Mostrar mensagens com a etiqueta Coliseu. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Coliseu. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Dog(s) on Wheels


Amanhã regressam a Glasgow. 
Mas o Coliseu é sempre dos Recreios.

quarta-feira, 25 de março de 2026

S O L O

Ludovico Einaudi 
Coliseu dos Recreios

quinta-feira, 17 de julho de 2025

A Woman

(Coliseu de Lisboa)


"tristeza"
"sem esperança" 
"ressaca" 
"despedidas" 
"finais"
"morrer"

Quando lançou o seu último disco (que adquirimos logo que pudeste), estas eram algumas das palavras que usou para o descrever e
 anunciar a nova digressão, a que ontem tivemos o privilégio de assistir. 
A Beth Gibbons é nossa desde os PORTISHEAD (ainda andávamos na Faculdade). E é nossa desde depois. Quando trabalhou com Rustin Man. As etiquetas deste post dizem qualquer coisa de como é nossa esta mulher. E do que nos faz quando a vemos ao vivo em concerto.
Ontem voltámos. 
Tímida, sem plumas ou lantejoulas, entra e entram e canta e começam a tocar. Não diz nada. Ninguém diz nada. Canta. Não diz quem é (não precisa) e não apresenta ninguém. Canta. Tocam. Uma canção e outra e outra. Como se estivesse numa casa em frente ao oceano ou no meio de uma floresta. E ninguém a pudesse ouvir. Excepto um pássaro. 
Ao fim de bastante tempo, agradece-nos, envergonhada, contorcendo-se sem jeito, se a deixassem fugiria ou enfiava-se palco abaixo, quase nos pedindo desculpa por nos ter tirado de casa para a ir escutar àquela hora a meio da semana.
"Lives Outgrown" são aquelas palavras de cima. É a beleza das coisas tristes. Como os dois bocados do "Out of Season" que escolheu para dar mais. E como se não bastasse esse tanto, ainda termos "Roads" e "Glory Box" (Dummy).

Mas ali também havia outras palavras. "Tens de ser corajosa" dizia ela. "Whispering Love".

sexta-feira, 20 de maio de 2022

I rather dance


Um par de discos mais tarde (um par apenas) e temos brancos e cãs na barba. 
16 anos depois, a primogénita é adolescente e já não ficou com um mesinho e meio entregue aos Tios de baby sitters. A Aula Magna cresceu um Coliseu e os degraus da escadaria onde tivemos que sentar para ver o concerto agora são um camarote repimpado para palco e plateia. 
Mas a música continua toda. Agora mais. Mete-se connosco. Pergunta e ouve. Calma e mexe. Toca e dança. Morna e quente. Noite e dia.
A banda de Erlend Oye e Eirik Glambeck Boe não envelhece. Ou melhor, é como os vinhos. Os bons. 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Ballad of the Living Man

[foto: andré]

Somos um bicho engraçado.
Acho que evoluímos.
Camadas e camadas de novos eus. Como a casca de uma árvore ou uma cama sempre por fazer. Com memória e lençóis velhos a lembrar que ainda aquecem.
Evoluímos. Com erros e contradições. Aos solavancos. Ou quando ganhamos qualquer coisa. Mas aí bastante menos. Embora bom.
E mudamos, na construção incoerente e sobreposta do que fazemos e do que fazem connosco. Escolhendo direcções. E assumindo tudo isso. E como gosto que seja assim. Contaminando-nos com a beleza do que é dos outros e aperfeiçoando todos os dias o nosso bocado de madeira.
Também Josh Tillman.
Foi no que pensei enquanto ouvia Father John Misty a tocar no Coliseu.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

the Power of the Gospel


As paredes escorriam suor e não foi só por estarmos em Agosto e o Coliseu a rebentar. 
Ben Harper tratou de fechar a digressão a solo na Europa com perto de três horas de paixão e revolution que é aquilo que oferece ao mundo. Esculpindo o som com a violência de um cinzel e a precisão do ourives. 
"It's what we do with what we feel". Guitarras que parecem gente e voz feita sangue.
Um dia talvez se diga que hoje houve dois sismos.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Bullets over Lisbon


O Coliseu não é o Carlyle em Manhattan, mas a noite talvez se tenha aproximado dos bares e bordéis de Bourbon Street, pelo menos em rag e swing.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

(Wild) Horses


Lisboa, 21 de Setembro de 2015. 21h35m. Nova Iorque continua à mesma distância de sempre. 5.400 kms em linha recta, por causa da latitude, e menos cinco horas de fuso. Cidades tão diferentes. Uma a desaguar de luz virgem, a outra explodindo na escuridão. Uma parece que só dia, a outra espreme noite e néons. E se uma nasce do rio, doce e antigo, a outra brota a raiva das ruas sujas, todos os dias travesti. Pedra da calçada vs alcatrão.
Continuam à mesma distância, mas é possível, em não mais que duas horas, sermos cuspidos para o 176 da Bowery, em NYC, onde morreu a velha CBGB, meca do punk dos anos 70.
E a culpa é desta velhota.
Patti Smith mantém intactas todas as qualidades que fizeram dela o pistão máximo da cena artística-rock. E 'tá-se a cagar.  «Jesus died for somebody's sins but not mine».
O Coliseu transborda. Sua de cheio, e o motivo não é para menos. Passam 40 anos sobre o 'Horses' e viemos à celebração. Está a rebentar e a energia sexual que dele pulsa podia talvez derrubar um governo. Mas isto já é sonhar alto.
Vemo-la de perto e Patti Smith escarra para todas as convenções que possa haver sobre o que uma mulher da idade dela é suposto estar a fazer. Como escarra no palco quando precisa de libertar a garganta para os versos de 'Gloria' ou 'Pissing in a River'. Toca o lado A, vira o disco, pega no braço e coloca a agulha para o lado B. 
A certa altura pede a companhia do anjo de Jim Morrison que quer libertar como os escravos do Michelangelo do mármore em bruto. Chama por Jimi Hendrix e por todos os que se foram antes do tempo, Janis Joplin, Brian Jones, Lou Reed, Fred Sonic Smith, o seu eterno Robert (Mapplethorpe), os Ramones, um a um, Kurt Cobain, Amy Winehouse, a quem oferece canções, como flores que lhes derrama para as campas, lindas e tristes. Do público, ouve-se um grito por William Burroughs.
Atira folhas com versos inteiros pelo ar, convocando sempre a poesia, a mãe de tudo o que faz. A casa de Pessoa. Os livros que ele lia. Os mesmos que nós. Oscar Wilde, William Blake, Whitman ou Rimbaud. Ginnsberg se não tivesse vindo depois. 

Esta mulher não desiste. Com o seu longo cabelo branco, continua sem dono e quer a mesma revolta para nós. Contra as empresas, governos e todos os exércitos do mundo.
"C'mon Motherfuckers !", 'People Have the Power' com o punho bem erguido e a força expulsa das suas entranhas. E essa parece a grande utopia. Olhem para os gregos.
Mas ao mesmo tempo, mamma, com um amor imenso por nós. Ternura nos braços, entre canções e carradas de cabedal.
De orgasmo em orgasmo, e quando o corpo já não pode mais, mete o som de velhos rebeldes nos microfones. Velvet Underground e The Who pingando em suor e no meio de muito fumo.
Para fechar a Performance esfolando a guitarra e rebentando, uma por uma, as cordas da sua Fender, a quem depois beija com gratidão a despedida, numa muralha de feed-back.
I am You. 

sábado, 18 de julho de 2015

Best Of


Não é fácil constatarmos que já passaram 20 anos. Nunca é.
Parece muito tempo e, de certa maneira, é.
E não é fácil prepararmo-nos para rever uma banda ao vivo passado todo esse tempo. É arriscado. Perigoso. Em dia-não, podemos mesmo sofrer a desilusão de quando se cresce e se percebe que o mundo é afinal mais pequeno do que pensávamos. E tudo afinal não passou de um borrão (blur). Pode ser a ruína.

Há 20 anos os Blur vinham tocar ao Coliseu de Lisboa. Coisa nova para estes lados.
A sala transpirava de cheia. Vinham na tournée de 'Great Escape', já o quarto álbum.
Quatro rapazes que tinham inventado a brit pop. No auge dos pólos Fred Perry e da guerrilha com os Oasis.
Damon Albarn haveria de terminar o concerto em cima de uma coluna de 3 metros de altura. No final talvez se tenha projectado. Depois viriam as canções para o Trainspotting.
Na altura, a vida estava apenas no princípio. Não havia facebook, nem telemóveis.
A faculdade ainda era só começo. O liceu ficava finalmente para trás e o que nos prendia à infância e que já morria. The Great Escape éramos completamente.
Queríamos escalar todos os degraus e ir para o centro do universo. Instantaneamente. Onde a acção acontecia.
O mundo era novo e tínhamos uma vida inteira para ir e regressar. Sem rede e de pulmões escancarados, com a paixão de quem respira de verdade. 
A vida mudou e o mundo ficou estranho. Estamos mais velhos, temos famílias, profissões, somos responsáveis e temos pessoas que dependem de nós. Já não viajamos com os amigos nos comboios da Europa. Lemos imensas coisas, ouvimos muito mais. Estamos diferentes.
Cometemos erros, não cumprimos todas as promessas, mas ainda tentamos fazer a diferença. Dia-a-dia. So we say.


Os Blur têm todos 40 anos, e nós quase. E por isso recebíamo-los com o desdém de quem já anda nisto há algum tempo. Copo de cerveja na mão, sentado e bem reclinado para trás, exibindo indiferença. Não pensem que vai ser fácil. Que é só chegar. Vão ter de provar tudo outra vez. 
Primeira canção. Novo álbum. Nem me levantei. Quanto mais palmas.
Só que eles vinham em missão e, logo à segunda, "There's no other way", para mostrar que quem mandava ainda eram eles e não o céptico ali do canto. 
A partir daí, rendição total: Beetlebum, Song 2, Coffee and Tv, Parklife, No Distance Left to Run, Tender, Girls and Boys, To the End, This is a Low, For Tomorrow, Out of Time, e terminar com o absolutismo de Universal. Digo de cor e não pela ordem certa. E sempre recusando ceder à previsibilidade de um Country House que podia estragar tudo. 
Os Blur regressaram a Lisboa e afinal continuaram. Mas melhores. Quem se desmoronou fomos nós.
É a isto mesmo que se chama crescer. Mudarmos sem perder.

E é isto The Magic Whip.


sexta-feira, 5 de junho de 2015

"como hojas muertas que el viento arrastra allá o aquí"

Serrat no Coliseu foi coisa d'Ela. Todos temos as nossas coisas.
Mas há sempre tempo para descobrir pequenas coisas como esta:



como hojas muertas
que el viento arrastra allá o aquí,

que te sonríen tristes y
nos hacen que
lloremos cuando
nadie nos ve.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Fado Maior


(foto: Nuno Fontinha)

Aquilo a que assistimos ontem no Coliseu de Lisboa não foi um concerto. É amor puro em formato de canção. São as entranhas todas, as tripas, o coração, os pulmões, a cabeça, as goelas a mexerem connosco. É fado-morna, fado-bossa, fado-alfama. É fado com calor d'Alentejo. É o vozeirão de um mulheraço embalada numa guitarra portuguesa, e uma vozinha que tremelica ao ritmo do contra-baixo, do filiscorne e do sax contrabaixo. Foi bateria, órgão e cavaquinho. Foi Fausto e 11 músicos em palco.
Separados eram uma coisa. Já tínhamos visto ambos. À Ana Moura até com os Stones e Tim Ries numa noite de jazz. Mas ontem ? ontem foi fusão pura.
O grande João Gilberto dizia que "quem não gosta de samba, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé." Ou - acrescento eu - doente da alma quando o tema é o nosso novo Fado. 
Com Zambujo e Ana Moura estamos entregues aos deuses. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

sábado, 1 de junho de 2013

Dia Y


Não sei o que o concerto dos Blur no Primavera Sound vai trazer. Não estou lá para ver e não há crónica nenhuma que bata os nossos ouvidos.
Não sei se vai pingar para o nostálgico ou se vão ser grandes e rebentar com o público.
O que sei é que os apanhei vai para 20 anos, num Coliseu de Lisboa, a transpirar de cheio, para se ouvir o quarto álbum destes quatro rapazes a quem chamavam brit, quando ainda não havia festivais ou telemóveis. 
Na altura a vida começava ainda. Damon Albarn terminava o concerto em cima duma coluna de 3 metros de altura e de onde no final se terá projectado. A faculdade estava no princípio. Deixávamos o liceu para trás e o que nos prendia à infância e que já cansava. Queríamos subir todos os degraus e ir para o centro do mundo, que era mesmo novo e tínhamos todo o tempo para ele. Sem rede e de pulmões escancarados, com a paixão de quem respira de verdade. 
Estamos mais velhos e o mundo está estranho. Não cumprimos todas as promessas mas fazemos por isto. Os Blur têm todos 40 anos, regressaram a Portugal e não sabem se vão continuar. Espero que a noite lhes corra bem.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

"All things Must pass" *

Conta hoje a Rolling Stone que Damon Albarn pretende enterrar definitivamente os 'Blur' após o concerto de encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres em Hyde Park, que terá lugar no verão deste ano.
Parece-me bem. Não há nostalgia que resista quando acaba a tesão ou se perde o norte e, por exemplo, o baterista vira político. 
Mesmo que todos nos lembremos ainda da explosão que eles foram em 95/96 (onde os apanhei num Coliseu de Lx. à cunha), e a dinamite de sobra que tinham para brutalizarem a banda sonora do grande filme desse ano.



* ensinava George Harrison.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Vuelvo al Sur, como se vuelve siempre al amor

Não tive oportunidade de assistir ao concerto que o génio de Astor Piazzolla deu no Coliseu nos anos 80. A sacana da idade - malditos 10 anos ! - não deixou.
Mas há dois anos fui ao CCB ver um homem, Richard Galliano. Ele e o seu quinteto de cordas. Vieram a Lisboa tocar Piazzolla. Nem mais.
Para quem gosta de rótulos, Galliano é o sucessor de Piazzolla. Para quem gosta de música... é vê-lo. Qual vê-lo ? Escutá-lo. Fechar os olhos, profundamente, e deixar que a música nos invada e domine o corpo. Abandonarmo-nos no esquecimento do som perfeito dos seus instrumentos de fole.
Galliano toca bandoneón, o instrumento sagrado das milongas argentinas, que é a saudade de Buenos Aires. Toca piano e toca abraçado à sua mulher acordeón. Toca romance. Carrega-nos de alma.
Há dois anos, no intervalo de umas palmas, gritei-lhe da terceira fila da plateia que tocasse o Oblivion, o tema de 'La Meglio Gioventú' que assistimos em duas partes no King. E ele tocou. Como se ma tivesse ouvido e quisesse retribuir.
Voltou no dia 7 de Dezembro. E hoje tocou no Mezzo. 

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

no Coliseu de "Lisbon"




Assistir a um concerto dos Walkmen é presenciar o exorcismo de uma voz.
De como se expulsam demónios do corpo com ela.
Mas primeiro os Golpes, convém não esquecer. 

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Ursos, mas pouco

Ontem à noite no Coliseu de Lisboa. Do melhor !
Hoje no Coliseu do Porto.