domingo, 29 de maio de 2011

A cauda da lagartixa

conheciam-se há anos...


Eu sou a pôrra da lagartixa a quem raparam o rabo. Amputado à bruta. Sem cauda, sem aviso, sem pena (com pena talvez), decepada numa rajada.
A quem disseram não te chegues que envenenas. Não te atrevas, nem sonhes. Vai-te que só trazes olhos com veneno. Quem és ? Quem é esse choque ? Leva-te.
E Zás ! Guilhotinado.
Nem deu para perceber.
Mas sabes o que me lixa mesmo ? É vê-la ali, para um canto. A espichar. A estrebuchar interrompida.
E senti-la como se ainda viesse agarrada a mim.


['Blow-Up']

sexta-feira, 27 de maio de 2011

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O jardim das Amoreiras

No pequeno lindo jardim das Amoreiras, do quiosque verde onde me sento a beber café e a ver as gordas dos jornais. A olhar para os miúdos como se não fosse já novo.
No pequeno lindo jardim das folhas grandes que coam o sol que quenta muito neste mês de quente. E então refresca.
Onde os pais se prometeram, na capela da Senhora de Monserrate, e onde agora está um grupo descalço a fazer 'Capoeira' e a tocar berimbau. Logo ali, em frente à Mãe d'Água, que começa daqui o grande rio que destila.
Do outro lado da Antiga Fábrica dos Tecidos de Seda.
No pequeno e lindo jardim das Amoreiras, enfim, da casa dos dois pintores amantes e por quem escrevo agora na estrada (enquanto conduzo, sim, porque não aguento e não tenho gravador), porque o Estado sobra de pasmo naquilo que é nosso e devia ser, e agora a casa fica vazia.

 Arpad Szenes
Helena Vieira da Silva

No expectations



Take me to the station
And put me on a train
I've got no expectations
To pass through here again

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Campo (demasiado) Minúsculo

A única razão que me obrigava a falhar o jogo do campo de Agronomia, rapazes.


Antes de pisarem o palco, ouçam lá o Mestre. Bob Dylan. Faz 70 anos, percebem? Ouçam bem o Mestre. E nós aplaudimos que é lição de humildade.
O ar a cheirar aos festivais. O Meco que não está longe. O rio também não. Os corpos terrivelmente melados, do calor, do sal, do suor, do fumo e da cerveja. Menos o pó.
Aqui a troika troika troika não entra. E todos se riem da crise. Pelo menos enquanto houver prata. Parece que a cospem. Para varrer a poeira desgraçada do futebol.
Duas horas. Já vamos em 5 encores que parecem a terceira parte do concerto. Matt Berninger desaparece, mergulha no meio dos corpos melados da plateia que é arena e é toda em pé. Continua a cantar "Terrible Love" agarrado ao microfone e à âncora enorme do cabo gigante que o liga ao amplificador. Pensamos que ninguém vai mesmo embora. Porque soltam mais uma canção. "Vanderlyle Crybaby Geeks", versão que não é só acústica. É totalmente unplugged. Sem fios. Sem cabos. Sem amplificadores. Sem som que não seja o de uma sala toda em voz.
Com quem vou amanhã para a estrada. Seis e meia da manhã, porque agora ainda varanda. 
A cobertura semi-aberta do Campo (demasiado) Minúsculo deixava entrever algumas estrelas. Uma é da mana que está neste momento a meter mais uma miúda cá fora. Estavam lá todas.

terça-feira, 24 de maio de 2011

domingo, 22 de maio de 2011

Live Forever

Os Oasis já não existem. Há algum tempo, aliás. Nunca existiram muito bem.
Uma banda de membros intermitentes conforme os nervos do momento. Sobretudo dos irmãos Gallagher. Até chegar a vez de Noel chutar tudo para o canto.
Liam pegou no que restava da banda e chamou-lhe os "Beady Eye". E anda para aí.
Os Oasis (que assisti ao vivo) tocaram bem, fizeram três ou quatro discos porreiros e ajudaram ao boom da brit-pop dos anos '90, quando a música parecia não saber bem para onde ir. Os tablóides deliraram com estes rapazes, com os excessos, as zangas, e com os bares partidos. Também por causa dos derbys com os Blur.

A questão com a música é que, se ouvir bem, continua.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Pola Women


Ir a Berlim e não conhecer Helmut Newton é viver de olhos completamente fechados. É ignorar tudo o que há de belo à nossa volta e que pode aparecer num instante, sem supor, sem sequer sonhar, enquanto se piscam os olhos.

Depois da fotografia, agora as polaroides.
Jebensstrasse 2

D - 10623 Berlin
Germany

Train and subway station

Zoologischer Garten
Exit Jebensstrasse
Opening Hours

Tuesday – Sunday 10 a.m. – 6 p.m.
Thursday 10 a.m. – 10 p.m.

Dogs of War


"Like all dogs, I need love."

Iggy Pop, 'Uncut', Junho '11

terça-feira, 17 de maio de 2011

O que realmente interessa em Dublin







Mediterranean Sundance

Em 1980 três dos maiores virtuosos da guitarra ainda vivos juntaram-se num concerto, mais tarde editado em disco e que é hoje um clássico. Ficou conhecido como Friday Night in San Francisco e é uma fusão explosiva de estilos  que nem são flamenco e jazz.
São outra coisa, nos dedos.
Com Al Di Meola, John McLaughlin e Paco de Lucía abençoamos os sentidos.
Com "Mediterranean Sundance" pedimos que nunca acabem os minutos mais curtos das nossas vidas.



Anos depois - o ano é 1996 - voltaram a reunir-se para as guitarras conversarem mais um pouco.

domingo, 15 de maio de 2011

World Press Photo '11

[rasputine]

Foi despejada.
Posta fora. Renegada pelo Museu da Electricidade, a casa dos tectos industriais da antiga central termoeléctrica que era perfeita. E não justifica terem lá posto quadros, esculturas e instalações modernas. Não interessa. Não punham.
Desviada. Atirada ali para o lado, ainda para mais para o lado para a humilhação ser maior, para uns barracões pré-fabricados, de calor e contraplacados. 
A WPP este ano chora, e não é de beleza ou dos chutos das fotografias que exibe.
É do escuro bafiento do agasalho. Porque é impossível ver fotografia no aglomerado de gente que transpira naqueles malditos barracões que são caixas de cartão.
A WPP este ano sofre. Este ano azeda.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Como a certeza das estações do ano

A primavera dos hábitos bons.
Descer as avenidas de livros e fazer os corredores inteiros.
Bibliotecas recheadas enquanto regressam os jacarandás que vieram do Brasil e cercam completamente o Parque.
Depois subir sentido contrário a maravilha da fila de pavilhões.
E acontecer como um dia passarem o "Walden, Ou a Vida nos Bosques" (H.D. Thoreau, ed. Antígona) por baixo do balcão, envolvido num papel pardo e clandestino, porque só ia para as livrarias depois. Obrigado disse-lhe eu.
Como pode quem não vai ?
Mesmo com este calor que não costuma.

[Kayser]

a nova polémica púbica

A mais recente (e interessante) polémica da vida política do burgo veio das palavras de Catroga, um homem que obviamente OS menospreza.



Porque neste país a memória é curta, convém recordar que no passado houve quem OS glorificasse.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

segunda-feira, 9 de maio de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Para Marine Le Pen

O único Maio que tenho no bolso.

Ferré a protestar "Ni Dieu, ni Maître".
Bertolluci a filmar "Os Sonhadores" e Philippe Garrel  "Les Amants Réguliers".

Com um elemento constante: o sacana do rebelde-e-sobranceiro de nariz quase torto, o puto Louis.
Talvez se apaixone por ele.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Edição de Coleccionador


... Mas não lhe chamem Justiça. As palavras têm um significado. Digam que é a resposta a um acto de guerra ou que se trata daquilo que o título de jornal evidencia.
E, por favor, não reclamem também que o Mundo é um lugar mais seguro. Ninguém acredita.

domingo, 1 de maio de 2011

fim-de-semana de 716 páginas

"Cassino, Italia 1944. La Collina del Monastero si erge sul campo di battaglia insanguinato. Fortificato dai tedeschi, costellato di posti di osservazione, mitragliatrici e mortai, è una immobile ma costante minaccia per gli uomini al riparo dietro le trincee: la manovra di sondamento che tentano di eseguire spianerà loro la strada per Roma. Ma la nostra storia parla di uomini e non di montagne..."