quarta-feira, 29 de junho de 2016

O elogio à Europa nos pés dos portugueses


(foto: Gerardo Santos)

«Não tenho outro modo de dizê-lo: aquele jogo - e aquele golo em particular - encheu-me de esperança. A equipa suportava-se em boa parte sobre um triângulo de luso-franceses, filhos de emigrantes. Entretanto, defendia.
A dado instante, um rapaz da Beira Litoral salvou in extremis uma cabeçada para o poste. Então, um homem de 32 anos que se estreava entre os maiores naquele mesmo dia lançou num ilhéu da Madeira. Num ápice, este colocou num negro de origem são-tomense, que deu num mestiço vindo de Cabo Verde, que voltou a colocar no ilhéu, que permitiu a um cigano a recarga vitoriosa.
Era Portugal todo num só lance - toda a nossa força, toda a diversidade sobre que nos construímos, toda a nossa História. E não foi apenas o primeiro triunfo no Europeu: foi a primeira vez que a declaração de intenções do comandante pareceu ter a mínima razão de ser.

(...)
"Futebol nojento", diziam os tais franceses? Nem precisam de pedir desculpa: se calhar é nojento mesmo, com tudo o que isso tem de redentor. (...)»

"Nojentos, com muito gosto", por Joel Neto
in 'Diário de Notícias', 28.06.2016

"Tuyo", de Rodrigo Amarante


sexta-feira, 24 de junho de 2016

Small Britain



Há muito que a Deseuropa cheirava a madrugada. Como se costuma dizer, os sinais estavam a pipocar.
Costuma-se também dizer "be careful with what you want...", mas tenho pena pelos irmãos irlandeses e escoceses, e pelos galeses e também pelos ingleses, porque algures no meio do caminho alguém se esqueceu de lhes lembrar porque é que o seu (Divided) Kingdom entrou na CEE. E tinha, essencialmente, a ver com guerra. Claro, também havia o mercado. Oh, sim.

A História acontece, certo, mas é penoso assistir a um retrocesso. Principalmente se se tratar de um retrocesso dos povos. A nível político, económico e, sobretudo, europeu.
Preocupa-me porque acredito na unidade, mais do que no egoísmo. Na diversidade, mais do que no unilateralismo, na partilha, mais do que na competição. 
De outro modo, caminhamos cada vez mais para o eixo franco-alemão (que é mais Merkel do que Hollande) e para o Directório Juncker.
Enfim, foi o mais puro conservadorismo a vencer. O mais abjecto populismo que clamava por um Independence Day (que, by the way, sempre negaram à Escócia).
Não tem nada de futuro. Tem tudo de passado. Perigoso.
Mas, que se lixe !, a vida continua.

"A thousand natural shocks", por Pedro Santos Guerreiro



«(...) primeiro o que virá depois: o projeto europeu é um projeto de paz e é esse projeto que agora está golpeado. A História da Europa será outra porque a União Europeia não será mais aquilo que era – nem aquilo que queria ser.

A Europa cismou tão obcecadamente na economia que deixou deslaçar a política, negando-se à interpretação óbvia de que o crescimento dos partidos extremos e populistas era a metastatização da própria insubordinação popular. Insubordinação ao “projeto europeu”, vazio de representação democrática e cheio de contradições paralisantes. A separação entre lideranças e povo tornou-se a superioridade de uns contra a força dos outros. O Reino Unido quer sair daqui, onde nos deixa em choque.

Muitos argumentos foram populistas, a força é popular. E é uma força de destruição, não de construção. Os novos muros na Europa começaram a erguer-se contra os imigrantes. Continuam a erguer-se agora contra a "livre circulação de pessoas, bens e capitais". Contra o espírito fundador da União.

O Reino Unido está ele próprio sob ameaça de desagregação. Os efeitos económicos imediatos serão devastadores, o PIB britânico contrairá, o desemprego, a libra, o investimento, a praça financeira, as relações comerciais serão mais ou menos afectadas conforme o processo decorra e se atenue ou acelere o processo de saída. Os partidos políticos britânicos serão virados do avesso, novos líderes assomarão, num reino que sai rasgado desta votação e não estará unido na absorção das suas consequências.

Mas é a União Europeia que é atirada da estrada sinuosa que percorria, para uma ribanceira imprevisível. O efeito dominó é inescapável: outros estados membros quererão referendar a permanência na União. O equilíbrio político reposiciona-se entre a Alemanha e a França, sem a força política britânica, que servia de contrapeso liberal ao proteccionismo gaulês. Os alemães nem devem acreditar no que acaba de acontecer. Não é um muro de Berlim, é um murro em Berlim. Até porque a própria liderança europeia, por difusa e instável que fosse, será mais contestada pelos demais países.

Londres acordou esta sexta feira debaixo de um sol quente, depois da chuvada matinal da véspera. Na madrugada, os resultados haviam provado que as sondagens estavam erradas – e que o euroceticismo (e a eurofobia) vencera o referendo. Na vertigem imediata, a libra e as Bolsas caíram a pique, os bancos centrais ativaram planos B e o primeiro-ministro David Cameron demitiu-se. O processo de saída está por definir, no tempo e nas medidas, mas é inexorável.
400 anos depois da morte de Shakespeare é nele que ainda encontramos tudo o que nos define. O poder. As nações. A política. A perfídia. As pessoas. “And the thousand natural shocks” de Hamlet. E os mil choques naturais que nos consomem e que não controlamos, mesmo quando os provocamos. Desejar que este seja o início de um movimento regenerador de uma União Europeia doente é uma forma de ter esperança. Mas essa esperança não se anuncia sem um movimento político com liderança forte e que esteja legitimado pela representação popular, que una em vez de dividir, que partilhe em vez de impor, que continue a acolher e não passe a rejeitar. Hoje, é mais o medo que a incerteza que nos oprime a ação. Mas é isso que precisamos: "To take arms against a sea of troubles".

Enfim, não é o fim do mundo. É só o fim da Europa.»

in 'Expresso', 24.06.2016

quinta-feira, 23 de junho de 2016

mas brincávamos, ou quê ?


Led Zeppelin Win in 'Stairway to Heaven' Trial

Jury determines "Stairway" did not copy Spirit's "Taurus"

 


That's him in the corner

 

'Losing my Religion' vai no seu 25º ano.
Era bom quando esperávamos pelo lançamento de um álbum dos R.E.M..
Sim, confesso a nostalgia.

terça-feira, 21 de junho de 2016

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Home at last

«In Northeast Ohio, nothing is given. Everything is earned. You work for what you have. I'm ready to accept the challenge. I'm coming home.»

LeBron James, Julho de 2014

Eu disse que íamos ser testemunhas.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

quinta-feira, 16 de junho de 2016

quarta-feira, 15 de junho de 2016

"O que custa o amor", por Miguel Esteves Cardoso

«O amor sai muito caro. Traz-nos despesas imprevisíveis e insuportáveis de alma, energia, paciência, humilhação e tempo, indecentemente roubado ao pouco que temos.
O amor complica a vida até ao ponto em que a vida se começa a parecer com o desejo de morrer já.
O amor nunca é a solução. O amor é sempre – no sentido verdadeiro de eternamente, sem o mais pequeno alívio de uma só que seja desejadíssima interrupção – o problema que só se resolve através da morte.  Deixando de viver ou deixando de amar. Não há, como agora se diz, desnecessariamente, outra opção.
Amar é estar sujeito e deixar de ser sujeito. É depender de quem se ama. O amor está para a liberdade como um excesso de pandas está para a libertação de um único grilo.
O amor não é um substantivo. É um verbo: amar. É tragicamente que se consegue amar sem ajuda nenhuma de quem se ama – ou contra as mais poderosas objecções das pessoas mais nossas amigas. Nem se pode dizer que se consegue: é inevitável.
Amar é sujeitarmo-nos à vontade, tão deliciosa como escusada, de sermos amados e amadas por quem nos ama.
O amor é o primeiro passo que damos no caminho que nos ensina que somos secundários. Como é que a pessoa amada é mais forte ainda do que o nosso amor?
Não é. Amar é a bênção. Ser-se amada ou amado é apenas uma questão de sorte.
A sorte é imensa. Até por ser, sempre, maior do que nós: a sorte de amar.
O amor é a aflição de quem tem a sorte de sofrer sem razão. Amar, com ou sem alegria, resiste a tudo.»
 
in 'Público', 15.06.2016

Feira da Filha [mais pequena]

terça-feira, 14 de junho de 2016

Feira da Filha


- Pai, levas-me este livro ?

Feira do Filho


- Pai, este livro é muito interessante.


- Pai, quero saber tudo o que há no mundo !

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Não vou ao Porto, mas...

... levo o "cinquentão" comigo.

sábado, 4 de junho de 2016

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Duelos ao Sol


O calor tropical que assentava sobre a cidade recomendava uma esplanada, pedia a frescura de um gin tónico ou uma geladinha. E embora por toda a cidade já se vissem as fitinhas e balões dos Santos populares, aqueles dois rapazes quiseram esquecer que isto era Lisboa para experimentar jogar sob o céu de Maputo.
O calor tropical implorava uma esplanada, chorava uma bebida, mas aqueles dois quiseram provar o court central do Lisbon Racket Centre, às 13 horas da tarde.
Não era a primeira vez que jogavam, e não vai com certeza ser a última, mas aqueles dois tinhosos agora juraram suar todos os litrinhos do corpo ao ritmo de pancadas de bola.
Se o primeiro set já tinha sido renhido, com as bolas a caírem um pouco mais para o lado de Raspa, pintando o quadro a 6-4, o segundo foi pior. E o céu com aquela estranha orla feita de nuvens, bafo e humidade.
Raspa bem explica ao seu amigo Tommy "Alheira" que quando joga ténis, não joga para ganhar (embora não pense noutra coisa ao longo do jogo), nem joga por prazer (se a vida fosse só prazer estava agora a chupar uma caipirinha ou um Daikiri). Não, Raspa joga ténis para resolver o problema que tem à frente. E que problema ? Tommy "Alheira" é da velha massa dos transmontanos, de Vila Real, habituado a calores infernais e a frios inclementes, e a dizerem-lhe que não. É o estilo de jogador que dá sempre mais um passo se isso lhe garantir chegar à bola antes. E ai de quem lhe prometa uma abébia. Capaz de lhe mandar com a raquete à tola.
O "Alheira" não é glacial, não é frio e imperturbável. Mas, caramba !, morde os dentes numa pedra e corre para chegar a todas. E é por isso que Raspa sabe, quando vê que a bola fez o ponto, que do outro lado foi feito tudo o que podia e não observa um preguiçoso habituado ao mimo da mãe. Podia facilmente sobreviver com ele em qualquer exército.
Desse outro lado, a vida é dureza, o que implica ir ao Dubai num avião e estar lá dia e meio para fechar uma obra ou, pior !, ir só em prospecção.
Desse lado, a vida não é fácil e por isso hás-de correr mais do que eu e suar mais do que eu, e servir, cruzar, bater melhor do que eu. Só assim podes merecer o almoço que vem a seguir.
E, por isso, a gente serve e cruza e bate, e tenta tudo para resolver o problema que está à nossa frente. E que, para cúmulo, ainda é canhoto !

Jogo ténis como se estivesse a fazer um puzzle, peça para um lado, peça para o outro, tentando encaixar o ponto da vitória. Se não dá, volto a tentar. Mais uma peça, mais outra, chamo-o à rede e saco o balão. Mas o sacana corre e consegue voltar atrás e apanhar a bola que já ia. Então faço um amorti, para o partir todo. O pior é se não dá, porque depois levo eu com a resposta, em jeito de chapada, só para não me armar em parvo.
O segundo set continuou como o primeiro. 1-0 para o meu lado, 2-0, mas logo vira e está 2-1 e 2-2. Percebo a chamada e faço o 3-2. Mas o "Alheira" empata depois de uma furiosa troca de bolas que teria feito levantar o público da galeria, se  este não tivesse só os olhos na salada que tem no prato.
Lembro-me «de querer arrancar / algum roçado da cinza», os versos de João Cabral de Melo Neto, no "Morte e Vida Severina" e inspiro-me. Meto o 4-3 e o 5-3. Olho para o céu. A orla continua lá. Que calor, meu Deus !
Nesta altura começo a pensar que a água que vou bebendo evapora antes de chegar ao estômago. E como tenho o serviço a meu favor só preciso de mais um esforço para o 6-3 e acabar de vez com o suplício. Quem não concorda é o "Alheira", pois está claro. Com dois passing-shots bem metidos desmoraliza-me logo. Mas respiro fundo e empato 30-30. O "Alheira" tem o demónio dentro do corpo, ou melhor, aquilo não é um, são todos os demónios do entrudo transmontano. E vence, reduzindo para 5-4.
Troca de campo e lá vou outra vez para o lado do sol que cega a vista. O que vale é que é ele a servir. Tudo a meu favor, pancrácio ! Mais um bocado e já vais tomar o banho gelado. Qual quê ?! Wrong again. Aguenta-te mas é outra vez, porque o "Alheira" já recuperou e empatou o jogo 5-5.
Sim, mas nem tudo está perdido. Finco os dentes numa pedra e 6-5 para o pôr na ordem. Só que o sacana do transmontano prometeu que hoje era até ao fim e mete as bolas todas no sítio que elas queriam, para fazer o 6-6. Tie break ?!? Motherfucker !
Compreendo então que só me resta sofrer, sofrer e sofrer, como diz o mano. E que na vida - como sempre tenho aprendido - só o trabalho vence. Por isso, trabalha rapaz. Trabalha se queres almoçar.
Agora estamos no último capítulo do 'Aconteceu no Oeste'. Só não sei se sou o Charles Bronson ou o Henry Fonda. É bom que seja o primeiro.
Começa melhor o "Alheira", mas o primeiro ponto foi apenas o epílogo do que chegaria em 15 minutos. E embora o braço já doa como se tivesse estado a pegar numa espada da Idade Média, começo a sacar cruzadas como se fossem imperiais e rapidamente chego aos 7-2 com que acaba o encontro. Posso finalmente ir descansar. Mas vou é trabalhar.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

domingo, 29 de maio de 2016

"No choren muchachos !"



Sabemos bem o que é perder uma TCE nos penalties.

domingo, 22 de maio de 2016

Nico


Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao...
Yo miro a Buenos Aires del nido de un gorrión;
y a vos te vi tan triste... ¡Vení! ¡Volá! ¡Sentí!...
el loco berretín que tengo para vos


'Balada para un loco'

Música: Astor Piazzolla
Letra: Horacio Ferrer

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Rock in River



I come from down in the valley
where mister when you're young
They bring you up to do like your daddy done
Me and Mary we met in high school
when she was just seventeen
We'd ride out of this valley down to where the fields were green

We'd go down to the river
And into the river we'd dive
Oh down to the river we'd ride

Then I got Mary pregnant
and man that was all she wrote
And for my nineteenth birthday I got a union card and a wedding coat
We went down to the courthouse
and the judge put it all to rest
No wedding day smiles no walk down the aisle
No flowers no wedding dress

That night we went down to the river
And into the river we'd dive
Oh down to the river we did ride

I got a job working construction for the Johnstown Company
But lately there ain't been much work on account of the economy
Now all them things that seemed so important
Well mister they vanished right into the air
Now I just act like I don't remember
Mary acts like she don't care

But I remember us riding in my brother's car
Her body tan and wet down at the reservoir
At night on them banks I'd lie awake
And pull her close just to feel each breath she'd take
Now those memories come back to haunt me
they haunt me like a curse
Is a dream a lie if it don't come true
Or is it something worse
that sends me down to the river
though I know the river is dry
That sends me down to the river tonight
Down to the river
my baby and I
Oh down to the river we ride

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Primero hay que saber sufrir

Primero hay que saber sufrir,
después amar, después partir
y, al fin, andar sin pensamientos,


É a parte mais bonita de um dos tangos que mais vezes pus a tocar em casa dos meus pais. 'Naranjo en flor' de Homero Expósito, na versão doída a tabaco do viejo Roberto Goyeneche.

São versos que não me largam a cabeça e começaram a tocar no último domingo mal deixei o Estádio da Luz a caminho de casa, para os braços da família. Campeões. Tri. Trinta e Cinco. A gente escreve que é para acreditar. Mas porquê um tango ? Porquê este ?
Talvez porque com o Benfica só possa ser assim. Fatal de belo.

Ainda o 34 não tinha encontrado lugar certo no museu Cosme, e já o treinador deixava o clube. E logo para o outro lado da rua. Daí a dor. Sim, porque isto é muito antigo. É que "... pior do que inimigos, eram irmãos", como mostra a capa do livro do Afonso Melo.
Sem que pudéssemos sequer bem respirar, quanto mais habituar-nos à ideia, zás !, o Maxi no Porto.
O Maxi, fônix !?!, o nosso Maxi ?! Não pode! Que usou a braçadeira e foi três vezes campeão nacional ? que levantou as taças da Liga e a mais bela de Portugal ? Que sobreviveu de punhos cerrados para o céu na batalha de Turim contra a Juventus ?
Que ingrato é o mundo.... Podia ser pior ?

O mano lá ia tentando o consolo lembrando que se lixaram sempre que nos espetaram assim.
Mas nessa altura o primeiro verso de Expósito era ainda uma criança. Se não fosse, tinha-me curado mais depressa. Primero hay que saber sufrir.

O ano, que ainda agora ia no princípio, trazia a sombra toda com ele. Como uma criança mal nascida ou receber no colo um prematuro. Segura bem que é muito frágil. Os miúdos, o novo treinador, os que chegavam à Portela, aquela pré-época, a Eusébio Cup a ficar no México, o nosso 10 sai-e-não-sai, e a Super-Taça a desaguar.... no fim das férias. Não digam mais por favor. 

Uma semana depois, começava o campeonato. Uma derrota à segunda jornada com o Arouca e uma vitória de cambalhota à terceira. Derrota com o Porto, mas vitória mítica no Calderón. Mas acreditamos em qual dos Benficas, catano ?
Até ao 3-0 contra o Sporting. Em casa. Ao intervalo.

Nessa altura, nesse tal de intervalo, comentei que podia haver ali uma desgraça. Sei lá, um 6-0, um 7-1, malta a atirar-se das arquibancadas. Confesso o fatalismo literário.
Mas.... não houve. E, pior, deixaram-nos vivos. Ouvi dizer.
Por volta dos 70 e tal minutos, o Estádio rebentou num coro de arrepiar colunas e eusébios:
"Eu amo O Benfica, lá, lá, lá, lá, Eu amo O Benfica, lá, lá, lá, Eu amo O Benfica !", com o jogo ali à frente.
Era a entrada para o segundo verso de Expósito: después amar.
Que mais podíamos fazer ? 
"O Benfica salva, o Benfica é amor.", diz o amigo velho. E o Jonas a meter golos.

Que mais podíamos fazer ?!? después partir, é a fé do tango. Encher os estádios todos do país em peregrinação. Vestir as camisolas. Entrar nos aviões, rumar às auto-estradas, encher cafés e todas as tascas, as vilas e cidades, partir com a equipa, pedindo o 35.
E agora já não era só o Jonas. Eram todos. Éramos todos. A marcar. Empoleirados, todos, sacudindo a camisola, confundindo-se a carne de uns com o suor dos outros. Com o Rio Ave, em Guimarães, no Estoril e também com o Zenit, com o grande mar a engolir o homem.
Partir para a Rússia e para Munique. Mas antes partir Alvalade à grega. E aguentar tudo até ao fim. Agarrado aos terços da Dª Celeste. Até ao Nacional. Aguentar até a inveja dos manos do sector 25 contarem como foram à boleia no carro do grande Simões a caminho da Luz. Até ao momento do sismo do primeiro golo. Obrigado Nico.
Até ao fim.

Porque.... y, al fin,...
al fin andar sin pensamientos

Fala Bulo:


1904, 1904, LALALALA,
1904, 1904, LALALALA,
1904, 1904, LALALALA,