quinta-feira, 8 de julho de 2021

Disco Voador

"Tenho saudades da minha família da música e de toda aquela família que se conhece da estrada, que monta os palcos, produz os festivais", diz a Gisela João.
Nós também.
Das gentes todas. Das molhadas. Dos concertos. Do suadouro colectivo. De espectáculos e cinemas apinhados. Dos Santos. Das ruas apertadas. Dos empurrões. De cafés barulhentos e de bares a abarrotar. De clubes de jazz abafados. Do ar viciado. Até do fumo. De jantares cheios e sem espaço, e de cadeiras a brigarem umas com as outras. Das casas dos amigos. De festas improvisadas. Das pessoas inesperadas. De conversas improváveis. Do brilhozinho dos lábios e de sorrisos estranhos. De rugas e marcas na cara. De tiques. E toques. Da malta nos estádios e nas roulottes antes de um jogo. De uma boa algaraviada. De andar de um lado para o outro. Da vida descomplicada. Da magia dos novos lugares. De avenidas de pessoas. Com rostos. 

Temos falta disso. Sim, temos falta disso. E de um disco voador. 
Este mundo não é para máscaras.

Niterói

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