domingo, 27 de fevereiro de 2011

apesar do que eles dizem... 2011 não vai ser só mau (II)

Optimus Alive '11

Uncle Walt


O Me! O Life!



O ME! O life! of the questions of these recurring,
Of the endless trains of the faithless, of cities fill'd with the foolish,
Of myself forever reproaching myself, (for who more foolish than I,
and who more faithless?)
Of eyes that vainly crave the light, of the objects mean, of the
struggle ever renew'd,
Of the poor results of all, of the plodding and sordid crowds I see
around me,
Of the empty and useless years of the rest, with the rest me
intertwined,
The question, O me! so sad, recurring-What good amid these, O me,
O life?


Answer.


That you are here-that life exists and identity,
That the powerful play goes on, and you may contribute a verse.

 
Leaves of Grass (1867)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Admirável mundo novo ?

Tunísia
Egipto
Líbia
Iémen
Bahrein
Jordânia
Síria
Marrocos
Mauritânia

A primeira Revolução do séc. XXI estalou. No histórico movimento perpétuo da auto-determinação dos povos que começou há dois séculos, a terceira "cortina de ferro" começa a cair. Continente por Continente como um jogo de dominó. Um dia chegará a vez de África, que não é só a do Norte. O que me comove neste ardente desejo de Liberdade é a força de um rastilho. É o desespero destes corações.

Um dia a Palestina.

(Banksy)

Um dia o Irão.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Conversa de mudos

- Estás off.
- O quê ?
- Off. Estás off.
- O que é que isso quer dizer ?
- Que ora estás, ora não estás. Agora, estás out.
- Não sei o que é isso.
- Estás out, ou off.
- E de que outra forma podia estar ?
- Não sei.
- Pois. Eu também não. É engraçado.
- O quê ?
- Dizeres que estou off quando finalmente descobri o meu cheiro...
- Como ?
- ... que só descobri quando tu mo revelaste.
- Agora sou eu que não percebo.
- Há outra coisa engraçada. Descobri que tenho pele, e gosto. E tu também estás off. Estás muitas vezes off.
- E de que outra forma podia eu estar ?
- Não sei. Acho-te uma contradição.
- Eh lá ! De onde é que veio isso.
- Do teu off. Achas que dá para continuar assim ?
- Achas ?
- Há quem enterre tudo debaixo de uma árvore e vá-se embora.
- Pois. Olha, o céu hoje está bonito.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"Sob a bandeira dos piratas"*

- Os marinheiros brasileiros que afundaram o barco levaram o pescador ferido... disseram que amanhã... mas... não estás a ouvir-me, Corto. Em que pensas ?

- Penso que as mulheres seriam maravilhosas se pudéssemos cair-lhes nos braços, sem lhes cair nas mãos.


*Trazido às minhas mãos pelas minhas outras mãos.
Nunca antes editado em português, acabadinho de estampar pela ASA, em capa dura, com fotografias e aguarelas, já devorado e só ainda não na prateleira ao pé dos irmãos porque gosto de ficar a olhar para ele até dizer Já está ! e não quero que já esteja.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

E lucevan le stelle

Já ninguém ouve rádio. Já ninguém ouve rádio ?!?
Claro que ouve. Eu ouço. Entro no carro e há sempre música. Rodo de estação como rodo o volante. A realidade impossível de conduzir um carro enfiado no trânsito no meio da chuva infernal só assim é tolerável. E então vivo.
Fracções de segundo. Micro-segundos. Milésimos. Fragmentos. Instantes, instantâneos. Bocados. Segmentos de realidade. Que é ficção. Mas é realidade porque toca e vive.
Rodo de estação como rodo o volante. E a chuva toda lá fora. E do nada do espaço surge a coisa mais bela. Num instante milagre real. Tosca.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

c) Argúcia


"Les hommes ont oublié cette vérité", dit le renard. "Mais tu ne dois pas l’oublier. Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé. "

'Le Petit Prince' (cap. XXI), de Saint Exupéry

b) Inteligência


"J'aurais dû ne pas l'écouter", me confia-t-il un jour, "il ne faut jamais écouter les fleurs. Il faut les regarder et les respirer."
'Le Petit Prince' (cap. VIII), de Saint Exupéry

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

a) Conhecimento

"Le langage est source de malentendus."  
'Le Petit Prince'  (cap. XXI), de Saint Exupéry

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Monstros I

Roger Waters toca em Lisboa no mês que vem. Traz com ele a master piece da sua vida: "The Wall" ao vivo. Acho que não vou. Não quero. Porque Waters não é os Pink Floyd.
E os Pink Floyd (formação completa) nunca mais vão tocar juntos. Não depois da reconciliação no "Live 8" de há uns anos. Nunca depois de Richard Wright ter partido. Há coisas em que não se toca.

Os Pink Floyd são a maior banda de rock de todos os tempos. Porque a música não é só música. É muito mais do que isso. Tudo o que a transcende na celebração de luz e som que estes Monstros criaram à sua volta.
Em 1994, embora sem o problemático e genial Roger Waters, tive a sorte de assistir ao primeiro dos dois esgotadíssimos concertos que deram em Lisboa. Tinha comprado o bilhete seis meses antes. Guardei-o no cofre dos meus pais (que aquilo era sagrado), e no dia da eucaristia transportei-o no pé, dentro dos ténis porque não admitia ficar sem ele. 
O primeiro disco que ouvi foi The Final Cut (ed. 1983), um vinil dos meus pais que nem sequer é o melhor. Tinha para aí uns 10 anos e perdi a inocência. Foi ele que me encaminhou para a música a sério. Lembro-me de ficar aterrado com o seu cheiro a cinema, à pólvora de quando escutamos o bombardeamento no "The Post War Dream".
Um miúdo fica impressionado com certas coisas e, talvez por isso, com 15 anos comprei uma guitarra eléctrica em prestações e livros de pautas dos PF, para poder acompanhá-los enquanto tocavam na aparelhagem. Lamber depois tudo o que cá chegava sobre eles.
Que tinham começado em 1967, e logo se destacaram no panorama psicadélico de Londres pelo experimentalismo que brotava do cérebro atormentado de Syd Barrett. Faixas de música que ultrapassavam largamente os 10 minutos ou, em alguns casos, como o fabuloso "Echoes" (Meddle, ed. 1971), os 20 minutos. Ruídos exteriores recriados do real e inseridos nas canções, como o "Alan's Psychedelic Breakfast" (Atom Heart Mother, ed. 1970), palcos projectados pelos elementos da banda (todos arquitectos), concertos estudados ao pormenor carregados de laser e imagens esfuseantes, a guitarra virtuosa de David Guilmour, o piano lunático de Richard Wright, a percursão vigorosa de Nick Mason, as letras complexas do guitarra-baixo Roger Waters e as mais brilhantes capas de discos alguma vez desenhadas.
E depois, o Dark Side of the Moon (ed. 1973), o álbum que esteve mais tempo nas U.S. Charts (730 semanas), o Animals (ed. 1977), ensopado na arrepiante guitarra de Guilmour, e o Ummagumma (ed. 1969), parcialmente gravado ao vivo, a criação mais experimental dos Pink Floyd e que inclui a melhor versão que conheço de "Astronomy Domine".
Há coisas em que não se toca.

Roger Waters vem a Lisboa no mês que vem. Acho que não vou.  

Monstros II

... E que nos levavam a ritos como o "Live at Pompeii" (1971), o concerto-filme mais emblemático do grupo pelo que significou de inovador e visionário. A lava a explodir e a escorrer nas encostas do Vesúvio, sob um sol escaldante e o olhar enigmático dos frescos em ruína - os Mistérios -, descobrindo cenas mitológicas pintadas em painéis, e o grupo a tocar na arena principal (que percorri com uns amigos). Tudo no recato privado de um estúdio ao ar livre sem intromissão do público.

"A Saucerful of Secrets"


Monstros III

Mas é no More (banda-sonora do filme com o mesmo nome, ed. 1969) que se encontram "Green is the Colour" e "Cymbaline". Que choram. Como nesta Igreja, em Le Cloitre, Abadia de Royaumont, Asnieres, sur-Oise, França. 


Pablito Aimar

É por momentos assim que vamos à Luz. Que saímos num fim de tarde frio a ameaçar chover. Que nos encontramos na roulotte do costume. Os mesmos do costume. Cachecol ao pescoço. Toma o bilhete. Porta 28.
É por encantamentos feitos de bola e pezinhos que não pisam a relva, para não estragar. Deslizam como se fosse gelo e o jogo fosse outro. Toma o bilhete. Vê lá a fila.
E o Estádio fica cheio e a ilusão faz-nos brilhar os olhos. Vemos entrar a equipa. Dois meninos. Saviola e Pablito que tratam a bola com o carinho com que se fala à Mãe. Porque Dieguito lhes disse que "la pelota no se mancha".
E parece que estão nos campinhos de Buenos Aires onde fizeram sonhar. Que foi esquecer o drama dos dias tristes, sombrios e sem dinheiro. E o povo sonha e agradece o milagre daquelas horinhas em que dois meninos pegam na bola com pezinhos que são colheres e dizem deixem a crise. E se entretêm a regalar-nos magia. E a gente canta ao nosso 10 ... Otro Pibe imortal.
E é por isto que, depois, há uma menina às cavalitas do pai que responde "É o Pablito !", quando lhe perguntam qual é o seu jogador preferido. E comove quem está ao lado, que um homem não é de ferro. Porque chegámos a casa, viemos do frio e dissemos a essa menina: "Que lindo, garota ! O Pablito. Que golo !"
E o Benfica enche Lisboa e tudo avermelha.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

muito em pouco


(Walter Bagehot)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

What is Freedom ?

E agora, o que é que estão preparados para fazer ?


A noite passada

Podia chamar-se um beijo e adeus



It ain’t no use to sit and wonder why, babe
It don’t matter, anyhow
An’ it ain’t no use to sit and wonder why, babe
If you don’t know by now
When your rooster crows at the break of dawn
Look out your window and I’ll be gone
You’re the reason I’m trav’lin’ on
Don’t think twice, it’s all right

It ain’t no use in turnin’ on your light, babe
That light I never knowed
An’ it ain’t no use in turnin’ on your light, babe
I’m on the dark side of the road
Still I wish there was somethin’ you would do or say
To try and make me change my mind and stay
We never did too much talkin’ anyway
So don’t think twice, it’s all right

It ain’t no use in callin’ out my name, gal
Like you never did before
It ain’t no use in callin’ out my name, gal
I can’t hear you anymore
I’m a-thinkin’ and a-wond’rin’ all the way down the road
I once loved a woman, a child I’m told
I give her my heart but she wanted my soul
But don’t think twice, it’s all right

I’m walkin’ down that long, lonesome road, babe
Where I’m bound, I can’t tell
But goodbye’s too good a word, gal
So I’ll just say fare thee well
I ain’t sayin’ you treated me unkind
You could have done better but I don’t mind
You just kinda wasted my precious time
But don’t think twice, it’s all right

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Jeff B.

Qualquer vida que se vai antes do tempo é sempre uma tragédia.
No caso de Jeff Buckley sentimos que a tragédia é duplamente mortal, porque nos subtraiu, não só um músico, mas a música. Pior, a promessa que a música era. 
Dos melhores da sua geração, J.B. editou em vida apenas um disco - "Grace". Com uma Fender ou uma Rickembacker de 12 cordas nas mãos, gostava sobretudo de tocar ao vivo, em bares, pequenos e onde as pessoas fossem para conversar.
Pouco tempo antes de morrer, e com um segundo álbum quase terminado, resolveu deitar tudo para o lixo e começar a compor novas canções. E, por isso, a sua discografia vive do Grace, de um álbum póstumo e de várias gravações ao vivo.
J. Buckley teve uma vida curta mas morreu com a música nos lábios. Afogado num afluente do Mississipi, enquanto, como relatou um amigo, cantava "Whole lotta love" dos Led Zeppelin.

Replay


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Despertares


Há coisa de 20 anos houve um filme que falava sobre uma doença, uma doença rara. Os pacientes de um médico sofriam de uma espécie de letargia catatónica e, embora vivessem, como que vegetavam. O médico começa a tratar um deles com um medicamento e este, milagrosamente, regressa ao mundo dos vivos.
Passado um tempo o medicamento, nas doses necessárias, deixa de fazer efeito, e o doente, aos poucos, volta ao seu estado inicial. Apagando-se lentamente, até ficar fechado. Para sempre, preso no interior de um corpo.

Hoje, Ana Benavente, militante socialista e ex-secretária de Estado da Educação dos governos de A. Guterres, acusa José Sócrates de autoritarismo. De conduzir o Partido e um Governo que «ultrapassa "centralismo democrático" de Lenine».

domingo, 6 de fevereiro de 2011

DVD

"2 Days in Paris"

Julie Delpy / Adam Goldberg

Jack: Um, so what's the deal, man?  
Marion: What?
Jack: That guy was looking at you like you were a big leg of lamb. It's like he had the fork and the knife and the bib.
Marion: I am a big leg of lamb.
Jack: I know, but you're my leg of lamb. How do you know him?
Marion: Well, we met many years ago, and we had a little thing. I think I gave... I gave him a blowjob. No big deal.
Jack: Really? A blowjob's no big deal?
Marion: Oh, I'm sorry.
Jack: I'm all right.
Marion: No I mean, it's no big deal in comparison to what's going on in the world. You know, there's George Bush, the war in Iraq, there's Avian flu and then there's a blowjob. You know what I mean?
Jack: Right, right.
Marion: In consideration, it's...
Jack: Nice transition.
Marion: It's a pretty minor event. Don't you think?


Jack: I would actually say it's not a minor event... if you wanna start talking in the grander political scheme of things. If you think about it, it was a blowjob after all, that brought down America's last chance at a healthy democracy.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

"if there's one thing could do for you, you'd be a wing"

Desesperança ou o estado de permanente ressaca eleitoral

"Tempos Modernos"

"Continuo a ser uma coisa só, apenas uma coisa: um palhaço, o que me coloca em nível bem mais elevado que o de qualquer político."
                                                                   Charlie Chaplin