quinta-feira, 26 de abril de 2012

Pai, obrigado



Rachaste outra vez a cabeça. A terceira e ainda não fizeste os 3.
A Luísa telefonou-me. Tinhas trepado para cima dos braços do sofá, faltaram-te os pés e malhaste nas arestas afiadas do suporte de revistas e jornais.
Saí do tribunal e fui-te buscar. A Avó Aida já tinha chegado para te dar as festas que a Luísa não conseguia. Peguei no meu índio encolhidinho que no S. Francisco Xavier te fecham a tola.
A Urgência Pediátrica é urgente e pediátrica, mas não recebe cabeças partidas. Deve ser tosses e dores de barriga. 
"Tem de ir para a 'Cirurgia Geral - 'Pequena Cirurgia'." 
Os braços cansam e as costas doem com o peso do teu miminho, mas vou logo para lá e não digo nadinha. 
Espera, triagem, mais espera. 
Lá chamam e a médica diz que és giraço. Também que vai doer e vai arder, mas tu nem ai!, nem ui!. Granda puto!
Ok. Já andas.
Mas depois outra vez pr'á Urgência Pediátrica, que outras médicas muito novinhas e queridas  olham para isso como um traumatismo craneano do cacete. E então, depois daquilo que precisavas e quando era preciso era ir embora, exames para ver se estava tudo no sítio, se conseguias andar em biquinhos dos pés, se esticavas bem os braços, se tinhas os músculos em ordem, e os reflexos, se respondias a estímulos, etc, etc.


Nem para mim tinha sentido, quanto mais para ti que já estavas arranjado, e não lhes fazias a vontade, e elas não queriam dar alta.
Depois vieram com um cházinho para ver se o aguentavas ou se o chutavas para fora. Tá quieto ! Que não bebo essa zurrapa.
“O que ele precisa é de dormir a sesta e almoçar que o pai está cheio de fome”.
“O pai assume a alta?” Assumo sempre tudo.
Puto, vamos embora, que no meu tempo um gajo era só cosido e só interessava se não caíamos logo para o lado.
"Pai, posso contar-te um segredo ?" Diz.
"Obrigado."

terça-feira, 24 de abril de 2012

Viagem ao futuro de Portugal, por Miguel Portas



Foi só há dois meses. Precisamente dois meses. Dia: 24.02.12.

Eh, pá...



«Não há resposta científica para algo que decorre da fé. O facto de eu não ter religião, e de pensar que a religião é um produto dos homens, permite-me ter a distância que de algum modo um jornalista pode ter. Não parto para a análise da religião com um "parti pris" de ateu. Parto para a análise da religião como fenómeno humano, que é o que me interessa.

As religiões são profundamente desconhecedoras das suas vizinhas. Os sunitas desconhecem tanto os xiitas quanto os católicos desconhecem os protestantes. Em Alepo, em 2007, num encontro ecuménico, defendi isto: pelo menos podemos concordar que o homem inventa Deus à sua semelhança. E no fim eles declararam-me crente: você acredita no homem. E eu disse que sim. Tive que dizer. Mas, de facto, hoje não tenho uma crença particular no homem. Transitei do cristianismo para o marxismo bastando-me acreditar no homem. Substituí uma crença por outra. E hoje estou convencido de que o homem é capaz do pior e do melhor, e que não há nenhum destino escrito. Não há uma bondade inata que, no fim, triunfe sobre o mal. É possível, aliás, que o mal triunfe. Tenho a certeza absoluta que se quiser algum bem tenho que lutar muito, e que vale a pena fazê-lo. Mas hoje a minha relação com a crença na humanidade resume-se a quase uma atitude egoísta: poder chegar ao fim da vida e achar que, apesar de tudo, fui útil, não sacaneei o próximo, não fiz coisas de que me tenha mesmo que arrepender. Que a minha vida teve algum sentido - e só entendo a minha vida com outros.»



ENTREVISTA: Alexandra Lucas Coelho, no lançamento do livro 'Périplo'
ípsilon 11.06.09


domingo, 22 de abril de 2012

Fervor de Buenos Aires


y divisé en la hondura
los naipes de colores del poniente
y sentí Buenos Aires.
Esta ciudad que yo creí mi pasado
es mi porvenir, mi presente;
los años que he vivido en Europa son ilusorios,
yo estaba siempre (y estaré) en Buenos Aires.


('Arrabal', J.L. Borges)

quinta-feira, 19 de abril de 2012

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Came with the Wind

A ciência de uma imagem como esta é que podia começar já uma história.


(num portão em frente de casa, 9h50m)

Acho que bate o par de botas pendurado no cabo do eléctrico, não é Joana?

domingo, 15 de abril de 2012

Don't cry for me, Saviola

"OLHA QUEM RESOLVE !"

“SAVIOLA 
MARCOU GOLO DA VITÓRIA 
APÓS DOIS MINUTOS EM CAMPO”

"A Bola, 15 ABR 2012"

títulos como não se fazem hoje


e uma história que sempre teve mais de 100 anos.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

"Live and Let Die"

[Sienna Miller]

Intrusivo e patético.
É o que penso do projecto do Governo de mandar proibir que se fume dentro de veículos com crianças.
Intrusivo porque tinha ainda esta ingénua convicção de que há locais onde o Estado não entra. A cama, a casa, o carro, por esta ordem. Porque julgava que no meu carro, na minha casa, na minha cama só entrava quem eu queria. Porque continuo a acreditar que é dos pais a responsabilidade de cuidar dos filhos.
Afinal não. Temos um Governo que, em nome de uma populista defesa da saúde pública (que só tem prática igual em países como os EUA, o Canadá e, na Europa, apenas na Finlândia), resolve enfiar-se dentro dos lençóis dos seus cidadãos.
Não se trata de saber se o fumo é nocivo, ou não. Está demonstrado que sim.
Mas, evidentemente, quem concordar com este projecto, concordará também (agora ou mais tarde) que o Governo possa decretar uma lei que proíba fumar na nossa própria casa. E quem admite isto, também pode admitir que o Estado determine que contracepção usamos, e se a estamos a usar. Não há fronteira.
Enfim, kaput! quanto a princípios básicos de autonomia privada.
Patético porque quem desperta agora para esta (fundamentalista) realidade, não se preocupa, por exemplo, com os níveis altíssimos de CO2 emitidos diariamente para a atmosfera pelos escapes dos mesmíssimos automóveis. Isso sim é atentar contra a saúde pública.

Assédio Sexual

desta menina a espalhar (também) o nome da loja por toda a parte

Kate Moss para a 'Mango'

quarta-feira, 11 de abril de 2012

West Coast Blues

"And that which has happened before is happening again: George GERFAUT is cruising the outer lanes of the beltway that encircles Paris. He got at the Porte D'Ivry exit. It's two thirty in the morning, or it might be three fifteen.
He's had five glasses of Four Roses bourbon.
As a chaser, he ingested, about three hours ago, a double dose of a powerful barbiturate.
Instead of making him drowny, this combination has engendered a tense euphoria that is constantly on the verge of tipping over into rage, or a vaguely Chekhovian, predominantly bitter melancholy, an emotion neither heroic nor noteworthy.
George GERFAUT is driving 90 m.p.h."

segunda-feira, 9 de abril de 2012

"All things Must pass" *

Conta hoje a Rolling Stone que Damon Albarn pretende enterrar definitivamente os 'Blur' após o concerto de encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres em Hyde Park, que terá lugar no verão deste ano.
Parece-me bem. Não há nostalgia que resista quando acaba a tesão ou se perde o norte e, por exemplo, o baterista vira político. 
Mesmo que todos nos lembremos ainda da explosão que eles foram em 95/96 (onde os apanhei num Coliseu de Lx. à cunha), e a dinamite de sobra que tinham para brutalizarem a banda sonora do grande filme desse ano.





* ensinava George Harrison.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Hoje não é 1 de Abril


The Beatles: The Next Generation

É hoje notícia por todo o mundo a possível reunião dos filhos dos Beatles para a fundação de um grupo, anunciou James McCartney à BBC.
Como não acredito muito em revivalismos familiares no mundo da música, acho que no mínimo é de ficar céptico. Sobretudo porque sabemos como a história acabou. Só não sabemos quem é que vai ser a Yoko deste filme.

Os telhados de Lisboa IV

Diziam-lhe que emigravam. Sair daqui. O futuro já não pode ser. Não há negócio, nos trópicos sim. Não se pode mais e o mar é já ali.
Ele olhava para o mar, de facto, que aqui é rio, olhava para o mar, para o Cais das Colunas e dava-lhe uma saudade de partir.
Falavam-lhe nas libras da City, em verbos dinheiro, para largar a piolheira e deixá-la como sobremesa exótica aos turistas e aos deputados. De encher os bolsos no calor africano e fazer uma cidade. Ou fazer fortuna no país que samba, que aquilo é só bolsa.
Mas barcos ?, para sempre?, para quase?, nunca dentro deles. Só vê-los. Era demasiado casa, demasiado terra, demasiado dela. Mesmo se chovia. Onde podia jogar à bola com os amigos de sempre. Não iam conseguir arrancá-la de dentro dele. E lá não há Benfica.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Asghar Farhadi

'Uma Separação'
(no King, onde não se sai da sala e se vê logo comércio e negócios)