'Frozen' da Walt Disney
domingo, 29 de dezembro de 2013
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
domingo, 22 de dezembro de 2013
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Pearl Plágio
A discussão é antiga, mas o mal das cópias é que só raramente superam os originais.
Há uma canção dos Pearl Jam que não consigo ouvir: "Down", um lado B do single 'I am Mine' de 2002, mais tarde compilada para o álbum de hits "Lost Dogs". Parece que sempre que começa vêm aí os Xutos & Pontapés.
Não dá, porque a entrada e o refrão são a cópia cuspida do "Maria", do álbum '88' de 1988 e não falem em inspiração.
Gosto muito dos PJ e ninguém é perfeito, mas isto é rip-off.
Há uma canção dos Pearl Jam que não consigo ouvir: "Down", um lado B do single 'I am Mine' de 2002, mais tarde compilada para o álbum de hits "Lost Dogs". Parece que sempre que começa vêm aí os Xutos & Pontapés.
Não dá, porque a entrada e o refrão são a cópia cuspida do "Maria", do álbum '88' de 1988 e não falem em inspiração.
Gosto muito dos PJ e ninguém é perfeito, mas isto é rip-off.
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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Peter O' Toole (1932 - 2013)
“I did quite enjoy the days when one went for a beer at one’s local in Paris and woke up in Corsica.”
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
El Calafate - 4º e 5º dias
(o Perito Moreno, por Eduardo Salavisa, tirado daqui)
Aterrámos numa terra pequena, quase deserta mas servida por um moderno aeroporto, limpo e arrumado. Vínhamos à procura do Perito Moreno, o gigantesco e impressionante glaciar do Sul da Argentina que faz fronteira com o Chile. O céu estava limpo e o ar gelado.
El Calafate é o nome de um arbusto muito comum que dá umas pequenas bagas, tipo groselhas, que utilizam para fazer o doce de Calafate.
Instalámo-nos no Hotel Michelangelo, uma pequena casa em madeira que dava para a rua principal e fomos conhecer a terra. Tudo aqui são casas em madeira e há três, quatro ruas. Há alguns pinheiros mas tudo parece bastante seco. Procurámos alguém que nos levasse ao Perito Moreno e marcámos lugares numa camioneta para o dia seguinte. Entrámos numa pequena loja que vendia acessórios para as expedições onde folheei alguns livros para saber mais sobre amanhã.
À noite, de botas calçadas e cercados por montes gelados, parámos num restaurantezinho. Pedi a rara "merluza negra" grelhada e um vinho branco da Adega Lopez.
Conhecemos Ehud, um israelita simpático que também vai ao Perito Moreno. Acaba a jantar na nossa mesa. Provoco a questão israelo-árabe e ele altera-se. Diz que não percebemos. Não enquanto não assistirmos a um autocarro com crianças a ir pelo ares.
Fomos dormir.
Acordámos cedo.
Uma camioneta gasta e com o vidro da frente todo estalado veio-nos buscar.
Andámos cerca de 80 kms numa estrada sinuosa e ainda em construção. Não há nuvens e o sol aquece um pouco.
Dizem que temos sorte, que é a melhor forma de alcançar o glaciar.
À medida que nos vamos aproximando, apercebemo-nos de pequenos icebergues e pedaços de gelo do tamanho de casas a boiar na água límpida e azul turquesa do Lago Argentino, o maior lago de água natural da Argentina. São já o resultado dos desprendimentos do Perito Moreno.
Chegamos e é assombroso ! Nunca nada de semelhante. O motorista trafica-nos um conselho: não peguem na máquina fotográfica e tirem a fotografia com os vossos olhos, prolonguem o momento até que ele entre no fundo, que um dia quando estiverem nos vossos escritórios vão fechar os olhos e lembrar-se disto.
É enorme ! Parece que um dia foi um oceano desprevenido que veio desaguar nestas montanhas e que aquí se quedó para sempre congelado. Branco, azul, cheio de fracturas que a tempo darão lugar a novos desprendimentos e a mais icebergues.
Oiço trovões tremendos, que afinal são o som dos blocos enormes do glaciar a desfazerem-se contra aquele chão de água: esmagador. Depois vão-se escutando pequenos "cracks" do gelo que estala com a pressão.
A Cristina deu-me a máquina para as mãos. Não queria que eu perdesse a altura dos desprendimentos. Para depois mostrar em Lisboa.
Só que, tolhido por aquela demonstração de força da natureza, não me mexia, incapaz de reagir no timing certo, parado a olhar de respiração cortada. "Então, não tiraste ?" E eu... sem forças. Nem ao menos para impedir que me arrancasse a máquina do colo.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Testamento Político
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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Mandela (1918 - 2013)
“When a man is denied the right to live the life he believes in, he has no choice but to become an outlaw.”
Nelson Mandela
Old pirates, yes, they rob I;
Sold I to the merchant ships,
Minutes after they took I
From the bottomless pit.
But my hand was made strong
By the 'and of the Almighty.
We forward in this generation
Triumphantly.
(...)
Emancipate yourselves from mental slavery;
None but ourselves can free our minds.
Have no fear for atomic energy,
'Cause none of them can stop the time.
How long shall they kill our prophets,
While we stand aside and look? Ooh!
Some say it's just a part of it:
We've got to fullfil the book.
Won't you help to sing
This songs of freedom
'Cause all I ever have:
Redemption songs;
Redemption songs;
Redemption songs.
This songs of freedom
'Cause all I ever have:
Redemption songs;
Redemption songs;
Redemption songs.
'Redemption Song', 1980 - Bob Marley
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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Freedom !
Emociono-me sempre que vejo alguém defender a liberdade de expressão e a liberdade de informação, para mim as duas maiores bênçãos da Democracia.
Ontem, o editor do 'Guardian', Alan Rusbridger, prestou depoimento perante uma comissão parlamentar em que reiterou a decisão de publicação do material cedido pelo agora proscrito e perseguido ex-NSA, Edward Snowden.
A certa altura, perguntaram-lhe: Do you love this country?"
A resposta:
"We live in a democracy and most of the people working on this story are British people who have families in this country, who love this country. "I'm slightly surprised to be asked the question but, yes, we are patriots and one of the things we are patriotic about is the nature of democracy, the nature of a free press and the fact that one can, in this country, discuss and report these things."
Ontem, o editor do 'Guardian', Alan Rusbridger, prestou depoimento perante uma comissão parlamentar em que reiterou a decisão de publicação do material cedido pelo agora proscrito e perseguido ex-NSA, Edward Snowden.
A certa altura, perguntaram-lhe: Do you love this country?"
A resposta:
"We live in a democracy and most of the people working on this story are British people who have families in this country, who love this country. "I'm slightly surprised to be asked the question but, yes, we are patriots and one of the things we are patriotic about is the nature of democracy, the nature of a free press and the fact that one can, in this country, discuss and report these things."
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terça-feira, 3 de dezembro de 2013
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Buenos Aires - 3º dia
(foto: cristina)
Até nem estava frio, mas de manhã recebo bem aquele arzinho seco que acorda e limpa a noite toda da cara.
Na Recoleta, bairro nobre da cidade, na avenida Aranales, vêem-se lojas finas, lojas caras com montras requintadas e as pessoas são distintas e estão bem vestidas. Sapatos engraxados, sobretudos escovados, um ou outro chapéu e bigodes aparados. As senhoras, muito europeias e de costumes antigos, têm o cabelo armado, bolsas de pele e tomam o chá que é trazido numa bandeja (onde também vem o tabaco) por empregados de casaco branco e laço ou gravata preta.
Dizem-nos que temos de ir ao "San Juanino", em Posadas, provar as empanadas. Obedecemos porque vemos que é carinho e cheiravam a delícia terrivel. Ou a fome é que já fala à bruta.
Continuamos a coleccionar bairros.
Palermo Viejo é uma área de habitações assim estranha. Os prédios velhos e decadentes e as ruas um bocado sujas contrastam muito com as cores alternativas com que pintam outros que têm mais sorte e estão entregues a malta nova e revolucionária. Há também muitas lojas que vendem coisas modernas, coloridas e originais.
Já é noite porque o tempo é supersónico quando não olhamos para ele.
Abençoados por essa graça, eis Gerardo Gandini, a surpresa inesperada. Como só acontece quando se faz amor raro com o mundo e não se preparam calendários ou menus.
Às oito e meia descíamos a 9 de Julio sem pensar para onde, já em frente ao magnífico Teatro Colón. Num flash de lince a Cristina repara no cartaz colado na parede que anunciava:
Tangos en el Colón
Funcíon Extraordinaria, Hoy, 20h30m, Gerardo Gandini interpreta Piazzolla
Era aquele o dia. Era a hora. Estávamos ali. Maestro Gerardo Gandini, pianista, antigo membro do sexteto de Piazzolla, a solo.
E bilhetes a 5 pesos !!! Minha mãe, €1,50 para ouvir tocar um Maestro ! E lugar num camarote. É Milagre com 'M' grande.
Aos primeiros acordes já nos benzemos. E ao nosso lado, um velhote acompanha os tangos que conhece de cor, "TutuTurututu, Tuturururu ruru ruru ru"
Genial !
De manhã mandámos uns e-mails para Lisboa.
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She
domingo, 24 de novembro de 2013
Requiem por ti
Fechou o Londres. Não agora, há pr'á aí um ano.
Fechou o Quarteto,
o Mundial,
fechou o Ávila. O Turim e o Cine 222. E o São Jorge é só para festivais. E o Cinema Roma acho que nem isso.
Para não falar do Condes, do Europa, do Império, entregue à seita brasileira (crime à cidade !) ou dos Alfas.
No Caleidoscópio, ali para os lados do Campo Grande, também houve uma salinha. E até o Restelo teve um cinema no bairro, onde vi o 'Regresso ao Futuro', quando era puto.
Fecham os cinemas todos de rua.
Mas há centros comerciais e cheiro a gordura e a milho cozinhado.
Que porra !, não poder ir ao cinema, só cinema. De ter que atravessar corredores de lojas e de gente desalmada que vai para outro lado, ou vai se calhar às multi-hipóteses de outras 20 salas, e tanto lhes faz porque só quer encher barriga.
Futuro de merda. Ir ao cinema não é só aos filmes. É deixar o carro na rua e não me soterrar no inferno de um parque debaixo do chão. É ver pessoas e os bairros da cidade e as ruas, e isto assim, isto faz mal.
Sobrevive o Nimas, o Monumental vá, o Alvalade e o Fonte Nova, que é Centro, mas a gente perdoa-lhe. E agora foi-se o King.
Fechou o Quarteto,
o Mundial,
fechou o Ávila. O Turim e o Cine 222. E o São Jorge é só para festivais. E o Cinema Roma acho que nem isso.
Para não falar do Condes, do Europa, do Império, entregue à seita brasileira (crime à cidade !) ou dos Alfas.
No Caleidoscópio, ali para os lados do Campo Grande, também houve uma salinha. E até o Restelo teve um cinema no bairro, onde vi o 'Regresso ao Futuro', quando era puto.
Fecham os cinemas todos de rua.
Mas há centros comerciais e cheiro a gordura e a milho cozinhado.
Que porra !, não poder ir ao cinema, só cinema. De ter que atravessar corredores de lojas e de gente desalmada que vai para outro lado, ou vai se calhar às multi-hipóteses de outras 20 salas, e tanto lhes faz porque só quer encher barriga.
Futuro de merda. Ir ao cinema não é só aos filmes. É deixar o carro na rua e não me soterrar no inferno de um parque debaixo do chão. É ver pessoas e os bairros da cidade e as ruas, e isto assim, isto faz mal.
Sobrevive o Nimas, o Monumental vá, o Alvalade e o Fonte Nova, que é Centro, mas a gente perdoa-lhe. E agora foi-se o King.
(foto: andré raposo)
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sexta-feira, 22 de novembro de 2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
terça-feira, 19 de novembro de 2013
sábado, 16 de novembro de 2013
Grand Slam
Voltariam a encontrar-se. Agora no 1º round do Torneio dos 111 anos do CIF. Difícil haver melhor local, mas quanto custa uma final antecipada...
Quando um dia se escreverem as crónicas das grandes batalhas do
ténis amador lisboeta, dois nomes vão sobressair.
Quando a distância e o tempo permitir que se falem das grandes
rivalidades da primeira metade do século XXI, Junqueiro, Iceman JunKas, e andré (aka Rasputine), vão preencher os anais.
Quando já for a lenda a contar o que foi aquela partida, as novas gerações vão aprender duas coisas: que Junkas é capaz de recuperar o fôlego umas 500 vezes de pura frieza mental, e que Raspa tem a garra de um cão.
Meus senhores, o que se viu hoje no nº 6 do CIF, não foi um jogo, foi uma luta épica pela sobrevivência. Como é sempre que jogam.
Para a multidão que assistia nem faltou o tira-teimas do
terceiro set, e mesmo durando há duas horas e quase meia, e as famílias já cobrassem e o ucraniano que arruma o court só olhasse para o relógio, ninguém arredaria o pé.
Reparem que quando no primeiro set, se alternavam os pontos ganhos, ora Raspa, ora Junkas,
ninguém podia adivinhar o vencedor, mesmo com o match-point em 5-4, a favor de Raspa mas este fosse, afinal, o canto do cisne.
Do outro lado, o muro imperturbável de Junkas, senhor de uma capacidade atlética invulgar construída no rugby federado (vê-se bem o carácter que um Benfica molda num homem), não se deixou melindrar e, com o rasgo dos predestinados, empatou a partida nos 5-5, levando o jogo para a incerteza dos penalties onde cada erro é fatal. E foi aí, na
tranquilidade de um cruzeiro que já cavalgou as ondas de 20 metros, que acabou por vencer o primeiro set num esclarecido 5-7 a um Raspa pronto para arrancar o próprio escalpe.
Reviravolta conseguida.
Mas Raspa não podia deixar mal quem aposta em puro sangue.
Briguento e aquecido pelo motor todo em explosão, atacou, atacou e atacou. Foi buscar o serviço e começaram a brotar ases. Quando já tirava smash-slams como se fossem cafés parecia o Pete Sampras. Claro que a barragem que estava do outro lado não
deixava de devolver, e continuava a bater ora fundo, ora curto, ora longo, ora rede. Junkas sem baquear. Um poço de gelo, sempre em economia de esforço, a fazer saltar um Raspa que já era um galgo numa corrida de Inglaterra.
Os números do segundo set só reflectem as ganas de um homem
despeitado. Depois de um rápido 4-0 inicial, Junkas ainda reduz para 4-1, mas Raspa não podia cair outra vez no canto da sereia e arrancou, em puro braço de ferro, o 5-1. Números enganadores porque Junkas não dá abébias. No way. Daí a rivalidade actual. E o último jogo ainda chegou aos 40-40.
Vantagem para um, vantagem nula, vantagem para outro, vantagem nula. Ninguém a desfazer. Ninguém a declarar derrota. Ninguém a erguer a bandeira branca.Depois de uma demorada troca de bolas (se alguém as tivesse contado, saberia que foram 24), eis uma que decide morrer no lado mais gelado do court, fechando o 6-1 do segundo para Raspa. Empate e tudo remetido para a negra.
Há dias em que ninguém merece vencer, mas é um torneio e vamos para o terceiro set.
Começa melhor Raspa, ainda embalado, apontando um 3-1.
Junkas recupera e empata a 3-3, altura em que Raspa duvida de si e pergunta para quando ver-se livre disto. A resposta chega com jogo para Raspa, e 4-3. Junkas repete a graça do primeiro set e 4-4.
Raspa mergulha no poço da suas forças à procura de uma luz e consegue chegar ao 5-4.
Mais uma vez, na frieza de quem até pode perder, mas só por cima do seu cadáver, Junkas atira tudo para um 40-15 à maior, a que Raspa devolve ao empate 40-40 porque não se podia repetir o passado. E então, numa absoluta troca de vantagens, acaba Raspa por levar Junkas de vencido. Fim. 6-4.
Cumprimentos apresentados, com o amargo de não poderem disputar o troféu na final.
O corpo regressou quebrado de mais um mano-a-mano, chegou a pensar que ainda lhe dava ali alguma coisa, mas há dias assim, em que só um pode vencer.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
domingo, 10 de novembro de 2013
Buenos Aires - 2º dia
(foto: cristina)
Quando viajo é para me levantar cedo e atirar-me para as ruas. Um miúdo numa loja de brinquedos. Tomar um grande pequeno-almoço e submergir. Chupar tudo. Engolir mais.
Decidimos apanhar um táxi (a preço de saldos) e ir para 'La Boca'. Bairro pobre, do Caminito, canción. Gardel. Bairro rafeiro de navalha à cintura e tatuagem nos braços. Rostos trigueiros e rostos traçados de rugas. De olhos rasgados e cicatrizes na alma que nos miram desconfiados. O estrangeiro aqui é penetra. Não se contam os segredos de família e não se diz de quem é o filho. Bairro azul, amarelo, verde, vermelho. Cores violentas. Berram ao máximo. Cores puras. Verdadeiras, sem meias-tintas. Bairro do clube más lindo. Clube do povo. Operário. Fiquei Boca acho que logo.
Entramos num velho café de esquina, de portas que chiam. Em Buenos Aires, tropeçamos neles. Fumo um cigarro ou dois. Olho bem para as pessoas. Jornais espalhados no balcão. Escuto as conversas do dia. Dois velhos de voz rouca comentam o jogo da véspera. Têm um charuto nos dedos e pedem um uísque. O cabelo branco puxado atrás, muito penteado. Oiço aquele espanhol açucarado, cantado, espanhol meio italiano meio brasil de tantas emigrações. De tanta gente. Fico apaixonado. Falo com eles. Como eles. Falamos dos tempos maus. Da ditadura. De Ménem e do futuro Kirshner. Da economia. Deliram porque vão correr com a Repsol do país. Falo de Portugal. Querem saber da Europa como se fossem primos. Distraio-me e olho pela janela baça. Que longe de Lisboa!
Deixamo-nos estar um bocado mais por ali. Acho que arranco um bife de chorizo, puro sangue. Alto e grosso. Cheio de carne.
Regressamos ao centro e percorremos as avenidas largas e que não acabam. É quando a Cristina encontra um Teatro construído com histórias. A "Ateneu". Agora é celebre. Subimos aos camarotes para ver os romances. Na plateia, a política e a história. No primeiro balcão vejo livros de cinema, música, fotografia e arte urbana. Pegamos nuns, olhamos para outros e acabamos no segundo balcão com as obras dos embaixadores. Piazzolla e "Fervor de Buenos Aires" do J.L. Borges.
Não sei se ainda existe, mas no "Camaná" partilhámos, finalmente, o primeiro mate, espécie de chá feito da erva com o mesmo nome que levam com eles para todo o lado.
Insuportavelmente amargo. Cometemos o pecado capital. Juntamos açúcar porque tinha que ser. Quando o amargo acaba de afastar o intruso, esvai-se completamente como se fosse por um cano à parte e deixa um sabor calmo debaixo da língua. A vida é boa.
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