sexta-feira, 18 de agosto de 2017

the Power of the Gospel


As paredes escorriam suor e não foi só por estarmos em Agosto e o Coliseu a rebentar. 
Ben Harper tratou de fechar a digressão a solo na Europa com perto de três horas de paixão e revolution que é aquilo que oferece ao mundo. Esculpindo o som com a violência de um cinzel e a precisão do ourives. 
"It's what we do with what we feel". Guitarras que parecem gente e voz feita sangue.
Um dia talvez se diga que hoje houve dois sismos.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

'Paterson', de Jim Jarmusch



Silêncio. Rotina. Tempo. Os dias iguais. 
Paterson que é Adam Driver e uma linda iraniana chamada Golshifteh Farahani que é Laura. 
Poesia.
O amor pelas coisas simples e belas. Como um fósforo.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Planet Departure

Van Gogh Alive: the experience

video

Cordoaria Nacional
(com Debussy, Lakmé, a Gymnopédie e outros clássicos como banda sonora)

quarta-feira, 26 de julho de 2017

You will miss me when I burn



Bonnie Prince Billy. Teatro da Trindade. Qualidade ZDB.
Hoje não estou lá companheiro.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Talk Tonight

O disco é de 98. Comprei-o logo. 'The Masterplan', um conjunto de lados B's dos Oasis. Na altura do big-brit-bang.
O vídeo é de agora. Regressou (como regressam às vezes as coisas) com uma nova roupagem.



Sittin' on my own
Chewin' on a bone
A thousand million miles from home
When something hit me
Somewhere right between the eyes

sábado, 22 de julho de 2017

"Isto aqui é Lisboa"

(foto: João Costa)

Luís Severo. Guitarra, teclas e voz.
É sempre interessante apanhar um gajo ainda no começo, mesmo que o órgão estivesse com feed-back a mais. Mas isso até deu um lado honesto à música.
No Lux. Numa sala que parecia do Blow Up. Não mais que 100, 150 pessoas mas com dois pares de amigos semi-novos.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Thinking of a Place



I remember walking against the darkness of the beach
Love is like a ghost in the distance, ever-reached
Travel through the night 'cause there is no fear
Alone but right behind till I watched you disappear

sexta-feira, 14 de julho de 2017

O cúmulo da metamorfose



Eu bem disse.... que no Brasil o cúmulo da metamorfose era Lula virar polvo.

(foi há 12 anos)

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Rendo-me

E não foi fácil. Foram precisos muito mais de que simples mapas e caras bonitas. Foi o derrotar de toda uma muralha ao fenómeno séries em geral e a um certo tipo de ficção. Mas esta é a hora final, tempo de expurgo e de confissão.
Começa segunda-feira. A sétima dos Sete Reinos.



sábado, 8 de julho de 2017

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Bullets over Lisbon


O Coliseu não é o Carlyle em Manhattan, mas a noite talvez se tenha aproximado dos bares e bordéis de Bourbon Street, pelo menos em rag e swing.

sábado, 1 de julho de 2017

Hostage


«- Being a hostage is worse than being in prison. In prison, at least you know why you're locked up. There's a reason. Whether it's right or wrong, at least there's a reason. But being a hostage is just bad luck. Wrong place, wrong time. In prison, you know when you'll get out, the exact date... You can count down the days you've got left to go. Here, all I can do is count the days that have passed without knowing when it'll be over.»
"Christophe André was on a mission with Doctors Without Borders when he was kidnapped in Nazran on July 2, 1997. Despite this harrowing experience, he remained committed to humanitarian work. After six months of well-deserved rest, he returned on a mission for DWB an continued to work for the organization for another eighteen years."

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Life Achievement

Bill Russell. O primeiro astro negro do basket. 
11 títulos de campeão da NBA em 13 anos não é para todos. 
Mas fazê-lo numa altura de segregação nos Estados Unidos da América, e utilizá-lo na luta pelos direitos cívicos dos afro-americanos, sendo capaz de manter ao longo da vida a humildade e a generosidade com os outros, isso não tem preço.
E depois, que atitude perante a vida !
«After receiving the Lifetime Achievement Award at the NBA Awards Monday night, Russell pointed individually at legendary centers Kareem Abdul-Jabbar, Alonzo Mourning, Shaquille O’Neal, David Robinson, and Dikembe Mutombo, who were on stage with him, and delivered a line that brought down the house.
“I would kick your ass,” he said.» (Boston.com)

(ver a partir do minuto 2'17'')
[ver em especial a partir do minuto 4'51'']

segunda-feira, 26 de junho de 2017

domingo, 25 de junho de 2017

"Luto Nacional", por Vasco Pulido Valente

…hopes expire of a low dishonest decade…





«A primeira obrigação do Estado é garantir a segurança física dos cidadãos. Em Pedrógão Grande o Estado Português não a cumpriu e mostrou assim a sua fraqueza e a sua essencial ilegitimidade. Na sopa de aletria da meia dúzia de agências ou subagências governamentais que intervieram no caso, ninguém se entendia sobre nada. A que horas tinha começado o fogo e porque tinha começado? Porque não se tinha fechado a tempo a chamada “estrada da morte”? Porque não se tinham evacuado as pessoas que deviam ser evacuadas? Tinha caído um avião ali, a uns quilómetros, ou não tinha caído um avião? Existia um jornalista fantasma ou não existia? O que transpirava desta confusão eram informações contraditórias das várias autoridades envolvidas, todas visivelmente preocupadas em sacudir a água do capote para o parceiro do lado. A cena foi deprimente e aterradora. E no meio do caos, para o completar, desembarcaram o primeiro-ministro e o Presidente da República, com fatos de bombeiros, que não iam lá fazer coisa alguma de útil ou louvável, excepto evidentemente exibir a sua alma, exercício que ninguém lhes pedira ou agradecia. 

Este espectáculo, pelo mortos e pelo sofrimento dos que não morreram, comoveu o país. Mas o mesmo país habitualmente assiste em paz de espírito às mais graves demonstrações da incompetência e degradação do Estado: investigações criminais que duram anos e anos (como a de Oliveira e Costa e, a seguir, a de Sócrates, a de Ricardo Salgado e as de várias dezenas de suspeitos menores); julgamentos sem fim; a maior dívida da história, que vai crescendo; políticas que se atenuam, interrompem ou simplesmente se metem na gaveta para não ofender parcelas ínfimas do eleitorado; actos egrégios de nepotismo e compadrio; a corrupção que se manifesta ou descobre em cada recanto da vida corrente e da vida pública nacional. O parlamento, depois de lamentar a infindável sequência de comissões de inquérito para prevenir incêndios, que não chegaram a parte alguma, nomeou outra comissão de inquérito; e as “personalidades” que roubaram milhões continuam a passear tranquilamente pelas ruas.

A grande pergunta é simples: porque havia de aparecer em Pedrógão Grande, por milagre flagrante do Altíssimo, um Estado previdente, eficaz e responsável? Não apareceu; e, como de costume, os mais fracos pagaram a conta. Seria bom que fizéssemos mais três dias de luto. Por nós.»


in 'Observador' (25.06.17)

quarta-feira, 21 de junho de 2017

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Heróis


(a Amélia e a velha casa de Pedrógão Pequeno felizmente a salvo)

sexta-feira, 16 de junho de 2017

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Here



I feel like history on the turntables
Old school to new school
Like nothing ever been realer
On the history of the turntables
I’m the mystery of what’s inside the speaker cables
I’m Nina Simone in the park and Harlem in the dark
I’m the musical to the project fables
I’m the words scratched out on the record label
I’m the wind when the record spins
I’m the dramatic static before the song begins
I’m the erratic energy that gets in your skin
And if you don’t let me in
I’m the shot in the air when the party ends


'The Beggining (interlude)' 
Alicia Keys

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Submissão


"- É a submissão - disse o Rediger baixinho. - A ideia espantosa e simples, jamais expressa anteriormente com essa força, de que o máximo da felicidade humana reside na submissão mais absoluta. Trata-se de uma ideia que eu hesitaria em apresentar aos meus correligionários, algo que eles talvez considerassem uma blasfémia, mas para mim há uma relação entre a absoluta submissão da mulher ao homem, tal como é descrita em História d'O, e a submissão do homem a Deus, tal como é encarada no islão. Repare - prosseguiu ele -, o islão aceita o mundo, aceita-o integralmente, aceita o mundo tal qual ele é, para usar a terminologia de Nietzsche. O ponto de vista do budismo é que o mundo é dukka, desadequação, sofrimento. O próprio cristianismo manifesta sérias reservas: Satanás não é qualificado como «príncipe deste mundo»? Pelo contrário, para o islão, a criação divina é perfeita, é uma obra-prima absoluta. O que é o Corão, no fundo, senão um poema místico de louvor ? De louvor ao Criador e de submissão às suas leis."

terça-feira, 13 de junho de 2017

No respect


Quando os Golden State foram campeões da NBA em 2015 convenceram toda a gente. Já não ganhavam o título há 40 anos e era o basket mais excitante da competição. Splash brothers e ressaltadores feitos de músculo que dominavam a painted area. Puro rock 'n' roll. Ainda não era desta que LeBron James levaria o título para Cleveland - uma cidade que nunca ganha(va) -, ele que regressara a casa só com isso nos olhos.
No ano seguinte, os Warriors teriam que revalidar o título se queriam iniciar uma dinastia. Mas LeBron tinha ficado com a dívida atravessada, e depois de um 3-1 à maior para Curry and friends, decidiu que era hora de a pagar. E em dobrões de ouro. O que se seguiu foi um live or die e o orgulho a mandar em tudo, escrevendo a maior reviravolta da história da NBA. Os Cavs finalmente campeões.
Este ano, quando se esperava que os Warriors fossem reclamar aquilo que tinham perdido, chamaram o irmão mais velho. Kevin Durant, um brutal jogador, que lança de três pontos da mesma maneira como afunda, e que assiste ou ressalta como se fosse Magic e Dennis Rodman ao mesmo tempo, achou que um anel no dedo é que era e, apesar de no ano anterior ter colocado os Golden State à beira da eliminação, resolveu deixar Westbrook sozinho com o trabalho todo pela frente e alinhar pela equipa que lhe podia garantir o êxito: os mesmíssimos Golden State.
Bem, este ano era mero protocolo.
Os Warriors ganharam, é certo, mas não varreram. LeBron, Kyrie e Love não deixaram.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Almada interminável


Almada Negreiros no CAM da Gulbenkian (a nossa Serralves). O artista futuro, que dizia que as pessoas que mais admirava eram "as que nunca acabam". Almada nunca acaba. É interminável.

sábado, 3 de junho de 2017

O ano 50 da Revolução

Leio que o Sgt. Pepper's faz 50 anos. Já sabia. Está tudo a celebrar.
E se é feita agora uma reedição do disco com remix, novas faixas e memorabilia a saltitar, também eu recupero o que escrevi aqui há sete anos sobre o melhor álbum rock da história.
Porque é tão profunda a pegada que me calcou e tão forte a memória que dele tenho, que quando lhe pego, ou oiço, ou vejo, regresso sempre à mesma história.

*

O "Seargent Pepper's Lonely Hearts Club Band" é um marco na história da música pop do século XX. Colocado pela Rolling Stone no topo dos 500 melhores álbuns de todos os tempos.
Mas não é preciso trazer para aqui todas as razões que fazem dele uma obra-prima essencial em qualquer discografia que se preze.
É um álbum fundamental. Para mim que comecei a escutá-lo aos 10 anos, quando o descobri lá em casa no meio dos outros vinis dos meus pais.
Lembro-me que tinha 10 anos porque sempre fui um tipo dado a paixões. E lembro-me de me ter apaixonado por uma miúda chamada Rita.
A Rita andava no 1º ano como eu, mas noutra turma. E um dia, alguém me veio dizer que ela gostava de mim. Fiquei apalermado, porque eu também gostava dela.
Rapidamente, um dos meus amigos fez chegar a notícia ao outro lado e marcou-se um encontro. Na altura não percebi muito bem porque é que tinha que ser assim, mas, ao que parece, íamos conhecer-nos. No recreio, à hora marcada, apareci eu e ela. Uma amiga dela e um amigo meu. Pareciam padrinhos. Ridículo.
Ficámos a olhar um para o outro, com cara de parvos, tenho a certeza, e os nossos amigos a quererem que nos beijássemos ali, à frente deles. Era um espectáculo. Apresentaram-nos e ficaram à espera. 
Não mexi um músculo. Nem sei se disse mais do que o meu nome. Talvez um olá. Tocou a campainha para as aulas e pisguei-me. 
Mas dali para a frente, sempre que a via, dava-lhe um toque na saia, ou na mão, ou soprava-lhe qualquer coisa por cima do ombro. Até que um dia, vendo-a sozinha a passar com os cadernos debaixo do braço, chamei-a para trás dos pavilhões e, sem lhe dizer mais nada, dei-lhe um beijo. Estava apaixonado.
Agora é que entra o "Sgt. Pepper's". Sempre que pensava nela, ia pôr o disco a tocar. No lado B, faixa 3: Lovely Rita
Não sei o que aconteceu à Rita, mas quando deixei de pensar nela, continuei a estudar o melhor álbum rock de sempre. Até descobrir a última faixa do disco. Uma canção dividida em duas partes e composta com dois bocados, um do John Lennon e outro do Paul McCartney.
Just "A Day in the Life".


terça-feira, 30 de maio de 2017

O terceiro filho da Loba



Amo Roma. Desde que lá comecei a ir, tinha 13 anos. Depois voltei. Uma, duas, três vezes. Na última nem podia andar, mas fomos felizes numa Vespa à Nanni Moretti que tornou o mapa mais fácil e permitiu a viagem, desenhando esses e mais esses por todas as ruelas e avenidas. De que saltávamos para um gelato e um café. 
De Roma guardei sempre o prazer pela vida. A alegria e o apetite pelas coisas boas e lindas que ela nos pode dar. Fosse num beco da via Margutta, na 'Fabriano', onde se compram lápis e cadernos, ou numa igreja onde nunca entrámos antes e cujos tectos nos comovem, e que nos salva do calor ocre e húmido antes de nos mandar para uma esplanada no Campo dei Fiori. A Grande Beleza. 
Amo Roma.
E Totti é tutta la Roma. Não precisou de vencer muitos títulos pela nossa amada cidade, mas é. Um campeonato, duas Taças de Itália e duas Supertaças. E essa história acaba aqui.
Não é, então, por isso qu'il Capitano ganhou o respeito da história. Nem sequer por ter sido campeão do mundo, quatro meses depois de uma fractura do perónio de que recuperou contra médicos e prognósticos, só porque queria. Como se antecipasse o destino que o faria desempatar um 0-0 horrível no prolongamento dos oitavos de final contra a Austrália com um penalty marcado ao ângulo. Não. Não é por isso.
É que no mundo-cão do futebol é coisa rara tanta devoção por um só clube e pela cidade que nos criou. No meio de tanto mercenário, de centenas que só vêem fama, instagram, prémios e dinheiro, este príncipe fez diferente e escolheu o amor puro. Que só se tem quando se é menino. Pela terra e pela família. 
E, mesmo que o tivessem dado tantas vezes como acabado, sempre com a alegria de quem ainda brinca no bairro. Sempre com um bocadinho mais de Arte para oferecer... bem, a... todos. 
Agora, com 40 anos (olha outro desta geração), fez o último jogo pelos giallorossi e diz que tem medo. Vai deixar a loba do Capitólio e eu não sei quem fica mais órfão: se ela, se nós, que amamos o futebol e o eterno regresso a Casa.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Dobradinha é triplete

Tenho um amigo que diz que é do tempo em que não se celebravam os títulos do Benfica.
Eu também era desse tempo, não somos ?

... mas há coisas que ainda nos comovem.


(via mano)

domingo, 28 de maio de 2017

sábado, 27 de maio de 2017

Resgate


(Miró, pela Carmo)

Salvaram os Miró. Do naufrágio que Portugal era. Recuperados do desespero para um país que nem sempre entende a sorte que também ocorre na desgraça.
Em Abril, Serralves - que também é casa - ofereceu-nos o pecúlio do resgate.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

o ECOBOL é isto mesmo




in 'Público'

"Carta a um filho após o atentado de Manchester", por JMT

«Ainda há cinco dias estavas no Meo Arena a assistir ao filme-concerto do Harry Potter – tenho pensado nisso nos últimos dias. Aquilo que aconteceu em Manchester poderia ter acontecido em Lisboa. Nós temos a sorte de viver num país pequeno, com uma comunidade muçulmana pacífica e integrada, mas os terroristas islâmicos odeiam da mesma forma ingleses, americanos, franceses, belgas, alemães, suecos ou portugueses – não porque lhes tenhamos feito alguma coisa, mas porque não aceitam a maneira como vivemos. Odeiam-nos por aquilo que somos, e esse é o pior ódio de todos. Para eles, o bem que possas fazer ao longo da tua vida não compensa todo o mal que representas neste momento. É uma ideia horrível, eu sei, mas não desesperes: cada um de nós tem a arma certa para combater essa ideia. O papá, a mamã, os teus manos – e tu também.
Desde logo, perante tanto ódio, a primeira coisa que deves sentir não é medo, mas gratidão. Uma gratidão profunda por teres tido a sorte de nascer em liberdade, num país democrático, onde cada um de nós – e também os partidos, o Governo, os tribunais – acredita que todas as pessoas têm os mesmos direitos, sejam elas velhas ou novas, ricas ou pobres, cultas ou analfabetas, homens ou mulheres, cristãs, muçulmanas ou ateias. Os terroristas islâmicos não aceitam isso. Aliás, eles odeiam tais ideias. Mas foram esses princípios, pelos quais muitos homens bons e corajosos lutaram e morreram ao longo dos séculos, que nos deram tudo o que temos: a paz, a prosperidade, a possibilidade de cada um alcançar os seus sonhos se trabalhar o suficiente e tiver suficiente talento. Eu sei que tu nunca conheceste outra forma de viver, e dás isso por adquirido, mas há muita gente que não tem a tua sorte. Tens o dever de honrar a memória de todos os que lutaram – e ainda lutam – pela liberdade. Outra coisa que tens de fazer, apesar de todo o horror que vês na televisão, é lembrar-te que por cada gesto de ódio há mil gestos de bondade. Por cada terrorista que se faz explodir há mil pessoas que ajudam as outras, que as levam a casa, que lhes dão abrigo, que curam as suas feridas, que as consolam. A esmagadora maioria das pessoas à tua volta é gente boa, que todos os dias dá o seu melhor. Nunca, mas nunca, cedas ao desespero de achar que no mundo a maldade supera a bondade. Se nós hoje vivemos muito melhor do que há mil anos, se hoje em dia o mundo é um lugar muito menos violento, é porque no coração do ser humano a luz ganha às trevas. Pode não ganhar todas as vezes. Pode não ganhar durante muito tempo. Mas a bondade, o amor e a justiça são para nós o que os dentes e as garras são para os predadores – instintos preciosos que preservaram a nossa espécie ao longo de milénios. E nunca te esqueças: apesar do teu tamanho e da tua idade, já tens a arma mais importante de todas para combater estes homens terríveis. Esquece as pistolas e os coletes à prova de bala – a melhor forma de derrotar os terroristas é continuares a fazer o que fazes todos os dias. Não deixares de ir a um concerto porque tens medo. Não deixares de viajar porque tens medo. Não deixares de ser simpática para quem é diferente de ti porque tens medo. Podes sentir medo, claro. Mas a tua coragem deve superar esse medo. Numa guerra onde há quem queira destruir tudo o que amas, continuares a ser quem és e a fazer o que te apetece é a mais bela forma de resistência.»

João Miguel Tavares, in 'Público'

quarta-feira, 24 de maio de 2017

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Say Hello 2 Heaven


Chris Cornell (1964 - 2017)

quarta-feira, 17 de maio de 2017

"Dirt Road Blues" *

«On the Road»

Madruga. Agarra num grupo de CD's e no volante. Quatro horas e três auto-estradas para aterrar em Lamego. Almoça que é aquilo que pode levar. No Tribunal a coisa resolve-se. O sol ajuda. Pé na estrada. Mais quatro horas. E três auto-estradas. Faz telefonemas para não ter sono. Chega a casa e deita-se no chão para arranjar as costas.

* 'Time Out of Mind', Bob Dylan

domingo, 14 de maio de 2017

sábado, 6 de maio de 2017

The Truth always floats on top

As lendas são assim. Paul Pierce retirou-se da NBA. Ao fim de quase 20 temporadas.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Aula Magna


José González canta como se a voz fossem as outras cordas das suas violas que não toca como violões mas como guitarras com o Mi Grave a marcar o compasso e fosse um contrabaixo e as 4 primeiras cordas os faróis do comboio de mercadorias que atravessa o silêncio quente da madrugada onde nós vamos pendurados e a Europa fosse a Argentina nos Estados Unidos.

domingo, 30 de abril de 2017

Sweetheart of the Rodeo

Em 1968, os Byrds revolucionaram o rock.
Quando as grandes bandas viviam mergulhadas no psicadelismo, e quando toda a gente esperava que a música vivesse para sempre imersa no ácido, ofereceram-nos country e Gram Parsons.

sábado, 29 de abril de 2017

estes momentos...



São Jonas é o 13º Apóstolo.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Devils and Dust


«Voltei muitas, muitas vezes para visitar aquelas ruas, percorrendo-as em tardes de sol, noites de inverno e às horas desertas do anoitecer. Descia a Main Street depois da meia-noite a observar, à espera de que alguma coisa tivesse mudado. Olhava para as janelas iluminadas das casas por onde passava, pensando qual delas seria a minha. (...)
Voltava vezes sem conta, em sonhos e sem ser em sonhos, à espera de encontrar um novo final para um livro que tinha sido escrito há muito tempo. Guiava como se aqueles quilómetros pudessem reparar os estragos feitos, escrever uma história diferente, obrigar aquelas ruas a revelar os seus segredos tão bem guardados. Mas não podiam fazê-lo. Só eu é que podia, e eu estava longe de estar preparado para isso. Iria passar a minha vida na estrada, percorrendo centenas de milhares de quilómetros, e a minha história seria sempre a mesma... o homem chega à cidade, dispara; o homem vai-se embora da cidade e afasta-se por entre a escuridão; depois, fade to black. Tal como eu gosto.
Do meu poleiro no alto do colchão, vi as rodas da carrinha atravessarem a cidade, virarem à esquerda para a Highway 33 e ganharem velocidade a caminho da brisa do oceano e da nova liberdade da costa. Com a noite quente a sussurrar-me ao ouvido, senti-me maravilhosa e perigosamente à deriva, com vertigens, tamanho era o meu entusiasmo. Aquela cidade, a minha cidade, jamais me deixaria, e eu jamais conseguiria deixá-la completamente - mas não voltaria a viver em Freehold.»

terça-feira, 25 de abril de 2017

mudam-se os tempos, mudam-se as vontades


Rua Nova da Trindade, Chiado

quarta-feira, 19 de abril de 2017

On ou.... Off

Hamon
Macron
Fillon
Mélenchon

Com tantos 'on' a votos é bom que tenham deixado claro aos eleitores franceses que não são todos la même chose. Há sempre alguém que espreita a oportunidade para mostrar que é totalmente diferente.


terça-feira, 18 de abril de 2017

"Love Story à l'iranienne"


«En Iran, les jeunes ne sont pas plus libres aujourd'hui. Rien n'a changé depuis l'arrivée au pouvoir de Hassan Rohani et l'accord signé avec les grandes puissances occidentales sur le contrôle du programme nucléaire iranien. Ces témoignages ont été recueillis sous la présidence de Mahmoud Ahmadinejad puis durant celle de son successeur, Hassan Rohani, qualifié de réformateur par la communauté internationale.
La jeunesse essaie-t-elle encore de se révolter contre le régime des mollahs, comme en 2009? Gila, Saeedeh, Omid, Leïla, Vahid et tous les autres ont moins de 30 ans. Ils viennent de tous les milieux sociaux, nous les avons rencontrés dans tout le pays. Ces jeunes ne cherchent plus à s'opposer à un régime trop fort pour eux, ils ont désormais un seul objectif, un impératif, une obsession : s'aimer.
Malgré le régime. Malgré la tradition.»




"Les jeunes ont la vie rude en Iran. 
Les gens qui le comprennent sont tristes et déprimés. Ceux qui sont heureux sont aveugles."

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Istambul já não é Istambul.

15 anos não é muito tempo. Não é sequer uma geração.
Há 15 anos fui a Istambul e depois a uma parte do interior turco. O Bósforo, a ponte, as colinas, os edifícios que se engalfinham desde o mar lembravam-me Lisboa com odor a narguilé. Algumas ruas, os bairros de Alfama e da Mouraria. Até uma certa Luz na cidade. 
Mas depois tudo era diferente. As mesquitas, o eco dos muezzins cinco vezes ao dia, as especiarias e a feira no Grande Bazar, a língua, os rostos.
Apesar da parte ocidental, de Ortaköy, aquele pedaço de terra ancorado à Europa, dos vestígios do antigo Império Otomano e Bizâncio, estávamos - e sentíamos que estávamos - num país onde mandava o Islão.
Hoje, não me apanhavam na Turquia. Não é a mesma. E já não quer a União Europeia para nada. Mas aí nem os podemos culpar. Ao ritmo a que isto vai.
A fronteira com a Síria e com o Iraque, e com o resto do mundo árabe, bem como o papel geo-político que assumiu no confronto que há mais de cinco anos arrasa aquele país, tornam a Turquia um alvo-escola para os terroristas. A Turquia ?
É todo o mundo que está assim, pendurado por um... califado. Que invenção do demónio !
Até pode ser o estertor do estado islâmico, mas desde o início do ano já explodiram cinco atentados.
Em Istambul ainda batiam as doze horas do 1º de Janeiro.
Depois Londres, São Petersburgo e já Estocolmo. * E agora o Cairo. A uma semana da Páscoa. Que é para nem falar nos outros continentes.  
Ah, pois, sempre houve atentados terroristas na Europa: ETA, IRA, Brigadas Vermelhas, Baader Meinhof. So what ? É suposto ficar indiferente ?
"Os europeus vão ter que se habituar.", é a nova ordem internacional.
Repetir até habituar. Para abandonar a capa dos jornais e passar tudo ao rodapé. Acabar com o choque surpresa e agora quem é que reza ou pensa em quem partiu assim ? Sem um minuto de silêncio ? Sem uma flor ou uma vela. Sem posts virais no facebook. Até Berlim parece que já foi há um ano.
"Os europeus vão ter que se habituar.". Impossível. Ficar refém também é isto.
Impossível ignorar quem morre só porque está ali. 
Impossível entrar na rotina de ataques como o do new year's day, enquanto brindam os flutes e estoiram foguetes, ou se beija quem se ama. Sem sentir um frémito. 
Impossível desviar o rosto como se faz a mais um acidente na estrada, ou porque é longe e não é connosco, pelo menos para já, ou agora. Uff !.....


* e Manchester (actualizado a 23.05.17).
** e Londres, again (actualizado a 3.06.17).
*** e Barcelona (a 17.08.17).

sexta-feira, 7 de abril de 2017

quinta-feira, 6 de abril de 2017

domingo, 2 de abril de 2017

Walkin Blues



Vedações

quarta-feira, 29 de março de 2017

domingo, 26 de março de 2017

'Eurexit', por Miguel Sousa Tavares


(foto: andré)

«Parece que já ninguém gosta da Europa. Uns, porque têm saudades do mítico Estado-nação, das suas queridas fronteiras e polícias, das moedas nacionais e dos câmbios em que se perdia sempre duas vezes, da inflação e das desvalorizações; outros, porque não gostam da ideia de existirem jurisdições acima das nacionais onde os cidadãos se podem queixar dos abusos do seu próprio Estado ou de haver uma lei comum que estabelece as regras em matéria de direitos laborais, empresariais ou ambientais; outros porque não querem mais imigrantes seja de fora da Europa seja da própria Europa, como é o caso dos ingleses; e outros ainda porque não querem uma política de defesa comum, uma política externa comum e, menos ainda, uma política fiscal comum, como é o caso dos irlandeses e dos holandeses. E há os que estão fartos de que a Europa se meta nos seus assuntos internos, impedindo-os de estabelecerem regras mais próprias de ditaduras do que de democracias, como sucede com os húngaros, os polacos ou os aspirantes turcos. Finalmente, temos os países do sul, que se queixam da falta de solidariedade dos do norte, do sufoco das dívidas públicas e bancárias a que estão sujeitos (e que em parte foram contraídas para safar os biliões emprestados sem critério pelos governos e bancos dos países ricos do norte), e temos os países do norte que acusam os do sul de gastarem o dinheiro em copos e mulheres (não, não são só o capataz holandês e o polícia alemão que pensam assim).

Os copos e as mulheres ainda é o lado para que dormimos melhor sobretudo quando a acusação vem de um holandês. O que nos custa é que quem nos quer dar lições de bom comportamento financeiro seja ministro das Finanças de um país que serve de sede fiscal às nossas vinte maiores empresas para lá pagarem parte dos impostos por riqueza criada aqui e que aqui deveria ser cobrada. Porque o Eurogrupo, a que Dijsselbloem preside, exige que todos cumpram regras comuns em matéria de controlo do défice público, mas não quer nem pratica regras comuns em matéria de fiscalidade o que permite que a Irlanda e a Holanda funcionem como oásis fiscais e o Luxemburgo, que durante anos foi governado pelo actual presidente da comissão, Juncker, tenha então funcionado como uma lavandaria de topo para as grandes empresas multinacionais e nacionais.
Mas isso, o direito de pernada sobre coisa alheia, vem na tradição da Holanda: sempre foram um povo com vocação para a pirataria. Mesmo na chamada Golden Age da Holanda (um período que coincide com os sessenta anos de reinado dos Filipes em Portugal), a prosperidade das Sete Províncias Unidas fez-se com base na transformação das matérias-primas que outros, como os portugueses, iam buscar longe e correndo todos os riscos, e a imensa frota que então construíram destinava-se a pilhar as colónias alheias, em lugar de fundar as próprias. Foi assim que os holandeses se lançaram à conquista do Pernambuco português, ()

Mas talvez se devesse ir ainda mais além na instrução histórica básica do presidente do Eurogrupo. Recordar-lhe que foram os países do sul, que ele tanto despreza, que edificaram as fundações da Europa que hoje conhecemos, impondo os seus valores, hoje universais, contra os bárbaros do norte. A Grécia deu à Europa a democracia e a arte; a Itália deu-lhe o Império Romano, uma das mais notáveis criações políticas da Humanidade, fundado na lei e na igualdade das partes, e deu-lhe o Renascimento, contra o obscurantismo então reinante; Portugal e Espanha abriram o mundo à Europa, e a França deu-lhe os valores da Revolução Francesa. O que deu o norte de comparável?

Sim, esta Europa que Dijsselbloem simboliza e representa já não serve ninguém e não interessa a ninguém. Os dez anos de presidência do português Durão Barroso, com a sua política de sempre, em todos os cargos que ocupou ou seja, salvar a pele, nada fazendo foram fatais para a Europa. Mantendo-se sempre à tona, flutuando sem sobressaltos perante cada problema, a Europa foi apanhada impreparada perante as crises que a viriam a assolar e hoje navega à deriva, sem rumo nem praia à vista.

Esta Europa, que daqui a dias celebra 60 anos de vida, foi uma extraordinária criação de uma notável geração de políticos europeus, que agora se arrasta para um fim sem sentido nem glória, conduzida por uma notável geração de medíocres. Talvez o destino dos povos não seja o de saberem ser felizes, mas o de estarem eternamente insatisfeitos. De vez em quando, isso é bom; outras vezes é trágico.»

in "Expresso", 25.03.17