Só tu, Chalana, para nasceres no dia 10 e partires em outro 10. Estas coisas não acontecem por acaso. Para mim o 10 eras tu. O primeiro que vi jogar com a camisola mais bonita que há no mundo.
Na altura, não sabia ainda muito, mas sabia uma coisa: gostava de te ver receber a bola no colinho e como ela se aninhava, como um novelo que depois desfiavas até à baliza. Mas sem cuidado e sem paciência. Como um gato que não sabe se está cá amanhã. De repente reviravas o novelo, a cabeleira ganhava força e com a espinha toda torcida e pézinhos de desequilibrista, já só eras vertigem, finta e loucura. Suor e saliva com o fio de ouro a balouçar, e a tragédia toda no corpo. P'ra alegria do terceiro anel.
Vais cedo, mas foste a tempo. De um último golo. A ceifeira podia esperar. Um pouco mais, velha maldita. Ainda não terminei. Só mais um pouco. Valsa comigo, vá. Os putos estão a jogar. O Araújo até já marcou. Tão bonito isto, não achas ? Agora, para a esquerda. E, hop!, puxo-te para a direita. Sai remate, e olha, mais uma vitória do Benfica na Europa.
Estás a ver, velha gaiteira ? Eu disse-te que já ia. Era só mais um bocadinho.