fullfil the book.


Won't you help to sing
This songs of freedom
'Cause all I ever have:
Redemption songs;
Redemption songs;
Redemption songs.

'Redemption Song', 1980 - Bob Marley

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Freedom !

Emociono-me sempre que vejo alguém defender a liberdade de expressão e a liberdade de informação, para mim as duas maiores bênçãos da Democracia.

Ontem, o editor do 'Guardian', Alan Rusbridger, prestou depoimento perante uma comissão parlamentar em que reiterou a decisão de publicação do material cedido pelo agora proscrito e perseguido ex-NSA, Edward Snowden.

A certa altura, perguntaram-lhe: Do you love this country?"

A resposta:

"We live in a democracy and most of the people working on this story are British people who have families in this country, who love this country. "I'm slightly surprised to be asked the question but, yes, we are patriots and one of the things we are patriotic about is the nature of democracy, the nature of a free press and the fact that one can, in this country, discuss and report these things."


terça-feira, 3 de dezembro de 2013