segunda-feira, 28 de outubro de 2013

"NYC Man" *



[foto: andré]
[NYC, Outubro 2011]

You say "leave" and I'll be gone
without any remorse
No letters faxes phones or tears
there's a difference between bad and worse

I'm a New York city man, blink your eyes and I'll be gone
New York city - man, M-A-N, you blink your eyes and I'll be gone

New York city, I love you, New York city man
New York city, how I love you, blink your eyes and I'll be gone
just a little grain of sand
New York city, ooohhh, how I love you
New York city, baby, blink your eyes and I'll be gone
Oh, how I love you



* "Set the Twilight Reeling", Lou Reed, 1996

Fuckin' Day


Lou Reed
1942 - 2013 

sábado, 26 de outubro de 2013

A hora íntima



Quem pagará o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral
Dirá de mim: — Nunca fez mal...
Quem, bêbado, chorará em voz alta
De não me ter trazido nada?
Quem virá despetalar pétalas
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore?
Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
Sorrirá: — Rei morto, rei posto...
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio
Tocará o botão do seio?
Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: — Foi um doido amigo...
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme
Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançará um punhado de sal
Na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Por motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há de orar: — Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: — Não há de ser nada...
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?
Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?

Rio, 1950


Vinicius de Morais, "o homem dos vícios imorais"

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

"Quem quererá, agora, falar com ele ?", por Vasco Pulido Valente


Trainspotting


«Para José Sócrates a classificação de quem o contraria é simples. O PSD é um conjunto de “pulhas” e de “filhos da mãe” (calculo que a expressão foi, por assim dizer, mais vernácula) e em geral “a Direita é hipócrita”. Santana é um “bandalho”. Teixeira dos Santos teve “uma atitude horrível connosco”, ou seja, com ele. Schäuble, o ministro das Finanças da Alemanha, é um “estupor”. E por aí fora. De resto, ele, Sócrates, quando falhou (e, na opinião dele, quase não falhou) não teve nunca a mais vaga responsabilidade ou culpa: a verdade está em que grupos de “pistoleiros”, incluindo a Casa Civil do Presidente da República, tentaram sempre impedir que ele governasse e espalharam infames calúnias para “atacar” o seu impoluto “carácter”. Apesar de primeiro-ministro, não passou de uma vítima.Vale a pena repetir o que toda a gente já sabe? Vale, porque este “chefe” (como ele mesmo se descreve) e este acrisolado democrata (como ele se declara) saiu do assento etéreo onde subira, com um saco de ressentimento e ódio, que excede, e excede por muito, o de qualquer político desde que existe um regime representativo em Portugal. Ninguém, por exemplo, disse como ele que não queria voltar a “depender do favor do povo”, a quem atribui uma larga parte das suas desventuras. Dar uma réstia de poder a semelhante criatura (visto que Deus não parece preparado para o ungir) seria inaugurar uma campanha de represálias contra Portugal em peso: contra a “aristocracia” do PS (que ele se gaba de ter “vencido”), contra a Direita, contra o velho Cavaco, hoje apático e diminuído, e principalmente contra o povo, que não votou por ele em 2009.Ora Sócrates, protestando o seu desinteresse pela vida pública e as suas novas tendências para a filosofia, com a convicção de um adolescente analfabeto, só pensa em abrir o caminho para um memorável ajuste de contas. Uma entrevista justificatória na RTP, um programa de “opinião” também na RTP e, agora, o lançamento de um “livro”, para inaugurar um estatuto de “intelectual”, a que nem sequer faltou Mário Soares, Lula da Silva e uma assistência de “notáveis”, seleccionados por convite. O supracitado “livro”, absolutamente desnecessário, é de facto uma prova escolar (uma “tese” de mestrado), sem uma ideia original ou sombra de perspicácia, que assenta na larga citação e paráfrase de – vá lá, sejamos generosos – 30 livros, que se usam pelo Ocidente inteiro, e em algumas fantasias francesas (Sciences Po oblige). O extraordinário não é que Sócrates se leve a sério, o extraordinário é que o levem a sério. Mas claro que o “lançamento” não foi de um “livro”.»

'Público', hoje

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

"I like things that look like mistakes"

Desde que entramos para dentro da sala, no Fonte Nova, parece que nos enganámos. Não no filme (embora não soubéssemos ao que íamos e isso é bom), mas na pessoa que está no filme. A quem nunca realmente percebemos.
Todo o filme é um bocado esquisito, esquisito no sentido óptimo que os ingleses dão à palavra abnormal, que anda à volta da confusão de uma pessoa que não é desarrumada, só muito ocupada, e dos erros e erros de alguém que manifestamente não encaixa no mundo "normal". Ela que veio de Sacramento, de uma família tradicional que reza e se reúne no Natal e que, portanto, nesse desencaixe permanente só podia encontrar algum lugar em Nova Iorque, a cidade onde tudo pode caber.  E de repente somos nós que temos a cabeça confusa com tanto passo em falso, com tanta trapalhada emocional e com tanta coisa que nem ela percebe bem e que é um remoinho de instabilidade. Não é só o corpo e a linguagem que parecem desacertados. Parece que há várias pessoas ali dentro, cada uma a querer falar e fazer ao mesmo tempo que as outras e tudo a ficar incompleto. Ai, Frances Ha !, se fosse teu amigo ficava preocupado. Todos temos que encontrar um caminho, Frances Ha.
Mas depois, no meio dos tropeções que andam dentro daquela cabeça, há um momento lindo e esse vale toda a pena.


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

The Empire Strikes Back


Boardwalk Empire (Season 4)

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Sambando na Lama



"Republicanos: os homens-bomba da América"
por Arnaldo Jabor


«Estamos vendo hoje a loucura da América republicana. Eles topam destruir o país para impedir um bom governo para o Obama. Os republicanos estão provando que são os homens-bomba americanos. Morrem junto com o calote da dívida, com a crise profunda que estão programando, mas nem se tocam. Não conseguem aceitar o plano de saúde, uma espécie de SUS, o "Obamacare", para proteger 30 milhões de americanos que não têm seguro-saúde.
Eu já morei nos EUA, antes dos anos 60, no coração da "América profunda", na Flórida, e vi como o americano médio tem a "alma republicana". A cidade era igual aquela do Truman Show. As ruas, pessoas, rituais, sorrisos e lágrimas, tudo parecia programado por uma máquina social obsessiva. A vida e morte eram padronizadas, previstas: abraços gritados, roupas iguais, torcidas histéricas no beisebol, finais felizes, alegrias obrigatórias, formando uma missão comunitária cheia de fé, como um carrossel de certezas girando para um futuro garantido. A violência dos alunos me assustava. Eu era um "nerd" comprido e meio bobo nos meus 15 anos de virgindade, e me chocava com as botas de cowboy marchetadas de estrelas de prata, as facas de mola ("switch blades") de onde a lâmina pulava, os casacos de couro negro que já vestiam a chamada "juventude transviada", uma rebeldia reacionária e "republicana" dos anos de Eisenhower. Vi brigas de ferozes galalaus se arrebentando até o sangue no focinho e o desmaio, onde nem os diretores do colégio podiam interferir, pelo sagrado direito da porrada, na cultura de vaqueiros e pioneiros. Não havia espaço para dúvidas naquela cidade, mas dava para sentir que aquela solidez de certezas, se rompida, provocaria um grave desastre.
Os ídolos da época eram Elvis Presley rebolando na TV e James Dean, cadáver presente nos gestos e roupas. Pairava um clima de intolerância entre os próprios brancos; eram os fortes contra os fracos, eram as meninas bonitas contra as feias, eram as sérias contra as "galinhas". Eu, turista tropical, era um tipo misterioso; tímido, fraco, mas, como era estrangeiro e falava bem inglês, provocava um respeito cauteloso e os machões me poupavam por minha habilidade em dar-lhes "cola" em "spelling", soletrando palavras de raiz latina que, para eles, eram enigmas.
Algumas meninas saíram comigo para beijos na boca e nada mais, claro. Mas, Brenda, mais pirada e sexy, me largou e sumiu com Warren Caputo, italiano que tinha um "hot rod" com pneus de trator. Eu não era "legível" para eles. Eu navegava naquela cultura obsessiva e, bem ou mal, conseguira namorar Melinda Mills, loura pálida, filha de um "ex-marine" que estivera no Rio durante a guerra e que me mostrou um cartão postal do Mangue, onde ele certamente conhecera a Zona e as polacas. Melinda me amava, ela também frágil e boba, e nos beijávamos no cinema onde assistimos An Affair to Remember - lembro-me.
Mas, havia uma outra América dentro da cidade: os negros. Eles passavam de cabeça baixa, o rosto torcido de humilhação, num ódio sufocado e inútil. Amontoavam-se no fundo dos ônibus, em pé, mesmo com os carros vazios e moravam num bairro de madeira e terra, perto do braço de mar onde os barcos pesqueiros de camarão fediam. Aquela injustiça me espantava pela falta total de compaixão, eu que vinha de babás negras me beijando, eu que amava as mulatas cariocas lindas que já povoavam meus desejos aos 15 anos. Eu só via gente negra moldada pelo sofrimento e exclusão, disformes, deprimidos, frágeis mulheres engelhadas, jovens pretos trêmulos e esfarrapados. No ônibus amarelo do colégio, meus colegas louros, ruivos e brutos berravam contra os negros que passavam: "Hey, 'nigger', por que teu nariz é tão chato? Hey, 'nigger', por que teu cabelo é pixaim?". Depois, na época da "integração racial", vi os mesmos negros sendo espancados pela ousadia de se banhar em piscinas públicas, onde aqueles brancos do meu passado jogavam ácido para queimá-los.
Eu tinha medo era dos brancos.
Até que, um dia, chegou a notícia devastadora. Tinha subido aos céus o satélite russo, o "Sputnik", girando como uma bola de basquete em órbita da Terra. Pânico na cidade. Desde 49, quando a Guerra Fria começou, com a explosão da bomba H pelos soviéticos, destronando a liderança dos destruidores de Hiroshima, os americanos esperavam outra catástrofe que viria quase como um filme de ficção cientifica como a A Invasão dos Feijões Gigantes. Em minutos, a cidade parecia um campo de refugiados, de perdedores, com cabeças inchadas, humilhados pelos comunistas invasores. No colégio, começaram "fire drills" incessantes, alarmes evacuando os alunos para porões e abrigos atômicos. O então senador Lyndon Jonhson berrou: "Brevemente estarão jogando bombas atômicas sobre nós, como pedras caindo do céu..."
No alto, o satélite Sputnik humilhava os americanos, com seus "bip bips" como gargalhadas de extraterrestre. A partir desse dia, lá em baixo, na cidadezinha da Flórida, eu mudei. Não para mim, mas para os outros.
Os colegas porradeiros me investigaram com perguntas: "Que você acha? Teu país gosta dos russos?". Eu tremia e escondia minha vaga admiração juvenil pelo socialismo. Eles me olhavam desconfiados: brasileiro, latino, sabe-se lá? Depois disso, não me pediam mais cola de palavras, mal me olhavam. O pai de Melinda, putanheiro do Mangue, não me cumprimentou de sua poltrona esfiapada. Melinda ficou mais pálida e nosso namoro definhou. Há muitos anos, eu vi o "choque e pavor" da América profunda. Essa era a época da chamada "silent generation", passiva e ignorante. Sua reação é a mesma dos fundamentalistas do "Tea Party" hoje. Sempre que algo acontece fora de seu controle, eles bloqueiam o presente e querem voltar ao passado. São mais perigosos que os islamitas guerreiros, que explodem trens e aviões, mas não destroem a economia mundial por rancor, vingança e racismo, como os pequenos canalhas que humilhavam os negros na Flórida quando eu apareci por lá. Vamos aguardar os idos de novembro, quando uma nova recessão pode ameaçar o Ocidente.

in 'O Estado de S. Paulo', 15.10.2013

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

I've been loving you

Otis Redding morreu brutalmente cedo, despenhado num avião aos 26 anos. Mas muito a tempo de entregar a alma toda ao soul e de encharcar a música popular americana com a explosão de um maremoto.
Gravou seis discos em vida e, três dias antes do eclipse total, o tantas vezes celebrado "Sittin' on the Dock of the Bay".
Ainda actuou no Monterey Pop Festival, a meca do rock psicadélico de '67, junto a nomes como Hendrix, Janis Joplin e a Big Brother, Simon & Garfunkel, Canned Heat, Jefferson Airplane, The Animals, The Who, os Mamas & Papas ou Ravi Shankar, abrindo caminho à nova onda que estava para vir.
Foi aí que se se pôde escutar um homem que só podia estar de rastos.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Lambreta



Vem dar uma voltinha na minha lambreta
Eu juro que eu guio devagarinho
Tu só tens de estar juntinho
Por razões de segurança
E se a estrada nos levar
Noite fora até mar
Páro na beira da esperança
Com a luzinha a alumiar


(de António Zambujo)

"O cultivo de flores de plástico"


"No fundo é isso. Ninguém nos vê. Somos invisíveis. A miséria é uma poção de invisibilidade. Quando as roupas ficam rotas, quando estendemos uma mão, puf, desaparecemos. Somos as pombas dos ilusionistas. Isto dava para um negócio, dava para ganhar a vida com os turistas. Levava-os a ver fantasmas numa cidade assombrada. Levava-os a verem-nos. Olhem, damas e cavalheiros, meninos e meninas, esta é a Lili, tem saudades de ser criança, tem no nariz o cheiro do tabaco dos dedos do pai e crostas nos braços, por aqui, por favor, cuidado com os pés, não pisem as camas, parecem cartões, eu sei, ali ao canto está o couraçado Korzhev, que se deixou ficar, com os ícones na lapela, sigam-me, é um deserto meio russo e traz o barulho do mar nos bolsos, atenção, cavalheiro, saia de cima do cobertor, vejam ali, ali ao fundo, uma genuína senhora de fato, que ainda há poucos meses andava a alcatifar o mundo, minhas senhoras e meus senhores, e ainda tem na voz restos da sua vida anterior, do tempo em que havia casas. Palmas, por favor. E eu ? Eu sou o Jorge, também invísivel como qualquer fantasma, vivo nas ruas. Obrigado, obrigado, e agora, se me permitem, vou comer a minha sopa que está a arrefecer há tantos anos."

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Old Friends


"Isso é a tua novela !", ainda hoje, 20 anos depois, me dói o disparate.
A novela, acusavam lá em casa, era a alienação. A novela eram histórias sempre iguais e mal contadas, mas isto ??? Isto era verdade e acontecia. Era magia. Era lindo. Porque raio me dizia ele aquilo ?
O meu pai sempre mostrou um interesse moderado pelo desporto.
Ver desporto, então, era inútil. Uma desinteligente perda de tempo. Não compreendia o drama de bola na mão, esta entra, esta não, o espectáculo de ver os melhores do mundo a decidirem jogos de vida ou de morte que podiam mudar a 1 segundo do fim. Aliás, nunca viu. E isso talvez explique tudo.
"Percebo que jogues, e gosto, hã, mas isso é uma novela."
Infâmia.
Só porque gravava a meia-hora de resumo semanal que dava aos sábados e, ao domingo, apenas o quarto período (os outros três vinham resumidos) de um jogo que acontecia a mais de 5 mil quilómetros de distância.
Não percebia o meu velho a perfeição da bola no cesto e desse ruído único, e que, ao ver e rever, a gente aprendia e que, depois, ao jogar a base com os amigos no campo do Belenenses, iamos replicar as assistências de sonho do Magic Johnson, os triplos do Larry Bird, mas (e aí confesso) nunca os slam dunks do Michael Jordan. Arte em movimento. Arte pura em slow motion.
Nessa altura, a NBA era uma paixão assolapada, mas daquelas que parece que chegam tarde demais. A velocidade a que as maiores estrelas estavam a abandonar o jogo eram uma chapada no coração. E esse amargo não perdoamos.
Então, com a sangria de absorver tudo o que havia para saber antes de morrer, lá vinha semanalmente a "Super Basket" para casa, a única revista que se vendia em Portugal com tudo sobre a National Basketball Association. Era espanhola, mas adiante.
E gravava os jogos no VHS lá de casa, enchendo quilómetros e quilómetros de fita, acumulando as caixas que a mãe depois plastificava com os recortes das vedetas.
Como a paixão era mesmo séria, ainda respondia aos anúncios que miúdos como eu punham na revista a pedir jogos antigos para a troca, miúdos espanhóis ou da Moimenta da Beira.
Ah ! e lá vinham por correio registado os sagrados Lakers v Celtics de '88 e os Lakers v Pistons de '89, ou todos os jogos onde pudesse apanhar o Magic e os ganchos do Kareem Abdul-Jabbar. Todos narrados em espanhol, mas eu aguentava. 
Showtime !
Ao entrar para a Faculdade, arrumei a bola, as revistas e as dezenas de cassetes.
O tempo era outro, surpreendente e muito novo.
E depois, fuck it, o Magic tinha-se retirado, e o Bird, e até o Jordan tinha migrado para o Baseball.
De vez em quando ainda via nas notícias os resultados de alguns jogos, mas já não conhecia as equipas e os campeões que lá andavam não me diziam nada e eu lembrava-me do que o Alfredo ensinava ao puto no 'Cinema Paraíso': "Vai-te embora e não regresses, porque não vais reconhecer ninguém. Um dia, mais velho, quando voltares, vais ver que está tudo na mesma." Qualquer coisa assim. 
Até ver um monstro de 2 metros de altura chamado LeBron James que afunda, lança longo e defende forte.
Regressou agora tudo em formato nostalgia. Como os velhos amigos que se amam e nunca se esquecem, embrulhadinha num canal do cabo com três letras: NBA.
E logo com um clássico: Celtics v Sixers de '88. Larry Bird de um lado, e o mítico Doctor J., do outro.
Esperem até começarem os playoffs.