terça-feira, 9 de novembro de 2010

Kennedy


50 anos. É o tempo que tem esta fotografia.
Olho bem para ela. Tem 50 anos. Não é muito tempo.
Kennedy venceu as presidenciais a Richard Nixon numas tangenciais eleições fez ontem 50 anos.
No discurso da vitória Kennedy compromete-se ao povo americano. Diz que o faz por um período longo, leio num jornal espanhol.
Olho bem para a fotografia porque Kennedy podia ter-lhe sobrevivido. Mais do que os escassos três anos que lhe destinaram. 50 anos não é muito tempo.
Kennedy da vida interrompida, das contradições, dos discursos que emocionam, que levantam, que motivam, que fazem acreditar.
Kennedy da Baía dos Porcos também, mas da Berlim ocidental, da democracia, da Liberdade. Da ambição. Pisar a Lua antes do fim da década.
Da coragem, que é de todas a virtude que mais admiro num homem.
Com uma coluna que o torturava, mas que nunca deixou que se dobrasse.
Dos nervos de aço. 13 dias para uma crise dos mísseis. E Khrushchev fora de Cuba.
E olho para a fotografia para me lembrar que estes anos da política à portuguesa estão mais distantes de mim que o Homem da Lua no princípio dos anos 60. Antes até.
E não acredito em ninguém, porque não há ninguém em Portugal.
E a nossa vida é curta.
Kennedy podia ter-lhe sobrevivido e ter tido mais tempo. E o irmão Bobby também.
Mas ter tempo é ter coragem.

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