segunda-feira, 28 de outubro de 2013

"NYC Man" *



[foto: andré]
[NYC, Outubro 2011]

You say "leave" and I'll be gone
without any remorse
No letters faxes phones or tears
there's a difference between bad and worse

I'm a New York city man, blink your eyes and I'll be gone
New York city - man, M-A-N, you blink your eyes and I'll be gone

New York city, I love you, New York city man
New York city, how I love you, blink your eyes and I'll be gone
just a little grain of sand
New York city, ooohhh, how I love you
New York city, baby, blink your eyes and I'll be gone
Oh, how I love you



* "Set the Twilight Reeling", Lou Reed, 1996

Fuckin' Day


Lou Reed
1942 - 2013 

sábado, 26 de outubro de 2013

A hora íntima



Quem pagará o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral
Dirá de mim: — Nunca fez mal...
Quem, bêbado, chorará em voz alta
De não me ter trazido nada?
Quem virá despetalar pétalas
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore?
Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
Sorrirá: — Rei morto, rei posto...
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio
Tocará o botão do seio?
Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: — Foi um doido amigo...
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme
Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançará um punhado de sal
Na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Por motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há de orar: — Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: — Não há de ser nada...
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?
Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?

Rio, 1950


Vinicius de Morais, "o homem dos vícios imorais"

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

"Quem quererá, agora, falar com ele ?", por Vasco Pulido Valente


Trainspotting


«Para José Sócrates a classificação de quem o contraria é simples. O PSD é um conjunto de “pulhas” e de “filhos da mãe” (calculo que a expressão foi, por assim dizer, mais vernácula) e em geral “a Direita é hipócrita”. Santana é um “bandalho”. Teixeira dos Santos teve “uma atitude horrível connosco”, ou seja, com ele. Schäuble, o ministro das Finanças da Alemanha, é um “estupor”. E por aí fora. De resto, ele, Sócrates, quando falhou (e, na opinião dele, quase não falhou) não teve nunca a mais vaga responsabilidade ou culpa: a verdade está em que grupos de “pistoleiros”, incluindo a Casa Civil do Presidente da República, tentaram sempre impedir que ele governasse e espalharam infames calúnias para “atacar” o seu impoluto “carácter”. Apesar de primeiro-ministro, não passou de uma vítima.Vale a pena repetir o que toda a gente já sabe? Vale, porque este “chefe” (como ele mesmo se descreve) e este acrisolado democrata (como ele se declara) saiu do assento etéreo onde subira, com um saco de ressentimento e ódio, que excede, e excede por muito, o de qualquer político desde que existe um regime representativo em Portugal. Ninguém, por exemplo, disse como ele que não queria voltar a “depender do favor do povo”, a quem atribui uma larga parte das suas desventuras. Dar uma réstia de poder a semelhante criatura (visto que Deus não parece preparado para o ungir) seria inaugurar uma campanha de represálias contra Portugal em peso: contra a “aristocracia” do PS (que ele se gaba de ter “vencido”), contra a Direita, contra o velho Cavaco, hoje apático e diminuído, e principalmente contra o povo, que não votou por ele em 2009.Ora Sócrates, protestando o seu desinteresse pela vida pública e as suas novas tendências para a filosofia, com a convicção de um adolescente analfabeto, só pensa em abrir o caminho para um memorável ajuste de contas. Uma entrevista justificatória na RTP, um programa de “opinião” também na RTP e, agora, o lançamento de um “livro”, para inaugurar um estatuto de “intelectual”, a que nem sequer faltou Mário Soares, Lula da Silva e uma assistência de “notáveis”, seleccionados por convite. O supracitado “livro”, absolutamente desnecessário, é de facto uma prova escolar (uma “tese” de mestrado), sem uma ideia original ou sombra de perspicácia, que assenta na larga citação e paráfrase de – vá lá, sejamos generosos – 30 livros, que se usam pelo Ocidente inteiro, e em algumas fantasias francesas (Sciences Po oblige). O extraordinário não é que Sócrates se leve a sério, o extraordinário é que o levem a sério. Mas claro que o “lançamento” não foi de um “livro”.»

'Público', hoje

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

"I like things that look like mistakes"

Desde que entramos para dentro da sala, no Fonte Nova, parece que nos enganámos. Não no filme (embora não soubéssemos ao que íamos e isso é bom), mas na pessoa que está no filme. A quem nunca realmente percebemos.
Todo o filme é um bocado esquisito, esquisito no sentido óptimo que os ingleses dão à palavra abnormal, que anda à volta da confusão de uma pessoa que não é desarrumada, só muito ocupada, e dos erros e erros de alguém que manifestamente não encaixa no mundo "normal". Ela que veio de Sacramento, de uma família tradicional que reza e se reúne no Natal e que, portanto, nesse desencaixe permanente só podia encontrar algum lugar em Nova Iorque, a cidade onde tudo pode caber.  E de repente somos nós que temos a cabeça confusa com tanto passo em falso, com tanta trapalhada emocional e com tanta coisa que nem ela percebe bem e que é um remoinho de instabilidade. Não é só o corpo e a linguagem que parecem desacertados. Parece que há várias pessoas ali dentro, cada uma a querer falar e fazer ao mesmo tempo que as outras e tudo a ficar incompleto. Ai, Frances Ha !, se fosse teu amigo ficava preocupado. Todos temos que encontrar um caminho, Frances Ha.
Mas depois, no meio dos tropeções que andam dentro daquela cabeça, há um momento lindo e esse vale toda a pena.


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

The Empire Strikes Back


Boardwalk Empire (Season 4)

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Sambando na Lama



"Republicanos: os homens-bomba da América"
por Arnaldo Jabor


«Estamos vendo hoje a loucura da América republicana. Eles topam destruir o país para impedir um bom governo para o Obama. Os republicanos estão provando que são os homens-bomba americanos. Morrem junto com o calote da dívida, com a crise profunda que estão programando, mas nem se tocam. Não conseguem aceitar o plano de saúde, uma espécie de SUS, o "Obamacare", para proteger 30 milhões de americanos que não têm seguro-saúde.
Eu já morei nos EUA, antes dos anos 60, no coração da "América profunda", na Flórida, e vi como o americano médio tem a "alma republicana". A cidade era igual aquela do Truman Show. As ruas, pessoas, rituais, sorrisos e lágrimas, tudo parecia programado por uma máquina social obsessiva. A vida e morte eram padronizadas, previstas: abraços gritados, roupas iguais, torcidas histéricas no beisebol, finais felizes, alegrias obrigatórias, formando uma missão comunitária cheia de fé, como um carrossel de certezas girando para um futuro garantido. A violência dos alunos me assustava. Eu era um "nerd" comprido e meio bobo nos meus 15 anos de virgindade, e me chocava com as botas de cowboy marchetadas de estrelas de prata, as facas de mola ("switch blades") de onde a lâmina pulava, os casacos de couro negro que já vestiam a chamada "juventude transviada", uma rebeldia reacionária e "republicana" dos anos de Eisenhower. Vi brigas de ferozes galalaus se arrebentando até o sangue no focinho e o desmaio, onde nem os diretores do colégio podiam interferir, pelo sagrado direito da porrada, na cultura de vaqueiros e pioneiros. Não havia espaço para dúvidas naquela cidade, mas dava para sentir que aquela solidez de certezas, se rompida, provocaria um grave desastre.
Os ídolos da época eram Elvis Presley rebolando na TV e James Dean, cadáver presente nos gestos e roupas. Pairava um clima de intolerância entre os próprios brancos; eram os fortes contra os fracos, eram as meninas bonitas contra as feias, eram as sérias contra as "galinhas". Eu, turista tropical, era um tipo misterioso; tímido, fraco, mas, como era estrangeiro e falava bem inglês, provocava um respeito cauteloso e os machões me poupavam por minha habilidade em dar-lhes "cola" em "spelling", soletrando palavras de raiz latina que, para eles, eram enigmas.
Algumas meninas saíram comigo para beijos na boca e nada mais, claro. Mas, Brenda, mais pirada e sexy, me largou e sumiu com Warren Caputo, italiano que tinha um "hot rod" com pneus de trator. Eu não era "legível" para eles. Eu navegava naquela cultura obsessiva e, bem ou mal, conseguira namorar Melinda Mills, loura pálida, filha de um "ex-marine" que estivera no Rio durante a guerra e que me mostrou um cartão postal do Mangue, onde ele certamente conhecera a Zona e as polacas. Melinda me amava, ela também frágil e boba, e nos beijávamos no cinema onde assistimos An Affair to Remember - lembro-me.
Mas, havia uma outra América dentro da cidade: os negros. Eles passavam de cabeça baixa, o rosto torcido de humilhação, num ódio sufocado e inútil. Amontoavam-se no fundo dos ônibus, em pé, mesmo com os carros vazios e moravam num bairro de madeira e terra, perto do braço de mar onde os barcos pesqueiros de camarão fediam. Aquela injustiça me espantava pela falta total de compaixão, eu que vinha de babás negras me beijando, eu que amava as mulatas cariocas lindas que já povoavam meus desejos aos 15 anos. Eu só via gente negra moldada pelo sofrimento e exclusão, disformes, deprimidos, frágeis mulheres engelhadas, jovens pretos trêmulos e esfarrapados. No ônibus amarelo do colégio, meus colegas louros, ruivos e brutos berravam contra os negros que passavam: "Hey, 'nigger', por que teu nariz é tão chato? Hey, 'nigger', por que teu cabelo é pixaim?". Depois, na época da "integração racial", vi os mesmos negros sendo espancados pela ousadia de se banhar em piscinas públicas, onde aqueles brancos do meu passado jogavam ácido para queimá-los.
Eu tinha medo era dos brancos.
Até que, um dia, chegou a notícia devastadora. Tinha subido aos céus o satélite russo, o "Sputnik", girando como uma bola de basquete em órbita da Terra. Pânico na cidade. Desde 49, quando a Guerra Fria começou, com a explosão da bomba H pelos soviéticos, destronando a liderança dos destruidores de Hiroshima, os americanos esperavam outra catástrofe que viria quase como um filme de ficção cientifica como a A Invasão dos Feijões Gigantes. Em minutos, a cidade parecia um campo de refugiados, de perdedores, com cabeças inchadas, humilhados pelos comunistas invasores. No colégio, começaram "fire drills" incessantes, alarmes evacuando os alunos para porões e abrigos atômicos. O então senador Lyndon Jonhson berrou: "Brevemente estarão jogando bombas atômicas sobre nós, como pedras caindo do céu..."
No alto, o satélite Sputnik humilhava os americanos, com seus "bip bips" como gargalhadas de extraterrestre. A partir desse dia, lá em baixo, na cidadezinha da Flórida, eu mudei. Não para mim, mas para os outros.
Os colegas porradeiros me investigaram com perguntas: "Que você acha? Teu país gosta dos russos?". Eu tremia e escondia minha vaga admiração juvenil pelo socialismo. Eles me olhavam desconfiados: brasileiro, latino, sabe-se lá? Depois disso, não me pediam mais cola de palavras, mal me olhavam. O pai de Melinda, putanheiro do Mangue, não me cumprimentou de sua poltrona esfiapada. Melinda ficou mais pálida e nosso namoro definhou. Há muitos anos, eu vi o "choque e pavor" da América profunda. Essa era a época da chamada "silent generation", passiva e ignorante. Sua reação é a mesma dos fundamentalistas do "Tea Party" hoje. Sempre que algo acontece fora de seu controle, eles bloqueiam o presente e querem voltar ao passado. São mais perigosos que os islamitas guerreiros, que explodem trens e aviões, mas não destroem a economia mundial por rancor, vingança e racismo, como os pequenos canalhas que humilhavam os negros na Flórida quando eu apareci por lá. Vamos aguardar os idos de novembro, quando uma nova recessão pode ameaçar o Ocidente.

in 'O Estado de S. Paulo', 15.10.2013

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

I've been loving you

Otis Redding morreu brutalmente cedo, despenhado num avião aos 26 anos. Mas muito a tempo de entregar a alma toda ao soul e de encharcar a música popular americana com a explosão de um maremoto.
Gravou seis discos em vida e, três dias antes do eclipse total, o tantas vezes celebrado "Sittin' on the Dock of the Bay".
Ainda actuou no Monterey Pop Festival, a meca do rock psicadélico de '67, junto a nomes como Hendrix, Janis Joplin e a Big Brother, Simon & Garfunkel, Canned Heat, Jefferson Airplane, The Animals, The Who, os Mamas & Papas ou Ravi Shankar, abrindo caminho à nova onda que estava para vir.
Foi aí que se se pôde escutar um homem que só podia estar de rastos.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Lambreta



Vem dar uma voltinha na minha lambreta
Eu juro que eu guio devagarinho
Tu só tens de estar juntinho
Por razões de segurança
E se a estrada nos levar
Noite fora até mar
Páro na beira da esperança
Com a luzinha a alumiar


(de António Zambujo)

"O cultivo de flores de plástico"


"No fundo é isso. Ninguém nos vê. Somos invisíveis. A miséria é uma poção de invisibilidade. Quando as roupas ficam rotas, quando estendemos uma mão, puf, desaparecemos. Somos as pombas dos ilusionistas. Isto dava para um negócio, dava para ganhar a vida com os turistas. Levava-os a ver fantasmas numa cidade assombrada. Levava-os a verem-nos. Olhem, damas e cavalheiros, meninos e meninas, esta é a Lili, tem saudades de ser criança, tem no nariz o cheiro do tabaco dos dedos do pai e crostas nos braços, por aqui, por favor, cuidado com os pés, não pisem as camas, parecem cartões, eu sei, ali ao canto está o couraçado Korzhev, que se deixou ficar, com os ícones na lapela, sigam-me, é um deserto meio russo e traz o barulho do mar nos bolsos, atenção, cavalheiro, saia de cima do cobertor, vejam ali, ali ao fundo, uma genuína senhora de fato, que ainda há poucos meses andava a alcatifar o mundo, minhas senhoras e meus senhores, e ainda tem na voz restos da sua vida anterior, do tempo em que havia casas. Palmas, por favor. E eu ? Eu sou o Jorge, também invísivel como qualquer fantasma, vivo nas ruas. Obrigado, obrigado, e agora, se me permitem, vou comer a minha sopa que está a arrefecer há tantos anos."

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Old Friends


"Isso é a tua novela !", ainda hoje, 20 anos depois, me dói o disparate.
A novela, acusavam lá em casa, era a alienação. A novela eram histórias sempre iguais e mal contadas, mas isto ??? Isto era verdade e acontecia. Era magia. Era lindo. Porque raio me dizia ele aquilo ?
O meu pai sempre mostrou um interesse moderado pelo desporto.
Ver desporto, então, era inútil. Uma desinteligente perda de tempo. Não compreendia o drama de bola na mão, esta entra, esta não, o espectáculo de ver os melhores do mundo a decidirem jogos de vida ou de morte que podiam mudar a 1 segundo do fim. Aliás, nunca viu. E isso talvez explique tudo.
"Percebo que jogues, e gosto, hã, mas isso é uma novela."
Infâmia.
Só porque gravava a meia-hora de resumo semanal que dava aos sábados e, ao domingo, apenas o quarto período (os outros três vinham resumidos) de um jogo que acontecia a mais de 5 mil quilómetros de distância.
Não percebia o meu velho a perfeição da bola no cesto e desse ruído único, e que, ao ver e rever, a gente aprendia e que, depois, ao jogar a base com os amigos no campo do Belenenses, iamos replicar as assistências de sonho do Magic Johnson, os triplos do Larry Bird, mas (e aí confesso) nunca os slam dunks do Michael Jordan. Arte em movimento. Arte pura em slow motion.
Nessa altura, a NBA era uma paixão assolapada, mas daquelas que parece que chegam tarde demais. A velocidade a que as maiores estrelas estavam a abandonar o jogo eram uma chapada no coração. E esse amargo não perdoamos.
Então, com a sangria de absorver tudo o que havia para saber antes de morrer, lá vinha semanalmente a "Super Basket" para casa, a única revista que se vendia em Portugal com tudo sobre a National Basketball Association. Era espanhola, mas adiante.
E gravava os jogos no VHS lá de casa, enchendo quilómetros e quilómetros de fita, acumulando as caixas que a mãe depois plastificava com os recortes das vedetas.
Como a paixão era mesmo séria, ainda respondia aos anúncios que miúdos como eu punham na revista a pedir jogos antigos para a troca, miúdos espanhóis ou da Moimenta da Beira.
Ah ! e lá vinham por correio registado os sagrados Lakers v Celtics de '88 e os Lakers v Pistons de '89, ou todos os jogos onde pudesse apanhar o Magic e os ganchos do Kareem Abdul-Jabbar. Todos narrados em espanhol, mas eu aguentava. 
Showtime !
Ao entrar para a Faculdade, arrumei a bola, as revistas e as dezenas de cassetes.
O tempo era outro, surpreendente e muito novo.
E depois, fuck it, o Magic tinha-se retirado, e o Bird, e até o Jordan tinha migrado para o Baseball.
De vez em quando ainda via nas notícias os resultados de alguns jogos, mas já não conhecia as equipas e os campeões que lá andavam não me diziam nada e eu lembrava-me do que o Alfredo ensinava ao puto no 'Cinema Paraíso': "Vai-te embora e não regresses, porque não vais reconhecer ninguém. Um dia, mais velho, quando voltares, vais ver que está tudo na mesma." Qualquer coisa assim. 
Até ver um monstro de 2 metros de altura chamado LeBron James que afunda, lança longo e defende forte.
Regressou agora tudo em formato nostalgia. Como os velhos amigos que se amam e nunca se esquecem, embrulhadinha num canal do cabo com três letras: NBA.
E logo com um clássico: Celtics v Sixers de '88. Larry Bird de um lado, e o mítico Doctor J., do outro.
Esperem até começarem os playoffs.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O "Match Point" ao contrário



E Cate Blanchett, por favor !, que COURAÇADO !

'Blue Jasmine' é Cate Blanchett soaked and wet.

sábado, 28 de setembro de 2013

2 Clássicos (um novo e outro velho)



As escadinhas de Sto. Espírito da Pedreira. 
Subi-as porque vinha na Rua do Crucifixo para a Nova do Almada e queria ir ao Chiado.
E aí: "Louie Louie" !, abriu em Junho.
É uma loja de discos como sonhamos, e mora a meio dessas escadinhas muito lindas como são em Lisboa. Ali temos espaço e tempo e parece que é proibido e já não pode haver. Espaço ou tempo. Pago por isso. E trago os discos comigo num saquinho pequeno.
E no fim, ao cimo das escadinhas, ainda encontrar uma amiga ao telefone. Surpresa linda que é a vida !
Almoçamos ?

terça-feira, 24 de setembro de 2013

"Fim", por Mário de Sá Carneiro

 
(no passamento de Rolando Teixeira de Barros: "Andréée, você é um Príncipe !", e eu repunha-lhe o copo de uísque.)

it's you I hate


And now I feel the soft, pink flesh of my heart hardening


domingo, 22 de setembro de 2013

Court Central


«João Tiago estava cansado. Aliás, meio adoentado, putos na escola e começam a chegar as viroses umas atrás das outras. Além disso, o dia tinha sido duro e ainda lhe doíam as pernas do duelo com o mano Raspa (o velho Rasputine) na véspera. Ainda pensou, "epá vou ligar ao Junkas a dizer que passamos para a semana", mas logo se lembrou do velho código de honra segundo o qual se te desafiam, tendo tu ganho um jogo, tens de aceitar a desforra. E sabe que Junkas, tal como Raspa e outros competidores natos, não vão de modas nestas coisas. O código é para cumprir, ponto final parágrafo.
E assim foi. Lá chegou, 10 minutos atrasado ao mítico CIF, onde tinha encontro marcado para o Central. Junkas ligara a dizer que estava atrasado. Por isso, aproveitou para dar uma espreitadela no campo Dr. Pinto Basto onde Calhas ensinou os primeiros passos na bola a um jovem Miranda, então ainda não neocon. João Tiago, cada vez mais vermelho, sentiu-se estranho. Aquilo não é o seu mundo. E é por isso que ainda se ri de todas as Senhoras de belo apelido que encontra como Advogado, mas capazes de fanar uma ama ou empregada de toda a vida, porque isto de ter o seu pobre custa dinheiro à família, não é ?
Bem, adiante. Junkas chegou, motivadíssimo, e lá foram para o Central. João Tiago, aconselhado por Raspa, vinha de branco dos pés à cabeça. Já Junkas optou por um vermelho Agassi. Aquecimento, e João Tiago sente Junkas mais forte. As pernas também pesavam. Olhava em redor e confirmava o que Raspa dizia: homens bebiam o seu gin, viam o ténis e falavam dos seus jogos, enquanto as mulheres tomavam conta das crianças: "Pureza, filha, venha cá, chame a sua irmã Benedita, que já aqui estão as laranjadas".
E Junkas, cada vez mais forte, a bater no fundo. João Tiago ofegava: "mas o que é que estou aqui a fazer, foda-se? Um suburbano de Carnaxide, nado e criado no Jamor, que agora bate umas bolas no Paço do Lumiar onde a velha que reserva os campos, a Dona Clara, é uma ganzada dos pés à cabeça, e agora aqui, de branquinho, a correr atrás de um Junkas que parece um Adamastor". "És mesmo idiota !", pensou.
E agora era o Salvador que chegava para a laranjada com as manas. Bem, lá começámos. Só há uma hipótese, despachar isto asap. Primeiro set. Depois de um primeiro jogo, a serviço de João Tiago, renhidíssimo, dá por si e, pimba !, já está, 5-0. Confiante, fecha aquilo por 6-1. E aí parou: "epá, que jeito dava agora o Calhas para dizer, como no sábado, "epá, já acabou, vamos embora, apita lá", mas nada, lá vamos para o segundo set. "Bem, seja lá o que Deus quiser, toca a não falhar uma bola no fundo, arriscar quando o ponto já está muito grande, para evitar o cansaço", e zás, 3-0 para João Tiago. Junkas reduz para 3-1. João Tiago avança e faz 4-1 e pensa, "está quase". E agora era uma Benedita que pedia uma limonada à mãe. Continuávamos, portanto, com fórum. João Tiago abranda um pouco e Junkas Iceman reduz para 3-4. Foi quando as forças já morriam. "Tenho vontade de chorar, quero-me ir embora, estou morto e não quero ir ao terceiro set."
Já Junkas estava confiante. E a puta da Benedita era boa como o cacete.
Bem, João Tiago serve para 40-0, Junkas reduz para 40-30, e foi o terror ! Mas aí João Tiago lembrou-se de Raspa e do que este lhe ensinou, a não dar abébias, e pimba ! 5-3, e mais um esforço e fecha a 6-3.

Olhou em redor e já não havia nem Pureza, nem Salvador, nem a puta boa da Benedita. Pensou, "epá isto é muito bom, vou para casa e, mal ler isto, tenho a certeza que depois de 2 horas e 15m de ténis, que o Miranda me vai dar permissão para sábado jogar a passo, de mãos nos bolsos. Tomo banho e vejo a boa nova do fdp do Costinha ter sido enrabado em Florença. E agora vou dormir e sonhar com um sorteio na bola de sábado em que jogarei com Calhas mister patrão a cobrir a defesa, os dois manos Gis, mais o Bruno coice de mula e o Raspa enzo perez e alan shearer, para poder mesmo não tirar as mãos dos bolsos. E com um email do neo tonto a dizer, "epá, deixem-no jogar assim que o rapaz merece". E venha de lá também a Benedita ou a Pureza em sonhos meias desnudas. Amen.»

by João Tiago

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Dead and Gone



If you do, you know I'll follow you
Until the truth is known

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

11 de Setembro (de 1973)

9.10 a.m
"Seguramente ésta será la última oportunidad en que pueda dirigirme a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de Radio Postales y Radio Corporación. Mis palabras no tienen amargura sino decepción Que sean ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron: soldados de Chile, comandantes en jefe titulares, el almirante Merino, que se ha autodesignado comandante de la Armada, más el señor Mendoza, general rastrero que sólo ayer manifestara su fidelidad y lealtad al Gobierno, y que también se ha autodenominado Director General de carabineros. Ante estos hechos sólo me cabe decir a los trabajadores: ¡Yo no voy a renunciar! Colocado en un tránsito histórico, pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que hemos entregado a la conciencia digna de miles y miles de chilenos, no podrá ser segada definitivamente. Tienen la fuerza, podrán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen ni con la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos.
Trabajadores de mi Patria: quiero agradecerles la lealtad que siempre tuvieron, la confianza que depositaron en un hombre que sólo fue intérprete de grandes anhelos de justicia, que empeñó su palabra en que respetaría la Constitución y la ley, y así lo hizo. En este momento definitivo, el último en que yo pueda dirigirme a ustedes, quiero que aprovechen la lección: el capital foráneo, el imperialismo, unidos a la reacción, creó el clima para que las Fuerzas Armadas rompieran su tradición, la que les enseñara el general Schneider y reafirmara el comandante Araya, víctimas del mismo sector social que hoy estará en sus casas esperando con mano ajena reconquistar el poder para seguir defendiendo sus granjerías y sus privilegios.
Me dirijo, sobre todo, a la modesta mujer de nuestra tierra, a la campesina que creyó en nosotros, a la abuela que trabajó más, a la madre que supo de nuestra preocupación por los niños. Me dirijo a los profesionales de la Patria, a los profesionales patriotas que siguieron trabajando contra la sedición auspiciada por los colegios profesionales, colegios de clases para defender también las ventajas de una sociedad capitalista de unos pocos.
Me dirijo a la juventud, a aquellos que cantaron y entregaron su alegría y su espíritu de lucha. Me dirijo al hombre de Chile, al obrero, al campesino, al intelectual, a aquellos que serán perseguidos, porque en nuestro país el fascismo ya estuvo hace muchas horas presente; en los atentados terroristas, volando los puentes, cortando las vías férreas, destruyendo lo oleoductos y los gaseoductos, frente al silencio de quienes tenían la obligación de proceder. Estaban comprometidos. La historia los juzgará.
Seguramente Radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz ya no llegará a ustedes. No importa. La seguirán oyendo. Siempre estaré junto a ustedes. Por lo menos mi recuerdo será el de un hombre digno que fue leal con la Patria.
El pueblo debe defenderse, pero no sacrificarse. El pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco puede humillarse.
Trabajadores de mi Patria, tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo en el que la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor.

¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!

Estas son mis últimas palabras y tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano, tengo la certeza de que, por lo menos, será una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición."
(último discurso de Salvador Allende, Radio Magallanes, 11.09.1973)


Há mais onzes de Setembro para além do 11 de Setembro.

Barack Obama: Prémio Nobel da Paz 2009


via Buiça: "credit where credit is due"

terça-feira, 10 de setembro de 2013

(always) number One


U.S. Open '13

Nadal       6  / 3  /  6 / 6
Djokovic   2 / 6 /  4  /  1

Duração do encontro: 3h21m.

Disclaimer: ganhar não é tudo.