quarta-feira, 24 de setembro de 2014

de Trondheim a Oslo (6º dia)

Chegamos ao carro e temos aquilo que parece ser uma multa no pára-brisas. What the... ?!
Lembro-me perfeitamente de ter colocado moedas no parquímetro suficientes para o dia seguinte e ainda dei uma ou duas voltas à procura do lugar certo, mas aparentemente fiz merda. E a Cristina até tinha avisado. E agora tenho um bicho de 500 Coroas nas mãos.
Levo o papel à recepcionista do hotel para o decifrar. Estacionei fora do lugar demarcado. E agora ? pago ou reclamo ? Não pagar não é obviamente hipótese. O carro é alugado e depois a AVIS manda-nos a conta que, nessa altura, conhecendo bem estes nórdicos, será já o triplo ou quádruplo do valor. E agora ? Pago ou reclamo ?
Reclamo, claro. Como não ? Vou perder tempo, certo, e se estivesse com o meu amigo Sérgio, ele até se oferecia para pagar só para não se ter que chatear mais com o assunto.
Mas como, se até tinha posto moedas ? É injusto, mesmo que (reconheço agora) o carro tenha ficado "ligeiramente" fora das marquinhas. Ok,talvez não tenha sido só ligeiramente.
Dirigimo-nos à rua da entidade autuante onde chamo o superior.
É uma superiora, com cara de icebergue. Traz com ela uma pasta com o processo, com fotografias de vários ângulos, tudo rematado e indiscutível. A organização destes gajos é espectacular.
Explico uma primeira vez o que aconteceu. Responde, imperturbável, que não pode fazer nada. Dou-lhe uma visão lógica e inocente do problema, que se pensasse que pudesse ser multado não teria inserido moedas na caixinha. Que o carro não chateava ninguém, nem estava em cima da passadeira. Que achava (no meu curto entendimento) que o sinal indicava a zona e não o início do local do estacionamento. Glaciar. A superiora não cede.
Volto à carga, embora começando já a duvidar da minha capacidade de a derreter. Diz agora que compreende. Boa !, já não me foge.
Aproveito o balanço e ataco ao coração: "No meu país o valor da multa dá para uma refeição excelente para uma família inteira !", ataco à boa moral: "Não acredito que queiram ficar com o dinheiro dos turistas !", Bingo ! Pede-me o papel de volta e diz-nos para esquecermos o assunto. Agradeço quase tão luterano como ela, mas por dentro exulto. Hoje ensinei a estes nórdicos a palavra tolerância.
[foto: andré]

Saímos então de Trondheim e apanhamos a estrada para Roros, uma antiga cidade mineira, património da Unesco, e onde paramos para beber café e passear na rua principal.
De volta à estrada, já longe das montanhas, reparo no rio e numa igreja com uma cerca branca. Está sol e é um prazer conduzir num dia assim.
Seguimos para Oslo. Estamos a concluir o círculo que iniciámos. Faltam ainda 400 kms e só 100 é que são em auto-estrada. E depois ainda há os limites de velocidade, aqui sagrados e cumpridos como quem reza o terço. Vai demorar. 
Regressamos a Oslo e é noite assente.

Total da viagem de carro: 1.250 kms.
Total da viagem com os 464 kms de comboio para Bergen: 1.700 kms.

Temos de entregar o carro, mas perdemos o corte certo. Depois perdemo-nos um pouco mais dentro da cidade. É sexta-feira e devemos ter dado sinais evidentes de má condução, porque um carro de polícias à paisana manda-nos encostar. Queres ver que hoje é dia de multas ? 

Explicamos. Sacudimos os mapas. Fazemos um ar aflito e baralhado. Pioramos o nosso inglês. 
Perguntam-nos de onde somos e acabam a escoltar-nos eles próprios à AVIS. Agora sim, ensinam-me eles o significado de tolerância.
Jantamos numa cervejaria perto do Hotel Saga, onde nos instalamos. Este fica mais longe do Centro-centro. Na zona alta, de prédios com fachada arte-nova. O tipo de hotel em que ficaríamos sempre que viéssemos a Oslo.
[foto: andré]

1 comentário:

  1. Eh pah, um tipo que consegue um perdão de uma multa na Noruega devia ser mandatado para negociar com a troika!...

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