quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

acabar o ano em Glória

[réplica retro 86/87]

Obrigado Mano ! Não fazemos anos todos os dias.
Só escusavas era de me ter humilhado logo a seguir com aquele tiraço de fora da área quando calhou a minha vez de ir à baliza. Sabes perfeitamente que jogo a ponta.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

a saudade que fala antes do tempo é Amor.

"Raspa , vamos ficar sem o nosso Enzo

Eu até reajo bem á cena dos Mercados, mas isto do Enzo , não me conformo

Como esquecer aquele golo perfeito , condução de bola depois de ganhar segunda bola , partir bife uma vez , partir bife e GR uma segunda vez com 1 finta , e remate em esquerda banana lenta com bola a fugir , aquela bola que todos sabemos que vai entrar mas demora 10 segundos , tudo isto mesmo em frente ao setor 25"

de Nuno Calheiros, 4.06.2014
 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014


a contar desde 1864

 
 
Parabéns, amigos !
150 anos não são para todos.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

37 menos Chaplin


25.12.1977

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

joe cocker [1944 - 2014]



- (A)Live at Woodstock -

sábado, 20 de dezembro de 2014

Regresso ao Passado



Um dos sinais da "ditadura" imposta pela Disney/Pixar (que tiveram o mérito de descobrir uma receita de qualidade, da qual entretanto abusaram ad nauseam) é os miúdos de hoje acharem que ir ao cinema é ver desenhos animados numa televisão gigante. Com pipocas na mão. 
Achei sintomático (e muito engraçado), quando levei os putos a ver o Charlot na semana passada, o ar radiante do Rodrigo quando lhe respondi que naquele cinema não havia pipocas. "YES !!!", gritou o petiz. Até a ele já fartam. Outra hipótese é a de o espertalhote ter dito aquilo que sabia que eu ia gostar de ouvir.
Mas há pior. 
Como todos os filmes que saem anualmente dos estúdios de animação são posteriormente dobrados por actores (ou não actores) portugueses, a miudagem nem sequer tem a hipótese de ir aprendendo uma língua nova.
Eu, com 8 anos, já tinha visto vários filmes e sabia quem era o Indiana Jones. Percebia a mentira que era ser actor e a fantasia. Que eram gente e falavam uma língua diferente. E que se queria perceber o que ali se passava, tinha de saber ler, e rápido !, para apanhar as legendas seguintes.
Ver outras famílias na tela fazia-me compreender melhor a minha. E saber que os heróis eram de carne e osso dava-me a ilusão de querer ser como eles. Também  sofria se as coisas começavam a dar para o torto.
Mas como ambicionar ser um cartoon ? Impossível. 
Há espaço para tudo e eu próprio adoro BD, mas aquilo a que assistimos hoje é que - quando o nível é "under 10" - o chamado cinema de animação seca o mundo todo à volta.
Já não estreiam os universos humanos. É tudo obra do computador. E agora, nem no Natal passam os que repetiam e repetiam todos os anos na televisão, porque - mais uma vez - é só bonecada.
E então a salvação é combater o crime.
"Pai, estou ansiosa por ver o Regresso ao Futuro - II !"

Depois de E.T., Charlot e do Marty McFly, eis algumas das nossas próximas sessões privadas:
1. A História Interminável
2. Os Goonies
3. Indiana Jones (todos)
4. Ghostbusters
5. Guerra das Estrelas
6. Gremlins
7. Sozinho em Casa
8. O Feiticeiro de Oz *
9. Música no Coração *
10. Hook
11. Mary Poppins *

* Há que ver que tenho duas filhas em casa e, apesar de tudo, estes sempre são clássicos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

há filmes que só vemos depois de os vermos



'Boyhood', de Richard Linklater

domingo, 14 de dezembro de 2014

Smile

Não é obviamente por acaso que Charlot nasce no ano em que estala a Iª Guerra Mundial. "If you smile, You'll find that life is still worthwhile", canta-me na cabeça o solitário vagabundo com solas gastas e estradas de sabedoria. 
100 anos depois, 125 depois de Chaplin, levo os miúdos ao novo Cinema Ideal, na Rua do Loreto, ao Chiado. Ressuscitou no que era e devia ser, um cinema de rua. Com balcão e sem os filmes hard-core. 
‘The Kid' em cartaz. Agora não é o meu pai que me leva às reposições. Ou talvez seja ainda ele, residente interno, a quem devo o meu gosto pelos filmes.
Mas antes um pastel de nata na antiga Manteigaria União.
E então, 'The Kid', para aprenderem o que é cinema. Para saberem como é lindo o cinema. Para conhecerem emoções mudas e a preto e branco. Que há bonecos que são humanos. Para compreenderem o quadro em madeira cá de casa, que a mãe herdou de Santa Cruz.
E no Natal - que mais podemos pedir ? - a época mais bonita que há no ano. A época de Chaplin.
"Pai, estou a gostar !" e o sorriso rasgado como nunca o ouvi. 


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

sábado, 6 de dezembro de 2014

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

o Clã


É sempre precioso ouvi-la cantar. E nem sequer foi preciso ir ao Terreiro do Paço, onde ontem à noite Manuela Azevedo se mostrou completamente imune ao frio.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

"O leitor tem opinião sobre o caso José Sócrates ?", por José Diogo Quintela

 
O leitor tem opinião sobre o caso José Sócrates? Não tenha. Isso configura um delito de julgamento na praça pública. A não ser que ache que José Sócrates está a ser vítima de justicialismo. Nesse caso, tem licença de porte de opinião. Para não haver dúvidas, aqui vai uma cartilha com o que é admissível pensar:

a) Avaliar a hipótese de José Sócrates ser culpado? Não se pode.

b) Levantar dúvidas sobre a idoneidade do juiz Carlos Alexandre? Pode-se.

c) Questionar as reais motivações do procurador Rosário Teixeira? Pode-se.

d) Sugerir que Joana Marques Vidal orquestrou este charivari? Pode-se.

e) Desconfiar de um propósito tenebroso do sistema judicial? Pode-se.

f) Suspeitar de manipulação obscura pela comunicação social? Pode-se.

g) Insinuar que o Passos Coelho lucra com isto? Pode-se.

h) Alvitrar que Portas é que devia ir preso por causa dos submarinos? Pode-se.

i) Considerar que Cavaco Silva tem negócios ilícitos com os seus amigos do BPN? Pode-se.

j) Conjecturar que isto é tudo uma cabala montada pelo PSD para distrair dos vistos gold? Pode-se.

Em termos de limitação à liberdade de opinião, só é proibido achar que José Sócrates pode ser culpado. Quem violar esta disposição tem de se haver com a brigada de trânsito em julgado. De resto, é tudo debatível.

Mas mesmo a defender José Sócrates há que ter cautela. Por exemplo, João Soares disse que “excepto por crime de sangue, em flagrante delito, não aceito a prisão (…) de um ex-primeiro-ministro como José Sócrates”. Precipitou-se. Mesmo segurando arma pingona de sangue cravada em cadáver, nunca se aceitaria a detenção de Sócrates. A presunção de inocência manter-se-ia. Possivelmente seria legítima defesa. Ou um acidente. Ou, o mais provável, uma armadilha da suposta vítima que se lançara contra Sócrates enquanto este cortava o pão, para se empalar 17 vezes na faca e incriminar quem só desejava fazer uma sandes mista.

Entretanto, debrucemo-nos à enorme parcialidade demonstrada pela Justiça. De todos os ex-primeiros-ministros vivos, por acaso detiveram Pinto Balsemão no aeroporto por suspeitas de corrupção no caso Cova da Beira? E à chegada de que voo é que incomodaram Mário Soares a propósito da falsificação de documentos da Licenciatura em Engenharia? Ou Cavaco Silva, por alegada troca de favores no caso do TagusPark? E Guterres por beneficiar de um RERT por ele aprovado? Já para não falar de Durão Barroso, pelo Face Oculta, e Santana Lopes, pelo Freeport. Porque é que tinham de embirrar logo com este?

Num ranking de sanha persecutória, José Sócrates entra directo para o top 5 dos mais injustiçados da História. Neste momento, a tabela organiza-se assim: 5) Bruxas de Salém; 4) Capitão Dreyfus; 3) Galileu; 2) José Sócrates [nova entrada]; 1) Jesus Cristo. Apesar de uma detenção no Jardim de Getsémani ser menos maçadora do que na manga de desembarque de um voo TAP, e mesmo tendo em conta que, na verdade, Jesus estava mesmo a pedi-las, o Nazareno continua à frente porque a sua condenação injusta originou a maior religião do mundo. Mas José Sócrates ainda tem tempo.


'Público', 30.11.2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O Amor é fodido

Deitamo-nos zangados. Amuados.
Hoje só me apetece meter-me na cama. Não falo mais contigo. 
Bolas !, que um homem não é de ferro. Tantos gritos que tive que ouvir e sempre ao lado. É dor demais !, e agora enfio-me no meu casulo se não te importas.
Deitamo-nos amuados e tristes. Prometemos que não falamos mais. Não, pelo menos, durante algum tempo. Não te quero nem ver. Por defesa. Para não sofrer tão depressa outra vez.
Não se trata de ser justo ou injusto. É assim com os sentimentos.
E por isso vou para o casulo e não falo mais contigo.
Mas depois, quando até tenho medo de olhar para ti.... fazes-me isto: acordas-me com um beijo na boca e eu esqueço tudo. 


domingo, 30 de novembro de 2014

Your hand in Mine

  




'Thank You', "Led Zeppelin II", 1969

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O Sport Europa e Benfica


Como já aqui escrevi, sou do Benfica por causa do Belenenses. Sem pai que amasse o futebol e me levasse ao Estádio e com as outras referências familiares acorrentadas a um inexplicável e atormentado sportinguismo, sobravam-me a rua e a liberdade.
Mas foi com o Benfica europeu que me apercebi da chama universal deste clube. Com as eliminatórias contra o Steaua, com os discursos do grande Diamantino, com a final da TCE contra o PSV (e como ela me doeu na biqueira da alma !), com os derbies contra o Liverpool nos anos 80 (mesmo goleados), com a épica meia-final contra o Marselha e a honesta mão do Vata. Com a final contra o Milan logo a seguir, assistida na poltrona nervosa do velho amigo, que as eliminatórias contra o Arsenal, a Juventus em '93, o 4-4 contra o Bayer em '94 e a impossível (ainda hoje) meia-final contra o Parma insistiam em ferrar com o espeto em brasa.
Foram estas quartas-feiras que cimentaram em mim o valor Imensidão. Eu que, ó castigo!, não nasci a tempo dos gloriosos anos 60 !
Depois cuspiram-nos para os Celtas, os Espanhóis, os Getafes e outras tristezas que nem vale a pena contar aos filhos.
Mas há pouco tempo O Benfica devolveu-nos ao seu lugar por direito e eliminámos o Manchester United de Cristiano, Giggs e Ferguson, o Liverpool (campeão europeu em título), com golos de sonho em Anfield. Ainda batemos o pé ao Barcelona (e como !), o futuro campeão europeu desse ano.
Mais recentemente ainda, regressámos a duas finais consecutivas, contra Chelsea e Sevilha, ganhas em glória a Fenerbache e Juventus, mas perdidas vá-se lá saber porque Bella Guttmans. Em ambas carimbei o passaporte com o mano e parceirinho querido. Respirar o velho benfiquismo durante todo um dia, que dura dois ou três, e gritar aos céus Viva o Benfica!
Por isso, sermos afastados (sim, falo no plural !) antes do fim do ano de todas as competições europeias, para mais contra o bafiento e horrível Hulk, e saber que a meio da semana não nos vamos pisgar mais cedo do trabalho porque o Benfica joga, e ter que explicar em casa que este ano acabou, raia o limite do insuportável.
Os doutores que digam que não temos "equipa Champions". Para mim o que fica é a saudade de saber que nos próximos meses os aeroportos do velho continente não se vão encher com os melhores adeptos do mundo, com a cor mais linda que há no sangue, e isso é muito triste. Porque nos impede de sonhar.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Billy the Kid


Não estávamos em Nashville, não há calor na rua.
Não palmilhámos o Kentucky nem nos demorámos a tragar um bourbon, o que é pena, porque durante duas horas foi isso mesmo que aconteceu. Exilar-me de Lisboa (no espírito ninguém manda) e acordar na Virginia.
A beleza das coisas eternas. O território ZDB.
A goela morna deste trovador dos subterrâneos no teatro mais bonito da cidade !
As guitarras únicas com os acordes em slide, o som, o contrabaixo, grave, ritmado, como passos a calcarem o soalho e a mandar bem no resto.
O folk, o country, a mistura poética das letras, as raízes e o sotaque genuíno do mais puro sul dos E.U.A. ensopados numas barbas que cantam e dizem I see a Darkness.
Se estivesse na primeira fila, Johnny Cash teria ficado orgulhoso. 
Que p #%$# de concerto !



segunda-feira, 17 de novembro de 2014

'Amadeu', de António Lobo Antunes



"Tomou o pequeno-almoço, uma chávena de café e umas bolachas, três ou quatro, as últimas da lata, molhou a ponta do indicador na língua a apanhar as migalhas do fundo, que comeu também e depois arrumou a lata na prateleira e colocou a chávena no lava-loiças, tudo isto sem pressa, nos gestos do costume. Limpou as gengivas com a língua até o gosto das migalhas lhe desaparecer da boca. Encheu a chávena de água para a lavar depois. Era uma chávena branca, com uma paisagem impressa: árvores, animais que pastavam, uma casa ao longe, e o contacto dos dedos com a loiça, tão lisa, era-lhe sempre agradável. A seguir foi para a casa de banho, lavou os dentes, fez a barba

(teve de mudar a lâmina, que já cortava mal)

abriu a torneira da água quente do duche, abriu um bocadinho a torneira da água fria, experimentou a temperatura com a palma, abriu mais um bocadinho a torneira da água fria, despiu o pijama e meteu-se no chuveiro depois de vedar bem a entrada com a cortina de plástico azul, que corria, em argolas transparentes, ao longo do varão, a fim de não molhar a toalha que servia de tapete. Lavou a cabeça com cuidado, de forma ao champô não lhe incomodar as pálpebras, sentindo o cabelo que começava a rarear. Ao princípio detestou estar a ficar careca

(até comprou umas ampolas que não serviram de nada)

depois foi-se habituando a pouco e pouco

 - Sou careca

embora não lhe agradasse muito a pele da cabeça nua nas fotografias que, na sua opinião, o faziam parecer mais velho do que era. A risca do cabelo que sobrava, agora perto da orelha, já não cobria grande coisa mas as mulheres não se importavam, ou fingiam não se importar, com isso, o que, apesar de tudo, sempre lhe dava algum consolo. Fechou as torneiras ao mesmo tempo, afastou a cortina de plástico, apanhou a toalha da barra cromada em frente e sentou-se no bidé, a fumar um cigarro, enquanto o corpo ia secando sozinho. Detestava esfregar-se, lembrava-lhe a mãe, que o magoava com o seu excesso de energia

- A ver se consigo tirar-te como deve ser o sabão das orelhas

voltou ao espelho para se pentear, descobriu um pêlo enorme a sair-lhe do nariz, apanhou uma tesoura pequena da gaveta e, à terceira tentativa, lá conseguiu cortá-lo

( - Como é que eu não dei por isto antes?)

e fazê-lo seguir, lavatório abaixo, até às profundezas do inferno. Aproveitou para verificar, de esguelha, se pêlos nas orelhas, não deu por nenhum, guardou a tesoura, no género daquela com que lhe cortavam as unhas em criança

(a mãe, sentada no sofá

- Chega-te aqui à luz e está quieto)

e ele com medo que, por distração, lhe amputassem a ponta do mindinho.

(Os óculos da mãe, enormes, pareciam engoli-lo. Faleceu de repente, um aneurisma, três anos antes, pelo menos a autópsia garantiu que um aneurisma e certamente quase não sofreu. Valha-nos isso: não era má pessoa, a mãe.)

De toalha amarrada à cintura e chinelos felpudos passou ao armário da roupa. Puxou umas cuecas quase ao acaso

(não tinha previsto nenhum encontro galante)

cujo elástico começava a perder força mas ainda aguentava, um par de meias pretas, que têm a vantagem de dar com tudo, uma camisa branca que teve de desabotoar para a abotoar de novo, começando pelo colarinho e vindo por aí adiante até ao fim da barriga, que ia aumentando devagar, mais cuidado com as sobremesas, rapaz, sentindo-se uma espécie de clarinetista a treinar escalas. A seguir um do dois fatos azuis, encostando o ombro à parede a fim de não se desequilibrar ao entrar nas calças, um cinto preto, sapatos pretos, sem atacadores, que têm a vantagem de poderem calçar-se de pé e lhe pareciam um número acima do seu dado que às vezes os calcanhares dançavam um bocadinho lá dentro, voltou ao quarto de banho a fim de aperfeiçoar o nó da gravata, de colarinhos ao alto, baixou os colarinhos, certificou-se que a gravata na exacta bissectriz deles, uma gravata de um amarelo discreto que, na sua opinião, lhe aumentava a dignidade, sobretudo com o casaco já posto, surpreendeu-se com um pedaço de linha vermelha, incompreensível, na lapela, que enrolou entre o indicador e o polegar e depositou num cinzeiro de vidro, procedeu a uma verificação final, acamou as madeixas das têmporas, perfumou um tudo nada o pescoço

(nunca perfumava mais do que o pescoço)

ainda se mirou, de perfil, no espelho, e achou-se bem, apagou as luzes atrás de si, espreitou as horas no relógio de pulso

(vinte minutos para chegar ao emprego, não demorava mais do que dez, sobrava-lhe algum tempo)

e sentou-se, de perna cruzada, tomando cuidado com os vincos, na poltrona onde costumava ler o jornal à noite, a seguir ao jantar, com a televisão ligada numa novela qualquer, a fazer-lhe companhia. Trinta e oito segundos depois levantou-se e foi à janela observar a rua. Um par de homens lá em baixo consertavam um cano, não estava frio porque as mulheres usavam manga curta, com excepção de uma velhota de xaile: os ossos dos idosos não aquecem, coitados, a mãe, por exemplo, mesmo em agosto, dormia de botija e casaquinho de lã, queixosa da temperatura. Abriu a janela e confirmou que nenhum frio, como nenhum vento também, as folhas das árvores quietas, pombos a rondarem a esplanada. No cabeleireiro, quase em frente, começavam a tirar os taipais, duas raparigas loiras, uma gorda e uma magra, de bata cor-de-rosa, a conversarem entre si, sem olharem para cima. Se olhassem para cima viam-no, empoleirado num banco, a colocar uma das pernas fora da janela e a inclinar-se para a frente, como veriam que, do quinto andar ao passeio, um sujeito de setenta e sete quilos demora 3,4 segundos a chegar."

in ‘Visão’

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

The Doctor

Nós nunca somos só nós. 
Antes de Eusébio, houve José Águas. E antes de Maradona, houve Cruyff.
Como sem Faulkner talvez não houvesse Lobo Antunes, e como Tatti provavelmente não seria ele sem Charlot ou Buster Keaton.
Assim no resto. 
Antes de Michael "Air" Jordan, houve um homem que já voava para os cestos de garra esticada e que ficou conhecido para sempre como Doctor J.. 
Senhoras e Senhores (às vezes a televisão presta), o Sr. Julius Erving.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Em Carne Viva





Que sangue dos demónios ! 
Espanhola, de Maiorca, já que todos temos que ter um sítio para nascer, porque esta mulher vem de uma África bem funda. De espanta-espíritos. De uma raça muito antiga. Mesmo que depois traga sensualidade nas saias e o charme todo do Caribe no corpo.
É assim como uma mistura de rum despejado num caldeirão onde se preparam já galinhas pretas para o candomblé. Tudo abençoado com a água que vai entornando em palco e projectado na voz, com as tripas bem de fora. De pé descalço com ligação ao centro da terra.
Concha Buika merecia era outra sala. O CCB não é homem para ela. Cabrón !

domingo, 9 de novembro de 2014

os favelados tropa de elite



'Lixo', de Stephen Daldry

There's a riot goin' on


Sly and the Family Stone -1971

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

'Amor', de António Mega Ferreira


"Algum dia eu haveria de entrar na normalidade dos que te amam. Amo-te. E dói escrevê-lo (que é pior, meu amor, do que dizê-lo). Amo-te, absoluta, impossível e fatalmente. E ouço, adolescente, uma música adolescente, para me lembrar de ti, porque lembrar-me de ti é lembrar-me que não consigo esquecer-te. E ouço música porque ouvimos música quando amamos, e tudo, no amor, é música, acústica da alma... que se quer ser devorada, e, neste caso, dor (tão deliciosamente insuportável) de amar sem sequência nem expectativa de contrapartida, amar unicamente o puro objecto que desgraçadamente amamos. Isto é uma carta de amor, e é possivelmente ridícula (prova maior de que é, realmente uma carta de amor), ou porque perdi o hábito de as escrever, ou porque nunca tive a coragem de as enviar.
 Não percebes porque é que não te falo? Ainda não percebes que, na personagem que de mim eu enceno, não cabe a ameaça de uma derrota, a antecipação do desencanto, a sombra de um vexame? Não te falo, para não saber que o que eu te digo é apenas a forma contida de te dizer outra coisa, mas que essa coisa não é do teu mundo, nem do mundo que eu construí, nem do precário mundo que a nossa fragilíssima ternura mútua arquitectou. E tudo isto é literário, eu sei, mas – que queres? -, a literatura é o melhor de mim e é o melhor de mim que vive dentro da minha cabeça quando estou contigo.

E depois, afastamo-nos. Beijo-te a correr, não sei se já reparaste, e quase fujo, porque sair do pé de ti é regressar ao que não és tu, o teu olhar e as tuas mãos, a tua alma e a tua voz, e isso, meu amor, transformou-se no insuportável intervalo entre dois encontros.

Esta carta de amor é um excesso (e isso prova superiormente que é uma carta de amor): eu amo não a ideia de amar-te (durante muito tempo, eu julguei que era apenas isso), mas a ideia de perder-me no meu amor por ti. E mesmo amar-te é um excesso, porque tudo aconselharia que eu me limitasse a mitificar-te, que é a melhor forma de evitarmos enfrentar a realidade. Porque a realidade, aqui, é como uma dor difusa, tu sabes como é, um incómodo ainda não localizado, que progressivamente se vai definindo e acertando, até que, insuportavelmente nítida, a sua imagem se nos impõe como uma evidência. A minha dor é que eu comecei a amar-te, sem o saber, durante aquele breve período de tempo em que sair de casa era a promessa reconfortante de ver-te e falar contigo. Eu não sabia, repito, mas o tempo ajudou-me a definir essa pequena dor, tão secretamente pavorosa: cada vez que estou contigo (cada vez mais, meu amor, cada vez mais) é como se a minha vida se virasse do avesso. E é verdade, é cada vez mais verdade, que, quando penso nas coisas que ainda me falta fazer na vida, é em ti que penso. E tenho medo, como um animal que instintivamente foge do que sabe não poder atingir.

Eu penso em ti, ainda mais do que te digo, e tu estás em tudo, mesmo quando não te penso, tu és a grande razão, o horizonte sem nome que constantemente se desenha na minha imaginação de mim.

Há uns anos, este seria o momento de desmontar o discurso desta carta, de te mostrar os subtis mecanismos da alma e da máscara, de desdizer ironicamente o que já disse, de insinuar que, afinal, as-coisas-talvez-não-sejam-exactamente-assim. Mas as coisas são exactamente assim, e a carta, que poderia transformar-se num confortável exercício paródico, é, inevitavelmente, uma agonia e um embaraço. Esta carta é um acto de puro egoísmo, que eu até talvez nem tivesse o direito de praticar.
É-te incómoda, necessariamente, e isso bastaria para que eu me abstivesse de a enviar, dentro de um envelope azul. Mas o azul fica-te tão bem, e as cores todas ficam em ti como tu ficas no mundo: exactamente.

Mas, repito: esta carta é um acto de puro egoísmo, é como se não tivesse destinatário. E, no entanto,
é preciso enviá-la, para que seja uma carta de amor, para que faça sentido como carta. Para que seja amor. Mas podemos imaginar uma saída elegante: para que possas conservá-la como pura carta de amor, quero eu dizer, sem o embaraço de saberes que ela te foi escrita por alguém que não amas, não a assino. Dou-te tudo: até a hipótese de esta carta não ter sido escrita por mim.

«(E não, esta carta não pode ter sido escrita por mim. És tu – em mim – que me faz escrever o que eu não escrevo. E isso é – de novo – o melhor de mim.)»"

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Alphabet Aerobics

Daniel Radcliffe, o puto do Harry Potter, foi ontem à noite ao programa do Jimmy Fallon.
A entrevista foi pouco mais que desinteressante, até ao momento em que revelou uma obsessão: memorizar intrincados jogos de palavras cantados em ritmo frenético.
E é então que, com os The Roots no backbeat, nos saca este rap da cartola. 
Obrigatório ver a partir do minuto 1:00.


Absolutely brilliant !

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

"La pelota no se mancha !" *



* A lenda continua. E hoje, canchas do mundo inteiro !, é dia de aniversário. Celebremos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Crème de la Crème



Jack Bruce (1943 - 2014)

Em 1965, Eric Capton abandonava os Yardbirds que acusava de se estarem a tornar demasiado comerciais. Clapton, o purista virtuoso, não aceitava o caminho pop da banda e decide juntar-se a John Mayall e aos seus Bluesbreakers para trilhar o caminho honesto do blues rock. Não duraria muito, porque um ano depois, em '66 pega na sua guitarra e resolve criar talvez um dos mais célebres trios da história, tão influente como efémero, como tantas vezes acontece na vida.
Com o louco e frenético Ginger Baker na bateria e o feroz Jack Bruce, no baixo, voz e harmónica, senhor de técnicas nunca vistas, aparecem os Cream, uma banda poderosa, agressiva e ensopada no psicadelismo da época. Não foi preciso muito tempo para se tornarem responsáveis por um novo fenómeno na cena musical, de que os próprios Led Zeppelin foram uma das maiores living proof. Três ou quatros álbuns de originais depois, com 'Disraeli Gears' à cabeça, e outros tantos ao vivo e terminam.
Eric Clapton seguiu a carreira a solo até se tornar em monstro mais que sagrado. Ginger Baker meteu-se no jazz e Jack Bruce apostou em vários projectos que nunca alcançaram o estatuto-referência dos Cream.
So what ? Só por este legado já valeu a pena !



sábado, 25 de outubro de 2014

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Curtis Mayfield and The Impressions


Now I'm just a regular fellow
I don't need much
I don't need a Cadillac car
Or diamonds and such

But the woman that I hold
She's got to have soul
And then I'm richer than the richest gold
If the woman's got soul

'
Woman's Got Soul'

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

sábado, 18 de outubro de 2014

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

domingo, 12 de outubro de 2014

The Key of Life II

 
Malala Yousafzai - Prémio Nobel da Paz 2014

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

The Key of Life


Stevie Wonder, 1976

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Haverá pior do que Totti ?

Nunca este imperador tinha marcado em Inglaterra. Mas nunca também é tarde demais para se mudarem as coisas. Um golo que não é só golo, mas Super-Arte, como se ouviu num relato.
E quem é que diz que o terceiro filho da Loba do Capitólio tem quase 40 ?


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

"Haverá pior do que Nero ?" *

(Hubert Robert, 1770-1790)

«Têm sido realizados muitos filmes sobre Nero, mas nunca resistem a transformá-lo numa caricatura. Não há qualquer necessidade de o fazer; ele próprio já era caricatural. Essa depravação pitoresca atrai os biógrafos. Eu nunca seria capaz de escrever uma biografia de São Francisco ! E de certeza preferia jantar com Nero do que com Adriano.
(...) Ele era um monstro. Mas era mais do que isso. E aqueles que o precederam e lhe sucederam não foram melhores. Os monstros verdadeiros, como Hitler e Estaline, não tinham imaginação [como a de Nero]. Mesmo hoje, estaria à frente do seu tempo. Escrevi o meu livro há 35 anos, precisamente porque queria reabilitá-lo.»
Roberto Gervaso, sobre "Nerone"

"Haverá sempre dificuldade em 'reabilitar' um homem que, segundo testemunhos históricos, encomendou o assassínio da sua primeira mulher, Octávia; pontapeou até à morte a segunda mulher, Poppaea, quando ela estava grávida; ordenou o assassínio da própria mãe, Agripina, a Jovem (possivelmente depois de ter relações sexuais com ela); talvez assassinasse também o seu irmão adoptivo, Britannicus; deu instruções ao seu mentor, Séneca, para que cometesse suicídio (o que ele fez, com solenidade); castrou um jovem adolescente, casando-se de seguida com ele; supervisionou o incêndio de Roma, em 64 d.C. e atribuiu as culpas a um grupo de cristãos (incluindo São Pedro e São Paulo), que foram presos e decapitados, ou crucificados e atirados às chamas para iluminarem uma festividade imperial. As provas contra Nero parecem ser definitivas. E no entanto... "

in National Geographic - Setembro de 2014

* poeta Marcial.

sábado, 4 de outubro de 2014

Soul Man


The revolution will not be televised.

The revolution will not be brought to you by Xerox

In 4 parts without commercial interruptions.

The revolution will not show you pictures of Nixon

blowing a bugle and leading a charge by John

Mitchell, General Abrams and Spiro Agnew to eat

hog maws confiscated from a Harlem sanctuary.

The revolution will not be televised.
('Pieces of a Man', de Gil Scott-Heron, 1971)

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Being John Malkovich




Ou being everybody else.
Por Sandro Miller na Catherine Edelman Gallery (Chicago).

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Oslo (último dia)

No último dia o despertador não toca. Não o liguei, apesar de querer. O sub-consciente trabalha de uma forma curiosa. Como se fosse para ficarmos cá.
Com pouco tempo, vamos directos a uma "travel bookshop" que tinha visto na véspera, a 'Nomaden'. Têm os guias todos do mundo, mapas pendurados, globos terrestres de vários tipos e tamanhos, equipamentos de viagem, tudo para todo o lado. Dá vontade de partir já para outro sítio. Compro um livro sobre a Noruega e vêm também um par de binóculos para o Rodrigo, uma bússola para a Matilde, e para a Carmo um ursinho polar.
Olho para tudo pela última vez. Olho. Oslo. Olho. Oslo. Olho.
Está.


Pois estes noruegueses têm qualidades. Ainda o Estado Social. A organização da sociedade. O civismo e o zelo pelo bem comum, pelo interesse colectivo, pela propriedade. O respeito máximo pela igualdade. A calma e naturalidade desse assunto, nos direitos e em tudo.
O design. O traço claro, o pragmatismo das linhas e do raciocínio. A competência e seriedade no trabalho. Um povo que horroriza com ilógicas perdas de tempo, com o desperdício e com a corrupção, que nem compreendem bem. Para quê ter mais para mim se todos ganhamos mais somando tudo?
A ordem para eles é segurança, e, por isso, é quem os faz rígidos e inflexíveis ao que sai da regra e do hábito. Por medo até. Que é onde entra a frieza, uma certa reserva no trato ao estrangeiro. Porque olham para o sol dos latinos como horizonte.
Esse lado, afinal humano, para mim muito interessante, quando os notei procurando compreender-nos. Onde nós entramos. Explicando-lhes o barroco, o tempero da linha arredondada, que não acaba o mundo se adaptarmos a norma ao dia, e que a vida não é uma ciência exacta. Que há virtude e graça no improviso e muito mais para além do lado certo da estrada. Que ser sanguíneo não é ódio. Apenas impulso. E excesso. E como dá saúde ter até momentos de perdão inesperados. Que é o que a boa moral oferece à lei.
Mas sem que nada substitua o gosto olfactivo das coisas. O perfume que invade tudo o que é Sul, e que aqui jaz longe, enterrado, levado entre o ar frio e seco, que espanca mesmo uma pessoa com mau nariz como eu. 
E no meio disto tudo, a Noruega é um país tremendo de talento natural a que só um morto pode ficar indiferente. Escandaloso de contrastes e bruto de força. Esmagador de belo. Só que admirando (de uma certa maneira) a forma como vivem e vêem o mundo, regresso não norueguês. Como voltei não islandês. Porque não me raptaram como Irlanda ou Argentina, ainda hoje duas pátrias no meu coração.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

de Trondheim a Oslo (6º dia)

Chegamos ao carro e temos aquilo que parece ser uma multa no pára-brisas. What the... ?!
Lembro-me perfeitamente de ter colocado moedas no parquímetro suficientes para o dia seguinte e ainda dei uma ou duas voltas à procura do lugar certo, mas aparentemente fiz merda. E a Cristina até tinha avisado. E agora tenho um bicho de 500 Coroas nas mãos.
Levo o papel à recepcionista do hotel para o decifrar. Estacionei fora do lugar demarcado. E agora ? pago ou reclamo ? Não pagar não é obviamente hipótese. O carro é alugado e depois a AVIS manda-nos a conta que, nessa altura, conhecendo bem estes nórdicos, será já o triplo ou quádruplo do valor. E agora ? Pago ou reclamo ?
Reclamo, claro. Como não ? Vou perder tempo, certo, e se estivesse com o meu amigo Sérgio, ele até se oferecia para pagar só para não se ter que chatear mais com o assunto.
Mas como, se até tinha posto moedas ? É injusto, mesmo que (reconheço agora) o carro tenha ficado "ligeiramente" fora das marquinhas. Ok,talvez não tenha sido só ligeiramente.
Dirigimo-nos à rua da entidade autuante onde chamo o superior.
É uma superiora, com cara de icebergue. Traz com ela uma pasta com o processo, com fotografias de vários ângulos, tudo rematado e indiscutível. A organização destes gajos é espectacular.
Explico uma primeira vez o que aconteceu. Responde, imperturbável, que não pode fazer nada. Dou-lhe uma visão lógica e inocente do problema, que se pensasse que pudesse ser multado não teria inserido moedas na caixinha. Que o carro não chateava ninguém, nem estava em cima da passadeira. Que achava (no meu curto entendimento) que o sinal indicava a zona e não o início do local do estacionamento. Glaciar. A superiora não cede.
Volto à carga, embora começando já a duvidar da minha capacidade de a derreter. Diz agora que compreende. Boa !, já não me foge.
Aproveito o balanço e ataco ao coração: "No meu país o valor da multa dá para uma refeição excelente para uma família inteira !", ataco à boa moral: "Não acredito que queiram ficar com o dinheiro dos turistas !", Bingo ! Pede-me o papel de volta e diz-nos para esquecermos o assunto. Agradeço quase tão luterano como ela, mas por dentro exulto. Hoje ensinei a estes nórdicos a palavra tolerância.
[foto: andré]

Saímos então de Trondheim e apanhamos a estrada para Roros, uma antiga cidade mineira, património da Unesco, e onde paramos para beber café e passear na rua principal.
De volta à estrada, já longe das montanhas, reparo no rio e numa igreja com uma cerca branca. Está sol e é um prazer conduzir num dia assim.
Seguimos para Oslo. Estamos a concluir o círculo que iniciámos. Faltam ainda 400 kms e só 100 é que são em auto-estrada. E depois ainda há os limites de velocidade, aqui sagrados e cumpridos como quem reza o terço. Vai demorar. 
Regressamos a Oslo e é noite assente.

Total da viagem de carro: 1.250 kms.
Total da viagem com os 464 kms de comboio para Bergen: 1.700 kms.

Temos de entregar o carro, mas perdemos o corte certo. Depois perdemo-nos um pouco mais dentro da cidade. É sexta-feira e devemos ter dado sinais evidentes de má condução, porque um carro de polícias à paisana manda-nos encostar. Queres ver que hoje é dia de multas ? 

Explicamos. Sacudimos os mapas. Fazemos um ar aflito e baralhado. Pioramos o nosso inglês. 
Perguntam-nos de onde somos e acabam a escoltar-nos eles próprios à AVIS. Agora sim, ensinam-me eles o significado de tolerância.
Jantamos numa cervejaria perto do Hotel Saga, onde nos instalamos. Este fica mais longe do Centro-centro. Na zona alta, de prédios com fachada arte-nova. O tipo de hotel em que ficaríamos sempre que viéssemos a Oslo.
[foto: andré]