quarta-feira, 25 de novembro de 2015

He's an Outlaw

 

«(...) Ao longo de cerca de hora e meia, Kurt Vile, que este ano lançou o sexto álbum, B'lieve I'm Going Down , ofereceu um espetáculo palpitante, assente na força das canções que, de disco para disco, vai colecionando, mas também na qualidade da sua banda, os Violators, e no seu próprio carisma improvável.

Aos 35 anos, o guitarrista de Filadélfia, nos Estados Unidos, continua a usar o cabelo à frente da cara e a suscitar os comentários mais curiosos: à nossa volta, houve quem notasse o seu ar perpetuamente deslocado, como "um daqueles miúdos pouco populares no liceu", e quem confessasse que Vile lhe fazia lembrar, tão só, uma década inteira: a dos anos 90, como se a mesma "fosse palpável", completavam.

Algo no autor de "Peeping Tom" está, concordaremos, ao lado ("I'm an Outlaw", do novo álbum, apresentada no banjo, é afinal a segunda canção do concerto). Mas é nesta margem que um dos fundadores dos War on Drugs prospera: entre canções, ao invés de se ocupar de conversas de circunstâncias, trata dos pedais de efeitos, afina as várias guitarras que lhe vão passando pelas mãos, afasta (apenas um pouco...) o cabelo dos olhos. E não há, na plateia, par de olhos que largue aquela figura curvada e estranhamente magnética.

Depois, claro, há as canções e o incrível talento de Kurt Vile para lhes dar vida em palco. (...) depois desta noite ficámos convencidos que é no contexto, próximo e intimista, de um clube rock que a sua música, quer a mais elétrica quer a acústica, melhor respira e é absorvida pelo público. E, apesar do som nem sempre brilhante, o Armazém F foi hoje esse clube rock de que já sentíamos falta. (...)»
 
Lia Pereira, in 'Blitz'

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